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terça-feira, junho 30, 2009

Poesia - CICATRIZ

terça-feira, junho 30, 2009 0
O que sou (?)
pouco importa
aos teus olhos
e ouvidos
autoreflexivos
O que sinto
em segredo
não sei repartir
só sou inteira
e impossível
de presumir
O que sou
aqui não cabe
e o que sirvo
vestindo letras
poucos sabem
traduzir

***




E eles, o que são?
Tantos e tão
O(h).cu(l)pados
presunçosos
de seus saberes
livrescos
esquecem-se
que o eu real
não se resume
ao lírico
e que até mesmo
este eu/ele
às vezes sangra
e chora
e dói




***

Um eu
que agora
fragmenta(-se)
em versos
as dores
como cápsulas
para amenizar
placebo
percebo
e me guardo
nova(a)mente
em baús e caixas
em balões e sonhos
em pó e enfim
em mim
sou só
Cicatriz



Imagem:Yoshitaka Amano

segunda-feira, junho 29, 2009

BLAVINO 17 – 2 : 1

segunda-feira, junho 29, 2009 2

Um

Instante
Basta! Para

Que eu te leia
Nas entrelinhas
Que nos repartem

Tão artificiais quanto o

Vazio que permeia-
- nos soprando
Silenciosos

Segredos
De nós

Dois

BLAVINO 17 – 2 : 1
Imagem de Federica RedSigns

sexta-feira, junho 26, 2009

CRÔNICA - Refletindo

sexta-feira, junho 26, 2009 2

Queridos leitores,

Por motivos de força maior ou intempéries da vida, minha colaboração com o Caderno Mulher (J.Agora) falhou uma quinzena e esta crônica acabou publicada com uma semana de atraso do convencional.

Peço desculpas àqueles que, porventura, ficaram na expectativa e cumpro aqui o nosso compromisso.

Espero que gostem, afinal:
- É pra vocês!
Um Beijo - Ju Blasina

Imagem: Sophie Griotto


Ela acabara de acordar. Todos os dias o mesmo ritual: chinelos, banheiro, chuveiro, toalha, espelho – O reflexo – maldito reflexo!
Tão cheio de sinceridade, tão cheio de si.

Com o tempo – ah, o tempo – ela acabando fazendo com o espelho, aquilo que se costuma fazer com aquilo (coisas ou pessoas) que nos desagrada – evitar, fingir um sorriso ou apenas destinar um olhar superficial.

Eu tenho uma teoria que é adequada a este assunto:

“Espelho, caixa eletrônico e balança, são coisas que eu só visito quando sei que me darão boas notícias”

O que significa evitar sua presença nos complexos e caóticos dias de TPM – seria como abraçar um cacto, ligar para a arqui-rival ou fazer autoacupuntura – por que diabos alguém torturaria de tal forma a si mesmo?

Só o espelho tem o poder hipnótico de nos prender e nos mostrar aquilo que nem sempre gostaríamos de lembrar. E não me refiro apenas ao que ele reflete, mas sim e principalmente a tudo aquilo que refletimos perante ele.
Autoimagem vai muito além da aparência e mesmo a aparência é um conceito relativo – a forma como nos vemos não é a verdade universal – cada olhar é ímpar e capta em nós diferentes nuances, de acordo com aquilo que trazemos a superfície em determinado dia e com aquilo que o próprio observador traz em si.

O mundo não nos enxerga. Quem nos vê, com olhos de ver, não apenas de olhar, são as pessoas e cada uma delas é um mosaico de memórias e emoções, cuja pequena fagulha é conosco trocada a cada olhar. Por essa razão, o rosto de uma pessoa, sobretudo seu olhar, é algo que exige o nosso respeito – seja ela quem for – pois traz em si o testemunho de uma vida, de uma existência única e, por nós, ainda desconhecida, por maior que seja a intimidade existente.

Já tentou, ao espelho, encara-se nos olhos? È uma tarefa muito mais difícil do que se supõe. Um momento de real e absoluta intimidade, geralmente e inconscientemente evitada. Olhamos nossas curvas, procuramos nelas defeitos, esbravejamos contra as rugas e todo tipo de sinal - rejeitamos as marcas do tempo, pois nela trazemos escondidas nossas mais profundas verdades – não aquelas que podem ser facilmente disfarçadas por uma boa maquiagem ou intervenção cirúrgica, mas aquelas que silenciosamente carregamos no coração (metafórico e às vezes até no anatômico).

