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segunda-feira, janeiro 26, 2009

Crônica - JOGANDO A CULPA NO VENTILADOR!!

segunda-feira, janeiro 26, 2009 0

Crônica publicada pelo jornal Agora em Jan/2009








‘Todo plano que conta com a participação de terceiros é fadado ao fracasso’







Se não me falha a memória, foi Napoleão Bonaparte quem imortalizou a frase que tão bem expressa a visão de muitas de nós - mulheres modernas - frequentemente acusadas de sermos individualistas e perfeccionistas – como se isso fosse um crime. Já diz o jargão: ‘quem manda melhor faz’; pior seria jogar tamanha exigência sobre os outros, não é mesmo? Mas, ‘cá pra nós’, às vezes acontece... E há momentos na vida em que o jargão ganha razão:

Exemplo 1: Você passou dois anos sem cortar o cabelo, virando uma verdadeira Rapunzel, só para poder fazer aquele corte descolado que viu na revista e quando enfim resolve cortar, vai ao melhor cabeleireiro, explica direitinho – e pressupõe que ele entendeu – afinal ele disse ‘ahãm’ três vezes enquanto você explicava - pois bem, basta uma tesoura afiada e um cabeleireiro distraído para, em dois segundos transformar seus dois anos de planejamento em dois meses de frustração!
O jeito é evitar o espelho nos primeiros dias e não bater nas amigas que ficam repetindo ‘ficou até melhor assim’ ou ‘cabelo cresce’ – Respire fundo e espere: com tempo e paciência elas acabam ganhando razão!

Exemplo nº2: Desde sempre você planeja o seu casamento; muito antes de haver um noivo – até por que ‘ele’ não tem nada a ver com isso, já prestou a atenção? É o vestido de noiva, a lista de noivas, o bolo da noiva - o noivo é só um coadjuvante, quase um adereço, entre as flores e os arranjos de mesa – e não é menosprezo não – escolhê-los é tão difícil quanto!
Até que um dia – enfim –chega o grande momento!
Por melhor que seja a equipe de trabalho ou a promoter contratada, por mais claro que você tenha explicado, desenhado e esquematizado pra todo mundo, ‘mais de um milhão de vezes’, onde ficar, como chegar e principalmente: a que horas - por mais perfeito que você possa visualizar a cerimônia, quando isso passa da sua mente para a de outros, é como brincar de telefone sem fio...
No fim das contas sempre tem alguém que erra – o horário, a igreja, o nome do noivo, o bom gosto, a dose!
E aí fazer o que? Chorar até borrar a maquiagem, inchar os olhos e ficar eternizada ‘na fita e na foto’ com aquela cara de ‘noiva cadáver’? Relaxe, pra tudo na vida existe um jeito – Edite: o filme e as memórias – delete tudo aquilo que lhe incomoda e dê destaque para o que lhe faz feliz!

Se nos deixarmos abater (ou traumatizar!) por estas pequenas e grandes decepções, somadas a correria de um cotidiano conturbado por tarefas domésticas e profissionais, nos tornamos cada vez mais individualistas – E a linha entre a autosuficiência por satisfação e por desconfiança é tão tênue que nem sentimos ao atravessá-la...
Perseguimos a perfeição – seja nas tarefas do dia-a-dia, nos outros, ou em nosso próprio corpo, mesmo sabendo que é ilusão – e uma tremenda autoflagelação! Como o cachorro que late perseguindo a roda de um carro - você já se perguntou o que faria se um dia a alcançasse? Provavelmente nada, pois perderia toda a graça, a emoção que mora na incerteza, na possibilidade da falha, na surpresa que leva ao improviso e faz das memórias ainda mais especiais.

O cabelo que você não planejava usar e agora arranca olhares inusitados; aquelas férias na praia, quando choveu o tempo inteiro e vocês acabaram passando muito mais tempo juntinhos; as passagens tão cômicas que só existem na filmagem do seu casamento porque as pessoas fugiram do planejado – tudo depende do ponto de vista, da tradução - em vez de ‘deu tudo errado’, por que não ‘foi surpreendente’, ‘foi inovador’!

Além disso, é humanamente impossível fazer tudo sozinho – mesmo para nós mulheres ‘multiuso’ – algum detalhe sempre acaba negligenciado e quanto antes você se convencer desta verdade e, eventualmente confiar em mãos alheias, mais leve ficará o peso sobre o seus ombros e se bobear sobra até um tempinho para amar mais – aos outros e a si mesma!

E quando algo sair ‘de forma inesperada’, não culpe a si mesma! Que tal jogar a culpa no ventilador? Deixe voar, dispersar, assim vai um pouquinho pra cada lado e não pesa muito pra ninguém!
Eu por exemplo, não estou certa de que a frase inicial foi mesmo dita por Napoleão, mas, se não foi, bem que poderia ter sido! A culpa não é minha!

sábado, janeiro 17, 2009

Prisão Viva - Poesia

sábado, janeiro 17, 2009 0

Imagem: Jairo TX




















Há um mundo lá fora
Cheio de cores e canções
E pessoas e palavras.
Há um mundo e ele é lindo.
Eu sei, alguém me contou.
Mas não cantou as canções,
Não pintou sobre mim as cores
Não fez de mim pessoa,
Não ouviu as minhas palavras.
Há um mundo lá fora.
O mundo que hoje eu vi na Tv,
Feito de todas as coisas.
Tão belo, tão cheio, tão veloz,
A carne, o plástico, o som.
Na sua dança das cadeiras,
não sobrou lugar pra mim.
Há um mundo lá fora
E outro aqui dentro,
Um mundo lento e turbulento,
um mundo que é só meu,
feito de carne, palavras e sons
feito de cores, contrastes e tons
feito de mim – prisão viva.

