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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Adoração

quinta-feira, dezembro 31, 2009 1
Do amor ou da fé?


Ah, se eu pudesse...
Te ver
Te crer
Sequer te saber
Te ter
Te ser
Te reconhecer
Mas não...
A certeza
Não é para mim
Complacente
Já sem
Palavras
Ou voz?
Silencio
E espero
Noite e noites
A sós
A te imaginar
A te evocar
Em lágrimas
Que nunca tocam o ar
Lavaria nelas teus pés
Se eu pudesse...
Mas não
Rezai por vós
Velai por mim
Rogai por nós
Amém

Imagem: Yoshitaka Amano

segunda-feira, dezembro 28, 2009

O anjinho - Conto

segunda-feira, dezembro 28, 2009 0



Na véspera do sétimo natal de sua vida, ela carregava em silêncio o peso das asas falsas. Noites antes, ouvira da mãe que deixaria de ser um anjinho. E as verdadeiras asas sequer haviam crescido. Desde então, só pensava em evitar o triste fim, mas como? Ao soar o sino, aproveitou-se da confusão do presépio e fugiu. Dias depois, achou-se a auréola num terreno baldio. Descobriu-se a duras penas que não é raro e nem difícil tornar-se anjo para sempre.





Imagem: Federica RedSigns

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Dingobel - Conto

segunda-feira, dezembro 21, 2009 2
Imagem: "Psiqué abrindo a caixa dourada" (de Afrodite),
obra de William Waterhouse (1903).

Dedico este conto especialmente às primas Bina,Ci e Nanda, que agora têm nomes de adultas, mas serão minhas eternas comparsas.

Passavam o ano arquitetando um plano. Todo ano o mesmo plano: o de desmascará-lo!

Era chegada a grande noite. Após as funções que os adultos impunham, poderiam ir, enfim, para a cama, onde fingiriam dormir até a chegada do alvo. Pena que sempre fingiam tão bem...

Ao acordar, lá estava o desaforo: os presentes que provavam a vitória daquele velho, mais uma vez. Isso se de fato fosse um velho. Já não tinham tanta certeza.

A líder olha desapontada por tamanha felicidade de suas comparsas — em meio aos embrulhos desfeitos, pareciam já ter esquecido por completo do que aquilo se tratava. Mais um ano desperdiçado, um ano!


Indignada, ela chuta o pacote. E eis que ouve um barulho. Chuta novamente, desta vez com mais carinho. Parece uma música, mas... Não, não pode ser! Pensa ela, afinal, como ele poderia saber? Como alguém poderia saber?

Há muito havia desistido de escrever os pedidos. Primeiro, porque não acreditava que os correios pudessem levar tantas para o Polo Norte em tão curto intervalo de tempo. Segundo, por duvidar da credibilidade do destinatário.

O som se repete. Aflita, ela abre o pacote com urgência e, ao revelar seu conteúdo, fica boquiaberta:

Dingobel, dingobel... 

Cantam as vozes de fadas na caixinha-de-música natalina. E enquanto uma bela bailarina gira e gira, a pequena cética deixa seus planos e frustrações de lado, cuidadosamente guardados até o próximo Natal.

sábado, dezembro 19, 2009

Feliz Ciber-Natal

sábado, dezembro 19, 2009 2





Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora 19-20/Dez/09
Ilustração: Lorde Lobo







E o Natal já chegou! Ao menos no mundo virtual — ou seria o mundo virtual que se adiantou a chegada do Natal? Para quem é assíduo usuário das famosas redes sociais (orkut, facebook, twitter e outras mais, nas quais ainda não existo) bastam alguns cliques e pronto: fez-se o espírito Natalino!

Funciona mais ou menos assim: você visita o perfil de alguém, deixa um presente sob a sua árvore virtual, envia um cartão por e-mail ou simula uma troca de abraços entre os seus avatares e ho-ho-ho, Feliz Natal! Se você não faz a menor idéia do que diabos eu estou falando, ufa! Celebremos as boas novas: nem todas as pessoas se resumem a píxeis e bites, nem tudo está perdido!

A internet e a praticidade que ela proporciona deveriam servir para facilitar a vida moderna, e não substituí-la! Papai Noel que me desculpe, mas pelo andar da carruagem, ou ele passa a ler e-mails e arruma uma vaga como o funcionário dos correios que entrega os presentes comprados on-line, ou terá dificuldade em alimentar as henas no próximo ano!
— será que a magia do Natal resiste à era digital?

Por falar em magia, como ficariam as superstições incorporadas ao ciber-mundo? Ao invés de pendurar uma guirlanda na porta de entrada e uma meia na lareira, pode-se postar a imagem de uma delas como foto do perfil. E na virada do ano, muda-se novamente a foto para uma na qual vistamos roupas brancas. E se você costuma comer uvas e pular ondas — espero que não simultaneamente — basta twittar três, cinco ou doze vezes a palavra uva, o número varia, mas desde que caiba em 140 caracteres, tudo bem.

E quanto às ondas? Você pode até ir à praia do Cassino curtir o show dos fogos, mas chega de sujar seu vestido branco novinho: basta digitar sete vezes o acento gráfico “til” e passar a onda adiante, para que seus amigos possam fazer o mesmo. Tudo o que você precisa é de um celular com tecnologia Bluetooth e amigos presentes num raio de cem metros, que também o tenham — coisa que, cá pra nós, é mais fácil de encontrar do que ondas no Cassino.

Eu que não sou grande fã nem de uvas, nem de mar, aprecio muito a idéia — especialmente se puder expandi-la para as lentilhas! Se isto é válido enquanto ritual, não estou bem certa... Assim como não estou certa quanto à origem do Natal e da troca de presentes — é algo como o festival saturnino romano do solstício de inverno, cuja data foi aproveitada para a celebração cristã, que por sua vez tem sido muito bem aproveitada pelo mundo capitalista!

De qualquer forma, é tempo de abraços, presentes e programação especial na televisão — quem reclama disso? Eu não! E quanto aos rituais, na dúvida não custa tentar. Quando chegar a hora, vou comer as uvas, fugir das lentilhas e twittar 140 caracteres de bons votos a todos os amigos, reais e virtuais — incluindo as ondinhas!

Deixo então a vocês, caros leitores, meus votos de um Feliz Natal!