“Eu só posso me voltar à unidade se
eu souber respeitar a pluralidade”

Foram estas as palavras que ouvi numa aula de latim e que me levaram a, nesta crônica, refletir (agradecendo desde já, ao professor Oscar Brisolara, fonte inesgotável de sabedoria, generosidade e inspiração).
Quando enfim aprendermos a olhar o mundo com “olhos de ver”, percebendo nele as pessoas que o constituem e nestas a singularidade que representam, estaremos mais próximos de nós mesmos, preparados para encarar e refletir em nosso próprio espelho.

Numa poesia recente, uma tal de “Ju Blasina” disse que “Vergonha de si mesmo é patético e beleza, vai muito além do estético”. Repetir isso como um mantra talvez funcione, talvez não. Evitar o espelho em dias de TPM, talvez funcione, talvez não. Mas deixar de “refletir” sobre toda e qualquer “superfície de contato”, isso certamente é impossível!


Então, antes de criticar, reflita-se!"









Ilustração:
Lorde Lobo

Blavino 16

Ambição Leviana

Queria

Tanto dizer-te
Aquilo que trago

Em meu peito. No mais
Profundo silêncio, seja por
Medo, receio ou temor, de que,

Além de errado, isso sequer seja amor

Apenas a mais doce mentira que
Me atormenta e te fascina, e
Nos corrompe dia-a-dia

Em poucas palavras
Tanto dizer-te

Queria


Imagem: Sophie Griotto

Passo-à-Passo - Poesia

Passo-à-Passo

Inspirar
Proferir
Ponderar

Reforçar
Repetir
Retomar

Registrar
Redigir
Revisar

Editar
Corrigir
Publicar

Aguardar
Diferir
Propagar

Agradar
Inferir
Denotar

Poemar

Imagem: Steve Adams

quarta-feira, junho 24, 2009

Intimidade - Poesia

quarta-feira, junho 24, 2009 2
Intimidade
É olhar-se ao espelho
Romper as roupas e
As máscaras. Olhar-se
Nos olhos atentos. Perder-se
Em detalhes sutilmente
Percorrer-se a cada curva
Saber como levam, aonde
Chegam e em quanto tempo
Conhecer-se mesmo no escuro
Saber-se ao avesso, travesso.

Como se pode ter
Mais Intimidade
Com um corpo alheio
Estranho, do que com este,
O qual usamos por dentro?
Vergonha de si mesmo
É patético - Beleza
Vai muito além
Do estético e prazer
Pode bem ser tanto
Interno, quanto poético.
Imagem: Sophie Griotto

sábado, junho 20, 2009

Blavinos 14 & 15

sábado, junho 20, 2009 1
Mea

Culpa
É um baú

Lacrado e farto de
Pecados não cometidos
Tão pesado fardo que penso

Em abrir o baú em sonhos contigo

Mas espio em versos e é só
O reverso é nulo – sofro
Um mal me acarreta

E acorrenta-me
A este tolo

Baú



Um Baú (nº15)




















Uma Lupa (nº14)


Queria

Uma lupa
Para ver-te por

Dentro, as verdades
Escondidas em meio a
Tantos disfarces, dentre

As palavras não ditas, o silêncio

Decifrar-te ia romper
A falsa distancia
Traduzir-te as

Linhas tortas
Com uma

Lupa



Imagem: Steve Adams
Veja Também "A poética do Blavino"
por Juliana Ruas Blasina & Volmar Camargo Junior
Na revista "SAMIZDAT" de junho

sexta-feira, junho 19, 2009

Poesia - Sinto Muito

sexta-feira, junho 19, 2009 1

Sinto-me sozinha em multidões
Sinto-me cheia de estar vazia
Sinto-me tantas que fujo de mim
Sinto-me tanto que dói

Tanto caminhei para perder-me em mim
Tanto procurei para achar-me enfim
Tanto ansiei por um meio de fugir do fim
Tanto que já nem sem, quem sou eu

Perdi – o fio, o tino,
o nexo, a direção – complexo:
Perdida em labirintos internos, prisões etéreas.
Janelas fechadas não entram sol

Bem que eu queria - mas não bastou
Só restou-me o mal: o mal sentido,
O mal sofrido, o bem doído – o mal vivido.
E hoje mal me recordo dos bons tempos.

