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quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Outros 500

quarta-feira, fevereiro 29, 2012 0
Target by Steve Adams
Ainda que tarde
sem falhas
a declarar

[a sonegação do que é
próprio se faz
bem comum]

Ainda que tarde
cem falhas há
a apontar

[o destaque do que é
alheio sempre se faz
tão fácil]


E entre o fácil
e o comum está
o acerto

E entre o cem
e o nada são
outros 500

E nós, somos ambos:
a flecha e o alvo
fácil

Temos nas mãos
duas faces cada
e uma está furada.

sábado, fevereiro 25, 2012

Natureza Perdida

sábado, fevereiro 25, 2012 1
Ilustração de Lorde Lobo. Crônica publicada no cad. Mulher Interativa, JAgora, fev/2012

A gravidez é um processo biológico natural para o qual todas as mulheres nascem equipadas, física e psicologicamente, ainda que o livre-arbítrio lhes dê a opção de vivenciar tal experiência na pele ou não. Certo? Em partes. Desde que as parteiras domiciliares e seus saberes empíricos foram substituídos pelo GO (ginecologista-obstetra) e a medicina moderna, muita coisa mudou. E o aparato biológico tem se revelado menos autossuficiente do que se supunha.

O que seria de uma grávida sem um pré-natal decente?
 Estaria ela e o bebê a mercê de um parto às escuras − algo inadmissível em tempos em que a vida está submetida a mais riscos que uma mão na barriga seria capaz de prever, por mais experiente que fossem elas, as mães e as mãos das parteiras. O pré-natal é como uma luz no fim do túnel − ou uma lanterna a bisbilhotar as portas dele.

Não que gravidez seja doença, mas os efeitos colaterais que a acompanham podem ser tão incômodos quanto. Dores de cabeça constantes − ou nas costas ou na pélvis ou nas pernas ou em lugares ainda mais inusitados ou um combinado delas − náusea, vômitos, prisão de ventre, gases, hemorróidas, cólicas, câimbras, contrações antes da hora... A lista tende a crescer em itens e gravidade, à medida que o grande momento se aproxima, mas... Não há o que temer: é tudo absolutamente natural! 

E enquanto um corpo se esforça e desgasta na incrível tarefa de gerar uma vida dentro de outra, todos os que não estão fazendo o mesmo parecem ter uma receita infalível contra os incômodos comuns ao período. Um, antes inofensivo, “chá-disso-com-aquilo que é tiro e queda contra todo o mal”, pode ser agora ser mais tiro e queda do que nunca, porém no alvo errado − pode atuar como uma explosão atômica a abalar a suposta segurança intrauterina. Não vale a pena arriscar. Quando mal orientada e pouco embasada, a melhor das intenções pode representar o pior dos riscos. 

Sorte que nos dias atuais se tenha a ciência necessária a auxiliar naquilo que a natureza parece meio atrapalhada para fazer sozinha: analgésicos seguros, suplementação vitamínica e outros fármacos inofensivos, quando administrados sob o olho vivo e sabido de um especialista, podem representar uma grande mão a desemperrar a roda da vida. Alguns exames simples feitos ao longo da gestação podem demonstrar a presença de bactérias que além de fazer coçar e arder, por menor que sejam, podem representam um perigo considerável, se não combatidas com eficiência. Algumas pequenas boletas de suplemento alimentar, se ingeridas conforme a necessidade aponta, podem ser cruciais – porque, não, nem mesmo a melhor alimentação dá conta do recado extenso e criptografado que o corpo sob esse processo envia.  

E assim, a vida segue seu curso: uma a crescer e se desenvolver e a outra a suportar a desgastante demanda que isso implica. 

Incrível que num passado nem tão distante assim tantas mulheres tenham dado à luz tantas e tantas vezes sem uma interferência qualquer! E comiam e bebiam sem qualquer preocupação ou modificação de hábitos. Impressionante que muitas delas ainda o façam, mais por ignorância que por falta de opção. Lamentável que, por conta disso, um parto possa ser causa mortis e não apenas causar vida, como a natureza tão bem planejou – mesmo o melhor dos planos precisa de uma execução minimalista para atingir o melhor dos resultados.