E antes que eu me esqueça, guardem isso para o ano novo:
~~~~~~~


Nota da Autora: Meus sinceros agradecimentos à colega de aula e parceira de devaneios, K. Gibbon, que em conversa pra lá de animada sugeriu a ideia das ondinhas. Ah, foi conversa ao vivo, e não "MSNínica". Valeu, guria!

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Blavino 20 — Tic-tac

quinta-feira, dezembro 17, 2009 1

Tic

Tac-tic
Já são doze

Badaladas horas
Em dias seguidos por
Noites em claro. Ouço eu

O tilintar das moedas caídas

Ao chão feito migalhas dou-
-rando o tempo perdido
Para não passar em

Vão sem ti até
O tic-tac

Dói

— Entrelinhas —


O ranger das portas
O que será que tenta dizer-me?
Quando as gavetas guardam surpresas
Esquecidas e não mais segredos


O que será que mudou?
Ignoro o sussurro do vento
Finjo não ler as entrelinhas do tempo
Até que elas marcam-me o rosto


Sigo aos tropeços por este imenso caminho
Com os sapatos e ouvidos já gastos


E o meu olhar se torna vago
De coisas que já não existem



Imagem: Audrey Kawasaki

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Versos Emulados

sexta-feira, dezembro 11, 2009 2
Queria ter sido eu
A viver naquele tempo
A dançar daquela forma
A concertar aquela canção
A pintar aquele quadro
A andar naquele trilho
A parir aquele filho
A sofrer aquela dor


Queria ter sido eu


A sentir aquele amor
A sorrir daquele jeito
A chorar naquele leito
A estrear naquele teatro
A proclamar aquela oração
A escrever aquele poema
A voar naquele vento
Queria ter sido eu

Mas não passo de um
Fraco e desfocado
Reflexo
Teu


Imagem: Audrey Kawazaki

terça-feira, dezembro 08, 2009

Pego uma Pedra

terça-feira, dezembro 08, 2009 1
Pego uma pedra
Para esfolar esta pele, esta capa que me cobre
Esta roupa que me veste, que me protege
Que me separa do sentir e já
Não me cai tão bem
Pego uma
Pedra
Para atirar em todos aqueles que não merecem o meu perdão
Para quebrar todo teto de vidro e palácio de cristal
Para romper a superfície, a interface
Que nos rouba a identidade
Pego uma pedra
E outra e
Outra
Até
Desfazer as paredes [de ilusão] que nos cercam
Que nos fazem células autômatas
Que nos limitam, seguram
E assim asseguram
A integridade
Do muro
Pego

+
1
PEDRA

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Luna.ares

segunda-feira, dezembro 07, 2009 2


Feito a lua sou eu
Às vezes escondo-me noutras
Mostro-me tão cheia de fases, assim sou eu
E não raro quando indecisa de lado posso mudar
O céu é um lugar amplo por onde vagarosa(a)mente
Pode divagar... Estou mais distante do que julga
O teu olhar tão distante que nunca deixo-me
Tocar. Um tanto bela, outro, imper-
Feita a lua — sou feita


sábado, dezembro 05, 2009

A Língua da Moda - CRÔNICA

sábado, dezembro 05, 2009 0






Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora
Em 05-06/Dez/09
Ilustração: Lorde Lobo








O final do ano está aí e com ele as festas de Natal e Réveillon. Está na hora de resolver o dilema do “com que roupa eu vou”, pois mesmo para quem planeja passar as festas entre os familiares, no aconchego do seu lar, o figurino exerce uma grande influência na forma como nos sentimos e vice-versa — a roupa é uma ferramenta de expressão da personalidade.

No momento em que se faz uma escolha, nada arbitrária, a roupa ganha um significado. E é raro uma mulher que se vista mergulhando de olhos fechados no armário, ou cujas roupas que nele guarde sejam escolhidas por outra pessoa. Quando passamos horas, dias ou meses pensando sobre o que vestir numa determinada ocasião, percebemos o papel que a roupa tem na imagem que queremos representar. Verdade esta que cabe também na língua que falamos.

Já reparou nas semelhanças entre a moda e a língua?

Ambas são cheias de regras, nuances e versatilidade. Para ambas existe a necessidade de se entender o contexto, a situação de uso e se preparar para tal — ninguém usa os mesmos acessórios de interação (sejam eles roupas ou palavras) quando está em casa, flertando numa balada ou falando numa tribuna. E se o faz, enfrenta problemas.

Existe aquilo que se usa, seja por comodidade, disponibilidade, necessidade de adequação ou forma de expressão da personalidade, e existe aquilo que de tempos em tempos nos é apresentado nas mais diversas vitrines — passarelas, revistas ou acordos ortográficos — como sendo o que está em alta na estação.

É muito mais provável que se assista ao retorno das calças bocas-de-sino e da saia evasê, do que das gírias da mesma época. Por isso, se você as tem guardadas no fundo do baú do saudosismo e gosta de abri-lo esporadicamente, é aconselhável desfazer-se do seu “broto” para dar lugar a mais peças de vestuário retrô, pois estas podem até ser usadas em alguma situação, sem causar alvoroço, já as palavras não. Ou você renova este espaço do baú, ou tranque-o e jogue as chaves fora!


O que a passarela apresenta está para o nosso guarda-roupas 
assim como o conteúdo dos livros didáticos está para
o nosso vocabulário. 


Existem estilistas e linguistas cujo trabalho busca observar e registrar o que está em uso, vivo nas ruas, nas mais diversas situações de interação social, enquanto outros tentam definir aquilo que é correto e assim ditar o que deve ser usado.

Na prática, é muito mais fácil as pessoas se atualizarem no que diz respeito à moda do que à língua — infelizmente, poucos são aqueles que se preocupam em manter um vocabulário tão vasto quanto o seu guarda-roupas. Quando se trata de seguir as tendências da moda, todo mundo acha bom e, se possível, corre para ser pioneiro em adquirir pelo menos um acessório da coleção da próxima estação. Já quando as novidades são na língua... Bom, nem tanto.