Crônica - Sal, água e pastilha de menta










Sal, água e pastilha de menta.
publicada pelo jornal Agora em Jan/2009










O Verão chegou!
E você deve estar pensando ‘ nossa, que novidade’, mas só agora o calor e o verão estão ocorrendo simultaneamente! Deram as mãos e parece que o namoro engrena – ao menos parece...
De uns anos pra cá, as estações do ano já não dão à mínima para o que diz no calendário. Elas simplesmente se emanciparam, tornaram livres das convenções humanas e agora andam por aí, a seu bel prazer, desfilando ao longo do ano, esbarrando umas nas outras, sem o menor pudor ou sentido de privacidade!
Foi-se o tempo em que as estações climáticas eram confiáveis e se podia preparar uma mala sem grandes receios – ou ainda simplesmente guardar as roupas no maleiro, de uma estação para outra! Se você é daquelas pessoas que conserva velhos hábitos, como esse, sabe o quanto isso se tornou problemático! O guarda-roupa mais prático é aquele um tanto caótico: blusas, camisas, vestidos e agasalhos a mão, até aí tudo bem, mas sandálias e botas dividindo prateleiras – isto me deixa nervosa!
O guarda-roupa moderno não varia mais com a estação, só com a moda da estação – o que não tem nada a ver com o clima! Você certamente já deve ter se deparado com a dificuldade de se encontrar, nas lojas, roupas de frio, quando realmente faz frio (o que se espera que ocorra com mais freqüência no inverno).
Bom que agora é verão, e ao menos esta semana vem fazendo um verão sincero, honesto, daqueles que se orgulha do seu nome! Um verão cheio de sol e calor – ótimo para quem pode estar na beira da praia, ou piscina enfrentado um biquíni com toda coragem que requer (porque no início da estação eles parecem tão assustadores! Depois todo mundo acostuma).
Já pra quem, por alguma boa ou inquestionável razão, tem que ficar na cidade, um verão como este, tão ‘cheio de sol’, tão franco, não parece tão virtuoso assim...
É difícil parecer elegante com todo este calor! Eu gosto de acreditar que parte da elegância vem de dentro – não basta vestir um belo escapin e andar como uma pata! É preciso sentir-se elegante, portar-se de forma elegante, não apenas vestir-se com elegância – Mas, você há de convir que é um tanto difícil sentir-se elegante e pegajosa ao mesmo tempo! Isso sem contar com as freqüentes ameaças de desmaio que muitas de nós sofremos com o calor!
Se as lojas femininas criassem no verão, um espaço reservado chamado ‘desmaiario’ – com cafezinho e pedras de sal, certamente faria sucesso – eu estaria sempre lá! Mas, enquanto elas não inventam, recomendo uma receita tiro e queda, ou melhor, dizendo, tiro e ‘up’ pra se manter em pé nos dias mais cruéis: Tenha sempre na bolsa sal, água e pastilha de menta - Sal pra não sair desmaiando por aí (isso se você não for hipertensa, se for, pule para a próxima dica!) e desmaiar por aí de saia, querida, é deprimente! E água, porque o sal dá uma sede! Junta o sal e o sol então... Água, muita água! Hidrata e combate a (celulite) – não fale alto que chama!
Por que a pastilha de menta? Bem, esta é recomendada principalmente às avulsas (solteiras, divorciadas e etc) – porque nestes dias de calor e suor, corpos a mostra, nunca se sabe quando vai rolar um romance – pensando bem, suar não é tão ruim assim... Já as casadas, melhor ainda: podem suar em casa!

Cartões de Natal




Trabalho conjunto que eu e meu marido começamos a fazer (meu texto, desenho dele) há alguns Natais para presentear nossos amigos e familiares - Acima o de 2006 - Abaixo o de 2008. Pra quem não sabe, o nome do grande desenhista (e marido) é Jairo Teixeira - esperamos que vcs gostem!

Abaixo só os textos - mais legíveis!
Tempo...
Mar que nos leva sem sentir.
Nos leva e traz...
Coisas boas e outras nem tão boas assim.
Coisas péssimas também, vamos admitir!
Estabelece trocas que nem sempre podemos optar.
O tempo surpreende e por isso dá medo.
Medo de entrar na sala escura
que é o dia de amanhã.
Quem não teme o que está por vir
provavelmente tem pouca imaginação
Mas quantas pequenas maravilhas
cada novo dia pode nos trazer
se estivermos atentos
Atentos o suficiente para esquecer - o tempo
e apenas olhar, ouvir, respirar
sentir cada sensação
que o tempo não é capaz de mudar.
Que neste ano novo haja muito tempo
para se perder com coisas simples
para se partilhar com os amigos, velhos e novos
para se lembrar do tempo que já passou
e esquecer tudo aquilo que merece ser esquecido
Faça chuva ou faça sol, sempre há tempo,
Para desejar a quem se quer bem - Tudo de Bom!
E novamente acabou...
Como a fênix que morre para renascer,
Como a noite que dorme para amanhecer,
Como a chuva que cai para florescer,

E foi alegre e foi triste,
Dias nublados, e outros de tanto sol.
Tanto se fez,
E outro Tanto que ficou por fazer,

Mas agora, tudo bem... Tanto faz...
Na aquarela das memórias
Não existem tantas cores para se pintar os sentimentos.

