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sábado, fevereiro 27, 2010

Muito barulho por nada - Crônica

sábado, fevereiro 27, 2010 0








Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora - Fev/10









Ah, férias: tempo de diversão e descanso... E arrumar os armários, o jardim, os sapatos... Todas as pequenas obras, os pequenos detalhes que o tempo nunca nos permite pôr em dia. E assim, lá se vai a oportunidade de recarregar as energias para suportar os duros dias que procedem ao tão merecido — e mal aproveitado — descanso.

É irônico que se faça mais planos para as férias do que para os outros nove ou onze meses do ano — levando em consideração que o tamanho das férias, para quem as tem, é variável, apesar de passar na velocidade de um piscar de olhos.

E mais irônico ainda é o fato de nos sentimos mal por não atingir a meta estabelecida. Isso porque há um preconceito social em relação ao acordar tarde, ao passar o dia no sofá, ao simples e singelo relaxar. Preconceito esse que nos torna culpados quando não fazemos o tempo render como deveria, quando nos permitimos um pouco mais de sossego do que o normal, quando atribuímos ao tempo vago sua função primordial: a de ser vago!

Não fazer nada é algo fácil, pois implica em fazer algo, mas experimente fazer absolutamente nada durante um dia sequer. Não se engane, é uma tarefa muito mais difícil do que se supõe. E para ser bem sucedida requer corpo e mente em harmonia e dedicação integral. Fazer nada corresponde a um intervalo no corre-corre do dia-a-dia — onde até as palavras parecem ter pressa.

É como se o tempo fosse um adversário a ser vencido, um inimigo silencioso que tenta nos roubar aquilo que temos de mais precioso, um obstáculo ao qual precisamos contornar. E a ânsia por tal confronto acaba consumindo os melhores momentos ao tornar o relógio uma ameaça constante, um placar que exibe o avançar do inimigo, vez ou outra soando alto seu progressivo sucesso, como se por meio de badaladas gargalhasse nosso aparente fracasso — sorte que as aparências enganem!

Enquanto não pudermos passar um bom tempo desplugados do tic-tac imaginário, não compreenderemos que tempo gasto em coisas boas — não necessariamente educativas ou construtivas — é tempo ganho, pois nenhum tempo bem aproveitado é perdido. E por bem aproveitado entende-se aquilo que melhor satisfaça a cada um, seja o que for, sem que haja a necessidade do consentimento alheio.

Quando fizermos do tempo um aliado, aprenderemos que a velocidade com que ele passa pode se tornar relativa, pois mesmo um breve instante recém-passado pode se tornar eterno às memórias. E assim, o que é bom deixa de durar pouco e o que não é tão bom, pode-se simplesmente deixar passar, ir e se esvair com a efemeridade do tempo ao qual chamamos presente.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Uma lágrima

segunda-feira, fevereiro 15, 2010 4
Uma
Lágrima
Corre rápido
Tão breve é, tão
Leve e tão cheia
De tristeza ou de
Alegria, ainda
Assim é só
Uma
.
Lágrima

sábado, fevereiro 13, 2010

Doce Ilusão - Crônica

sábado, fevereiro 13, 2010 1






Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora - Fev/10
Imagem: Dave McKean






Onde mora a felicidade?


A pergunta pode parecer piegas, clichê, mas ninguém dispensaria a resposta. Não creio que a felicidade esteja ao alcance das mãos, mas talvez da mente, pois se a felicidade nada mais é que um estado de pensamento, só não é feliz quem não quer — basta sonhar, vislumbrar as peças necessárias e, pronto: o quebra-cabeça da felicidade está completo! Ser feliz parece tão simples... Algo muito mais fácil do que se supõe.


Ah, doce ilusão...


Muitas vezes, o simples planejar já é o bastante, noutras, basta! A sensação onírica que se tem ao imaginar uma conquista, ao adiantar um momento futuro, é muitas vezes mais satisfatória que o momento em si. Quando o querer se transforma em presente, raramente o faz nas mesmas cores que pinta o nosso sonhar. Talvez seja isso o que gere o efeito surpresa: a forma imprevisível como a vida acontece, muitas vezes queimando a etapa do planejar, sem nos dar sequer margens à decepção.

O argumento dos pessimistas diz que esperar o pior torna tudo melhor. Se por um lado a premissa parece coerente, por outro, não deixa espaço para o sonhar — o tão necessário sonhar. E o que seria do homem sem a ilusão? Um ser amargo, apático e sem forças para travar a batalha que possibilita a conquista, seja ela qual for.

Os excessivamente otimistas, encontram tanta satisfação no sonhar que não se deixam abalar por “detalhes” como a realidade — ignoram os fatos, as probabilidades, as críticas e até mesmo o chão sob os seus pés. É preciso convir que há uma diferença, nada sutil, entre pensamento positivo e cabeça oca, aquela que é preenchida por um pensar inconsistente.

Não que o pensar seja algo concreto, palpável, mas pode — e deve, para todos os efeitos — ser no mínimo substancial, caso contrário, torna-se tão etéreo que não se faz notar, não pesa, não tangencia o chamado “mundo real”.

