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quarta-feira, maio 23, 2012

Versos narrados numa madrugada silenciosa

quarta-feira, maio 23, 2012 0

Conto-poético no qual se baseou a crônica "Ligações in.ternas", publicada no caderno Mulher Interativa do Jornal Agora, RS, em 19/20 de maio de 2012.

by Ju B.

E eis que na calada da noite
bateu nela uma puta
saudade dele.

Irônia... calada por não ter com quem falar
e quando, há pouco, tinha
não sabia o que dizer.

Não que todo dizer seja necessário.
alguns silêncios são fundamentais, mas a maior
parte deles a deixa constrangida.

Olhou a hora no relógio do computador.
era tarde, tarde demais para sentir
saudades? não. Tarde demais para ligar

por conta disso.
deitou-se na cama sozinha
a pensar no que diria, se ligasse

diria o óbvio
e a saudade continuaria no mesmo lugar
mas ele, sabendo dela, talvez não.

Ah, a maldita expectativa de um roupante
romântico, um furor que só existe na ficção
escrita por alguém que usa palavras idiotas

feito 'roupante' e 'furor'. só queria
que ele saísse de onde quer que estivesse
[em casa, sozinho, esperava ela] e se materializasse ali

mesmo que fosse para ficar
naquele silêncio constrangedor. percebia
agora: até do silêncio dele tinha saudades!

Desde que passaram a estar
juntos tinha essa melancolia sempre
que se via sozinha

e nessa noite, leu algo que a fez maior
e então não ligou. curtiu o silêncio à distância
e o que mais a saudade pudesse fazer crescer.

quarta-feira, maio 16, 2012

Coração de mãe

quarta-feira, maio 16, 2012 3

Crônica publicada no caderno Mulher Interativa do Jornal Agora, RS, em maio de 2012,
Autorretrato by Ju B. [e filho]

Andavam pela rua, pela primeira vez, sozinhos. Era um passeio feito de improviso, motivado pela beleza do dia, pela tentativa frustrada de conseguir um taxi no retorno para casa e pela saída obrigatória a um dessas obrigações referentes à saúde dos neonatos ─ vacina, revisão, testes disso e daquilo.  A tarde estava quente, o pequeno dormia tranquilo e sorridente curtindo o balançar dos passos de sua mãe que o levava onde antes havia uma barriga das maiores que se pode conceber. Para ele, o primeiro passeio, para ela, um dia perfeito: passado um mês desde que se tornara mãe e as coisas pareciam, enfim, estar voltando aos seus lugares, ainda que fossem novos tais lugares, era o início do fim do caos dos primeiros dias.

Seu bebê estava bem, suas calças ameaçavam cair, seus pés doíam um pouco sobre os saltos que só agora podia voltar a calçar e desconfiava que sua blusa estivesse molhada de leite ─ novamente!  Era um dia perfeito! Viviam um momento perfeito! Ela sorria ao ouvir os suspiros dele sobre seu peito ou seria ele que suspirava ao ouvir as batidas ritmadas do coração dela? Um som que ele conhecia tão bem... Tinham agora um ao outro numa proximidade tão grande quanto a da gestação, numa união talvez maior que a antes proporcionada pelo enorme cordão que prendia ele a ela ─ em cinco perigosas voltas.

Enquanto ele parecia sonhar com mamadas, ela pensava na família inusitada que tinha, na qual pensava ser ela o único o laço que os unia, mas não era dela a força que mantinha o nó. Pensava no quanto os laços de sangue são supervalorizados e no quanto desejava que o que a unisse àquele pequeno ser que carregava nos braços fosse feito de bem mais que isso. Pensava e seguia perdida em pensamentos, até que uma voz a arrebatou ao dobrar a esquina. Era uma voz feminina forte o suficiente para atravessava a janela da casa onde dizia:
"os filhos não nos pertencem, 
eles são transitórios, assim como somos nós...".
A casa era espírita, a voz, encarnada ─ ao menos, parecia!