Tudo que se falou,
E o que se deixou de falar,
Tudo que se doou,
e o que se pode ganhar.

Olhe para frente: o caminho que ficou para trás
É tão cinza
Se comparado ao arco-íris que está por vir.
Então vamos! Dê o primeiro passo
Ou bata as asas, se assim preferir,

Não existe limite de velocidade para ser feliz!
Só antes, livre-se das moedas antigas,
Elas só sabem pesar e
As maiores riquezas não moram nos bolsos

Abra os braços, a mente e o coração,
E não economize sonhos,
A todo um mundo de esperanças
De novas cores e páginas para colorir,
Neste ano, novinho em folha que vem aí!

Crônica - O que servir no Natal?


Imagem: Brom







O que servir no Natal?
Publicada pelo jornal Agora em Dez/2008









Ah, o Natal!

Época de paz, amor e união – e lista de presentes, amigo-secreto do filho, do marido, da filha adolescente na escola, na aula de inglês, na academia – minha nossa, tem amigo secreto até no orkut! - surge amigo que não acaba mais – e o que comprar pra quem mal se conhece? Já é difícil acertar na mosca com quem se conhece bem – sempre tem aquela pessoa que abre o seu presente – aquele que você levou horas procurando, preciso até enfrentar a última semana de corre-corre nas lojas, pagou ‘o-que-foi-preciso-pra-agradar-a-chata’ e em vez de dar pulos de alegria ela faz aquela ‘cara de paisagem’ – e ai você diz: pode trocar se não gostou, meu bem, eu te mando a notinha – e ela diz: capaz (se for rio-grandina), não precisa, eu amei! – mas dois dias depois te liga, cobrando a tal notinha!
Quer coisa mais ‘natalinamente’ tradicional do que isso?

Que tal a ceia de Natal? Ah, a ceia de Natal!
Começa com o bom e velho ‘cabo-de-guerra natalino’: ‘este ano nós passamos lá ou eles vem para cá?’ – e isso costuma demorar... Mas adivinha: você venceu o cabo-de-guerra natalino, parabéns - este ano o natal é por sua conta e risco!

Quem costuma ser apenas o convidado, que se delicia com as iguarias e guloseimas tão fartas e harmonicamente distribuídas sobre a mesa, mal sabe o trabalho que dá preparar este banquete.
Mais difícil ainda é decidir o que preparar para a ceia de natal – além é claro da boa e tradicional ‘ave’ natalina. Sempre tem o fulaninho que não come vegetais, as crianças que tem pânico de uva-passa e a mais nova namorada do filho que você descobre – quando tudo já está preparado – ser vegetariana!
Solução: põe ela sentada entre as crianças e o fulaninho! E só ela fazer a triagem do prato deles e todo mundo fica satisfeito!

A cozinheira corre, se esmera, acaba se atrasando para se arrumar – momento em que o marido reclama e, para lhe dar razão os convidados chegam – ‘malditos convidados’ pensa ela, mandando todo seu espírito natalino para o forno junto ao peru, que a está hora já apitou e ninguém se deu conta!

Enfim está tudo pronto, ela olha orgulhosa para a mesa, per-fei-ta, e libera a horda bárbara ao ataque, liderada pelo seu próprio marido - louco de fome por que o expulsaram da cozinha quatro vezes!
Quando chega à hora da sobremesa ela sente até uma dorzinha no coração ao ver a velocidade com que sua torta ‘obra-de-arte’ é consumida – aquela que levou 12 horas para ficar pronta (como ela enfatiza a noite inteira) – leva uns 12 segundos para ser atacada por aquelas ‘formigas super-desenvolvidas’.

A ceia só não acaba mais rápido do que o décimo terceiro - que quando você pensa que veio, já foi! Mas ao contrário dele, o gostinho que fica é a satisfação de ver a mesa cheia, não só de comida, mas de amigos e felicidade!

E então? Já decidiu o que servir em sua ceia de Nata? Vai mandar fazer? Que seja! Só não esqueça de servir uma boa dose de bom-humor, antes, depois e principalmente durante as refeições!
Você vai precisar!
E tenham todos um Feliz Natal!

Mãe é tudo igual

Publicada pelo jornal Bom Dia Comunidade em Maio de 2007


 Pregnant Woman Painting - Nooshin Zarnani


Pode ser muita ousadia da minha parte, talvez alguns considerem até um pecado questionar uma coisa destas, uma das verdades universais, repetidas nas mais diversas línguas, passadas de geração para geração -  acredito que esta seja uma das frases mais conhecida, e talvez até a mais repetida, mundialmente: “mãe é tudo igual”, mas será mesmo?

Pode parecer loucura, mas eu discordo!




O protótipo de mãe ao qual esta frase se refere é aquela mãe bondosa, generosa, que esquece de suas próprias necessidades em prol dos filhos. Tá certo que esta mãe é um tanto dramática e possessiva, super-protetora, mas é tudo sempre pensando no melhor para os filhos ou, ao menos, naquilo que ela considera o melhor...

