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quarta-feira, outubro 27, 2010

Mácula

quarta-feira, outubro 27, 2010 0
Já não há em mim pedaço qualquer
resguardado, pequeno resquício
abrigado da marca
dos teus dedos brutos, do provar
de tua língua áspera, do pesar
de teu olhar soturno, da mácula
de tua ofensa ingrata, insensata...
por tantas e tantas vezes fui tua
apenas eu a ofertar-te um bem-querer
que me é só... somente meu                                        Ilustração: Kmye Chan




E agora?
Sinto-me nua, ainda que coberta
sob esta fria casca, ora espessa
ora fina... de um rancor latente
a flor da pele




E agora?
Como fazer para aplacar
esta mancha, esta dor
este pulsante ardor que
ainda outro dia se chama amor




E agora?
Como resgatar-me? se já não há aqui
pedaço qualquer que ainda ouse resistir...
que já não julgue pertencer...
somente e inteiramente... a ti

segunda-feira, outubro 25, 2010

Verdade ou Consequência

segunda-feira, outubro 25, 2010 0
Ilustração de Lorde Lobo









Publicada no Cad. Mulher Interativa - Jornal Agora. Out/2010.










Ainda pequenos, somos treinados por meio de contos e brincadeiras a acreditar que faltar com a verdade sempre acarreta algum ônus – Verdade? Ou consequencia? Desde cedo compreendemos a moral desta história: muitas vezes, pagar uma prenda gera menos constrangimento do que encarar olhares alheios, tão rasos, tão cheios de repreensão despertada pelo contar com a verdade. E assim, pouco a pouco, dia a dia, de pesar em pesar, a inocência dá lugar à flexibilidade dos princípios: o jogo de cintura que tanto nos entretém na vida adulta.

A verdade é que... Nossa sociedade superestima a verdade! 

Nem toda verdade é boa, nem toda mentira é ruim. Nem tudo é tão preto no branco quanto um tabuleiro de damas! Com o passar do tempo, também conhecido como “maturidade”, nossos olhos bem treinados adquirem a habilidade de reconhecer nuances... Sejam elas de cores, olhares, vozes ou comportamentos. E, embora o senso comum diga que só um olhar feminino pode detectar a sutil diferença entre tons de creme, marfim e bege claro, tal habilidade não faz das mulheres detectores vivos de mentira! De forma geral, elas são até mais suscetíveis a ilusão que os indivíduos do gênero oposto, porém, diferente deles, elas conhecem o real valor de uma mentira!

Mentira! Ninguém pode conhecer o real valor de uma mentira. 

Não por ela não ter valor, mas, sim, por ser este um valor subjetivo demais para cair no consenso geral. Pondo os bons costumes antes da ética, uma boa mentira pode ter muito mais serventia que uma verdade do mal – sim, tanto a verdade quanto a mentira podem ter tendências! Toda ação que magoa, que oprime, que prejudica, não é de todo boa, independente do que digam suas intenções!

Nem sempre um bom mentiroso é um mentiroso do bem. É preciso reconhecer o que é mais adequado para cada situação; usar o jogo de cinturas para saber dosar quando a verdade vale, ou não, a pena. E, ao contrário do que diz o jogo infantil cuja finalidade é um tanto duvidosa, muitas vezes na vida adulta uma verdade, ainda que boa, acarreta consequências ainda maiores que uma mentira.

Se você disser a uma criança que seus desenhos são horríveis, que seu traço é torto e que ela não sabe pintar, é bem provável que ela desenvolva algum tipo de alergia ou tendinite oportunista – algo surgirá repentinamente sempre que a tarefa envolver um lápis de cor – o que acabaria com qualquer chance de que a prática a levasse às beiras da perfeição, eternizando tal “verdade” sobre suas habilidades artísticas.

Uma verdade maligna é a ferramenta mais eficaz para a destruição de sonhos!

Além disso, as ações têm o valor que nós atribuímos a elas. E este valor oscila mais que qualquer cotação monetária! Verdade e mentira podem mudar de papéis em questão de segundos. É tudo uma questão de referencial – quando, quem, como e onde. O que é a mais absoluta verdade de um, pode ser a mais supérflua mentira de outro. Ficção e fato não são assim, tão distantes... Basta dar-lhes algum tempo, deixar cair no esquecimento e, pronto: já não se pode discerni-los facilmente.

A história é cheia de fatos enriquecidos por mentes criativas em registros mirabolantes – provavelmente bem mais interessantes do que a verdade crua.