Tanto pensei pra perder-me assim... Sinto muito!

Poesia - Amor Pontuado

Maldita a hora em que saquei
A bolsa mágica da pontuação
Remexi – enchi a mão
Frívola e fria salpiquei
Ao acaso ou descaso sobre nós,
Um punhado de dúvidas
Interrogações, travessões, aspas,
Exclamações, dois-pontos, vírgulas
Ponto-e-vírgula /pausa longa/
Parêntesis (os seus) - (os meus)
Ponto final ou reticências (?)
São tantas as desinências
e declinações que imperam a vida
Regras de entrada, setas de saída
Regras ortográficas já não regem
Nem abrange o romantismo meu.
Se o passado não retorna e
O futuro não existe, presumo eu:
“A felicidade é um eterno estado”
- de espírito? Não: de gerúndio!

Imagem: Steve Adams

terça-feira, junho 16, 2009

Poema à Isabela

terça-feira, junho 16, 2009 0
Momentos – memórias e sentimentos

Quanto dura um momento?
O misto de memórias e sentimentos
Que torna um instante eterno,
Colorido de emoções;
Uma janela no tempo
Que nos permite reviver
Cada pequeno detalhe
Daquele dia,
Daquela vez,
Em que nos sentimos mais vivos,
Mais felizes, mais completos.
O ensaio do sorriso,
A pequena lágrima,
O sono tranqüilo,
A alegria de cada nova descoberta,
Uma pequena vida, que faz de nós
Um pouco mais vivos.
A cada momento...


























Assim és tu, pequena Isabela
Arco-Ires de alegria
Colorindo o amanhecer
Teu sorriso irradia
Cada canto do meu ser

Menina amada, tão singela
Que estes teus tão lindos olhos
Só vejam flores e pássaros
E que eles te cantem
As mais belas canções
Terás sempre o teu cantinho
Dentre os nossos corações

À nossa amada & bela afilhada: Isa...bela

sábado, junho 13, 2009

CRÔNICA - O importante é o Amor

sábado, junho 13, 2009 0





Publicada no Caderno Mulher - J.Agora
Ilustração: Lorde Lobo







A comemoração do Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim, possui várias origens possíveis. A mais famosa delas envolve São Valentin, bispo romano do século III, que continuou a celebrar casamentos mesmo contra as ordens do imperador Cláudio II (que os havia proibido a fim de manter os jovens solteiros e assim formar um grande exército - o alistamento não era obrigatório). O bispo Valentin acabou decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.C., mas não sem antes, na prisão, se apaixonar pela jovem filha cega do carcereiro – Assíria – que milagrosamente recuperou a visão.

Já a versão Romana fala do festival “Os Lupercalia”, celebrado em 15 de Fevereiro - data que, no calendário romano, coincidia com o início da Primavera. Na véspera do festival os nomes das moças eram escritos em papéis e depositados em recipientes, de onde cada rapaz sortearia o nome daquela que seria seu par durante o festival (ou, com sorte, por toda a vida).

Com o tempo, o dia 14 de Fevereiro ficou marcado como a data de troca de mensagens amorosas entre namorados, sobretudo na Europa e, mais tarde, nos Estados Unidos. No Japão o “Barentain dee” tem duas comemorações: a primeira em 14 de fevereiro, quando as mulheres presenteiam amigos, namorados e afins com chocolates, e a segunda no dia 14 de março, é a vez de eles retribuírem.

No Brasil comemoramos o Dia dos Namorados em 12 de junho por ser véspera do Dia de Santo Antônio, santo português com tradição de casamenteiro (segundo a lenda, era um excelente conciliador de casais – além de intercessor dos pobres e das causas perdidas).

Independente da origem e dia específico, a data é um lembrete a despertar o romantismo latente em cada um de nós, pondo-o em prática, seja de forma tradicional, ou mais criativa – o importante é expressar os sentimentos, homenageando a pessoa amada. E nada como datas e rituais para unir as pessoas e imortalizar nas memórias os bons momentos.

