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sábado, julho 31, 2010

À amizade...

sábado, julho 31, 2010 3
Publicada no Caderno Mulher Interativa/Jornal Agora
31/Julho - 01/Agosto - Ilustração de Lorde Lobo








"A amizade
é um amor
que nunca morre".
–Mário Quintana











Sempre me emociona a quantidade de dizeres que guarda uma única palavra. Há duas, em especial, que muito me intrigam: a pequena “dor” e a grande “amizade” – sobretudo a segunda, pois nela a dor cabe. A “amizade” é, no meu entender, o vocábulo que mais dizeres comporta. Ela traz uma sensação de segurança tamanha, que nos remete ao sentido de lar. Ela é maior que amor, que família, que saudades, pois ela tem em si tudo isso e mais um pouco.

“Amigos são irmãos que a alma escolhe e que o coração acolhe”
– Posso não saber a autoria da sábia frase, mas nunca esquecerei a amiga que comigo tão generosamente a compartilhou. Trago-a sempre comigo! São essas as coisas que nos moldam: as memórias, as palavras e os amigos.

Amigos verdadeiros jamais são esquecidos... Ainda que eles errem a data do seu aniversário, ou percam o casamento do seu filho. Ainda que o tempo e as intempéries da vida tornem raros os encontros ou dificultem o contato. Amigo é aquele que sempre se faz presente. Seja numa memória, numa história, num retrato. E, quando presentes, sabem a hora de chegar e o momento – ainda que sempre nos pareça cedo – de partir, construindo conosco, neste intervalo, mais uma memória especial.

E ao contrário da família, que cresce, encolhe, mas nunca se escolhe, e dos amores, que são provados em variados sabores, um verdadeiro amigo é para sempre. Pode-se ter um grande amigo na família e deve-se tê-lo nos relacionamentos amorosos, mas alguém que não carrega o compromisso arraigado a genética, sangue ou sobrenome e, ainda assim, está sempre lá, ao seu lado, nos mais importantes momentos, ah... Esse alguém merece todo o mérito estampado no título de amigo.

Um amigo nem sempre é alguém com quem tudo se compartilha, mas ainda assim, ele entende... Mesmo quando discordamos um do outro ao ponto de levantar a voz, mais tarde, ele entende. E nos olha sempre com bons olhos, pois uma grande amizade não suporta mal-entendidos.

Amigos são sujeitos estranhos, que riem das nossas bobagens e, com o passar do tempo, as propagam – não é raro que entre amigos os cacoetes, palavras e trejeitos se misturem, assim como os sentimentos. Amigo é todo aquele que sorri com a nossa alegria e chora a nossa dor; que torce por nosso sucesso nas mais malucas empreitadas que nos propomos a realizar.  

Amigos são aqueles que despertam em nós tantos dizeres... 
Que enxergam em nós tantos saberes. 
Que entregam a nós suas verdades.

É triste quando alguém tenta contar os amigos nos dedos da mão... Não apenas pelo número limitado de dedos e, consequentemente de amigos, mas principalmente pela facilidade em nomeá-los. Não é tão simples quanto parece. Todos nós, em algum momento da vida, nutrimos amizades pelas razões erradas, quer seja por status, conveniência ou comodidade, acreditando erroneamente numa “amizade proposital” – besteira. A amizade acontece e pronto; sem razões evidentes. E só anos depois de consumada pode ser de fato registrada, podendo-se então nomear seguramente a um dos dedos.

Às vezes se é o melhor amigo de alguém e nem se sabe o porquê... Ou nem se sabe que é. E quando enfim se descobre, vem um aperto no coração por não ter antes notado, por nunca ter falado, retribuído ou dado o valor merecido. Como se fosse algo possível de mensurar... Como se fosse preciso. Para ser amigo basta amar e estar lá, sempre que puder, sempre que couber, sempre que sentir.
Para ser amigo basta ser... E o resto, fica implícito.

Céu nublado

Imagem de Dave McKean


                                          Sobre as cabeças paira
                                          Um plano de ideias frias
                                          Cobrindo a alma do dia

                                          Nuances de cinza-chumbo

                                          E em raros relances raia
                                          Mesclando à luz, ventania
                                          Não tarda que a verdade caia

                                          Do teto do topo do mundo
                                          Que (a)guarda-(a)-chuva ao fundo

sábado, julho 17, 2010

Cama de Gato - Crônica

sábado, julho 17, 2010 1






Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora
17/18 Julho/10
Ilustra.: Lorde Lobo






Lar doce lar... 
Quem não gosta de chegar em casa, depois de um longo dia de trabalho, e encontrar tudo cheiroso, na mais perfeita harmonia, brilhando de limpo? Se tiver um cheirinho apetitoso, vindo da cozinha, então, hm... Delícia! Agora, quem é que realmente gosta de passar horas com a mão na água fria, os joelhos no chão duro, pondo esporadicamente o nariz no vento gelado, dando uma de Amélia para manter tudo em ordem? Hm... Difícil...

