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sábado, junho 30, 2012

Uma bela peça

sábado, junho 30, 2012 0
"um saco", por Ju B.

Crônica publicada no jornal Agora, RS, caderno Mulher Interativa, jun de 2012.

Chegaram as roupas limpas. Passadas, dobradas e perfumadas. Nenhuma mancha sobre elas se via, nenhuma dobra desnecessária qualquer uma daquelas superfície trazia. Pregados vieram os botões que ameaçavam delas cair - a decadência, que o tempo faz pairar sobre todas as coisas, nelas não encontrara lugar para estar. Impecável... eis a descrição que melhor caberia àquelas peças... já àquela que deveria nelas caber...

Ao desfazer a pilha cuidadosamente organizada na sacola tão limpa quanto as próprias roupas, notou que uma se encontrava destacada - um saco transparente a isolar uma peça branca dentro do grande saco que ora levava, ora trazia suas coisas, sujas e limpas, limpas e sujas, de um lugar ao outro, de um estado a outro de conservação.

Ao separar a única peça coberta de suas irmãs nuas, pegou-se a deduzir o porquê daquele isolamento plástico. Desfez o embrulho, desfez as dobras perfeitas que a tornavam tão pequena - pequena o suficiente para caber no envoltório plástico que lhe protegia. Uma vez descoberta, descobriu se tratar de uma mera camisa. Uma camisa branca, meia manga, acinturada, fechada por botões, brancos também. Uma camisa... uma simples camisa que nada tinha de diferente das outras, exceto que era um pouco mais longa que a maioria e que, por um dia cair tão bem, tornara-se especial para aquela que a vestia.
Igenuamente, perguntou o porquê daquilo e descobriu que alguém a havia julgado inadequada para ela. A camisa à mulher estava, aparentemente, pequena. Fora condenada ao desuso, assim como aquela que a tinha apreço.

Mulheres têm o tamanho tão variável quanto a fase da vida pela qual passam, pela hora do dia e pelo quão bem ou mal lhe caem "certas" roupas e comentários. E ela agora vivia uma fase bem ampla, atribulada. Ainda que fosse uma boa peça, sentia-se amarrotada - e agora, um tanto magoada. Deseja o mesmo isolamento que sua camisa favorita encontrava no interior daquele saco plástico, mas não havia saco que a guardasse daquele julgamento implacável.

Certo que a pequenês, definitivamente, não lhe caía bem. Certo que camisas não encolhem dois números numa única lavada - ao menos não as de qualidade, quando bem cuidadas, enquanto as mulheres... certo que sim. Ainda que o material que do qual era tecida fizesse dela uma boa peça.

sábado, junho 23, 2012

Dias cinzas

sábado, junho 23, 2012 0
by Ju B [2011]



Às vezes bate
sobre mim
uma tristeza
sem fim
sem começo sabido
sem meio
de dela sair
ilesa. ainda bem
que isso é só
às vezes


quando me bate esse
mal eu fico
pequena e cinza e certa
de que (?) nada
sou além de um
amontoado de pó
que se desfaz
ao menor sinal
animado ao menos
até o sopro final.

Entornada

Casulo III (Gravura digital) by Jairo Tx

Ver a tua
dor passada
a limpo
da folha imunda
em traços limpos
eternos
feito os feitos
meus ainda
fere feito lápis
cravado
onde
antes
deveria haver vergonha
agora há/a dor
inunda
até que entorne
um tanto de mim
formando novos padrões
entorno de ti.

quisera eu
poder
olhar as poças
nos vãos
sem ver
nelas reflexos
a me julgar
mais uma
vez
condenada.

quiseras tu
mergulhar
nas águas turvas
do passado
e delas sair
trazendo um
futuro
claro

para nós dois.

domingo, junho 17, 2012

Presentes

domingo, junho 17, 2012 0
Crônica publica no caderno Mulher Interativa, jornal Agora - RS, em junho de 2012.

"As pessoas não compram livros de presente no Dia dos Namorados", constatou um amigo ao observar o movimento da livraria em que trabalha.

Apesar de lamentável, é uma constatação compreensível: sendo o dia dos namorados a mais intimista das datas, mais adequado seria um presente que não estimulasse o isolamento intelectual, roubando a atenção do 'bem' por horas a fio. Melhor seria um presente que pudesse ser usado a dois, como uma sugestiva cesta de café da manhã ou sua versão mais ousada, com vinhos e iguarias ou uma de intenções mais explícitas, como as que se compra nos Sex Shops da vida. Ou um presente que, ao ser usado, já estivesse afinando a sintonia de um para estar com o outro, feito um perfume, uma lingerie, um cd que começasse a tocar antes e continuasse durante, repetindo-se incessantemente ao embalar as horas da noite e de tudo o que vem depois.

