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terça-feira, setembro 27, 2011

Eles

terça-feira, setembro 27, 2011 3
by Tina Berning  - "Crowd"

"Eles"
são uns
eternos
insatisfeitos.
andam por aí
apressados como
se soubessem
mais
do que nós
aonde ir
ou qualquer
outra coisa.


eles
vivem lá
com seus
buracos
dentro
de outros
buracos
cheios
de vazios
que jamais
poderão ser
preenchidos.


eles são uns
pobres
coitados
e tudo o que
agora desejo
é que (ao menos
por ora) sejamos
nós
(uma vez que
a eternidade
a eles pertece)
os outros.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Janela indiscreta

segunda-feira, setembro 26, 2011 0
by Sophie Griotto


Não existe pretensão maior que a de julgar-se...
capaz de fazer um julgamento
alheio!

Acompanhar as novas - boas ou más - da casa do vizinho é um hábito - feio, muito feio, não faça isso em casa! - que sempre divertiu o povo. Não é à toa que os "BigBrothers" da vida fazem tanto sucesso. Muda-se a pátria, mudam-se os patrícios, muda-se o canal, mas se há algo que não se muda é a natureza dos homens.

Quem nunca viu, ainda que a distância, um bando de urubús se formando em torno de um acidente? Parece que o sangue libera algum tipo irresistível de feromônio gregário...  Parece, mas só parece. Quem nunca bisbilhotou ou se sentiu bisbilhotado? Quem nunca pôs um copo numa parede para melhorar o audio de algo que nem deveria se ouvir? Ouviu? Se não (parabéns!), mas ao menos ouviu falar.

Ainda pior que estar numa janela indiscreta é saber que cada par de olhos curiosos é acompanhado por uma enorme boca maliciosa e, de um a dez, dedos pontudos afoitos para mirar num alvo distraído. E quanto mais interessante sua vida se torna, menos com eles você se importa. E é aí que a audiência aumenta.

"Só pessoas que enchem o saco ficam de saco cheio. Têm de viver se cutucando continuamente para se sentirem vivas." - Bukowski

Há indivíduos cujas vidas são tão vazias que encontram no voyerismo uma esperança.
Fazem dele uma ferramenta para nutrir suas carências através das abundâncias alheias. Talvez por estarem com suas pobres bundas acomodadas demais para se moverem em busca das próprias realizações, talvez por serem tantas as frustrações que já não encontrem ânimo para vencê-las, ou ainda, talvez por serem de uma pequenez tamanha que se sintam satisfeitos em subviver no camarote dos que ocupam o palco da vida. Acabam por se tornar sombras daqueles que andam sob as luzes. Contentam-se com as sobras do mundo e, quando muito amargurados pelos próprio desgostos, passam a assombrar, na tentativa de ofuscar aquilo que lhes é estranho, afinal, a felicidade alheia incomoda e lutar pela própria dá muito trabalho...


Mas dentre todos os tipos de más-ações, intenções e intecionados, poucos são piores que aqueles disfarçados de bondade. Aquele que julga e critica e condena, porque "sabe o que é melhor". É o dono e soberano "da verdade" - sim, pois para este, ela é única. E lá está ele, na soberba: uma sala sem espelhos; um patamar de onde se grita sem ouvir o eco. Quem faz o mau por prazer, ao menos tem a dignidade de assumir-se mau, mas quem o faz disfarçado por nobres razões, é de uma hipocrisia nauseante.


Se cada um se concentrasse em viver sua vida, conforme seus próprios princípios e padrões, sem tentar enfia-los goela abaixo daqueles que optam por viver de forma diferente, e se tal diferença fosse por ambos respeitada, não seriam necessárias tantas cercas e cortinas, não seriam necessárias tantas leis e penitências, nem mesmo seria necessária uma crônica como esta. Mas, infelizmente, ainda é...

Pois lá está ela, a presunção, pairada na janela.



*Crônica publicada no caderno Mulher Interativa, do jornal Agora [Rio Grande, RS], em setembro de 2011.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Três nãos

sexta-feira, setembro 23, 2011 1
Stillness of silence by diablata (Natalia)


Se outro
não
a mim disser
não
hei de morrer
mas se o vazio
do silêncio
nos couber
não
posso
prometer
de todo
que irei
viver.

segunda-feira, setembro 19, 2011

Revolta pelos animais

segunda-feira, setembro 19, 2011 2
By Lorde Lobo

"Gosto de olhar os meus gatos, eles me acalmam. Eles me fazem sentir bem. Você sabia que os gatos dormem 20 das 24 horas do dia? Não se admira que tenham melhor aparência do que eu. Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu "rabo". Os humanos são desgraçados demais, irados demais, obcecados demais". - Bukowski.