Antigamente bastava um bilhetinho carinhoso para tanto, hoje em dia é preciso um pouco mais. O “pacote romântico” mais comum inclui, além do “bilhetinho e presentinho”, um “cineminha” a dois – ou DVD romântico – seguido por um “jantarzinho” (sim, pois o uso do diminutivo é obrigatório em linguagem romântica casual). O tal jantarzinho, pode ser em casa, com aquela “comidinha” favorita do parceiro ou no restaurante favorito do casal, o que nesta data, a menos que um dos dois seja um ser precavido e tenha feito reservas, significa a pizzaria onde se encontrar mesa vaga – mas tudo bem, o importante é amar e estar “juntinho” – com o parceiro e não com o vizinho da mesa ao lado, tão colada na sua que acaba ganhando um lugar nas fotos e memórias.

A pizza chega fria, seu vizinho de mesa consegue ser mais intragável que ela e, pra completar, seu namorado esta nervoso, pois a mesa improvisada no corredor não tem acesso à TV. Mas tudo bem, o importante é amar. E é exatamente isso que você pretende por em prática tão logo saia deste bentido lugar. Afinal, a melhor parte é sempre guardada para o final: esticar a noite faz parte do pacote romântico (e não aceita diminutivos). Para as casadas ou emancipadas, significa deixar as crianças na casa de alguém, perfumar e arrumar eroticamente – o quarto e o corpo – e o resto fica por conta da imaginação.

Já para os solteiros a noite será longa... Não que tenham mais imaginação e disposição, mas, a menos que um dos dois seja duplamente precavido, eles terão que enfrentar uma verdadeira peregrinação e inevitavelmente fila – é a tradicional “fila de motel” – quer coisa mais romântica? Se achar uma mesa vaga nesta data é uma tarefa difícil, imagine um quarto (dificuldade bem compreensível). Haja calor humano pra superar a fria espera em plena noite de junho! Mas tudo bem: Não tem tempo ruim quando o romantismo está presente, ativo e operante!

Quem está solteiro pode aproveitar o momento para exercitar o amor próprio – ao menos não terá dificuldades em escolher o presente, nem precisará enfrentar as “ciladas românticas” clássicas desta data. Já quem deixou para comemorar no final de semana: corra ao telefone, faça logo as reservas e prepare-se para esquentar noite. Só não se esqueça de levar o bom humor – não deixe um “imprevistozinho” qualquer desligar seu romantismo – nesta data:
- O importante é o amor...

quarta-feira, junho 10, 2009

Só um Balão - Poesia

quarta-feira, junho 10, 2009 1
Balões parecem-me
Tão felizes
Coloridos, lustrosos
Pairando alto
Flutuando leve
Subindo ao céu
Tão belos ao longe
Tão cheios
De cor, de ar
De vida, talvez.
E só quando estouram
Revelam o interior
Tão vazio e oco
Seu corpo já
Frágil, disforme
E morto

Às vezes sou só
Um balão
Cuja corda dou
Em tuas mãos
Cuja beleza deixo
Aos teus cuidados
Ao teu olhar
Cuja vida depende
Do teu ar - infla-me!
E te darei em troca
Minhas cores e
Meu feliz estar,
Pra nele te alegrar

Segure-me firme,
Mas não muito
Amarre-me forte
Mas nem tanto
Não quero
Subir ao céu
Nem quero
Romper-me ao chão
Quero ter só
O brilho das cores
Do teu balão

Pintura de Luís Ralha

terça-feira, junho 09, 2009

Mediocridade - Poesia

terça-feira, junho 09, 2009 2
Cansei de ser meio
Nem gorda, nem magra
Nem loira ou morena
Nem feia, nem linda
Nem grande ou pequena
Estatura mediana
Aparência aceitável
Existência medíocre
E indestacável
Pregada no muro
Do meio-termo,
Do meio-ser
Cara-metade
Já não me completa
Cansei de ser meia,
Quero-me plena e repleta
Ser inteira.mente um
Ser único e definido
Quero uma vida marginal
Sê-lo por bem ou por mal
A inclinação pouco importa,
Ante a meia-vida,
Prefiro-me morta
Quero notável.mente
ser toda
e só.
Imagem: Gerald Brom

segunda-feira, junho 08, 2009

ABRACcADdABRA - Poesia

segunda-feira, junho 08, 2009 4
Imagem: Yoshitaka Amano

Procuro
Palavras-chaves
Indecifráveis
Escondo
Objetivos
Adjetivos
Obscuros
Desafiantes
Alucinantes
Figuro
Formas
Imagináveis
Invento - Crio:
-abraccaddabra-
Nota da autora: O título refere-se ao esquema de rimas inventado (em parceria com V. Camago) e arriscado neste poema.

