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sábado, outubro 08, 2011

Matar ou morrer

sábado, outubro 08, 2011
By Lorde Lobo

Havia saído para buscar um de seus animais de estimação na clínica veterinária de sua maior confiança. Deixara o bichinho lá para um procedimento simples, limpeza dos dentes, mas que requer a administração de anestesia geral – não que alguém no mundo goste de ser submetido a uma limpeza bucal profunda, mas acontece que os pets são um tanto mais dentuços e menos civilizados que a maior parte de seus donos e, como se pode imaginar, não costumam ir ao veterinário de livre de espontânea vontade... Geralmente as visitas a esse tipo de local são associadas à inserção de objetos gélidos em seus pequenos orifícios desavisados.

Pois bem, chegando lá, foi recebida com a mesma gentileza de sempre por uma das doutoras e conduzida ao encontro de seu filhote – que na verdade mostrou nos dentes mais idade do que o pequeno tamanho anunciava. Porém, ao entrar no consultório, percebeu estar invadindo a consulta de outro paciente. Ele parecia mal, muito mal, e, ao julgar pelo cheiro fétido que impregnava a sala, devia estar ainda pior do que aparentava. E estava. Estava morto ou em vias de. Jazia sobre a bancada de inox, com os olhos fechados, língua de fora e metade de seu minúsculo corpo envolto em sacos plásticos. E fedia, terrivelmente.

Até ter sua sessão de morte encomendada interrompida pela mãe adotiva da gata, que antes parecia ter na boca o pior de todos os cheiros, dava adeus a sua vida e a sua dor, na companhia da veterinária, enquanto a família, que o trouxera até ali, aguardava no hall de entrada. Não pareciam felizes, mas pareciam - do ponto de vista de quem acabara de chegar à cena - estarem no lado errado da porta. O lado dos que aguardam uma consulta alheia. O lado que fedia menos... Enquanto uma intrusa qualquer se compadecia da morte fedorenta e solitária daquela pequena vida que tanto lhes dizia respeito.

Bicho-bicho ou bicho-homem, na velhice e na doença toda morte é fedorenta e solitária. 
Talvez o que amenize a dor seja ter um referencial para onde guiar o último olhar e uma mão familiar onde deixar o último toque. Ou talvez seja mesmo uma dose cavalar de analgésicos, administrados por uma mão profissional... Há quem diga que, em certo ponto de martírio, o único alívio é deixar de sentir – um conforto que pode ser oferecido por qualquer mão fria e destra o suficiente para desligar o botão da vida. Morte ”matada” ou morte “morrida”, no final das contas não passam da mesma droga. De qualquer forma, só sabe quem chega lá, e nesse caso, não é bom ter pressa.

Deixando a cena de morte para trás, essa história – individual e felina – teve um final feliz: buscou sua gata. Saudável, bonita e molenga da anestesia. 

E não é que agora a boca, antes podre, já nem fedia?

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