Você percebe que está ficando relaxada com os afazeres domésticos, quando passa culpar o tempo pela bagunça acumulada: “nem adianta mais guardar as cobertas, pois todo o tempo que temos livre, nós passamos sob elas” (literalmente, um ninho de amor); “não tenho lavado roupa, porque nada seca!” (nada seca, mas tudo fede); "Passar um pano no chão: com essa umidade?" (já ouviu falar em pano seco depois?) e por aí vai... Postergando as tarefas do dia-a-dia para um final de semana que precisará ser infinito para comportá-las - como se "no futuro" o tempo cronológico esticasse e o metereológico cooperasse. E quando tal futuro se torna presente, chove. E lá fica ela, irritada e aprisionada, em meio à armadilha de caos que ela mesma criou.

Agora, se você consegue ser uma dona de casa exemplar, mãe dedicada, esposa atenciosa e funcionária competente: nós, mulheres normais, lhe damos os mais sinceros parabéns! (pode voltar para o conto de fadas de onde fugiu e nem ouse aparecer para uma visita!). Tão ruim quanto ser relapsa é ser neurótica - ninguém suporta viver na companhia de uma fanática por limpeza. E ninguém gosta de ser chamada de "Maria Faxina" ou "Dona Clorofina", não tem nada de carinhoso nisso! E por que, então, não desgrudar do espanador? A solução não é tão clara quanto parece... A compulsão chega tão sorrateiramente quanto poeira por debaixo da porta!

Você só admite que está ficando neurótica quando, ao chegar em casa e perceber a porta destrancada, as gavetas reviradas e a falta de seus pertences favoritos, tudo que lhe vem a mente é: "Que horror... Bagunçaram as almofadas" ou pior :
"Que vergonha... Hoje eu nem tive tempo de arrumar a cama" 
 Como se um lençol impecavelmente esticado, coberto por almofadas perfeitamente afofadas e disposta em um dégradé de cores e tamanhos, fosse sensibilizar o coração do assaltante. Ele olharia para aquela cama encantada e, com os olhos mareados de emoção, suspiraria dizendo: "Não! Eu não posso fazer isso com alguém que mantém uma cama assim".

Engana-se quem pensa ter tudo sob controle, acreditando secretamente que uma boa organização pode ser a solução dos problemas do mundo. E quando a vida, destino ou acaso, resolve dar um tapa numa pessoa assim, ele dói ainda mais, pois além da dor provocada pelo tapa em si, vem a turbulenta sacudida que tal lição provoca em seus princípios — naquela realidade segura, de faz-de-conta, onde tudo parece ocupar um lugar exato e imutável. Quem, por outro lado, se habitua a dormir na cama-de-gato, bem sabe que o mundo não acaba ao lascar de uma rara peça de porcelana ou na visita surpresa de um amigo, que nos pega de "pijamas na mão" em plena tarde de domingo.

É claro que não devemos permitir que nossas vidas sejam tragadas por um mar de meias ou louças sujas, mas podemos aprender que o controle do mundo que nos cerca, não está ao alcance das mãos. Quanto antes aceitarmos que seremos esporadicamente enredados por uma trama de acontecimentos imprevistos, antes saberemos como sair ilesos. Quem, quando criança, nunca enovelou os dedos brincando de "cama-de-gato"? Quanto mais se tensiona os fios, mais apertado fica.

O jeito é relaxar...
Entender a relação de causa e efeito, e deixar-se escorregar lentamente...
Para fora do caos.

segunda-feira, julho 12, 2010

Medit(a)a(a)ção

segunda-feira, julho 12, 2010 3
Desagrada-me o não pensar
Este nada que(a)guarda o fechar dos olhos
A neblina paciente que engloba-me a razão
A imensidão que habita debaixo das pálpebras

Desacomoda-me o silêncio
Este eco frio que sela o lábio
Mudo... O nada a preencher meu tudo
Quando a escuridão me tange
Um silêncio me constrange
E temo a leveza que me toma
Num relaxar que é quase coma
Quando abandono-me por instantes

No breve intervalo do sentir
Sei que não sou nada
Que nada é, e que nada me é
Obstante... Temo então

O voar do ser alado
O canto que guardo calado
O despertar de tudo
O que dorme em mim (?)

E temo não mais me ser
Aquilo que penso saber
Pois só quando sem razão
Eis que me sinto, enfim




Imagem: Audrey Kawasaki

segunda-feira, julho 05, 2010

Découpage

segunda-feira, julho 05, 2010 1
Imagem: Dave McKean










Aonde vai meu pensamento?