O mundo das ideias é onde tudo nasce e onde tudo significa, mas este tudo só se torna algo ao extravasar, alcançando o lado de fora e, consequentemente, atingindo o pensar alheio. Se não houvesse tal necessidade, poderíamos viver em cápsulas do pensar, feito personagens de ficção científica. E o corpo, em suspensão, se tornaria um acessório obsoleto, cuja única função seria manter viva a máquina do pensar — e cá pra nós, que sabemos tudo o que o corpo pode nos proporcionar, quanto desperdício!

Quando a felicidade está trancada no compartimento secreto do imaginar, é sinal de que algo não está funcionando bem, que falta alguma peça, seja do lado de dentro ou do lado de fora, pois quando real, a felicidade transita e unifica esses mundos, dando volume aos planos e fazendo de nós seres plenos, satisfeitos e prontos para almejar algo distante e começar tudo de novo.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

A Beata - Conto

quarta-feira, fevereiro 10, 2010 0
 Imagem: Audrey Kawasaki 


Beth aparentava a típica beata: os cabelos longos, já sem corte, geralmente guardados em trança, tocavam-lhe as coxas cobertas por saias que terminavam junto aos joelhos, sempre marcados pelas tantas horas em devoção. Usava camisas largas, na tentativa frustrada de esconder os seios fartos.
 
Sempre abotoava até a última casa, sempre rezava até a última conta. O terço de madrepérola que carrega no pulso e o crucifixo do pescoço eram as únicas jóias que exibia com orgulho. Percebendo isso, rezava para afastar tal sentimento egoísta.
Rezava também para atrair a aprovação dos céus, para perdoar aqueles que lhe caçoavam, para castigar os que blasfemavam, para acordar e para dormir. Rezava para tudo! Antes de cada refeição, antes de cada relação — rezava muito para satisfazer ao marido, tão exigente. E tendo as preces atendidas, rezava ainda mais depois.

Era a primeira a chegar à igreja e a última a sair. Não se misturava as outras beatas que lhe invejavam a olhos nus, tamanho cabelo, tamanho fervor, tamanha disciplina, e secretamente, tamanha beleza, tamanha casa, tamanho marido.

Ao avistá-la adentrando a igreja, o padre sempre fugia temendo o pedido de outra confissão. Tão temente era ela... Não omitia um detalha sequer de seus pecados. Contava ao padre tudo, em seus mínimos detalhes. E pecava, a noite toda, toda a noite... As demais beatas, na tentativa de proteger o padre daquela monopolista religiosa, faziam fila à porta do confessionário. Mas Beth era abençoada pelo dom da paciência e não esmorecia jamais!

Só o padre sabia o porquê de tanta oração, dos cabelos tão longos e bem cuidados, do corpo tão escondido nas roupas comportadas. O padre e o belo marido sadomasoquista. O último gostava de puxar-lhe os cabelos enquanto a penetrava. O primeiro não confessava, mas gostava de imaginar a cena. O sexo violento, que tanto agradava a ambos, tinha seu preço nas marcas deixadas no corpo e na alma da beata. Sorte que, para os pecados havia as orações, e para os hematomas, pomada. A reza era a pomada de sua alma e o padre, o doutor que a prescrevia. E todo dia ela precisa de uma nova dose.

Não falhava uma missa sequer, para desespero do padre, desgosto das outras beatas e principalmente, satisfação do marido — o que para ela, era tudo o que importava. Que Beth, a beata, era uma boa esposa, disso nem Deus discordava. Já se era tão boa enquanto beata, depois de tantas confissões, até o padre tinha lá suas dúvidas...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

(Im)Perfeição

segunda-feira, fevereiro 01, 2010 2
Ilustração: Milo Manara

A vida é um caroço
Pele, músculo e osso
Envoltórios, estruturas
Vivas - Criaturas, esculturas
Divas - Criação perfeita!

Do inseto ao feto
Semeado ventre seja
O útero animal
Ou gineceu vegetal
A vida é um mistério
Girando em eixo sagital

Esfera de magia e segredo
Guardada em âmbar ancestral
Alguém discorda ao ver
Perplexo seu ser reflexo
Cavando nele perfeição ou nexo
Insatisfeita - Condição normal

O continuus temporis ciclus
Não respeita hierarquia
Não aceita hipocrisia
Faz de todos mesmo uno
Disforme e desigual
Desde o mais nobre homem
Ao ancilla ou marginal

Eterna e lastimosa dúvida
Que a todos comporta e atilha
Desde a mais pulchra das Fúlvias
Mesmo a mais brava Valquíria

Por quê?
Toda a beleza se dispersa
Por quê?
Todo o caminho se afunila

Quando em humi originalis
Fores reimersa parte
Questionai a sua arte
Por que a um torto o nome reto?
Pra que? Sobras, rugas e axilas

Junte tudo
Aquilo que lhe repele
Julgue a todo
O nome que lhe vacila
Do desgaste ao desafeto
Reclame ao Arquiteto:
Entre na Fila!


Nota da autora: escrito em abril/2009, este poema 
aguardava um concurso, mas a paciência se esgotou.

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