De que adianta um vestido deslumbrante, última moda, uma super produção, se quando a pessoa abre a boca comete todas as gafes possíveis? Na dúvida quanto ao que falar, reza a lenda que ninguém erra ao calar — não erra, mas também não aprende e nem se faz ouvir. Na dúvida quanto ao que vestir, a solução é bem mais fácil: para o dia a dia nada melhor do que jeans e camiseta, para a noite, o bom e velho “pretinho básico” — peças que todo mundo tem, nunca falham e que por sinal estarão em alta no verão de 2010. Pena que a língua não tenha algo equivalente, mas para ela também vale a regra de que “menos é mais”.

Pode até ser mais difícil fazer um upgrade no vocabulário do que no armário, mas nem tanto: em termos financeiros, cada um investe aquilo que pode, e assim como há aqueles que confeccionam as próprias roupas, há quem confeccione sozinho a própria educação. O único preço de ser autodidata é a dedicação. Se por um lado requer um esforço maior, por outro,  

dura bem mais que uma estação!

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Ego Literal - poetrix

sexta-feira, dezembro 04, 2009 0









Tudo aquilo que
Trago em mim não cabe em nós
Portanto digo EU







Imagem: Marion Herman

Haiku #6











Dorme a noite fria
Sonha o calor latente
Já é primavera










Imagem: Yoshitaka Amano

segunda-feira, novembro 30, 2009

O plano das ideias

segunda-feira, novembro 30, 2009 0
Imagem: Federica RedSigns

Quando
Ando cheia
De ideias
Que não
Passam
De planos
Circulares
Ora intangíveis
Ora inteligíveis
Sempre vago por
Palavras obsoletas
Simbologia abstrata
Nua de significante
Crua de significado
Num emaranhado
De pensamentos
Donde as mal
Traçadas retas
Que tendem
Guiar-me
Nunca
Levam
A lugar
algum



O plano das ideias
Que me possuem
É secreta.mente
Roubar-me
O pouco que resta
Do resto do mundo

Comovem-me os planos
Cujas ações me repelem
Compelem-me os atos
Cujas ideias me renovem

Escrevo em versos
Que me transcrevem
E não raro apelo
A palavras que me reprovem
Revelo(-me) assim tamanho o absurdo
Da lógica inserve, que é verve do meu mundo

sexta-feira, novembro 27, 2009

Calendário

sexta-feira, novembro 27, 2009 0
Os dias passam
Como nuvens distantes
Pouco a pouco
Disfarço
Lentamente desfaço
Pequenos pedaços de mim
O referencial é duvidoso
O olhar, enganoso
A cada ciclo
Uma pequena morte
Há grande chance de
Uma pequena vida
Aos restos
Somados e despejados
Faz-se outro mês
Feito ano bissexto
No fim de tudo
Começa outra vez

Os dias passam alterados
Pseudo alternados
No tic-tac sem compasso
Do meu relógio biológico
Procuro a ilusão dos dez
Dias omitidos, esticando
O tempo feito
Gregoriano
Faço o meu próprio
Intervalo Juliano

Versando o tempo
Invertido, subversivo
No congelar poético
Divido o invisível
Buscando nele o impossível:
Manter-me impassível
Ao passar dos dias
Em lacunas me escondo
No calendário
Em que me encontro
E mais me perco que me acho

Eis um papel em que não me encaixo!

sexta-feira, novembro 20, 2009

COADJUVANTES - Crônica

sexta-feira, novembro 20, 2009 1





Publicada no caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora
21/22 Nov/2009



Ilustração: Lorde Lobo








E eis que (já?) estamos em meados de novembro... E em Rio Grande cabe até trilha sonora, *November Rain, pois as fortes trovoadas lavam e levam consigo os últimos resquícios do corrente ano.(*Chuva de novembro — Menção a uma música da banda Guns N' Roses).

Talvez tenha sido esta a forma que o décimo primeiro mês do calendário gregoriano arrumou para se destacar e, ao menos neste ano, ser mais que um mero coadjuvante do seu vizinho, o tão festivo mês de dezembro — alvo de toda a atenção da mídia, do comércio e consequentemente da nossa também!

Há de se compreender as lágrimas deste novembro, afinal, estar fadado ao destino de ser um eterno coadjuvante parece algo no mínimo desagradável. Já se imaginou vivendo à sombra de outrem? Coadjuvar é uma tarefa árdua, porém necessária, um papel que requer um extremo altruísmo e perseverança, digno de poucos!

O bom coadjuvante não é aquele que rouba o papel do protagonista, como muitas vezes ocorre no cinema e na literatura, pelo contrário: se isso ocorre é sinal de que alguém errou na dose, ou o protagonista que não brilhou o suficiente, ou o coadjuvante que o ofuscou por brilhar demais.

Ser um bom coadjuvante não é roubar o foco, mas sim se fazer notar dentro do espaço designado, sem a necessidade de invadir o espaço alheio, e algumas vezes ser até mesmo um tanto opaco para que o outro brilhe mais. É trabalhar em prol do sucesso alheio e coletivo, sabendo que os louros raramente o adornarão.

E arte imita a vida e vice-versa, nem sempre nos cabe o papel de protagonista — na nossa própria vida sim, mas não na vida em sociedade. Às vezes é preciso recuar um passo no palco para que outro fique na luz, o que na prática significa vestir algo mais cinza para que uma amiga receba os elogios ou calar para que outro expresse algo que você julga saber melhor. Reconhecer e respeitar o grande momento de alguém é um ato de respeito e amor.

Não há nada mais constrangedor do que uma madrinha de casamento vestida em vermelho berrante, com um decote que quase encontra a barra do vestido ou uma formanda que resolve quebrar o protocolo para encarnar a vedete e dançar um cancan com a beca, ignorando os cem outros colegas que partilham a cerimônia. É bom lembrar a velha premissa de que a liberdade de um acaba no momento que invade a individualidade do outro.

Precisamos entender que em certas ocasiões é preciso ser secundário. E isto não significa ser irrelevante, muito pelo contrário: o que seria do Batman sem o Robin (ou o Coringa), da Noiva sem as madrinhas (ou o noivo), do sabão em pó sem o amaciante (ou o alvejante), do Papai-Noel sem as Renas (ou o saco), do mês de dezembro sem o novembro para se fazer as listas de compras e do janeiro para se pagar por elas?

