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sexta-feira, julho 20, 2012

da (má) sorte dela

sexta-feira, julho 20, 2012 0
Reprodução de imagem da internet

Queria ter lido
melhor
antes
aquele poema
da outra mulher
poeta que falava
de trocas
de versos
no lugar de maiores
intimidades (aquelas
que não comem
a alma
mas arrancam
pedaços
de outras partes
do ser inteiro)

queria ter sido
antes
mais
gente que poeta
e me pergunto se
existe maior
intimidade
que essa
dos amantes-
-poetas
que mais imaginam
e se [re]criam
e se rimam
em versos 
tolos
que se sentem


para os que não lêem
sim
para os que se tocam
não

para mim
é tarde demais.
desejo melhor
sorte para ela.

quarta-feira, julho 18, 2012

Da vida pós-maternidade

quarta-feira, julho 18, 2012 1

by KATIE M. BERGGREN


Crônica publicada no Mulher Interativa do jornal Agora [RS] em Julho/2012

"A guerra de uma mulher se desenrola na cama de partos" 
- disse uma personagem do romance "Guerra dos Tronos - O Festim dos Corvos" (de G. Martin). 

Apesar de machista, a frase tem sua razão: na cama de partos o que ocorre é, sim, uma batalha. E apesar de não ser o único terreno onde as mulheres lutam, a luta que ali se trava é apenas o começo de uma guerra tão dura quanto e mais nobre que qualquer outra - a guerra da vida pós-maternidade. 

Dentro dessa guerra, tem a batalha do dia-a-dia, onde tempo é sono e sono é luxo. Só quem dorme muito é o bebê, mas em intervalos tão curtos que nunca se consegue acompanhar. E em cada pequena dormida dele abre-se uma grande oportunidade para fazer tudo aquilo que se deixa para depois:

"Uhu, o bebê dormiu! - uma vez vencida a batalha que pode ser fazer o bebê dormir - Vou terminar as unhas que comecei a fazer há três dias, depois, tomar um banho - que é pra tirar esse cheiro de leite azedo. Depois, dar uma arrumada no quarto e abrir um vinho e fazer um jantar especial e vestir algo especial para curtir o fim de noite com o bem, e depois... Xi, danou-se: o bebê acordou!" 
E assim, em pouco tempo o romantismo dá lugar a pressa e o plano fica bem, bem mais breve - batalha vencida! Tem ainda a luta silenciosa que se trava perante o espelho: 
"onde estou, quem sou, socorro, onde está meu pente e por que, diabos, ainda uso roupas de grávida, apesar do bebê ter sido bem parido há meses?" - feliz daquela que nunca saiu com a camisa manchada de vômito de bebê ou, melhor, nunca foi surpreendida por aquele peito que esqueceu de guardar horas depois de amamentar. 

Mas, segundo o ditado, "ser mãe é padecer no paraíso". Eu, nada sei sobre paraísos, nunca acreditei na existência deles e, particularmente, não recebi nenhum passe livre para algum, carimbado em qualquer parte do meu bebê - e olha que eu as vistorio com frequência na vigilância contra as perebas bestas que teimam em fazer dos bebês seu próprio paraíso. Tornar-se mãe é padecer, sim, mas em ambientes mais hostis, como o perigoso mundo das pracinhas, dos microorganismos e de todo mal que não se pode evitar, as ciladas das festas de aniversário e da sala de espera do consultório médico - que é para onde todas as ameaças em forma de perebas apontam.

Impressionante a quantidade de remédios que um bebê saudável precisa para se manter assim! 
Para cada pereba, uma consulta, para cada consulta, uma receita, para cada receita uma nova forma de perturbar o bebê para o seu próprio bem - são tantas as pomadas que dá vontade de misturar todas numa meleca só e besuntar a criança inteira! E assim, nos primeiros meses de vida, o pediatra acaba sendo mais visitado que qualquer parente. 