-Era tão bom quando eu te levava na minha barriga, tu eras só meu, depois que saiu, cresceu tão rápido é agora eu não sirvo pra mais nada...

Àquela mãe coruja, que infla o peito de orgulho por qualquer besteira que o filho faça, que enche as paredes do escritório com os rabiscos do moleque e não perde a oportunidade de dividir com os amigos as últimas novidades de seu pimpolho:

-Ontem o bebê soltou pum na banheira e logo disse “olha, mamãe: bolinhas!”

A “mãe modelo” é tão intimamente ligada aos filhos que sente frio e fome por eles. Essa “super-mãe” é aquela que faz do pai um mero coadjuvante, não contente apenas com seu papel, ela tenta ser mãe, pai, professora e até melhor amiga dos filhos adolescentes... Desde que o assunto não seja namoro ou pior ainda: sexo! Pois para ela os filhos sempre são jovens de mais, bonitos de mais, inteligentes de mais...

A mãe modelo é mesmo assim, meio instável, mas isso porque, para ela, o mundo não é lugar bom o suficiente para deixar seu filhote sozinho. Por mais que exagere e pareça um tanto egoísta, ela ama de tal forma que, se pudesse, morreria antes que o mal sequer tocasse num fio de cabelo dos seus bebês, ainda que eles já tenham mais de 30 anos...

Concordo, a mãe modelo existe e não é tão rara de ser encontrada, da mesma forma que não é raro se encontrar outros tipos de mães: mães que abandonam, que batem, que matam seus próprios filhos antes ou depois de nascerem... Mães que vendem seus bebês sem saber que estão vendendo a própria alma. 

Mães que não maltratam, mas também não dão amor, deixam que seus filhos se criem por si só, uns aos outros, sonegando seu papel. 

Mães irresponsáveis, que dão a luz a um número de filhos muito maior do que pode criar, apesar do futuro que não poderá lhes proporcionar, das dificuldades que irá lhes impôr, sem lhes dar o direito de ser crianças, no real sentindo da palavra.


É revoltante pensar que, enquanto repetimos “mãe é tudo igual”, estamos cometendo a injustiça de nivelar a um mesmo patamar todas aquelas que passaram pelo mesmo processo biológico da gravidez, sejam elas às inconsequentes, as covardes, as assassinas, as cruéis, as indiferentes. Estamos chamando a todas essas de "mães", comparando-as às nossas próprias mães...


...desconsiderando todos os atos e sentimentos que fazem de uma mulher, tendo ela parido ou não, uma verdadeira mãe.

Poesias Bestas



Pés
Pés que andam que chutam que pulam.
Pés que erram o caminho, por andar sem ver,
Pés que não sabem ler,
Pés que correm tropeçam e caem.
Ansiosos quando saem,
Pés que dançam e saltitam a alegria de estar nus
e pisar o chão, girar em vão.
Pés que sustentam o ser,
Que sentem sem ver,
Pés que se enrolam aos teus em meio à noite fria,
que ocupam a cadeira vazia
e relaxam sob a água fria,
ou no terno calor da bacia.



Mãos
Mãos que sentem que coçam que mentem.
Mãos que tocam que batem que curam,
Mãos ansiosas, agitadas, viciadas.
Mãos receosas, mãos pesadas, delicadas.
Mãos para dizer olá, mãos para dizer adeus.
Mãos unidas para falar com Deus
Mãos tristes ao se despedir dos seus...
Mãos que pegam que soltam que pecam.
Mãos arrependidas e novamente unidas...
Mãos trabalhadoras, mãos cansadas, calejadas.
Mãos que mantém a boca calada.
Mãos que adoram ser beijadas.
Mãos que te procuram na madrugada.
Mãos unidas, mãos dadas, mãos para serem apertadas.


Sapatos
Sapatos para serem usados
Sapatos para serem trocados,
Sapato apertado, amarrado, sapato furado.
Sapatos que protegem o pé
Sapatos que exalam chulé.
Triste vida a de um sapato é,
Largado, mofado, abandonado.
Tem a moda, o número, o solado,
A estação, a ocasião, a liquidação.
Sapatos que pisam o chão,
que passam e passeiam em vão,
Felizes os que dançam no salão,
Girando feito pião.
Sapato bobão.
Pisam na lama, limpam na grama,
Sapatos não sobem na cama.
Pisa o pé de quem ama, escorrega em banana,
Sapato pra quem não tem grana.
Sapato sacana, sapato bacana.


Boca
Beijo, falo,
Sinto o gosto:
Rio se gosto,
calo se não.
Enjôo: vomito.
Deglutição.
Língua: lambida.
Papilas,
Salivação.
Dentes: mordida.
Gengiva,
Mastigação.
Gargalhada,
Tagarela,
Boca sem dente:
Banguela - Escovação!
Sussurro, grito, oração.
Voz bonita: canção!
Dentes
Língua
Gengiva
Lábios
Boca.



