[P+2T] Ebook Erótico #2: Download gratuito!

sábado, março 26, 2011

Dos ovos, da solteira e da codorna

sábado, março 26, 2011 3
[Publicada no caderno Mulher Interativa - Jornal Agora/RS]








Ilustração de Lorde Lobo




 







Abri a geladeira em busca de algo para aplacar, não a fome, mas, sim, a vontade de comer. De interessante, até então, só as azeitonas. Passei de mão no pote e as comi, ali mesmo, sem sair de dentro dela – uma geladeira, quando escancarada e encarada com um pouco de tempo e atenção, pode mostra-se bem interessante! Sobretudo quando você está se sentindo extremamente sozinha numa noite chuvosa de fim do mês. E mais ainda quando esta chuva é tempestade e este mês é março – o que, num certo calendário, fica entre o fim e o aniversário de início de um casamento recém-falido. Ok, recém-rompido.



Pois bem, lá estava ela, digo, eu, às portas da geladeira – meio cheia, meio vazia – levando às mãos e, alternadamente, à boca, uma taça de vinho tinto, enquanto beliscava azeitonas ainda no pote, das quais, por ironia numérica, foram comidas sete, conforme contavam os caroços na minha mão. E, como se sabe, os caroços não mentem: sete – sete! Sempre o maldito sete a me perseguir nos momentos mais surreais da vida, mas, prossigamos... Vestindo um penhoir azul, lá estava ela, digo, eu, bebendo vinho tinto e comendo azeitonas verdes às portas de uma geladeira branca...


Insônia: geladeira adentro, madrugada à fora. O cúmulo da decadência!

Até que outro item alimentício destacou-se: pequeno, simpático e esférico – assim como as azeitonas recém-comidas – eis que havia brotado um ovo de codorna onde antes era um buraco vazio. Quem o pôs? Como pode? Eu, realmente, não fazia ideia! Mas tinha aquela certeza das mais absolutas de que, pouco antes, naquele pequeno espaço, localizado no canto direito da parte já – ou melhor, “antes” – vazia da caixa de ovos, não havia ovo algum, nem dele rastro, por menor que fosse!

E, não, eu não havia bebido. Ao menos não o suficiente para diluir a lucidez. O que me fez, dessa vez, não perder-me em devaneios e nem tardar a alcançar a hipótese mais provável: “alguém mexeu nos meus ovos! Só pode!”. É o preço que se paga por deixar a geladeira a mercê de terceiros – se, por um lado, alguns deles lhe abastecem, por outro, dela se alimentam. E, o pior: ousam mexer os ovos de lugar. De codorna, ovos de codorna. Por que alguém se importaria com coisas tão pequenas? Por que trariam o caos a uma caixa de tamanha delicadeza?

Talvez por saber que quem controla a geladeira, em breve controlará a casa inteira. E que, quem cuida dos ovos, manda no ninho! Por isso está implícito no código de conduta do solteiro que assim pretende permanecer:

  • Regra número um – jamais dê as chaves a alguém, especialmente se esse alguém tiver tara por algemas.
  • Regra número dois – visitas são como peixes: livre-se delas antes que comecem a feder ou passar tempo demais dentro d’água.
  • Regra número três – quem comanda o controle remoto, o fogão; quem controla o comando do carro, da cama; quem faz as honras da porta de entrada, da geladeira, em breve lhe terá preso numa coleira de rédea bem curta atendendo por alguma simpática alcunha num “diminutivozinho” e fazendo-o abanar o rabinho, sempre que contente e ordenado.


Portanto, mexeu nos ovos, mexeu também no seu tão delicado estado de conservação.

E foi ali que percebi não me restar-me nada a fazer, a não ser pô-los em seus devidos lugares: os ovos, as visitas e os amantes. Os primeiros, conforme apontam os espaços vazios da caixa apropriada. Os segundos, conforme o adiantar do relógio, a saída. E os terceiros, bom... Os terceiros devem aprender, o quanto antes, que nos ovos de um solteiro, não se mexe, independente do gênero. Não sem a devida autorização! Caso contrário, a porta da geladeira será a penúltima serventia da casa. Batida em suas costas, ante a saída.

Exagero? Nem tanto. É a duras penas que se aprende que manter-se solteira é uma atividade sem tréguas!