Talvez quem tenha a sorte de frequentar um mesmo pediatra por toda a infância do filho possa se considerar a alguns passos do tal paraíso onde as mães padecem - encontrar o pediatra ideal é, sem dúvidas um dos maiores desafios da vida pós-maternidade - mais difícil que acertar o aleitamento, a fralda, os horários de todas as coisas que entram em parafuso quando se tem um bebê em casa. É preciso que ele* tenha boas referências [*o médico, não o bebê, este pode ser inexperiente mesmo] e vaga na agenda e que atenda pelo plano de saúde da família e, se não for pedir demais, que seja bom tanto no tratar dos pequenos, quanto no trato com os pequenos e com as pessoas grandes que o acompanham. E, se possível, que não trate a mãe por "mãezinha" - o que reduz consideravelmente a lista de opções - tudo bem, a "mãezinha" sobrevive se ele for bom para o bebê.

E uma vez que se marque as benditas consultas, chegar nelas a tempo é outro desafio - mesmo sabendo que raramente o paciente será chamado na hora marcada, o que é outro problema. Nessa guerra que é a vida pós-maternidade, um bebê é uma bomba prestes a explodir - passadas duas ou três horas e é preciso começar tudo de novo: mamadas, arrotadas, trocadas... A vida gira em círculos menores quando se tem um bebê pequeno. Longas esperas, seja numa fila, num lindo consultório ou mesmo na sala de casa, podem parecer eternas - justo quando mais se precisa ser paciente.  

É preciso ser paciente, uma boa paciente e uma boa mãe, e como esta, para encontrar um bom médico a quem confiar aquilo que mais se preza, é preciso seguir os próprios instintos. Essa mãe-autora, por exemplo, esteve decidida a mudar o filho de pediatra, até que, numa consulta em que ele chorava muito, a doutora começou a conversar com ele. Ele riu... e a mãe simplesmente mudou de ideia, na mesma na hora - para se arrepender logo depois. Moral da história: 

1. Nunca deixe uma criança de três meses decidir o que é melhor para ela!
2. O sorriso de um bebê confunde até a mais racional das criaturas.
3. Mãe de primeira viagem só aprende tomando na cabeça. 

Portanto, nessa guerra da vida pós-maternidade, não use capacete. Vale mais ser vitorioso carregando cicatrizes dos danos tomados que sair ileso e derrotado.

sexta-feira, julho 13, 2012

Partindo dos olhos

sexta-feira, julho 13, 2012 1
Imagem by Erwin Bloomenfel

Tenho essa lágrima
seca que repousa
num canto
de um olho - o esquerdo
porque o direito
é um olho que só ri
ou faz de conta que sim

meu olho esquerdo
é mais caído
[embora ambos assim o sejam]
creio que tal assimetria se dê
em razão do peso
que o pobre carrega sozinho

o olho direito não é
solidário
a dor de seu vizinho
faz que não
recai sobre si
os mesmos problemas
oculares

faz que não
vê, aquele olho besta
e finge bem, uma vez
que é ele
meu olho ruim
assim como todo o lado
do corpo do qual faz parte

talvez seu vizinho
que a tudo vê melhor
tenha mais razão
para chorar
e carregar restos
de dores em lágrimas
secas

certo é que ambos
hão de se fechar
juntos
algum dia
[e desconfio que nesse dia até
o direito há de chorar
se ainda houver tempo].

quarta-feira, julho 11, 2012

Outrora

quarta-feira, julho 11, 2012 0

crédito desconhecido





Outra hora
falaremos sobre
os pesares
dos erros de um
certo agora
que se foi
faz tempo
pouco tempo
muito tempo
já não importa
o que ele deixou
em nós
de nós
é por si
um fim, sem meios
termos
por isso deixemos
todos
os dizeres sobre
os sentires para
outra hora.