Tudo bem, talvez estas não tenham sido as melhores metáforas, mas creio que contribuíram para o que esta crônica tenta expressar e assim sendo, foram boas coadjuvantes!

sexta-feira, novembro 13, 2009

Putrefacção

sexta-feira, novembro 13, 2009 0
Sexta-feira 13/11/09

O cheiro é forte
A carne morta
Só traz má sorte
A quem acorda
A cova é rasa
Certeza
Que nos circunda
Ora leve
Ora profunda
Em pesadelos
Disformes
Oscilante
Distantes
No constante
Sono do viver
Ao leito
O treinamento
Disfarçado
No ar
O aroma revelado
A verdade é putrefata
Aos sentidos aguçados
O fim é cético, breve e fétido
Imagem: Federica RedSigns

quinta-feira, novembro 05, 2009

Contra o Muro

quinta-feira, novembro 05, 2009 6
Os muros são tantos
Obstáculos intransponíveis
A dividir a estrada
E nós — Tão poucos
Impedidos de proferir
Impelidos a prosseguir
A alta escalada
Apta a transcender
Esta plástica realidade

Ah, se nós fôssemos tantos
Quanto são os sonhos que ousamos ter (?)
Ah, se fôssemos tão fortes
Quanto é o medo que nos faz oprimir (?)
Que nos tenta abater
Ah, se fôssemos mais altos
Que os obstáculos
Que nos levam a cair

Não haveria muro
Capaz de suportar
Tamanha vontade

E a realidade (?)
Seria nova
Seria nossa (?)
Seria nada



















Foto: divulgação

Procuras vagas?




Queria tanto
ter mais tempo
para ao menos
perder-me
em poesia
mas por ora
sou só
procuras
vagas
(?)





Imagem: Audrey Kawasaki

segunda-feira, novembro 02, 2009

Delírios da Madrugada II

segunda-feira, novembro 02, 2009 2
Imagem: Ju Blasina
...A madrugada e eu...


Na janela
nada
interface
vazia
sozinha
ela
ainda
espera
e espia
o adormecer
de um
outro
dia
até
que
enfim:
Ele
acordou
e ela?
Morreu!
A madrugada
não
eu

sexta-feira, outubro 30, 2009

Injustiça

sexta-feira, outubro 30, 2009 2








Acordando agora
Para a vida? Ainda não. Para o dia
Já quase ao fim. Injustiça seja feita:
Por que ele nunca acorda para mim?







Imagem: Audrey Kawasaki

sábado, outubro 24, 2009

Cisma ao misticismo - Crônica

sábado, outubro 24, 2009 1





Publicada no
Caderno Mulher

Jornal Agora Out/09


Ilustração: Lorde Lobo








Final de outubro, mês das bruxas. Numa crônica padrão eu exploraria a data em questão, falando sobre o halloween, a magia feminina, poções, feitiços e coisas do gênero. Começaria dizendo:
Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay! 
E talvez até gerasse uma boa crônica, não fosse por um detalhe: Eu não creio.

Bem que eu gostaria: Vejo a fé — em coisas abstratas, sejam elas quais forem — como um grilhão para a realidade; algo tão mais saudável, ou no mínimo confortável, que a constante dúvida que acompanha a minha natureza agnóstica.


Agnóstica é aquela pessoa que não afirma, nem nega a existência daquilo que não tem comprovação científica (como o místico ou sobrenatural). Em cima do muro? Talvez, mas respeitar a opinião alheia é um dever, discordar é um direito.

Que me perdoem Platão e Descartes a quem tanto admiro não apenas pelo legado que deixaram ao mundo, mas principalmente por mostrarem que pensando muito é possível encontrar algumas respostas sem enlouquecer primeiro (será? tomara!), mas desconfio que todo grande filósofo, cientista ou curioso, no fundo, no fundo, busca por algo que aplaque a imensa “fome do não sei” que traz consigo e que lhe traga sob dúvidas infindas.

Em meio ao meu próprio mar de dúvidas, decidi por deixar-me levar, mas de maneira organizada, como cartesiana assumida que sou! Pensei, pensei e como resultado de quem pensa demais andei em círculos, voltando ao ponto de origem: a razão do próprio pensar.

Ao menos foi assim que René Descartes (Penso, logo existo), dando continuidade ao pensamento de Aristóteles, acreditou ter provado a existência de Deus. Segundo ele, as dúvidas refletem a natureza imperfeita do homem na busca utópica pela perfeição. Conforme a relação de causa e efeito, as noções que se tem de incompleto, imperfeito e as próprias dúvidas, sugeririam necessariamente a existência de sua contraparte, ou seja: o completo, o perfeito, a origem das certezas — a que ele creditou ser Deus.

Os pensamentos seriam então fagulhas divinas que habitam em nós, ou em outras palavras, a alma. Assim sendo, pode-se dizer que uma maior ou menor compreensão de mundo equivale a um maior ou menor esclarecimento espiritual, o que não diz respeito à aparência, educação ou status social, é algo apenas sentido, pensado e, assim, sustentado. Dessa forma, não existe pessoa mais ou menos inteligente que outra. O que existe é um uso maior ou menor do imenso potencial igualmente presente em todos nós — e põe presente nisso!

Vivemos numa busca constante por respostas, independente daquilo que nos instigue. E onde encontrá-las? Pode haver métodos de procura, pontos de partida, mas não há uma fórmula que garanta a chegada: cada um encontrará as respostas que melhor o satisfaçam, no caminho que lhe parecer mais adequado. Alguns espiam os vizinhos, outros analisam seres diversos. Há quem prefira observar os astros ou ainda vislumbrar além!

Mas poucos são aqueles que atentam à
grandiosidade do microcosmo que representam.
Ele pode ser tão ou mais complexo e encantador que qualquer universo alheio.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Melancolia

sexta-feira, outubro 23, 2009 1
Se me encontrar por aí
Mande lembranças
Daquilo que um dia fui
De dias passados
Remotos
Relatos, retratos
Um fragmento qualquer
Ao vento perdido
Ao tempo vivido


Mande lembranças
Se me encontrar por aí
Mande-me um norte
Um foco, um locus, um sim
Qualquer coisa que preencha
O imenso vazio sem fim
Qualquer coisa que aqueça
Este intenso frio
Que mora em mim


Se me encontrar por aí
Um dia qualquer
Mande
Lembranças
Embaladas em sentimentos
Reais ou artificiais