Nenhuma mulher deveria submeter a si mesma a um risco desnecessário. Nenhuma mãe deveria querer para seus filhos algo menos do que o melhor. E as melhores não querem! E se a mãe natureza está mesmo entre elas, encabeçando o topo da lista, nem mesmo ela precisa ser perfeita, mas, sim, ter a humildade de admitir que, quando a coisa complica, uma ajuda, mais do que bem intencionada, devidamente preparada, é muito bem-vinda!

E que seja natural fazer de cada vida, nada mais, nada menos que o seu melhor!

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Apenas planos tolos

quinta-feira, fevereiro 23, 2012 0
Ou "tolos feitos de nada"

Nail Sticking Out of Wall 

E se tivesse feito tudo
o que há
tanto prometera?

teria o rosto de seu mestre
emoldurado, pregado na parede
próxima à porta e sorrindo

como se soubesse como
se aprovasse, como se disse
"bem-vinda, filhinha"

como se fosse
mesmo seu
pai

e sobre ele estaria um nome
imitando aquele um dia
escrito à mão

e ao seu lado estaria outra
memória que a considerasse
boa

e aos seus pés
[como se uma cabeça
flutuante os tivesse] uma planta

num cachepô
[antúrios, talvez, vermelhos]
daria uma falsa impressão

de.vida
ao passado
e aos seus mortos.

Talvez se o tivesse
ali tudo fosse
diferente

mas nem sequer o tinha
tirado dos planos
já vencidos

e na parede branca e vazia
um prego permanecia
em sua eterna espera

e a ele mantinha enrolado
o grande rosto numa folha
de papel [A3]

[e não havia na parede nem
na foto ou na folha alta
qualidade]

deixava desbotar seu ídolo
selado num armário
assim como outros tantos

planos repletos de
[e incompletos por]
'e se','como se' e 'talvez'

apenas planos tolos
feitos de nada
além de papel.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Um poema cardíaco

segunda-feira, fevereiro 13, 2012 1
Ilustração by Audrey Kawasaki
Pelos
metafóricos
que fazem
o biológico
pulsar

pelos
verdadeiros
que trazem
na pele
um ouriçar

e que no peito
são levados
ritmados a bater
apressados
a pesar

como o perdão
que peço aos queridos
poetas pela rima
(tão cafona)
que ouso proclamar

ao deixar
nas mãos dele
um coração
que já não é meu
por tanto amar.

sábado, fevereiro 11, 2012

Ao rugido que não quer calar

sábado, fevereiro 11, 2012 0
"Ela crescia. A cada dia mais e mais, em novas direções e maiores proporções. Crescia de forma rápida e eficiente, fazendo tudo ao seu redor parecer progressivamente menor  − em tamanho e significância. Ela crescia... E enquanto o fazia, se o silêncio adequado também fosse feito, podia-se ouvir a canção que seu corpo cantava a embalar o crescimento − uma melodia nada suave, composta pelo estalar de ossos, o estirar de músculos e o rasgar da pele. Ah, a pele... O maior de todos os órgãos era também o mais exigido, a cobrir toda ela, todos eles e resistir por ceder a tamanho crescer."
Crônica publicada no Mulher Interativa do Jornal Agora // Ilustrada por Lorde Lobo

Estrias não são tatuagens, nem qualquer outro tipo de ornamento a ser ostentado pela vaidade de quem o carrega. Pelo contrário, costumam ficar escondidas ou, quando acabam inevitavelmente reconhecidas, causar constrangimentos − menos da parte de quem vê do que de quem mostra. Trata-se de lesões decorrentes ou da distensão exagerada da pele − quando essa tem sua elasticidade testada e reprovada − ou de alterações hormonais que levam a degeneração das fibras elásticas, já não tão elásticas assim. Tais riscos longitudinais podem aparecer em diversas partes do corpo e variar de 1 a vários centímetros de extensão. Costumam surgir em função de um crescimento acelerado como o da puberdade e da gravidez.

E querendo e podendo, apesar de dificilmente reversíveis, trata-se, seja por laser, ácido, abrasão, peeling ou quaisquer outros métodos que devolvam o colágeno à pele, preencham as lacunas ou substituam o tecido velho por um novinho em folha. Vale dizer que a maioria desses métodos, além demorar a surtir efeito, custa caro, tanto em dinheiro quanto em sofrimento, mas, na era da popularização da cirurgia plástica e do photoshop, imperfeições são inadmissíveis! Quem as tem ou que as reverta ou que as esconda. Espera-se com isso que, em alguns anos, ninguém mais seja capaz de lembrar como se parecia um ser humano 'in natura', especialmente um do sexo feminino. 

