Andei pela casa
vazia
a esmo
olhava
para os móveis
imóveis
todos eles
todos nós
levava no peito
a saudade
daquela
antiga
sensação
e no estômago
há ânsia ácida
a deixar um buraco
onde devia haver
coragem para mover
os imóveis
todos eles
todos nós
andei exausta
a procurar
e vez ou outra
a perguntar:
- o quê?
e foi só
quando parei
de andar em círculos
que encontrei:
razões.
vazia
a esmo
olhava
para os móveis
imóveis
todos eles
todos nós
levava no peito
a saudade
daquela
antiga
sensação
e no estômago
há ânsia ácida
a deixar um buraco
onde devia haver
coragem para mover
os imóveis
todos eles
todos nós
andei exausta
a procurar
e vez ou outra
a perguntar:
- o quê?
e foi só
quando parei
de andar em círculos
que encontrei:
razões.
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Already Gone by RedSigns |
NOTA da autora: Abrindo a caderneta de poemas guardados para que não fossem rasgados, sentimentos contidos, momentos sofridos. A começar por este, escrito em janeiro passado. Hoje, já partida, a dor não é menor, mas já não é a mesma. A saudade não pesa da mesma forma sobre o peito. Um ácido ainda corre no estômago e não arde menos. Mas os imóveis, uma vez movidos, nunca mais serão bem lembrados em suas antigas posições, exceto numa fotografia ou outra, virada na estante, pouco a pouco coberta pelo pó que o tempo traz.
Um caminho aberto à frente, não é menos bifurcado que aquele já trilhado atrás. É bom que se leve nas mãos uma mala, ainda que seja imensa, que pese leve, pois a estrada é longa, o caminho, árduo, e a bagagem, assim como a passagem, intransferível.
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