Perambulante entre formigas
Dou a Manuel o meu brincar infante
E num sonhar rodopiante tal qual passarinho
No céu de Mário vôo atrás do meu caminho

De Anjos, trago a fumaça flutuante
Do cigarro à poesia lúgubre de seus escarros
E de Pessoa, me torno ora vasta, ora distante
Num pensamento que corre lento e oscilante
Do pranto violento aos campos saltitante

Queimando os dias, vou, criando vidas, sou
Muito mais do que o nascer me permitiria ser
Não fosse o escrever... Pouco sairia de mim
Temendo deixar a existência
Manejo aspas e reticências ao fim

E assim, num ou noutro rabiscar
Um dia vai o meu pensar parar
No mesmo veio de onde veio
E para onde outros tantos vão

Na mesma nuvem de devaneios
Pois, nascemos do mesmo anseio
Bebemos do mesmo seio
E morremos no mesmo chão

sábado, julho 03, 2010

Em tempos de copa...

sábado, julho 03, 2010 0







Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora
03/04 Julho/10
Ilustra.: Lorde Lobo




Alguém duvida que a Copa do Mundo seja um evento especial?


Além de ser um importante encontro esportivo que reúne povos das mais diversas nações, despertando neles um sonho tão grande que os faz esquecerem por algumas semanas os problemas que os esperam no retorno à sua dura realidade, a Copa do Mundo emana uma magia única, que extravasa os gramados, atravessa as telas e envolve a todos nós, por mais leigos ou alheios ao esporte que possamos ser. É claro que o futebol desperta também uma perigosa rivalidade, algo que, muitas vezes, foge das partidas e reparte os amigos por meio de discussões e vuvuzelas inflamadas. Mas tudo termina, assim que começa um novo tempo.

Independente de idade, gênero, origem, credo ou classe econômica, raro é encontrar alguém que, em tempos de copa, não atenda pela alcunha de "torcendo", mesmo que, por rebeldia ou simpatia, prefira vestir a camisa de outra pátria que não a sua de nascimento - e mesmo estes indivíduos, desnaturaturados futebolísticos, dificilmente ficam tristes ao ver outra estrelinha estampada na camisa canarinho.

Quando, que não em tempos de copa, você se pega parando o serviço no meio do dia para se sentar em frente à TV, munida de um balde de pipocas, chimarrão (ou cerveja, para os mais "tradicionais") e outras guloseimas, com o consentimento ou até mesmo a companhia do seu chefe? Ah, são coisas como esta que só a Copa do Mundo faz por você. Isso sem contar a Seleção Italiana... Se você se pergunta: "o que tem a Seleção Italiana?", posso usar meus poderes telepáticos, também conhecidos como raciocínio lógico, para deduzir que se trata de um homem heterossexual que nunca assistiu a um jogo de tal seleção em companhia feminina.

O que a Seleção Italiana tem de mais? Homens bonitos demais, da forma que só um italiano pode ser! Eis uma boa razão para que, em tempos de copa, as mulheres acompanhem aos jogos, mesmo os de outras seleções. Se você perguntar a uma de nós qual o jogo mais bonito, saberemos responder, mesmo que sob outra óptica. Se nos pedir para escolher o destaque de nossa seleção, teremos a resposta na ponta da língua (Cacá e Julio Cézar, são os mais cotados), já se perguntar qual deles teve o melhor desempenho em campo... Bom, é tudo uma questão de ponto de vista! E os olhos femininos podem ser mais atentos do que os de uma coruja à espreita quando o assunto lhes interessa.

Quem, além de uma mulher, percebe que a chuteira do fulaninho não combina com nada? Que o cabelo do ciclaninho não favorece o seu tipo de rosto, que gola alta amarela... Não! Se nem mesmo o Cacá ficou engraçadinho com uma, definitivamente, não! A menos que tenha sido usada com o objetivo de desviar a atenção dos adversários, neste caso, sim, perfeita - pode até virar um horroroso talismã!

Engana-se aquele que pensa que lugar de mulher é na cozinha e que esta não entende nada de futebol. O lugar de uma mulher é aquele que ela desejar, perseguir e conquistar. O lugar de uma mulher é aquele que ela decide chamar de seu! Pode ser na copa, no quarto ou até mesmo na cozinha, por que não? O lugar de uma mulher não é o mesmo a vida inteira: com seu jogo de cintura, ela pode mudar de posição ou jogar em mais de uma ao mesmo tempo!

O lugar de uma mulher, em tempos de copa ou não, é aquele que lhe permite conquistar a taça, o pódio, a estrela da vitória, pois, para uma mulher, o céu é o limite.

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