Antena
A antena fica em cima da tv.
Também fica na telha
E também fica em você
A antena ajuda quem quer ver mais, mais do que vê.
Já não bastar estar ligado pra saber.
Dizem que a antena serve pra receber,
pra perceber.
se até o siri tem antena
a globo pega no mar?
Borboleta sem antena não poderia voar?
E o que fizeram com a antena
do antigo celular?
Se a antena fosse chifre,
TVs eram animais.
E se chifre fosse antena,
cervo tinha uns 100 canais,
Se eu tivesse uma antena
eu saberia bem mais.
Se cada um tivesse uma,
não faria o que faz.



Anelar
Anel pra selar, pra unir, pra carimbar
Anel pra adornar, para agradar,
anel para beijar.
Anel do rei, do bispo, do capitão.
Anel pra anelar, pra que mais então?
Anel pra tanto dedo, anel pra mão,
anel pro pé.
Anel pra quem é homem,
anel pra quem mulher.
Anel também pra quem não é.
Anel pra bicho, anel pra gente,
Anel pra quem se quer bem.
Anel pra quem tem dedo,
corrente pra quem não tem.
Anel pra quem tem dinheiro,
dinheiro pra quem não tem.

Poemas de Louise


Breve Chama
Se lhe olho duas vezes meu sol anoitece
E toda a alegria é triste.
Já não lhe sinto como antes
Mas ainda lhe vejo
E isso toca o meu mundo.
Queria lhe passar um pouco da paz
Que inunda meu ser
Mas quando tento doar – recebo
E toda a calma estremece
E a chama, hoje em brasa,
Dói no fundo,
Onde já não ando mais,
Onde já nem lembro mais
E onde quase não sinto mais...



O Lobo e a Raposa
Ainda ontem sentávamos lado a lado,
Existia uma leve pluma pairando no ar,
uma semente prestes a germinar,
Por pouco nossos olhares se tocaram,
Mas agora um rio corre entre nós.
Não ouvi quando a casca se quebrou,
Não vi quando a flor murchou,
Mas senti o momento, o exato momento...
Em que algo no meu coração morreu.
E embora esta flor não deva florescer,
Embora o lobo e a raposa não percorram o mesmo caminho,
Não vejam o mundo com os mesmos olhos,
Eu sei, todo meu ser percebe que nem tudo morreu.
Uma pequena fagulha ainda pulsa e espera
O tempo que for preciso para arder
Em uma viva chama que
Dói, queima e aquece...





O vento
Ele veio - embora sempre tenha estado lá
Ele disse tantas coisas
Sem que meus ouvidos precisassem ouvi-las
E em meu coração tive a certeza
De que suas palavras são como ventos
Que vêm ao longe e acontecem
Movimentam as folhas soltas
Tocam os sentidos
Mudam a direção daquilo que estava perdido
Esfriam, aquecem
Correm com a pressa de quem sabe aonde chegar
Sem precisar partir
E quando passam por mim
Carregam consigo quase tudo
E a roda gira



3 elementos – 2 corações
A velha brasa guarda no centro a chama, prestes a acordar
Chama que cresce em fogo, fogo que queima e mata,
Devasta tudo ao seu redor.
Primeiro aquece e parece bom,
mas não tem controle, não tem fim, nem direção.
O ar puro, leve, refresca, renova, traz vida a acalma,
movimenta, transforma.
Mas o ar é frio, transparente e intocável.
Apaga o fogo ou acorda a brasa.
É capaz de mudar o curso da água, basta querer,
mas prefere ficar impassível e soprar, lentamente.
A água parece calma, cristalina.
Corre forte ou suave, pode mostrar-se onda,
correnteza, ou ser leve,
Como o orvalho da manhã.
Tem sempre um sentido, uma direção.
Pode ser vista, tocada, bebida.
O ar agita a água, muda, transforma, acorda.
Ambos se fundem e são vida.
Água e fogo são distantes, se olham, mas não se tocam.
Essa é a lei e assim deve ser.
Seu encontro é uma batalha
cujas conseqüências são drásticas, dolorosas e eternas...



Vendaval
O tempo mudou de repente,
Assim, como as coisas sempre são.
E houve um vendaval...
O mar ficou agitado e tudo voou...
Agora se ouvem os trovões
E relâmpagos brilham no céu:
Sinais de tempestade...
Ela vem, purifica, lava
e leva consigo tudo que precisa ir...



Encontrando a Terra
Acreditei no fogo,
Aguardei o Ar,
Só não contei com a Terra.
Eu sou Água,
Posso aquecer-me com o Fogo,
Posso mover-me com o Ar
Mas sei que morro na Terra.
Assim como o orvalho da manhã
Como as gotas de chuva que caem do céu
E a neve no crepúsculo do inverno.
Eu te procuro, te toco, te conheço,
Tu me esperas, me acolhes; me completas.
Tu és meu corpo, eu sou teu sangue.
Por isso o cheiro de terra molhada,
É assim tão perfeito.
Estamos vivos quando estamos juntos,
Sinto o bater forte do coração,
Ouço a respiração ofegante,
O gosto de sangue, suor e saliva,
E já não distingo o que é meu ou teu.
Vejo a vida nascer e sei que ela é nossa.
Pshiiii silêncio – Pode ouvir?
Quando a chuva cai na Terra
O som que se ouve é o bater de asas
De milhares de borboleta,
Elas enchem o meu ser,
Cobrindo o céu dos pensamentos,
Formando nuvens, criando trovões:
A chuva está sempre pronta
Pra cair, se unir a Terra,
E despertar para uma nova vida...