Quando na soma destes fatores, a solidão beira o desespero, passar algum tempo na geladeira não é uma má ideia.

terça-feira, março 22, 2011

Do ser eu - volúvel, insondável ou insolúvel?

terça-feira, março 22, 2011 3
by Audrey Kawasaki
Sim, eu o amo, isso é fato - consumado, concebido e consumido. Isso é fato, embora quase tudo entre nós more ou no passado ou no futuro. E, enquanto do futuro só se especula, o passado não faz notícia... faz memórias, a remoer e rever e reviver e rever... Ter? Como poderia eu, se nem ao menos me sei? Já não conheço meu querer tão bem quanto antes. E, do pouco que sei -ou imagino que sim- há uma imensa série de "não sei's". E, nesse meu pouco saber, entendo a imensidão do meu não saber, e do querer, e querer... sem necessariamente "ter que" qualquer coisa. Sem ter que ser, sem ter que ter, sem ter que dizer. Mas entendo também a necessidade alheia, especialmente daqueles que me são tão pouco estranhos. Entendo e, por vezes, desejo a ela satisfazer... Mas não posso... Não posso esquecer que, dentro dela, há um "eu". Um "eu" que é meu e outro, que já não é, embora insista em afirmar que sim.

De certeza, por ora, só me resta uma: a de que sou eu -esse único "eu" que é, de fato, meu- uma cretina. E quanto a isso, lamento... Lamento por ser eu este eu e nada poder fazer ao meu próprio respeito.

O que tiro -e levo comigo- desse tudo, é a certeza -coisa rara entre meus sentires- de que não mereço receber a posse de um "eu" alheio. Menos ainda de multiplos deles! Mal -muito mal, diga-se de passagem- sei o que fazer com meu eu original! E do pouco que sei, faço mal. Quanto ao querer, quero, sim, quero... E quero muito a muitas coisas... e eis aí, este, o grande dilema... que me faz insondável, que me torna, por meus queres, volúvel e que faz do meu sentir insolúvel!

segunda-feira, março 21, 2011

Cadernos Vivos

segunda-feira, março 21, 2011 0
By Jairo Tx [fotografia de Rafaela da Silva]
Sem Título - nanquim e bico de pena s/papel
Veja mais trabalhos do artista em:
A quem interessar possa
[Páginas de Seres, Pelos, Penas, Baratas e Lobos]

Imagens
uma delas fere
mais que mil

Palavras
são pequenos arte.fícios teus
a riscar, a cobrir, a rasgar

Cadernos
e sentimentos que já foram
tão íntegros, tão nossos, tão

Vivos
feito nós, feito tu, feito eu
independentes daquilo que hoje nos faz

Gente
ou arte. Memória ou
matéria. não somos mais que

Folhas
das quais selecionas os dizeres
nas quais inter.feres(-)nos

Viveres
por onde deixas borrar os dedos
por onde tentas correr os medos

tão novos e tristes, tão certeiros
[e ainda meus] são esses tantos
Cadernos teus

Malescrito

[Ju e a folha - ainda em branco]
Fotografia de V. Camargo Junior








Não é horrível?

Serem tantas
as coisas na cabeça
que mal... mal se pode
escrever: não é horrível?

terça-feira, março 15, 2011

Sabores e silêncios

terça-feira, março 15, 2011 0

Blossfeldt, Karl - Fotografia

Phyllitis scolopendrium
Hart's tongue


Boquiaberta permaneço a sentir
o mundo na ponta da língua
a testar tuas verdades
a provar minhas mentiras

Às vezes, um gosto amargo dissolve-me
as palavras ainda na boca e a saliva
traz um silêncio que não é meu
mas me toma de dentro para fora

Num "não dizer" que vai da ponta de minha língua
escorrendo, num beijo metafórico, até tua'lma

segunda-feira, março 14, 2011

Versos sofridos

segunda-feira, março 14, 2011 2
Pelo dia da poesia e da gente da minha laia: poeta!
Black and White Lies - Tip of my tongue - by Mckean


a poesia sofre
[por ser eterna]
por estar na dor
a mais linda das
     verdades]
que o poeta sente
    melhor]
que qualquer outro
     ser]
ainda que não

saiba
ele ou acredite
que está na alma
o caroço daquilo
que brota em verso
vivo e como tal
sofrido.