sábado, junho 06, 2009

A sombra - Poesia

sábado, junho 06, 2009 3





Imagem: Dave McKean






Há tempos persegue-me uma sombra
Deformada, mal forjada, vestindo-se de minha
Há tempos percebo esta sombra, fingindo andar sozinha

Um vulto, uma sombra, etérea e cinza, fria e opaca, que
Com o dia se aplaca e junto à lua me espreita
Do que seria ela feita, luz ou escuridão?

Seria ela real ou ilusão? De ótica,
De excesso de medo, de álcool, de solidão
Preciso olhar mais de perto – Melhor – Não.

Abençoada seja a ignorância!
Quando tudo o que lhe acompanha
É uma dúvida, melhor não afugentá-la.

Há tempos corri ao longe, tentando
confundi-la, julgando despistá-la – Errônea
escolha que fez tão triste e vazia minha rua

Desde então sigo, sempre e só, pelo caminho
mais claro, dentre a noite mais escura,
Rente à parede mais turva.

Há tempos persigo esta sombra
E não raro tropeço em amarguras,
Há tempos persigo uma sombra e sonho ser tua.

quarta-feira, junho 03, 2009

CONTO - 7/8 em 1/4

quarta-feira, junho 03, 2009 1





Publicado na
SAMIZDAT 18

7/8 em 1/4
by Jú Blasina








Tudo começou, como sempre – mensagem anônima no celular:

Sexta-feira – 21:00 hs
Você sabe o que e aonde....
O champagne é por tua conta.
A surpresa é por minha...

Ele sorriu, apagando-a imediatamente – já fazia tempo, muito tempo, desde o último encontro, tanto que a simples menção de “surpresa” associada com a lembrança de Val, seminua em meias 7/8, bastou para excitá-lo. Olhou discretamente as mesas ao redor – era hora de almoço, o escritório quase vazio, silencioso – o som de uma nova mensagem – “Ah, celular barulhento” ele resmunga fazendo ainda mais barulho na tentativa de ser discreto.

E então, garanhão?
Posso te considerar... dentro?

“Ah... cachorra sem vergonha” – ele ria, sem perceber que pensava alto, enquanto caminhava em direção ao banheiro, apagando, aflito, a nova mensagem. Lá passaria o resto do seu intervalo, lendo e apagando, lendo e apagando, sucessivamente, mais rápido, gradualmente mais excitado, lendo e apagando, lendo e ahh... pagando. Era hora de responder:

Confirmando:
Mesma hora, local, Pau – ops!
(risos) E não esqueça as meias!
Bjs - Cris

Ele passou o dia tão ansioso, tão absorto em pensamentos obscenos que quase se esqueceu de comprar o champagne. Tudo o que precisava levar era: um bom champagne, o corpo disposto e alguma imaginação – agora a lista estava completa!
Val sempre se encarregava dos detalhes – e como era boa nisso... Perfeccionista ao extremo! Ela e sua maleta hermeticamente organizada de onde saiam as mais diversas e inesperadas coisas. Segundo Cris, aquilo era o chapéu mágico do sexo. Mal sabia ele quanto tempo e dinheiro ela gastava para manter seu arsenal abastecido, atualizado e principalmente organizado. E ele ainda insistia em lembretes do tipo “não esqueça as meias” – uma piadinha interna, pois ela nunca esquecia nada.