Tentando reverter a imperfeição dessa linha de pensamento, o site americano (clique AQUI e conheça) "How To Be a Dad" (como ser um pai) criou uma ótima campanha:

"Tigers are beautiful" (tigres são bonitos),
"You are mother. We hear you roar"
(Você é mãe. Nós ouvimos seu rugido).
Traduzindo: Seu corpo não está arruinado.
 Você é uma baita tigresa que conquistou suas listras.
Créditos: howtobeadad.com

Ilustrada pela foto de um sexy abdome feminino (esse aí de cima) coberto por uma série de estrias, a campanha enfatiza aquela que é, ou deveria ser, a visão masculina sobre o assunto: "Seu corpo não está arruinado. Você é uma baita tigresa que conquistou suas listras". A mensagem é tão sensacional que transcrevo aqui, em tradução livre, a compilação de alguns trechos dela − e assino embaixo:

"Com um mundo guiado pela imagem e perfeição e inatingíveis padrões de beleza 'photoshopados', é desconfortável para nós imaginar tamanho sentimento de uma mulher por ter que se submeter ao "sacrifício" de "arruinar o seu corpo", a fim de ter um bebê. Estamos honrados em compartilhar essa mensagem de encorajamento apaixonado, em reconhecimento às mães e à beleza da maternidade. Com ou sem listras, as mães são tigres. E tigres são lindos."

Linda é a tal campanha, mas isso não significa que devamos jogar fora os dez mil cosméticos de cuidados com a pele, especialmente quando se tem a barriga em franco processo de expansão! A questão aqui é outra. Hipocrisias à parte: não é que alguém goste de ter estrias, mas uma vez que se adquira algumas − sobretudo em função da gravidez − fazer o quê?

Não é o fim do mundo carregar na pele as marcas de um momento que nos faz tão maiores, não apenas em tamanho. E digo isso enquanto escuto o ranger abafado de minha própria pele, sob camadas e camadas de hidratação. Abafa-se o ranger, mas nunca, o rugir:  

Nós, tigresas, somos fortes, somos mães, somos mulheres e nada ofusca a real beleza de uma!

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Onde quer que seja

quinta-feira, fevereiro 02, 2012 0
Art by Sabine Pieper

O tempo me chega
pelos
ouvidos

e me pega
pela mão
como se eu fosse

uma criança
perdida
numa casa vazia

não fossem os móveis
pouco a pouco
descobertos

de seus panos
quentes
brancos

para que (?)
novamente possam ser
(re) cobertos

daquilo que o vento traz
daquilo que a gente faz
e que o tempo permite

que se acumule
estaticamente
esteticamente

sobre eles, sobre nós
há histórias
a se contar

e hoje o tempo me chega
pelos
ouvidos

e corre por mim
das pontas dos cabelos
a dos dedos dos pés

...

ela diz [a voz
do tempo me soa
feminina]

ela diz ter
olhado sempre
por mim

mas desconfio
que a verdade seja
"para mim"

e ela me viu
ser e mudar tantas
e tantas vezes

de móveis, de gosto
de rostos em espelhos
e porta-retratos

ela mantém a conta
ainda que não se queira
pagar para ver

ela me faz lembrar
de um tempo
que já se foi

e não sei
se sinto por ele
algo

além da dor
do lembrar
e não saber

...

enquanto ela canta
eu vago pelos cantos
como os fantasmas

de um passado
que agora se faz
presente

a casa era a mesma
mas eu
era outra

e dançava sozinha
sem medo de conter
lágrimas e passos

de ida
de vinda
de dança

...e ela cantava
e canta
enquanto eu sigo...

a casa era outra
mas eu
era a mesma

e com ele dançava 
como se fosse a última
música

sem saber ou querer saber
se estavam fazendo aquilo 
do jeito certo

rodopiando seguimos
a eterna dança, enquanto
ela canta e sempre cantará

quando quer 
que seja, onde quer 
que se esteja.

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