Acontece que, por mais que pareça fácil encontrar o presente ideal para a data, não o é para o par - a tentativa de adivinhar e saciar o desejo alheio faz com que a escolha "do que dar" demore mais que o "dar" em si ou, melhor dizendo, que o dar... tudo de si, durante a comemoração da data. E num misto de dúvida, pressa e falta de romantismo, muitos acabam optando pela compra mais fácil - aquilo que ele pode não saber se quer, mas precisa ou aquilo que ele definitivamente não precisa, mas quer. E assim, algum gadget* modernoso, ostentoso e expensivo passa a ocupar o lugar dos tradicionais presentes de antigamente - algo, sem dúvida, super cool*. Pena que eles não caibam na caixa vermelha em formato de coração... vai na preta mesmo!






Claro que um "mpcoisa" daqueles que toca tudo e mais um pouco é um presente legal para quase qualquer pessoa em qualquer data, mas para manter a vida a dois num clima bacana, melhor seria algo que aproximasse o casal, um presente que não estimulasse o isolamento intelectual, roubando a atenção do 'bem' por horas a...



Opa, por que é mesmo que as pessoas não se dão livros nessa data? 









No dia dos namorados da era virtual, já não se compra livros, já não se manda flores, já não se dá bombons, já não se faz serenata como antigamente...
O mais perto que se chega disso é dedicar ao ser amado um clipe compartilhado numa rede social qualquer, para ser visto numa tela bem distante da janela da vida real.

Porém, na contramão do fim dos tempos, no mês dos namorados, uma senhora liga para uma rádio local pedindo para dedicar uma música ao seu amado no dia em que eles comemoravam 64 anos de casados... ele, com Alzheimer, não tomou conhecimento da homenagem, nem mesmo lembrou da data, mas ela... ela lembra, ela sempre lembra e comemora pelos dois, do jeito que se fazia antigamente e que fazia com que os casamentos durassem 64 dias dos namorados e outros tantos dias mais importantes que esse... 

...dias passados, muitos deles esquecidos, porém eternos por estarem, um para o outro, presentes.


Jandira e Boanergei: 64 anos de casamento!

Feliz dia dos namorados a todos leitores e, em especial, aos meus avós, Jandira e Boanergei Ruas, por mais um aniversário de casamento - ainda que eles não acessem a web e nem leiam textos tão grandes em letras tão pequenas.

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*Nota
Gadget - em inglês: geringonça, dispositivo.São comumente chamados de gadgets dispositivos eletrônicos portáteis como PDAs, celulares, smartphones, leitores de mp3, entre outros.
Cool - outro termo em inglês que significa, entre outras coisas, legal e frio.

sexta-feira, junho 08, 2012

Fora de mim

sexta-feira, junho 08, 2012 1
Com meu filho, imagem registrada por minha mãe
Ao meu pequeno Dimi 

Amo tanto que não saberia mais
viver sem dizer, dizer sem viver
cada dia que ele faz melhor
cada instante que ele faz maior
e cada novo sentir que me faz menor
como a dor que é ainda pior
por estar fora de mim.

quarta-feira, junho 06, 2012

Mulher de antes

quarta-feira, junho 06, 2012 0

by Ju B.
É duro, é tão
duro se olhar
no espelho
e já não estar
lá a mesma
forma
de antes

é duro
já não ser
semelhante àquela
boneca semi-nua
pintada num quadro
nem tão antigo
assim

é duro
já não ter
as mesmas
formas firmes
e curvas
e as certezas
contidas nelas.

É duro, é tão duro
já não ser mais
aquela que podia
posar no centro
de qualquer sala
fria sem sequer estremer
eterna a qualquer dia
sem jamais esmorecer
qualquer que fosse o traço
a tela, o clima e o peso do tempo
no pó que lhe viesse por cima.

sexta-feira, junho 01, 2012

melo.dia.de.vida

sexta-feira, junho 01, 2012 0
Pela música "Eu sei que vou te amar"


Sim, 'eu sei que vou'
fazer
como compôs
Vinicius
sentir
como tocou
Jobim
e depois
deles outras tantas
vozes já cantaram

vou eu por ti seguir a sentir

um amor que a tudo
supera, um amor
que pela eternidade
espera, um amor
que suporta
a mais dura
das noites
das palavras
e das ausências
tuas

no silêncio há música ainda em notas

minhas
teclas aguardam
das mãos o toque
preciso para cantar
melodias de vidas

e assim
como ontem foi
amanhã
eu serei tua e toda e
'por toda a minha vida'

[só resta saber se o farei contigo ou se o farei sem ti].

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