Em cima da hora, ele chegou ao flat. Funcionava como um esconderijo secreto e compartilhado, que, há meses, alugavam para seus encontros – nunca ao acaso – apenas, sempre e somente mediante aviso por ela enviado, como havia ocorrido hoje pela manhã.
Ao abrir a porta, Cris notou as pequenas mudanças que renovavam o ambiente, “como sempre”. Cada vez que visitava o local, encontrava-o redecorado, habito que ela mantinha, não apenas com o flat – Val era cheia de surpresas e a ansiedade por encontrá-la o deixava louco...
Havia velas acesas espalhadas por toda a parte, iluminando e perfumando o ambiente. A música já estava tocando. Era algo envolvente, mas não apelativo “moby? talvez”, pensou ele, largando o champagne no balde de gelo que o aguardava sobre a mesa de centro. Tirou o casaco, tentando aparentar tranqüilidade, até que ouviu o som do salto se aproximando – toc, toc, toc – virou-se e lá estava ela: espartilho, salto agulha e meias... ah... meias 7/8 pretas, arrastão.

O champagne esquentou e não foi o único: a combustão imediata daqueles corpos fez com que as roupas saltassem quase que espontaneamente. Depois de algum tempo, prazeroso tempo, até as amadas meias sumiram. O flat, antes tão arrumado, agora parecia ter sido atingido por um terremoto ou furacão. E de certa forma o foi. Lá estavam os sobreviventes, nus, enrolados em corpos e lençóis, bebendo o champagne já quente, cujo gelo havia ganhado outras finalidades durante o processo. Agora, recuperado o fôlego, conversavam sobre as supostas e postiças vidas que um apresentava de forma mais mirabolante ao outro. E entre mentiras e risadas recíprocas, as coisas pareciam funcionar – e satisfazer muito bem – a ambos.
“Mais barato que terapia” dizia ela às amigas
“Melhor que uma esposa ou prostituta qualquer” dizia ele a si mesmo.

Ao amanhecer, após dormir, comer, mentir, rir, banheira e sexo, em repedidas e desordenadas vezes, era chegada a hora de montar o “quebra-cabeça” do quarto.

— Viu minha camisa?
— Na sala – respondia ela, enquanto reorganizava sua maleta.
— Viu minha cueca?
— Hum... aqui! Toma aqui – alcançava ela, enquanto terminava de se vestir, de maneira muito mais comportada do que havia se apresentado na noite anterior.
— E minha meia, viu?
— Qual? Esta que está no seu ombro, Cris?
Ele riu — Esta também. E a outra?
Olharam em volta e nada da meia. Começou então a procura – ela revirava as cobertas já arrumadas, enquanto ele, parado, olhava para os móveis, sem mover um dedo, como se pudesse enxergar através deles – ela, agora de joelhos, procurava por todo o canto, atrás a cômoda, na poltrona, sob a cama.

— Achei!
Gritou ele, orgulhoso, de algum lugar da sala.
Ela permanecia ajoelhada no mesmo local, apreensiva com algo que trazia nas mãos.
Cris voltava ao quarto, já de meias, fechando a camisa, enquanto ela levantava lentamente – uma expressão fria, nenhuma palavra.

— O que foi Val? Ah, achou a tua meia também?
— Não.
— Como não? E o que é isso na tua mão? Parece até eu. Haha, te peguei agora, perdendo coisas!

Ela permanecia com o semblante fechado. Largou a meia 7/8 preta, vagarosamente, no centro da cama, sobre o lençol vermelho. Ainda sem captar o que estava acontecendo, ele se aproximou, analisando de perto a situação. Olhou para Val, para a meia, Val, meia, perguntando-se o porquê de tanto mistério, Val, meia, Val, meia... até que, enfim, percebeu! Quando seus olhos encontraram os dela, que o fitavam atentamente, não se sentia muito seguro quanto ao que dizer. Agarrava-se àquele silêncio, em busca de uma boa explicação, quando o silêncio foi rompido:

— E então, Cris? Caso não tenhas escutado, ou entendido, eu repito: Não, essa meia vagabunda não é e nunca foi minha. As minhas, já estão na maleta, e, além disso, coisas vagabundas não fazem o meu estilo, mas, pelo visto, fazem o teu, ou estou enganada?