Olhou para si mesma, naquele primeiro passeio com o filho no colo, enrolado numa manta, dentro de um saco de dormir, encostado em sua barriga, a cabeça sobre o peito da mãe, o corpo envolto firmemente pelos dois braços dela... "Meu bebê, tão meu!" - dizia aquela mesma mulher que, antes de ter um filho pregava aquele mesmo discurso da voz que fugia da casa espírita. É tão mais fácil dar ao mundo filhos que não são seus!

Sentia-se um pouco mal pelo sentimento de posse que a agarrava ao menino ─ sentimento esse que a fazia subir escadas com ele nos braços, mesmo sobre altos saltos, apenas por não suportar a distância que os separaria, caso deixasse que outro colo o levasse... Da mesma forma que se sentia mal quando torcia para que ele não acordasse na rua, temendo ter que expor o peito a estranhos para lhe saciar a fome... Ou quando acordava irritada pela noite mal dormida ou quando se olhava no espelho e não mais enxergava a mulher englobada pela mãe... Desde que se tornara mãe, sentia-se mal, várias vezes ao dia e em alguns dias, sentia-se péssima. E naquele dia, em que tudo parecia perfeito, eis que vem aquela voz desagradável a criticar o que, até então, parecia a melhor sensação do mundo: a de ter alguém para chamar de seu! E reciprocamente, dar-se de todo a ele.

Se há algo que a maternidade ensina rapidamente é a generosidade.
Doa-se as noites de sono, doa-se espaço nos armários, doa-se tempo, doa-se a própria forma, doa-se inteira ─ e só uma vaidosa "da pior laia" sabe o quão custoso é pôr a vaidade num saco por amor a outro ser. Doa-se sem esperar nada em troca. Quer altruísmo maior que esse? Doar-se por amor, pelo bem de alguém que só se quer bem. E não era por tamanha doação que ela se sentia mal, mas por não alcançar de todo a abnegação. Por manter-se humana na imperfeição, por ser a mesma, apesar da maternidade.

Gerar, parir, criar... São verbos mais difíceis de vivenciar que de conjugar, mas ainda mais difícil é adquirir o desapego necessário para deixar a roda girar seguindo o inevitável ciclo do nascer, crescer, reproduzir e... pior ainda, aceitar que não se pode livrar os filhos do mesmo destino, que não se pode livrar-lhes de qualquer destino!  E que eles seguirão seu próprio rumo, a despeito de quantas voltas se dê em torno de seus pés, pescoço ou corpo inteiro. Bom enquanto o som do bater do coração de mãe pode impedir-lhes de se preocupar com o que as vozes do mundo sussurram ao dobrar a esquina... Bom para este mesmo coração é tê-los nos braços enquanto se pode andar com eles por aí ─ duas vidas sobre um mesmo par de pernas

Ainda que as pernas cansem logo e que as vozes tenham toda a razão.

Crônica dedicada ao meu filho, Dimitri.