Sua origem tanto faz
Pouco
Importa


Se me encontrar por aí
Mande lembranças
Pequenas notas
De roda-pé
De boas-vindas
Que entoem e ecoem
Que avancem e alcancem
Ao passado
Lugar distante
Que traga o presente a mim
Neste labirinto melancólico
Onde me perco
Em meio à falsas memórias
E anseio
Em silêncio encontrar
Um fim
Se me encontrar por aí
Mande lembranças


Imagem: Marion Herrman

quarta-feira, outubro 14, 2009

— Ao girar da roda —

quarta-feira, outubro 14, 2009 2











Ilustração de Dave McKean
(The Vertigo Tarot) 












Guardo-me em gavetas, em estórias, em intervalos
Inconstantes de memória. Guardo-me aos pedaços
Em retratos, em relatos, em pó

Viajo em nuvens que já não são as mesmas, mas remetem-nos
À tempos longínquos de esperança, à ingênua idade da infância
Aonde o tempo era uma só estrela — tão brilhante, tão distante

A singela utopia da aurora dos nossos dias, hoje presente
Oscilante nas lembranças vazias — o tempo é uma ameaça
Constante que nos congela em noites frias

Sussurro, ao silêncio, este meu saudoso pranto
Enquanto elevo o olhar aos céus, buscando nele
Estrelas: algo imutável nesta natureza efêmera

Sigo a dança do universo, aos tropeços — aos versos — arrisco
Um ritmo, esqueço os passos. Até deixar-me guiar, lentamente
Até perder-me no tempo, latente:

Ao girar da roda sinto-me o último grão, levado
Mesclado e mimetizado a estranhos semelhantes
Tornando-nos uno amontoado ao sopro do vento

terça-feira, outubro 13, 2009

Espreguiçar - Poetrix

terça-feira, outubro 13, 2009 4










Tempo ocioso
Já basta aquele
Que se perde dormindo











Imagem: Steve Adams

quarta-feira, outubro 07, 2009

DIALÉTICA - poesia

quarta-feira, outubro 07, 2009 0
Faces plásticas
Frases ecléticas
Vidas eróticas
Mortes poéticas

Imagem: Yoshitaka Amano
Vidas apáticas
Faces estéticas
Frases robóticas
Mortes assépticas


Vidas fanáticas
Mortes céticas
Frases caóticas
Faces patéticas


Frases enfáticas
Faces atléticas
Mortes exóticas
Vidas herméticas


Faces plácidas
Vidas eidéticas
Mortes retóricas
Frases dialéticas

sábado, outubro 03, 2009

A criança que mora em nós - Crônica

sábado, outubro 03, 2009 3








Crônica publicada no Caderno Mulher Interativa
Jornal Agora - Out/2009


Ilustração: Lorde Lobo









Existe uma norma social intrínseca ao amadurecimento, que age silenciosamente conforme adentramos a vida adulta. Uma norma que nos afasta abruptamente da criança que um dia fomos, mas ela não morre: fica latente em algum lugar de nossa mente (ou alma), esperando ansiosa para novamente brincar!

O cotidiano nos reprime, nos restringe e até mesmo nos proíbe a manutenção de determinados hábitos, simples e singelos, que ainda ontem participavam da nossa vida. Como por exemplo, passar uma tarde na cama, comendo pipoca e assistindo à sessão da tarde. Hábitos estes que, de uma hora para outra, tornam-se inadequados para a nossa “faixa etária” e os ousados indivíduos que teimam em mantê-los são tachados pejorativamente de infantis.

Não sei como algo infantil pode ser ruim, mas neste caso passa a ser, graças ao paradigma social (de tendência altamente preconceituosa) que torna infantil antônimo de adulto.
Vejamos o significado literal da palavra infantil:

“Que tem o caráter de criança: graça infantil. Pouco complicado, pueril, ingênuo”. 

Não sei quanto você, leitor, mas eu continuo sem entender como pode ser ruim manter vivo o lado infantil.

Novamente me vejo tentada a falar da “balança imaginária” — para tudo na vida é preciso acertar a dose, não passar do ponto. É sabido que a vida adulta nos exige uma série de compromissos e responsabilidade para as quais a maturidade se faz indispensável. Nestes momentos é bom deixar a “criança que mora em nos” tirar uma bela soneca, enquanto o adulto se descabela para dar conta de suas sérias incumbência.

Há quem diga que avô e avó servem para deseducar os netos, ou ainda que “é mais fácil ser avô do que pai”. Talvez realmente seja. Muitos pais seguem a linha de pensamento, um tanto ultrapassada, de que para educar é preciso manter um distanciamento hierárquico e autoritário em relação aos filhos e só ao se tornarem avós sentem-se livres da enorme responsabilidade do educar a moda antiga, permitindo-se até mesmo a peripécia de brincar!

Vale lembrar que na natureza é assim que os filhotes aprendem: brincando! Parece bem mais divertido, porém diversão e aprendizado podem até caminhar lado a lado, mas são coisas bem distintas. Até que a criança seja capaz desenvolver sua autonomia, cabe aos adultos estabelecer regras e valores. Com tamanha responsabilidade, torna-se ainda mais difícil àqueles que tem filhos manter ativo o seu próprio lado infantil.

Eu sou de uma geração que estuda cada vez mais, tem filhos cada vez menos, considera história em quadrinho parte importante da literatura e tem o videogame como parte integrante da mobília — mais um dos indispensáveis eletroeletrônicos domésticos.

Não há nada de errado em, nos momentos apropriados, cultivar a criança latente em cada um de nós. E muitos fazem isso sem sequer perceber: quando optam por assistir a um desenho, ao invés de um programa de cunho mais sério, quando realmente se divertem brincando com os filhos (seus ou de outros), quando se reúnem com amigos para uma boa partida de videogame, carteado ou um jogo de tabuleiro qualquer.

E tem coisa mais saudável do que isso?

É bem provável que tenha, sim, e muitas! Mas uma coisa não exclui a outra. A diversão faz parte de uma vida saudável e parte mais importante do que muitos supõem, contribuindo para a saúde mental e, consequentemente, física também, já que o nosso corpo trabalha em tipo de “sistema fordista”, onde cada órgão tem sua função específica e o mau andamento de uma etapa afeta outra — tudo está interligado!