Ele engoliu a seco, arregalou os olhos, “pensa rápido, pensa rápido... ah, merda! Ela sabe ou só ta blefando? Ah, merda! Melhor eu falar a verdade, dane-se”

—Não, eu não trouxe ninguém aqui, se é isso que tu tá insinuando.
— Ah, sim, claro! Então, acompanhe o meu raciocínio: Se essa meia não é minha, nem de outra qualquer, eu presumo que seja de quem?... tua?
Uma gota de suor ameaçava escorrer denunciando o pavor de Cris diante aquela afirmação. Tentando manter a calma, ele reavaliava a situação:

De um lado Val: vestida sobriamente, tailleur cinza, camisa branca, sapatos impecáveis, cabelo perfeitamente arrumado. De outro ele, Cris: calça ainda aberta, camisa mal abotoada, calçando um sapato só, cabelo bagunçado, barba mal feita. Entre eles, sobre a cama, aquela cama, naquele quarto que é dos dois, estava ela: aquela meia – maldita meia – que não podia pertencer a nenhum dos dois.

“É isso!” pensa ele “É o que ela espera que eu diga: a resposta lógica - é perfeita!”

— Não, claro que não é minha. É de uma amiga... Já faz um tempo, a gente não se encontrava mais, tu não ligavas nunca! Aconteceu... Não achei que isso fosse te incomodar tanto, afinal, a gente não tem compromisso... e foi só sexo.... e...

— Chega. Não preciso ouvir mais nada. Primeiro: “só sexo” é o que nós temos. Segundo: pouco me importa o que tu faz ou deixa de fazer aqui, na minha ausência, mas me incomodo, e muito, a tua falta de consideração, ao deixar os restos das tuas vagabundas espalhados pelo nosso quarto.
— Val... foi só uma meia!
— Pois é, Cris. Não é a perna que estava nela que me importa. É o teu descaso.
— Desculpa, mas como eu ia adivinhar?
— A gente não adivinha Cris, a gente pensa, organiza e se certifica de que tudo esteja perfeito.
Sabe o que isso me mostra, Cris? Essa meia é uma mancha no teu caráter!

Cris pensa: “Droga, parece até que ela sabe”
Val pensa: “Ótimo, acho que fui convincente”

—Tá certo Val, se é isso o que tu pensas... Eu já vou... tô atrasado para o trabalho. Vou juntar minhas “manchas” e te deixar aqui no teu “santuário” de organização e retidão.
— Ironia não vai ajudar agora, Cris. E DEIXA ESSA MEIA AÍ!
Gritou ela, enquanto ele, cuidadosamente, enrolava o precioso achado.
— Por quê? Não é minha... minha falta de caráter?
— É. E eu vou guardar, de recordação.
— Tu é louca, sabia? Gostosa, mas louca.
— E tu é burro, sabia, gostoso, mas burro.
Indignado, ele saiu, juntando suas coisas pelo caminho, bufando e batendo com as portas.

Já no carro Cris sente-se aliviado, extremamente aliviado, por ela ter engolido a mentira mais sensata. Apesar de todo o drama e ofensas, antes sair de um quarto com fama de mal caráter do que revelar o tamanho de sua paixão por meias 7/8 . Isso seria mais embaraçoso que qualquer coisa!

Ainda no flat Val joga-se em cima da cama, rindo e brincando com a meia, recém encontrada. Pega o telefone e manda uma mensagem. Dessa vez o remetente é outro:

Cherrie, sua cachorra!
Eu sei o que tu fez e sei que foi de propósito.
E sim, ele foi embora, mas só por enquanto...
E se quiser tua meia de volta: Vem pegar - hoje, 21hs.
Te espero faminta – E traga o champagne!

E assim, ambos seguiram, compartilhando um mesmo alívio ao cobrir as verdades impróprias, com um mesmo pensamento:

“A meia de baixo da cama, não é minha”

segunda-feira, junho 01, 2009

Blavinos 12 & 13

segunda-feira, junho 01, 2009 2
O

Hoje
Nada mais

É que o futuro
Do ontem – Passado
Como é o hoje ao amanhã

Que espero encontrar presente

Às minhas lembranças e
Esperanças o tempo
É só uma gaveta

Onde guardo-
-me em


o P ó (nº12) *Publicado na e-zine SAMIZDAT #19






















Fugaz (nº13)


Tão

Frágil
E fugaz

Que quebra
Ao menor toque,
E sem razão se desfaz

A beleza que mora em mim

Embalada neste corpo
É invisível ao olhar
Estranho, procuro

Resquícios do
que ainda

Sou

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