Pequena Lótus
Pequena Lótus do amanhã
Hoje semente recém plantada
Semeada por um amor maior
Que toda a natureza;
Tuas profundas raízes
Encontram na terra molhada a força
Para crescer em flor
De tão rara beleza.
Teu perfume vou sempre sentir
Mesmo que meu toque já não alcance tuas pétalas,
E meus olhar procurará por ti,
Na ânsia e na certeza
De te encontrar dentro de mim.
Teu coração nos sentirá sempre
Que teus pés pisarem a terra,
Que a chuva tocar o teu rosto,
Pois estaremos junto a ti,
Unidos através do tempo,
do espaço e da saudade.
Pequena flor de Lótus,

Escama do grande dragão,
Fruto da mais antiga árvore,
Do mais verdadeiro amor.
Por maior que seja teu caminho,
Nunca esqueça de onde viestes,
E do tanto de nós que
sempre viverá em ti.
Filha amada de nosso coração.

Poesias Parte 2 - Outro Sentimento

O doce amargo da vida
A realidade não é tão bela quanto os sonhos,
As palavras não soam como música
Os sentimentos não são tão reais quanto à dor
É preciso ver o que está distante dos olhos
Ouvir as palavras ainda não ditas
Sentir a beleza
Por trás das coisas tristes
Pagar por erros ainda não cometidos
Cometer erros que serão pagos
Repetir frases feitas
E ouvir mil vezes as mesmas mentiras
Pois a vida é bela, os sentimentos são mortais,
E as coisas boas estão escondidas por trás daquilo que
Não se pode ver
Só acreditar...



Queda Livre
Não quero da vida o que há de melhor
Quero tudo, quero mais e mais...
Não quero lembrar o passado,
Nem ser feliz por hoje,
Quero o amanhã, e o depois e depois...
Não quero apenas ver e ouvir,
Quero ter, sentir.
Mesmo que o sentimento seja a dor.
Quero tudo em primeira pessoa,
Ser a protagonista de minha vida
E só espero dela o melhor
Não quero asa delta, nem pára-quedas,
Prefiro o precipício,
A queda livre,
O quente ao morno,
O gelado ao frio,
A lágrima sentida ao sorriso falso.
Pensamentos
Tenho medo de ouvir as palavras do silencio;
Aquelas que ninguém mais ouve ninguém nota;
Em minha mente elas giram e pulam,
feito crianças ansiosas, inquietas...
Riem, debocham do mundo,
mas tombam a todo o momento, abruptamente.
Palavras caladas pelo racional;
elas discutem, brigam, não se respeitam, as danadas;
nunca entendo bem o que tentam me dizer...
As vezes até gritam, mas se confundem
com o barulho do mundo ou talvez se calem,
por eu falar de mais, ou apenas
falte o silencio suficiente
para percebe-las...



Ansiedade
Ansiedade
A dor pelo que será
Sofrimento adiantado
Ensaio da morte
O medo acelera o tempo
Que bom seria a ignorância do amanhã
Viveria livre o hoje
Perderia mais tempo em coisas fúteis
E sorriria sem saber que
Cada momento pode ser o último
Ou melhor seria a exatidão da certeza?
Apertaria mais o último abraço
Faria mais lindo o último amanhecer
Alongaria o último instante
É tudo uma questão de tempo
Tempo e consciência
Às vezes o esquecimento é a melhor memória...



Sem Rumo
Onde estou? Para onde vou?
Sou uma folha, uma pluma ao vento,
uma medusa em mar aberto, Planando...
Sei onde quero ir,
mas não encontro forças para traçar o caminho.
Sou arrastada, carregada pelos acontecimentos,
pelas conveniências muitas vezes inconvenientes...
Onde moro?
Serei eu um eremita ou ermitão,
pois carrego minha casa em mim,
onde fica meu referencial então?
Não tenho para onde ir, pois
Nunca saio, nunca chego,
Nunca dou adeus nem digo olá...
Flutuo no nada, num intervalo no tempo,
Esperando um vento forte ou uma onda que me leve longe...
Quando tudo o que quero é pisar o chão e
sentir a terra firme sob meus pés...
e o céu sobre minha cabeça...



Presente
Como pode,
Um ser tão pequeno
Ocupar tanto espaço no meu ser...
O que estes olhos, tão grandes,
Já puderam ver em mim...
E o que guardam de mim...
Sua presença, pura e simples,
Foi toda a presença que,
Por vezes, pude contar...
Quantos segredos estes
pequenos ouvidos já sepultaram...
E com quantas lágrimas já fiz chover
Sobre ti...
E mesmo sem dizer uma palavra,
sempre se fez tão bem compreender,
Um ser tão lindo, tão puro e tão sincero...
És a prova de que o amor
Tem sua própria linguagem,
Seja um olhar,
Um carinho,
Uma lembrança,
Ou apenas uma presença...


