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Imagens da versão em vídeos desse poema -- um projeto inacabado [fotografia de Volmar Camargo Junior] |
Não, eu não te amo
Mas amo esse teu cheiro - ácido,
O calor da tua pele - suada
O sabor da tua língua - molhada
O poder da tua mão - pesada
O roçar, sussurrar, penetrar
Mas amar... Eu nunca soube amar,
E nem pretendo tentar
Por isso não vou te enganar
Só vou te tomar, domar e montar
Saborear gota a gota
Cada gosto que sai de ti
Não insista, não vou mentir
Não posso te oferecer amor
Mas te ofereço tudo o que hoje sou
E meu corpo agora é teu,
Há um pequeno preço a se pagar
Pelo infinito no apogeu
Já não é sacrifício algum
Fazer de nós dois apenas um
Na doce agonia do prazer
Sei que dentro de mim tu sentes
O quanto eu posso ser quente
Mas minha vida é este lençol:
Fino, sujo e frio
Por isso não seja doce, seja viril
Meu preço não suporta amor
Só teu peso e desejo sobre mim
O beijo mordido da cor do carmim
O triste gemido, anúncio do fim
Quanto a esse tal de amor
Guarde-o à alguém que o mereça
Ou jogue-o fora: esqueça,
Só nunca mais me ofereça
Algo que não me presta
Algo que eu nunca quis.
Não nasci pra ser esposa,
Nem nasci pra ser feliz
Nasci pra gozar o martírio
Neste corpo de meretriz...
Comentários
Mas a carta ali em baixo foi uma pancada no estômago... Muito boa...
Certeza que farei novas visitas...
Abraços
Lindo demais.
Agora eu discordo do magnífico poema sobre a felicidade da meretriz. quem disse que não nasceu pra ser feliz. E alguém lá nasce pra isso?
Parabéns pelo blog que é obra extensa e que, apesar de vc pedir pra que não se leia muito...não resistirei.
bom, resolvi linkar vc nos meus, ok?
beijão