[de preferência uma onde os ponteiros jamais se encontrem]

quarta-feira, julho 04, 2012

A boiada

quarta-feira, julho 04, 2012 0
Imagem obtida na internet - crédito desconhecido

A vida não passa
de um eterno
tocar de bois

ainda que não se saiba
de certo
o caminho
ainda que não se aviste
de todo
seu fim
ainda que esteja frio
e não haja buraco qualquer
para esconder a si mesmo
e aos bois
ainda que esteja quente
e não haja sombra
quem dirá poço d'água
por menor que fosse
-postergaria a sede
mas não há
a água é uma utopia
o poço, uma miragem
a sede, uma verdade
e a vida
um pouco d'um, outro d'outro

e esse eterno tocar de bois

ainda que não haja pasto
para deitar-se sobre
a relva
para dar de comer
aos bois
ainda que não haja fruto
ou animal
menor
com o qual se possa enganar
as próprias tripas
- comer-se-ão umas as outras
em breve
não demora
não agora

agora é preciso tocar os bois

e eis que surge um rio
ou a miragem dele:
um grande buraco na terra
coberto de água, repleto
de pequenos animais
um lugar para matar
a sede e a fome de todo
homem ou boi
um lugar para esconder
a si mesmo
talvez?
antes fosse
miragem

mas é a morte

e não há outro caminho
a não ser esse que
uma vez trilhado
come a si mesmo
como as tripas
só resta seguir à diante
os bois têm fome
os bois têm sede
os bois têm medo
os bois têm pressa
ainda que de nada adiante
é preciso tocar os bois
rio à dentro
morte há dentro
sem demora

que a margem estreita se autodevora

agora
do caminho
só resta o rio
e fora dele
cada boi espera
sozinho
dentro do couro
dentro da boiada
por trás daqueles olhos
bestas
esperam o fim
da luta
entre o medo e a aceitação
do inevitável
não se pode correr
também pudera
já não mais há para onde correr
só resta agora aquele rio
onde o bicho menor
come o maior
e a água
que não mata
a sede
a tudo encobre

sob a superfície vermelha

agora
sob a couraça
cada boi receia
talvez antes
pouco antes
eles pudessem matar
a sede.
o homem
que ao depois anseia
seguirá a boiada
pois também é bicho
também tem sede
medo e outras fraquezas
pois já não há tempo
já não há caminho
já não há razão
qualquer que o impeça
de assim o fazer
e, definitivamente
a si mesmo esconder
dentro daquele buraco

tudo que resta é a demanda
o destino
e o rio

é preciso tocar os bois.

terça-feira, julho 03, 2012

entre sonhos e outros doces

terça-feira, julho 03, 2012 1

By Ju B.
"Enquanto dormia
contigo
sonhei
duas vezes
esta noite"
disse ele
ao servir
uma xícara de café
para ela
pouco 
importava 
o que continha
cada um deles
desde que seguissem
juntos 
mesmo
de olhos fechados
ficou
maravilhada 
por ainda estar viva
dentro dos olhos
daquele homem

que a fazia acordar
antes mesmo
do sono acabar
aquele homem
que agora lhe servia 
tão bem
o café 
da manhã
do eterno 
dia seguinte
"um foi bom
e o outro
não" disse ele
falando dos sonhos
da noite passada

"conta o bom
primeiro" sugeriu
a sonhada ao sonhador
mas ele não podia
nem se quisesse
pois não
lembrava mais
de qualquer um deles
só sabia que acordara
uma vez
chorando
num susto
e que com custo 
e com sorte
pode seguir
dormindo o suficiente
para ter outro sonho
com ela

e ela não pareceu
nem um pouco
desapontada
ao ouvir essas coisas
bem cedo de manhã
e embora não gostasse
de ficar só
assistindo 
enquanto ele fazia tudo 
aquilo
até a fez sorrir
ainda mais
enquanto ele passava
com uma faca
para cá e para lá
um punhado
de geleia com manteiga
sobre um mesmo pão.

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