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sábado, agosto 28, 2010

Servindo Decepções

sábado, agosto 28, 2010
Publicada no Caderno Mulher Interativa/Jornal Agora
28-29/Agosto - Ilustração de Lorde Lobo
Bonito, simpático, loiro de olhos azuis... E além de tudo, o gringo cozinha como ninguém! Ai, ai... Quem é o bom partido? Jamie Oliver, o inglês que arranca suspiros em seus programas culinários (apresentados no Brasil pelo canal GNT). Não é a primeira vez que seu nome recheia as crônicas desta autora (ele é mesmo o moço dos aspargos, lembra? na crônica "Receita de sucesso...", publicada, no Mulher, em maio deste ano), mas desta vez o suspiro é outro! 

Ai, ai... Jamie... Algo não caiu bem.

No criativo programa sobre suinocultura que mesclou a culinária a pretensões educativas, o famoso chef errou a mão, acertando em cheio a prateleira de princípios dos tele-espectadores de bom gosto. Ao que tudo indica, em alguns lugares o bom senso é tempero caro, em outros, raro e no programa em questão, em falta! É a prova de que não basta ter em mãos uma boa receita, é preciso acertar a dose e nunca, jamais dispensar uma boa apresentação.

A ideia era boa: um programa de auditório, apresentando ao público - entre eles, criadores, consumidores e zootecnistas - todo o processo de produção suína, desde a criação das fêmeas prenhas, passando pelo nascimento dos porquinhos, manutenção em cativeiro, abate e formas de apresentação da carne no mercado - culminando na elaboração de algumas receitas, é claro. O propósito, ótimo: mostrar, à comunidade inglesa, as leis que haviam acabado de entrar em vigor, visando melhorar a qualidade e expectativa de vidas dos porcos criados para consumo. Até aí, tudo bem - questão de ética e informação - assiste quem tem interesse pelo assunto. Mas a execução... 

 Meu querido Jamie, que vergonha! Passou do ponto!

Num momento, havia no palco uma fêmea dando a luz, oprimida não apenas pelo cercado que lhe limitava todo e qualquer movimento, mas também pela plateia, câmeras e toda a parafernália televisiva. Pouco depois, um porquinho, ainda indefeso e totalmente desavisado, tinha suas pequenas e rosadas partes mutiladas, conforme manda o manual da criação. E no decorrer deste infame programa, porcas foram inseminadas por pessoas despreparadas, porcos foram... Como dizer... "sutilmente induzidos" a doar esperma para tal inseminação, também por mãos despreparadas, mas devidamente protegidas por luvas. E para completar o cardápio um telão elucidou a inteligência de outros porcos, criados como animais domésticos, vestindo roupas e tocando instrumentos musicais, numa vida que, apesar de desrespeitada, era de rei, se comparada aos seus colegas de programa. Ah, não esquecendo, é claro, o grand finale: o abate - "sem cortes", de edição.

Para fechar com chave de ouro, enquanto o último exemplar suíno terminava sua participação nesta existência, o apresentador ao seu lado anunciava alegremente qual seria o prato ensinado a seguir e executado, por ele, naquele mesmo palco onde, minutos antes, tudo havia começado... E tudo acompanhado atentamente por uma plateia cujo senso de diversão parecia um tanto distorcido, para não dizer, preocupante! Se havia alguma dúvida em relação a isso, a degustação da carne, recém temperada, oferecida a "horda bárbara", foi uma cena de revoltar não apenas a estômagos e não necessariamente vegetarianos


Não é preciso ser um desses para abominar o desrespeito ali servido.

Ai, ai... Jamie, que vergonha! Depois de uma decepção dessas, só me resta romper nossa tão antiga relação. E se me perdoa a falta de educação, deixo agora a tua mesa, assumindo o controle e levando comigo essa lembrança, tão amarga e ácida, que será gradualmente diluída enquanto troco de canal, sem voltar atrás! Sinto muito, mas...

...a mim, você não serve mais.

 

 

 

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ERRATA ►  Aos leitores do Mulher Interativa/Jornal Agora

 

Peço mil desculpas pelo engano que cometi na versão desta crônica que foi publicada no Mulher do último final de semana (dias 28-29/08) - conforme eu bem disse na primeira crônica em que o citei (maio deste ano), Jamie Oliver é um chef britânico, e não americano, como foi dito nesta. 

 

Espero com isto não ter eu lhes servido uma decepção ;) Beijinhos

 

Ju Blasina

2 comentários:

Thi!!! disse...

É Juju.... não sei até onde vai a apelação televisiva...
Não sei até onde vai a crueldade humana, capaz de matar um ser vivo, alegrar-se do sofrimento alheio, ansioso pelo belo "prato" que será preparado a seguir!!!
Ainda bem que não assisti essa crueldade. Ainda bem que sou vegetariano.
Thi

Alex disse...

Show de horror, crueldade, estupidez e bestialidade. Lamentável. A TV tem essa capacidade de reproduzir lixo.

Abraços.

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