Sendo assim, por que não destinar parte do seu tempo, por menor que seja, para a sua criança interior? Na pior das hipóteses você esquecerá os problemas, rirá um bocado e perceberá que ainda possui o encanto pueril, brilhando em algum lugar de seu olhar adulto.

E se lhe chamarem de infantil, convide-os para brincar! Pois, mesmo que não admita,          todo mundo tem saudades da criança que um dia foi...

quinta-feira, outubro 01, 2009

Agradeço aos presentes!

quinta-feira, outubro 01, 2009 1
Hoje (01 de outubro de 2009) *50 leitores no P+2T*




















Para muitos, pode parecer pouco, mas para mim é o suficiente
Para gerar tamanha alegria - Retratada em poesia!
A casa continua aberta (para o alto e avante)
Mas 50 é um marco que enaltece
Feito de pessoas que merecem
Os meus mais sinceros agradecimentos!


Obrigado
Ninguém é
A aqui estar
Presente

Como o que pincelo
Ora a pitadas
Ora a punhados
Embalados

Por metáforas e
Sentimentos
Endereçados a ti
Ofereço este poema

Presente
Como o hoje
És tu para mim e
Quiçá o amanhã

Traga-me!
Dia a dia
Mais e mais
Barcos para este cais

Agradeço
A cada ser
Aqui presente
Próximo e distante

Compartilhando
Este instante
A alegria se faz sentir
Transbordando

Em singelos
Versos
Só para a ti
Retribuir

terça-feira, setembro 29, 2009

Errante - Poetrix

terça-feira, setembro 29, 2009 2







Leve como
O sopro do vento sou
Folha solta









Imagem: David Mack

sábado, setembro 26, 2009

Essencial - Poetrix

sábado, setembro 26, 2009 0








A beleza real é
Invisível aos olhos
Nus — Não se pode tocar!









Imagem: Audrey Kawasaki

Arquipélago digital


Neste tão imenso mar
De informações
Sinto-me tão pequena
Ilha — Cercada
Por todos os lados
Por todas as coisas
Por tantas pessoas
Invisíveis, isoladas
Somos tantas e tão sós
Virtualmente semelhantes
Já não passamos de
Pequenos bytes
Ora barco à deriva
Ora pequena ilha
Flutuando — Conectadas
Ao arquipélago digital

sexta-feira, setembro 25, 2009

Orientação - Poesia

sexta-feira, setembro 25, 2009 3
Imagem: Steve Adams
É preciso girar direito
Para
Que as trancas se abram
Para
Que os lacres se rompam
Para
Que se produza um efeito
É preciso girar
Direito
Para tudo
Existe um sentido
Dispensa a força
Empenha jeito
Para
Que o movimento transcorra
Segue
A orientação
Teimosia gera apenas
A estagnação
Para
Um resultado perfeito
Segue
A lei de causa e efeito
É preciso manter
O sentido
É preciso girar
Direito

terça-feira, setembro 22, 2009

Despindo - Poetrix

terça-feira, setembro 22, 2009 2







 A culpa é um casaco  
Guardado em dias quentes 
Pesado em noites frias



 




Imagem: Yoshitaka Amano

sábado, setembro 19, 2009

Reencontro - Poesia

sábado, setembro 19, 2009 4









Este poema participa do romance
“Layla & Tommy”
ainda em construção.
Imagem de
Federica RedSigns












Corro a noite para te encontrar
Uma urgência me atropela
Aquela que só
Os amantes sentem 

No peito latejante e pendente

Guardo a dor em bala
Relicário tão mortal
Quanto a vida que
Há tanto gozamos juntos
 
Corro à noite para te encontrar

Rompendo as amarras
De tempo e distância
Corro em vão — Já se faz tarde
A tua partida adiantada  

Ao nosso último reencontro

Já não és o mesmo: Frio
E desencontrado de vida
Te vejo, te beijo e sinto
O pesar de tudo o que perdi  

Lágrimas teimam em cair

Um rio corre em meu colo farto
De uma saudade — Eterna ferida
Se ao menos sangrasse
A foz teria — Vida   

Rio que nos une e aparta

Por maior que seja o desejo
Meu toque já não te alcança
Meu calor já não te aquece
Meus gritos sequer te acordam  

Mas, meu amor, nunca te esquece

Mesmo envolto em negro manto
Mesmo em vulto e sepulcro o pranto
Guardai contigo o que era vivo
Em mim te acompanha  

Nesta solidão tamanha

O pouco que ainda me impele
É a certeza de que morro dia-a-dia
Para, quiçá, partir em breve
E te reencontrar — Como eu queria!

sexta-feira, setembro 18, 2009

Atenção: Estamos em obras! CRÔNICA

sexta-feira, setembro 18, 2009 0






*Publicada no Caderno Mulher Interativa
Jornal Agora - Setembro/09

*Ilustração Lorde Lobo










V
ocê acorda cedo num belo dia de folga. É um daqueles dias raros em que dormir é o seu único e maravilhoso plano. Porém, você é abruptamente arrancado do mundo de Morpheus* graças a um incessante, estridente e extremamente irritante cantar de serrotes, martelos, furadeiras ou a combinação, nada harmônica, dos mesmos na grande sinfonia da obra mais próxima.

O que poderia ser pior?

A proximidade da tal obra é maior do que você supunha ou gostaria de admitir: ela está acontecendo neste exato momento, dentro da sua casa, dentro de você!

Cuidado: A simples menção pode remeter-lhe a uma enorme dor de cabeça!

Bagunça, sujeira e barulho, muito barulho — é disso que toda e qualquer reforma é feita. Seja ela na sua rua, casa, carro, na sua língua (“bendita” reforma ortográfica!) ou mesmo no seu corpo — raros são aqueles que julgam desnecessária uma pequena correção nos dentes, nos “pneus” ou apenas superficial. Seja qual for o método, alvo ou resultado, uma coisa é certa:

— Reformas são sempre estressantes!

E então por que estamos sempre as buscando?
Buscamos reformas por acreditarmos que elas trarão melhorias — necessárias, funcionais ou meramente estéticas. Buscamos reformas porque cansamos da “mesmice” das coisas. Porque, em um dado momento, o estagnar se mostra ainda mais estressante que a reforma em si. Porque mudar faz parte da nossa natureza!

O universo, o mundo, a sociedade, o indivíduo, as células... Tudo está, em maior ou menor grau, sofrendo constantes transformações. Com um pouco de silêncio e atenção você pode até ouvir: É a constante roda (kármica ou temporal) a girar.