domingo, março 13, 2011

Insaciáveis

domingo, março 13, 2011 0

by Audrey Kawasaki
 Ás vezes nos pegamos
à procura de “porquês”
e a felicidade
nos parece

um tanto
inapropriada

passageira
descabida

fossem as dúvidas
insaciáveis
fossem os desejos
insondáveis
fossem as respostas
desconhecidas
mas não, não o somos
não o são

causamos a dor
alheia por sermos
[felizes?]
intensos, imensos
devassos
doidos
varridos
gente que pula
do lado de dentro
para fora
(há) vida que pulsa
enquanto o tempo corre
enquanto o medo morre
enquanto o corpo
num cansaço satisfeito

dorme
e sonha
em ser
amante
em ser
vibrante
em ser
poeta
e acorda
e vê ao lado
seu reflexo
ainda adormecido
[porém, desperto]
e o sabe
e o é.

sábado, março 12, 2011

Eu sobre o teu caderno

sábado, março 12, 2011 2
Para W.
by Ju: wrote on his book
Escrevo eu
sobre o teu caderno
assim como
há pouco
estavas tu
sobre o meu
corpo
de papel
antes em branco
a alvejar
a ansiar
a vida
de tuas linhas.



NOTA: escrito em resposta ao poema "Teu corpo" de V. - confira no
Balcão das Artes Impuras

segunda-feira, março 07, 2011

Um poema sobre ti

segunda-feira, março 07, 2011 4
Ao W.













Adoro
as tuas ênfases
os teus olhares
sérios, tão sérios
os teus desejos
cheios, tão cheios
as tuas diversas
intensidades

Adoro
as tuas gargalhadas
tão tuas, tão minhas
as dúvidas – te ter, te ser
desbancadas: com um verso ou dois
as certezas – tão bem te querer, te saber
emergidas: com um beijo ou dois

Adoro
a tua barba - ruiva
o teu cabelo - preto
a aspereza das tuas mãos
a suavidade dos teus lábios
dos teus humanos errares
aos teus cantares: divinos!

Adoro
os teus contrastes
e tu
as minhas contradições
e entre tudo o que mais
adoro, adoro escrever
este poema sobre ti.

quinta-feira, março 03, 2011

Bons sonhos

quinta-feira, março 03, 2011 5
Ao mais lindo sonhar que um dia foi tão meu... Jairo: desejo-te os mais lindos e loucos e mirabolantes sonhos, meu lindo. Desejo-te um sonhar inteiro para chamar de teu.

McKean

Amanhã

vou te ver
partindo
tão lindo
tão indo
já não mais
tão meu

rumo a uma outra
cidade, verdade
a uma nova
vida, amante
a um novo tudo
a um novo tu
que eu jamais
conhecerei
tão bem quanto
ela, quanto eu
um dia pude
ler e escrever
sobre ti os versos
meus. foram tantos

sonhos tristes

tantas risadas fartas
nossas, típicas
pequenas farsas
ficaram para trás
junto àquele nós
que hoje nos
permite ser
tanto eu
quanto tu
um ser só

unificando-se

te vejo enorme
de mala pequena
sem planos nas mãos
te vejo partindo
ainda partido, porém
pronto a desenhar

novos sonhos

a preencher novas
partes, novas
vidas, novas
lacunas, novas
mulheres
que um dia
talvez fiquem
vazias a te ter
perdido

vez ou outra

a gente bem
que poderia
sonhar juntos
(ainda que distantes)
unidos, entre um
sonho teu e um
delírio meu
seriámos um
mesmo (em) sonho
outra vez
como fomos
um
dia
...lindos...
...tão lindos!

casal perfeito

numa pessoa só
personificados
sabíamos ser
...lindos...
...tão lindos!
e talvez um
dia sejamos
mais uma vez

um sonho

um novo sonhar
de novas pessoas
em mundos distantes
que vez ou outra
visitarão um mesmo
tempo, uma mesma
memória de porta-retrato
para rever velhos sonhos
...lindos...
...tão lindos
em milhares de noites
sonhadas de uma
única vez.

Morpheus foi generoso conosco
e agradecemos sorrindo enquanto ainda juntos dormíamos
e agora, um solitário abrir de olhos nos trouxe pequenas lágrimas
mas Morpheus foi generoso, Morpheus foi... sim, ele foi. E será que volta?

P+2T: Especial Erótico! Baixe o seu.

Curtiu? Curte lá: P+2T no Facebook

Ou siga por email, inscrevendo o seu aqui:

 
◄Design by Pocket Distributed by Deluxe Templates
Blogger Templates