terça-feira, maio 08, 2012

O inevitável, o inexplicável e o desnecessário

terça-feira, maio 08, 2012 2

 - Publicada no Caderno Mulher Interativa do Jornal Agora em abril de 2012

Pelo nascimento de meu filho, Dimitri, em 31 de março de 2012

E o grande momento chegou, trazendo consigo um novo ser e transformando alguns deles. Eu diria “enfim, chegou”, mas o tempo e sua pressa em correr não deixou margem para expressões conclusivas. Tão rápido quanto veio, o momento foi-se, deixando comigo mais uma razão para viver e uma enorme [eterna? assim espero] sensação... a qual nem mesmo o melhor  dos poetas seria capaz de descrever. 
Ter um filho é como ser arremessado numa realidade paralela onde todas as coisas que existem são as mesmas, ocupam os mesmos lugares, porém, ao mesmo tempo estão diferentes – o que não é evidenciado por aparência, mas, sim, por essência e importância. Ou talvez as coisas ainda sejam e estejam exatamente da mesma forma e a grande mudança ocorra atrás dos olhos que as observam, nas mãos que as manuseiam, no ser que as coisifica.
Ao nos prepararmos para um momento, comumente ignoramos que o imprevisto é uma variável imensurável, um cretino capaz de pegar de calça na mão mesmo o mais precavido dos indivíduos!  Melhor que prevenir é assumir que nem tudo cabe nos planos – por mais completos que eles pareçam. Isso dito por alguém que passou os últimos oito meses planejando um único momento, mentalizando e organizando tudo, pelo lado de dentro e de fora, etiquetando e escrevendo listas ordenadas de coisas que ainda precisavam ser feitas, até que... Pimba: o imprevisível aconteceu mais rápido que um sujar de fraldas e os planos no papel deram lugar ao caos. Aliás, eis aí uma das principais mudanças vindas com a maternidade: o caos? Também, mas principalmente a moeda ─ tudo passa a ser contado em fraldas, ao mesmo tempo em que se perde a conta delas.

Quando o momento ainda cabia nos planos, temia que, ao chegar em casa levando comigo toda a tal realidade recém-nascida, fosse acometida por uma vontade ensandecida de sair correndo balançando os braços para o alto, mas... não fui ─ ao menos ainda não. Passado quase um mês desde o grande dia, ainda me sinto sob o efeito de alguma droga ou magia de encantamento. Imagino que tal sensação seja necessária para sobrepujar toda a dor, o cansaço e o estresse que dar à luz um filho acarreta. É como se uma overdose de felicidade servisse de conforto contra todo o desconforto físico e emocional que o processo fisiológico do parto acarreta ─ o corpo, muda, a mulher, muda, a vida, como até então se concebia, muda, e mudanças, ainda que boas, são sempre estressantes. Isso porque o estresse nada mais é que algo capaz de nos arrancar abruptamente da mesmice a qual chamamos de normalidade.

Ainda que se tenha a sorte de contar com o suporte de uma equipe médica e familiar competente, quando se tem um prematuro e se amamenta por livre demanda, este se torna o objetivo da existência materna durante os primeiros meses. É como se aquela nova vida dependesse exclusivamente do sucesso da amamentação. É como se o cordão que há pouco prendia mãe e filho tivesse sido substituído por um novo elo, o de uma vida a alimentar outra, eis um elo forte, insubstituível, inquebrável. Talvez seja esse o tal sentimento inexplicável que torna tudo tão menor se comparado ao pequeno que agora vive por si mesmo do lado de fora. Cabe dizer que esse projeto de independência existencial dói um pouco, mesmo nas mães menos dramáticas. Talvez por isso muitas digam sentir falta do barrigão (aquele com o bebê dentro, não o que fica teimando em nos acompanhar por mais uns meses depois que o bebê sai de dentro). Ainda que possa esconder e não se queira admitir, o amor tem em si uma pitada generosa de posse.

E eu que me projetava como a mais libertária das mães, descobri ter cinco voltas de cordão umbilical em torno do filho que guardava em meu ventre, bem seguro, bem meu. E não me envergonho, e não me admiro - isso diz muito sobre a mulher que me descobri ser. 
Ser mãe é apaixonar-se de forma irreversível, previsível e, ainda assim, inevitável. 
Fico feliz pelo imprevisto que trouxe meu rebento aos meus braços muito antes muito do esperado e pela sorte de poder o ver crescer, dia a dia, suspiro por suspiro, junto ao meu peito. Ainda que agora ele seja do mundo, seja de outros, sei que continua sendo tão meu quanto sempre foi e sempre será. E isso me basta. O resto é inexplicável, inevitável,  e tudo o que se poderia explicar me parece absolutamente desnecessário.

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