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sábado, novembro 19, 2011

Mulher de peito

sábado, novembro 19, 2011
Crônica publicada no Mulher Interativa do Jornal Agora // Ilustrada por Lorde Lobo


Super peitos são superestimados. Digo isso com conhecimento de causa, uma vez que passei naturalmente de despeitada orgulhosa à peituda vaidosa - mais naturalmente impossível: bendita progesterona que não me deixa mentir [coisas da gravidez].

É comum que se associe peito a coragem, como se fosse preciso o ter em abundância, ainda que metafórica, para "encarar" o mundo [encarar o mundo com os peitos, i.e., "peitar", que também é sinônimo de subornar, procurar corromper... com os peitos - armas letais]. Por outro lado, não o ter vistoso é sinônimo de recalcaque, inveja, ressentimento - despeito.

Como ex-despeitada, posso garantir: nem todas os desejam maiores. A relação de uma mulher com os seus seios é uma relação de identidade - algumas, sim, sentem como se se eles não combinassem - seja entre si ou com o todo que os rodeia - e, por isso, desejam uma cirurgia mais que tudo na vida, mas há também as que se sentem na mais perfeita harmonia com aquilo que levam levemente em seus bojos tamanho P. O mesmo ocorre com as portadoras do extra-G: nem todas concordam que maior é melhor (aliás, nem todos, talvez só o estereótipo masculino, mas não se pode falar por uma natureza tão oposta).

Cirurgias de redução mamárias não são tão comuns como as de prótese, mas não são raras. A inserção de prótese de mamas é a mais popular intervenção cirúrgica do Brasil  - país que ocupa o segundo lugar no ranking mundial de siliconadas - só perde para os EUA, onde as meninas ganham peitos e  rinoplastia como presente de boas-vindas à maturidade: 

uma embalagem adequada ao mundo plástico que tentará as envolver a todo custo!

Mas toda mudança, estética ou não, traz consigo pormenores que não são anunciados na propaganda convidativa. Como a sobrecarga que grandes peitos representam a costas despreparadas ou o baque no orçamento que o aumento de dois ou três números no manequim peitoral pode representar - sutiãs, topes, blusas e tudo o mais que se vista por cima, vestia-se! Isso sem contar na maior de todas as mudanças: a do "eu", que já não é o mesmo, antes tão bem conhecido, e tudo o que isso acarreta:

O dormir de bruços, que já não é tão confortável, o contato físico que se torna inevitável mesmo nos abraços menos pretenciosos, o balançar que passa a acompanhar o caminhar, ainda que sejam firmes os passos, os peitos, não importa - as pequenas mudanças que acompanham as grandes são inevitáveis. O que é evitável é uma cirurgia estética mal planejada, feita pelas razões erradas, pelo profissional errado ou pela paciente errada - aquela que não sabe bem o tamanho da transformação que está prestes a sofrer.

Uma mulher de peito é aquela que encara os desafios nos olhos, independente daquilo que carrega em qualquer peça íntima. 
Não é preciso ter culhões nem peitos para ter coragem - seja para mudar, seja assumir que não se precisa de mudança. Até porque, mudança nenhuma ocorre de fora para dentro, nem pode ser escrita por bisturis ou descrita pela experiência alheia - por mais "peituda" que seja a escritora.

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