Desde o mitológico Ìcaro que o desejo do homem por experimentar a vida na pele, ou, neste caso, na pena, de um animal se mostra de benefício duvidoso... E nem é preciso voar até o sol para entender o porquê. Basta observar o quão difícil é a vida dos bichanos mais próximos a nós, os pobres domesticados - é um excesso de deveres e uma ausência de direitos sem tamanho:

Animais não têm direito a nascer. Animais não têm direito a andar nas ruas, a procriar, a emitir qualquer som, a brincar com crianças menores que eles, a se aproximar à 100 metros de uma grávida, a aposentadoria por idade ou tempo de serviço, a um lugar decente para morrer. Animais não têm direito a coisa alguma!

Ao menos, não, segundo a representatividade da opinião pública, - aquela que faz com que as coisas aconteçam ou deixem de acontecer- ou seja, os representantes legais da população. Por direito, os animais - domesticados ou não - tem algumas leis que os protegem, sim. Deveriam ter mais, mas, nem as poucas são respeitadas - uma questão de cidadania, a nossa. Pena ser a política dos irracionais ainda menos organizada que a nossa - por mais difícil que isso pareça - ao ponto de os impedir de eleger um porta-voz que defenda seus direitos de maneira inteligível. Cabe(-ria) a nós a luta deles. Porém, nessas horas, sempre surge um ser esclarecido a questionar qualquer iniciativa que leve em conta os não-racionais, diminuindo a viabilidade dessa por comparção a todas as carências "mais importantes" da população humana.

Como resultado, quaisquer animais tornam-se presas fáceis na selva urbana em que, por azar, acabaram inseridos...Sendo ridicularizados com roupinhas e nomes patéticos, sendo explorados e submetidos a trabalhos nada voluntários, sendo negociados como mercadoria, morta ou viva, em mercados de todo o tipo. Mas, basta mencionar lhes assegurar algum direito para fazer gente bufar - sim, nesse caso, gente bufa - gato mia, cachorro late, pássaro pia, cavalo relincha, boi muge... e, assim, se faz muito barulho por nada.


Na hora de brincar com o cãozinho que serviu de presente para o netinho mimado, todo mundo gosta de animais, mas na hora em que este morre, basta jogar-lhe no lixo, orgânico, de preferência - não que a educação popular permita a percepção de alguma diferença. É de arrepiar os pelos dos que são sensíveis a causa.

Pena mesmo os bichos não serem organizados ao ponto de fazer greve ou revolução, à lá Gerge Orwel, ou ao menos assitir - e entender- a TV Câmara de sua cidade [e alguém assiste? sim. E alguém entende?], para ver o que seus queridos bípedes confabulam na sua ausência. Mas, eles não podem... 
Estão ocupados demais abanando seus rabinhos, andando na fila do abate ou puxando uma carroça para um humano qualquer.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Estiagem

quinta-feira, setembro 15, 2011 0
By Laura Laine



Passo por uma
seca de tantas
coisas, pessoas
palavras
vontades que
na xerostomia
de um dizer mal
deglutido sinto-me
afogar
no seco

[correto não seria 'sufocar'?]

cuspir?
não posso.
faltam-me a saliva
o ímpeto e a língua
adequada para fazê-lo.

digestão
nenhuma se dá
na boca cheia de
vazios a menos
que neles se guarde
um tanto de segredos
e outro, de amido.


Água
alguma
poderia ser
capaz de molhar
aquilo que é
por natureza
impermeável?

sexta-feira, setembro 09, 2011

Da natureza dos homens

sexta-feira, setembro 09, 2011 0
By Alisson Affonso










Foi ele
a única pessoa
para quem
havia revelado
tudo sobre quais
medos e razões
a faziam descartar
qualquer ideia
ainda que remota
de um filho

E eis que ele
(justo ele) tão cheio
de saberes veio a ela
e fez exatamente aquilo
que jamais poderia ter
feito. Quem mandou
ela contar
a ele algo
que era impossível
de ser nela atingido

Deu a ele
um alvo e um prato
cheio para provar
a si mesmo
que podia
alcançar o inalcançável
(como todo
típico homem
faria)
e ele comeu

De se estranhar
é o fato
de ter sido ela
(justo ela) tão ingênua
ao ponto
de não perceber
o (irresistível)
desafio
lançado naquela
negativa

Jamais se deve
dizer a um homem
um "não" definitivo
a menos que esteja ele
carregado de intenções
ou que seja dúbio
o suficiente
para não o deixar
entender
qual é a dela.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Gerando sonhos e pássaros azuis

quinta-feira, setembro 01, 2011 1
By Charcoal and Crayons
Na ânsia
de dizer-lhe
as mais belas
palavras
silenciam

no falta
de um gênero
a lhe acordar
os versos
não rimam

no medo
de não lhe
ver fora de
longos planos
esperam

e na ânsia de uma
espera que mais
parece
interminável
o tempo voa

e neste voo
incrédulas
asas
buscam um céu
para alçar

e neste céu
que mais parece
um futuro
eles [re]formam
um mesmo ninho

e nele um passáro
azul e novo e
recém-sonhado
está prestar
a despertar

para sempre
com eles
em sonhos
em bando
voar

e pintar
no céu estrelas
e nelas escrever
nomes e versos
a cantar e voar e voar.

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