Cada dia é novo, único, diferente daquele que passou e daquele que está por vir. Cada instante nos abre uma gama de possibilidades. Cada interação — ecológica, social, literária ou intelectual — transforma irreversivelmente todas as partes envolvidas.

Eu já não serei a mesma ao término desta crônica, da mesma forma que você não será o mesmo (leitor) ao concluir sua leitura.

As pequenas e grandes mudanças que sofremos ao longo dos anos e operamos ao longo do caminho, participam do maior de todos os ciclos que é a vida. Um ciclo no qual todos nós giramos em torno de um mesmo eixo. Um eixo invisível, intrigante e, principalmente, instigante!

Estamos eterna e ininterruptamente em obras. Algumas são mais barulhentas, outras silenciosas, mas todas partilham de um mesmo objetivo: Melhor atendermos — seja aos outros ou a nós mesmo.
Então: Mãos à obra!


*MORPHEUS: Deus dos sonhos na mitologia grega; filho de HYPNOS, o deus do sono; significa "aquele que forma, que molda".

segunda-feira, setembro 14, 2009

Ass. Yin. Natura - Acróstico

segunda-feira, setembro 14, 2009 2



































Acróstico concretista em comemoração ao meu aniversário!

Poesia & Arte: Ju Blasina
Fotografia: Lu Mattos

Blavino 19 - Viver



Viver


Morrer — Vi
Ver — Morrer

Um breve intervalo
Passageiro do pensar
É o que nos resta — Insistir

Esperar (até) o fim de tudo, o quê (?)

Carrego em mim — grilhões
De ilusão trazem-me à
Realidade perdida a

Cada instante tão
Distante do

Viver



Imagem: Audrey Kawasaki

domingo, setembro 13, 2009

Blavino 18 - Labirinto

domingo, setembro 13, 2009 2
land's end labyrinth - (san francisco)




















Errei

Por tantos
Anos, portanto

O tempo perdi em
Vão. Na busca por um
Lugar — Errôneo — Vaguei

No labirinto intrincado do viver

Deixei-me levar a esmo feito
Plâncton na correnteza
De dúvidas frias. Fui

Errante até achar
-me bem

Aqui

sexta-feira, setembro 11, 2009

DeLíRiUs VirTuAiS - Conto

sexta-feira, setembro 11, 2009 1






*Publicado na SAMIZDAT
Especial Mistério & Suspense





Noite abafada.
Em algum lugar, longe e perto, há um temporal latente: Luz e som sinalizam o confronto de nuvens opostas.
A sala vazia espera em branco. Dedos se movem inquietos — receosos, ansiosos — indecisos. O brilho da tela ilumina a peça.

“Ele deve estar lá, em algum lugar”, pensa ela, sem necessitar palavras. Há muito, dispensou as trocas sociais; opiniões alheias nada lhe dizem que não lhe esmaguem e olhares estranhos só lhe invadem e recriminam. Protegida do mundo em seu lugar seguro — A fantástica interface virtual — a máscara lhe permite pseudocontatos ilimitados; verdade tão contraditória quanto sua existência.

O celular desperta: É chegada a hora! Os dedos, velozes, dançam às cegas nas teclas:
Nick, senha, clique, espera.

Blondie 34 entra na sala: — Oi, alguém aí?

A sala permanece vazia, exceto por ela. Sente-se sozinha, pensa em partir — a demora lhe ofende! — quando, enfim, ele surge.

Jack entra na sala: — Oi, minha loira, tava só te esperando.

— Ué, saiu da onde? Eu não te vi...

— É que eu tava invisível, risos

— Hm, tem poderes especiais, é?

— Tenho... E nem sabes quantos! (risos) Tava só te esperando. Hoje não tô pra mais ninguém!

— Hm... Só pra mim, é?

— Claro, minha linda, só pra ti, sempre! E então, pensou naquela proposta? Não vejo a hora de te encontrar!

... (silêncio)

— O que foi, loirinha? Ainda com medo?

— Pra falar a verdade, bastante! E ansiedade também.

— Bom, já podes te acalmar: Fiz nossas reservas, para amanhã!

— Como assim... Já?

— Sim, já! A nossa tão esperada noite será “Amanhã ou nunca”, porque daqui a dois dias ela volta, é aí... Sabe-se lá...

— É... Fazer o quê, né?

— Hmmm “Quanta empolgação!”

— Desculpa, não foi a intenção :*

— Sei, sei...

— Eu só fico... Receosa, só isso. E tenho motivos, afinal, ela ainda é a tua mulher, isso é errado!

— Certo ou errado, que diferença faz? Poxa, loirinha, é a nossa oportunidade! Eu já disse que tô louquinho por ti...

— Eu sei, mas isso me incomoda.

— Te incomoda o suficiente para desistir da nossa noite? Parece que já nem queres...

— Quero sim! Cla-ro que eu quero... Quero muito!

— Ah é? Sua safada... Então me diz: o que é que vais vestir pra mim, hein?

— Hm... Pouca coisa. Kkkkk

—Ah... Loirinha, como tu és gostosa!
...

— Loirinha?
...

— Oh Loirinha, cadê tu?
...

— Só um pouquinho. Eu já volto!

— Ué, o que houve?
...

— Voltei! Ouvi um barulho aqui dentro, mas não era nada demais. Continua...

— Ah, agora eu me perdi. Fala tu...
...

— Loirinha? Oh gata, sumiu de novo?
...

— Voltei! Sentiu saudades?

— Sempre... Por que demorou tanto?

— É que aquela vaca resistiu um bocado!

— Vaca? Que vaca?

— Ah, isso sem contar que chegar até aqui foi cansativo... Eu estava longe pra caramba! Sentiu saudades?

— Como assim? Do que tu tá falando??? Não tô entendendo nada!

— Anda logo, querido, RESPONDE!

— Eu... Preciso ir agora.

— Não, não precisa NÃO! Nem ouse me deixar falando sozinha! Sabia que a vaca loira tinha um laptop? Pois, não é que tinha! E sabia que ela era BEM pesada? Garanto que disso tu não sabias. Sinceramente, eu esperava mais dela... E DE TI TB!!!

— Eu não sei o que tá acontecendo contigo... Nem tô te reconhecendo.

— Querido... Que coisa feia! Depois de todos esses anos...

...
— Querido? Ah, que bobinho, tentando ligar pra quem? Pra polícia? Ops* Acabo de esbarrar num fio. Talvez seja o do telefone... Ah... Que desastrada! Não é que derrubei o teu celular da janela? Desculpa... Ha Ha Ha

— Querida, por favor, me diz onde tu estás?

— Ah... Ora, ora. Tô em casa, querido, AONDE MAIS eu deveria estar?

— Que piadinha de mau gosto é essa? Eu nunca tive esposa alguma!!!

— Ah, não? Bem, agora tens! Não é maravilhoso?
...

— QUE MERDA É ESSA? Por que eu não consigo desconectar?