Cadeira Vazia
Poderia ter te amado tanto,
E por muitas vezes te faria sorrir.
Teria te dado orgulho,
E alguma preocupação, é verdade.
Brigaríamos por vezes,
Noutras te odiaria,
Mas no final, tudo seria perdoado,
E entre lágrimas e abraços,
Voltaríamos a nos amar,
“como sempre”...
E nos momentos mais importantes da minha vida,
Não restaria esta cadeira vazia.
Tua ausência sempre se fez presente,
Posso ouvir no silencia as palavras nunca ditas...
Quando tudo o que me resta são memórias,
Um tanto escassas,
Um tanto falsas,
De alguém que mais imagino
do que conheço.
E, queiras ou não queiras,
Por mais que eu negue a saudade do que não foi,
Onde quer que eu me esconda,
Estarás sempre presente,
Pois parte de ti, por menor que seja,
Mora no meu ser,
E mesmo que nunca venhas,
Sempre haverá uma cadeira vazia
Escondida em algum lugar da minha vida,
ainda esperando por ti...

Poesias Parte 1 - Corações Negros

Inverno da Alma
O ar frio que invade o corpo
Renova, resfrias
Toma conta da alma
Quebra, esvazia,
Transforma
O que era claro, escurece
O que era firme, estremece
Camas quentes, dias frios
E quando toda a noite amanhece
O que era belo, entristece
E o corpo retorna ao seu estado vazio
O ar frio que invade o corpo, então invade a alma...




Alma obscura
Olhar sem brilho
Corpo sem sombra
Dia sem luz.
Oh chuva, lagrimas do céu
Banha-me com sua tristeza,
Quero sofrer por sua dor
Para esquecer de minha própria.
Oh sol, ilumina-me com sua luz,
Aqueça-me com seu calor.
Quero sorrir por sua alegria,
Pois até minha alegria é triste.
São tantas as coisas que me assombram
Que prefiro ser vazia.
Oh mundo, deixe-me só!
Oh Deus, leve-me daqui agora,
Ou então, esqueça-me!



Corações negros
Fluem do vazio
Do escuro,
Da solidão.
Corações negros fluem
De passados remotos
E futuros distantes.
Lágrimas secas
E corpos frios.
Camas vazias,
Inverno.
Corações negros.



Angustia
Tudo que eu queria era esquecer
O teu nome, o teu rosto
Nunca mais te sentir em mim
Esquecer o teu sorriso
O brilho dos teus olhos
Tirar este grito da minha garganta
Nunca mais te encontrar em meus sonhos
Não dormir nem acordar
Pensando em ti...
Não ter sido tão feliz contigo,
Nem tão triste assim,
Simplesmente não ter sido.
Não sufocar mais as lágrimas
Nem sentir tanto a falta do teu abraço
Sou como uma fotografia num livro antigo
Congelada no tempo
Nas lembranças frias
Sou a sombra de um passado feliz
Que nem ao menos foi real...



A Fortaleza do medo
O sangue que jorra das veias é tão puro
quanto a lágrima que cai dos olhos
Conseqüência: dor
Deixe-se amar, e serás ferido
Deixe-se conhecer, e serás traído
Não fuja nem finja
Não reaja nem lute
Apenas esconda-se, feche-se
Não espire nem pisque
E nunca dê as costas
Ser vulnerável é ser verdadeiro
Lembre-se que se não houver vítima, jamais haverá crime
A máscara protege mais que a espada.



Não me olhes
Por que me olhas, se não me vês?
Não me encare de olhos fechados
Nem pergunte, sem querer respostas;
Não sou carne, sou alma,
Não sou pés, sou asas,
Dispenso este sorriso cínico,
E estas palavras gentis, por obrigação.
Não falo sua língua,
Você não interpreta minha arte,
Não dança minha melodia,
nem sequer a ouve...
Mas então lhe pergunto:
O que estamos fazendo aqui?
Não entre na minha vida pelo elevador...
Nem espie pela janela...
Na maioria das vezes eu nem estou aqui...


Ilustrações: Jairo Teixeira

Máscara
Quero viver, mas não consigo.
Todos os dias parecem noites escuras para mim.
O medo de sair de minha prisão
Me torna cada dia
Mais distante de tudo o que planejei.
Tenho sonhos que nunca realizarei,
Trabalhos que nunca terminarei.
Passarei a vida inteira correndo atrás de algo
Que está fixo a minha frente.
É assim que sou,
É isto o que eu sinto.
Estou aprisionado dentro de mim
Como um pássaro que não pode voar,
E esta é a pior de todas as prisões:
A prisão dos sentimentos,
Dos pensamentos.
Penso na música,
Mas não posso cantá-la;
Penso no beijo,
Mas já não sinto seu gosto.
Vivo de passado, de lembranças felizes,
Por medo de que o futuro
Não seja tão feliz assim.
Não tomo decisões
Por medo de me arrepender.
Não vivo,
Por medo de morrer.



Ilusão
Não quero jogar fora este pote vazio
Olho para ele e tento ver
O que já não está lá;
Sinto-me nadando contra a correnteza
Num esforço imenso
Sei que se desistir,
Nunca mais retorno aqui
Tento encurtar a distancia
Que cresce cada vez mais
Caminho sobre cacos de vidro
Tentando não quebra-los...




The End
O filme acabou e eu continuo aqui
Sentada neste cinema vazio... cheio
De mortos a me vigiar
Vejo os dias passarem
Dia-noite-dia...
Oh, Hoje choveu e é só
Uma palavra falsa ou um sorriso tolo
Beijos sem sabor e é só
Mãos que me tocam
E eu já nem sinto mais
É tudo tão... falso, vazio
Máquinas com vida média,
Programadas,
Só esperando pelo dia, o grande dia
Quando a carne apodrece
E o mundo pára de girar
E depois? Que depois?´
Hei, acorde, é só
O filme acabou e você nem notou.

Quem me dera
Quem me dera ser viva
Para assim poder morrer
Quem me dera estar morta
Para assim não lembrar,
Nem esquecer
Quem me dera ser cega
Para que meus olhos não te procurassem
Quem me dera ser muda
Para não chamar o teu nome
Quem me dera sentir dor
Para não pensar em mais nada
Quem me dera ter jamais existido
Não ser, não estar, não sentir
Queimar, para odiar o calor
Quem me dera um dia lembrar
De te esquecer...



Insano
Você acredita em vida após a morte
Ou morte após a vida?
Deus, anjo da guarda e alma gêmea?
Talvez acredite até no amor...
Seu tolo
Mas quando as mãos te percorrem
E a boca te procura
você sente o fogo que queima, enlouquece.
Sangue, suor e saliva,
A voz ofegante, o êxtase.
Amor? Não venha me falar de amor
Você acredita no sexo...
Na fome, na sede e na dor
Tolo... sentimentos são frutos
De uma mente insana
Procurando um ponto fixo
Num horizonte infinito
Um dia você dorme e não acorda mais...
E no mundo dos sonhos só os vermes vão te visitar
Você procura algo sabendo que nunca vai encontrar
E corre atrás daquilo que deixou pra trás
Não acredito naquilo que não posso ver
A verdade está diante dos olhos
Não a mistérios a temer
Não há mistérios
Não há
Não?
Há?


Ilustrações: Jairo Teixeira

Endoparasita
Sai de mim, praga que me consome,
Verme das minhas feridas
Ainda estou viva, ou ao menos
gostaria de estar...
Não sei se és uma chaga
Que já faz parte do meu corpo ou
se sou eu quem não te deixa curar, pois
Tua dor é o que me faz acordar e saber
Que ainda estou aqui
Ou se és uma síndrome congênita
E todos os meus esforços serão em vão.
Só sei que penetrastes em mim
De todas as formas imagináveis
Filho indesejado que não posso abortar
Me deixe viver ao menos um dia
Sem esta navalha que me
corta aos poucos, cirurgicamente
Não me enterre viva
Eu ainda quero ser...
Eu ainda quero estar...
Eu ainda quero...
Já nem sei o que.




Muito obrigado
Pelos cartões que nunca recebi
Por todas as palavras mudas
E pelos beijos secos
Por tantos momentos de solidão
Muito obrigado
Por nunca estar comigo
Quando mais precisei de ti
Por nunca ter me amado o suficiente
Para me fazer feliz
E por nem ao menos ter tentado
Te agradeço
Por me fazer desistir do amor
De te amar
De tentar...

Intensidade
Te amo tanto...
Te amo tanto que te odeio!
Odeio o teu não sei,
Não estar,
Não ser,
Não amar...
Odeio o teu tempo,
Teu sorriso,
Tuas noites de sono,
Tua distância...
Odeio tudo o que te faz tão feliz,
enquanto eu morro por te amar.
Te amo tanto que dói...
Te amo tanto...

O que restou de mim
Me sinto só,
Ausente de mim.
Flutuo perdida
Feito pluma em vendaval,
Amarro minhas próprias mãos,
Como quem corta os pulsos na tentativa de evitar a morte da alma...
Corto minha língua,
Mas as palavras mudas são
Fantasmas em minha cabeça,
Assombrações insistentes...
Queria sair daqui, ficar vazia,
Esquecer, matar meus mortos.
Hoje, todo o sentido acabou,
Hoje, queria ser tua, mais do que minha,
Mesmo que isso não durasse nada,
Mesmo que isso não levasse a nada,
Pois nada, foi tudo o que restou de mim.



Vazio
Em minha mente,
Pensamentos flutuam,
Mas as palavras calam,
Em meus olhos formam-se imagens, mas não consigo ver.
Em meu coração um sentimento trancado, marcado pela solidão,
E minha vida está cheia de lembranças vazias...
Sou amiga de mim mesma,
E enxugo as lágrimas
Que ainda nem forma derramadas
As que não consigo derramar.
Quanto mais se aproximam de mim, mais sozinha me torno
E a cada sol do amanhecer,
escurecendo-se vai a minha luz...
tenho saudades do que não vivi,
e me arrependo por tudo que não fiz
Vivo em um lugar quem não conheço
E amo a pessoas que nuca vi
Temo perder aquilo que nunca tive
A solidão é minha companheira
E apaga minhas mais belas lembranças
Sinto que chegará o dia em que
a dor será tanta que me fará sorrir...
E para livrar-me da dor,
Serei alguém que nunca fui
Então, sentirei falta de quem hoje sou,
E de todo este abismo que habita em mim...



Quando as palavras secam
O que dizer
Dizer nada,
Dizer o silêncio,
Falar palavras mudas,
Falar com os olhos,
Calar.
Pra que dizer?
Pra mudar o imutável
Explicar o inexplicável,
Dar voltas sem sair do lugar,
Colar os cacos,
Gritar a ouvidos surdos,
Brigar com o tempo.
Acordar as lembranças esquecidas,
Lembrar para esquecer.
Perdoar o imperdoável e insistir...
Até que o destino vença
e a derrota seja saboreada
Como um veneno,
Que seca e emudece,
E enfim, só resta calar...

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