— Por que eu não quero... Porque tu não queres... Porque nós não queremos!

Angry wife entra na sala

Angry wife & Blondie 34 são agora a mesma pessoa

— Mas... Que... LOUCURA é essa?

— Ah... A mesma de sempre, querido! Kkkkkkk

— Isso não faz o menor sentido! Eu não sei que tipo de truque é esse, mas não tem graça!

— Ah não tem graça? Nem percebi... Anda logo, Jack, te junta a nós! Acho que tu és a nossa parte mais teimosa, aquela que ainda acredita na vida real: Bobagem! A realidade é só mais uma sala e nem de longe é a mais divertida. Nós já não precisamos disso. A vida é insignificante diante da grandeza de padrões que podemos representar. A gente não precisa mais fingir... Basta um clique, um último clique e nós seremos um só, para sempre! O despertar é mais simples do que parece. Vem logo, vem...
...

Jack deixou a sala

Angry wife & Blondie 34 deixaram a sala...

Jack, Angry wife & Blondie 34 são agora a mesma pessoa

...

Em algum lugar, longe e perto, a chuva cai em milhares de gotas. Gotas que individualmente pouco representam, mas juntas formam um temporal.

É uma chuva diferente das outras tantas. É a última chuva.
A água invade a sala, molhando a tela.

Na sala em branco, a chuva é vermelha.

Um único corpo jaz, inerte, sobre o teclado gasto. Um corpo sem nome, sem face, exposto às intempéries — a identidade foi há muito perdida. Ninguém sentirá sua falta. Ninguém lhe reconhece, pois sequer lhe conheciam. Um corpo qualquer, irrelevante, despersonalizado deste lado da interface.

E a sala, novamente vazia, só espera...

quarta-feira, setembro 09, 2009

A DANÇA RUBRA DE LUNNA — PRÓLOGO

quarta-feira, setembro 09, 2009 0
*Publicada na e-zine Brumas Negras


— NOTAS PARA O ESQUECIMENTO —








“Esta é a história da minha vida
e pós-vida.
Por que a estou escrevendo?
Não sei ao certo...
Talvez, ao final, um de nós descubra”


LUNNA




Imagem: Jairo Tx


EU ERA APENAS UMA CRIANÇA quando descobri que a vida seria difícil. Éramos uma pequena tribo errante: meus pais, avós e eu. Cresci ouvindo meu avô contar o episódio do meu nascimento:

Dizia ele que o mal e o bem, existentes em toda criatura, vieram divididos em duas partes, duas meninas e que, conforme mandava a tradição, a face do mal foi identificada e dada em sacrifício ao Sol, garantindo a mim uma vida feliz e próspera...

Se essa é ou não a verdade, eu nunca soube, mas passadas tantas décadas, desisti de esperar por tal recompensa. Lembro de espiar minha mãe chorando escondida enquanto segurava uma pequena mecha de cabelo. Talvez minha irmã tenha morrido em outras circunstâncias e meu avô, como grande contador de estórias que era, transformou o incidente nesta parábola, apenas uma das tantas parábolas que eu nunca entendi. Lamento que seus ensinamentos tenham se dispersado no fragmentar de minhas memórias. Guardo apenas uma frase clara, algo que ele me dizia com frequencia:

”Wenona, não ouça apenas o que as palavras dizem, ouça o silêncio,
procure o sussurro perdido no vento”.

Wenona não era exatamente um nome — eu era muito pequena para os grandes sonhos de onde vem os nomes — me chamavam assim, de acordo com a ordem do meu nascimento; em sioux, Wenona significa “a primeira filha”.

A montanha nunca me batizou, por isso, durante a vida, passei por muitos nomes. Nomes que nada significavam para mim, exceto que eu não sabia o que ser. Muitos acham que isso é besteira — muitos são idiotas — o nome pode determinar o destino do indivíduo. Um nome errado é mil vezes pior que nome algum. Foi só na morte que encontrei meu verdadeiro nome: Lunna.

Nossa tribo era composta de duas ou quatro famílias, não estou bem certa disso — o tempo confunde os números e borra os rostos — vagávamos em busca de novas terras, porque o homem branco nunca tinha terras o suficiente! Era como se não restasse chão algum em que pudéssemos parar. Andávamos sempre, seguindo adiante sem saber sequer para onde.

Hoje, quando ouço alguém dizendo “bons tempos aqueles”, preciso me segurar para não voar no pescoço do infeliz. Nunca houve essa besteira de “bons tempos”, não que eu tenha visto e acredite, eu vi muitos deles. Os “tempos” são sempre difíceis, todos eles!

Por onde quer que passássemos, nossa presença era incômoda. Lembro de ir a uma feira com meu pai e de lá sairmos enxotados; arremessavam coisas em nós; perguntei a ele o porquê de tanto ódio e ele disse:

“Esta é uma resposta que nem mesmo elas tem, Wenona, está no sangue...”

Pouco tempo depois, pude constatar que ele estava certo. Numa dada noite o sangue delas ferveu e o ódio tomou grandes proporções...

...Acordamos em meio às chamas. Os homens tentavam inutilmente conter o fogo, enquanto as mulheres protegiam as crianças. Os jovens salvavam o que dava. Lembro de minha mãe dizendo:

”Wenona, tá vendo aquela lua? Ela vai te proteger enquanto o sol não vem. Agora corra!
E só pare quando teus pés sangrarem. Não precisa chorar, sangrar é bom...”

E secando as próprias lágrimas, me entregou uma pequena trouxa de pano com tudo que havia conseguido salvar; um “tudo” que era quase nada...
“Agora vai: que Magena te proteja”.


Eu corri, enquanto o fogo foi ficando para trás, pequenas labaredas dançando na noite escura. Era até bonito de se ver:

As chamas vermelhas, rodopiantes, iluminadas pela lua.
O vento soprava os lamentos, como uma canção tocada ao longe.
Em minha inocência de menina aquilo pareceu mais belo do que deveria.


Meus pés demoraram muito a sangrar e quando finalmente parei, já não via mais o fogo, já não havia mais a lua, não havia mais nada: A noite partiu, sem deixar sequer rastro da vida que tinha. Foi um ensaio da morte.
Mal sabia eu que o grande show estava longe de começar...

*Continua em Brumas Negras

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