Há quem diga que os melhores mentirosos são aqueles que embalam a mentira em camadas de verdade – inserem pitadas de ficção em meio a dados e fatos. Outros dizem que são aqueles que nelas acreditam, pois, nesse momento, a transformam em verdade. Afinal, onde mora a verdade? No mesmo lugar, em nós, onde a mentira se esconde. É a fé que nós e os outros atribuímos a ela que determinará a sua inclinação.

domingo, outubro 24, 2010

Juncus

domingo, outubro 24, 2010 0
Fotografia de Tomo.Yun
Bateu sobre mim
uma súbita melancolia
forte, turva e fria
feito pequeno tormento

Trazendo este tão triste alento

E eu, a ela cedi...
tal qual folha de junco
que, ao soprar do vento,
à beira da estrada se curva


A mim e aos juncos
não resta nada a fazer
senão o arrebatar
e à estrada, seguir
e ao vento, correr

quinta-feira, outubro 21, 2010

VI Sarau BPP

quinta-feira, outubro 21, 2010 1
Deixarei que uma imagem fale mais do que mil palavras:




Eu [centro], "hoje" [21/10 -  pois ainda não dormi]  durante o VI Sarau da BPP. 

Foto de Jairo Tx





Ok, tentei... Mas não consigo deixar que a imagem fale sozinha - assim como não consegui cumprir a promessa de parecer menos tímida do que de fato estava. Paciência. Ainda assim, foi uma maravilha!

- Mais fotos do evento: AQUI [por Jairo Tx].

- Poemas que apresentei, ou vice-versa [para ler, basta clicar sobre o título]:

1. Ao papel: "...No papel sou poeta que versa a própria pele"

2. O Nada: "Guardo relógios parados / E no silêncio repousa o tic-tac eterno..."

3. Babel -  Blavino #1: "Linguagem // Que nos arrasta / Ora afasta, ora aproxima..."

E agora: O que dizer? Mais uma vez, obrigada à equipe organizadora do evento, por esta oportunidade. E muito obrigada ao público que, tão gentilmente, nos doou seu tempo, sua atenção, seu olhar atento, prestigiou e se deixou prestigiar no evento. Foi maravilhoso! Me sinto plena, completa... Ouso dizer que me sinto até mais poeta!

terça-feira, outubro 19, 2010

O primeiro sarau...

terça-feira, outubro 19, 2010 0
Aproveite a dica e leia um pouco sobre a Pagu -Que mulher!

Pois bem, como mostra o cartaz, em breve meus poemas me tirarão da toca para uma bela socialização cultural em terras vizinhas: um Sarau Poético/Musical em Pelotas!

Agradeço imensamente ao pessoal do Blog/Revista Seja pelo convite, parabenizo desde já a BPP por seus 135 anos e prometo parecer bem menos tímida do que, na certa, estarei! 

Na volta, lhes trago as novas em forma de fotos e de algum poema que há de brotar!
Quem estiver por estas bandas na próxima quinta-feira (21/10), passa lá e me dá um abraço, ok?


Obs.1 ► Coincidência: Noutro dia, admiti que não me recordo de nenhum escritor respeitável que assine seu trabalho com um apelido meigo e simpático, feito "Ju", entonces, decidi que já era hora dela crescer para "Juliana". Logo depois, li a história da Pagu, que mais tarde voltou a ser Patrícia, e a entendi. Só não estou certa quanto a permanência do Ruas, mas... Dessa vez, vai!

Obs.2 ► Obrigado a todos que votaram para o P+2T no TopBlog 2010,  deixando-o entre os 100 melhores de sua categoria. Não passamos da segunda fase, mas... Já fiquei bastante animada por ter chegado nela!


Bom, era isso. Preciso voltar ao trabalho da próxima crônica.  
Ah, e obrigado pelas lidas!  Beijus

domingo, outubro 17, 2010

Karma

domingo, outubro 17, 2010 0
Ilustração: Offrandes #018, por Gerald Brom

Toma
Aqui está. Isto é
Tudo o que pedistes


A caixa é pequena
O peso é leve
O brilho é turvo
O laço é breve


Toma
Coragem e pegue
Teu tudo cabe aqui
Na palma de minha mão


E agora?
Tudo lhe parece pouco?
E agora?
Já nem o queres mais?
E agora?


Toma
Pois foi esse o tudo
Que o mundo reservou pra ti
Ansiavas menos, merecias mais?


Toma-o agora
Deverias ter o pedido previamente
Saiba já: O divinare é ato falho

[poema escrito em agosto de 2009]

sábado, outubro 09, 2010

O bilhete literário

sábado, outubro 09, 2010 0

  


Ilustra.: Lorde Lobo.
Crônica publicada no Cad. Mulher Interativa - J.Agora - Out/2010; baseada no conto de mesmo nome e autora, publicado em outro espaço, em março de 2009.




Na parede, o bilhete, congelado no tempo...

...ela lembra o momento, o exato momento em que o viu – ninguém esquece o começo do fim. Algo assim, não passa em branco, até as memórias tem cor. E na grandiosidade daquele pequeno instante, nem mesmo o bilhete era branco:

Post it amarelo – impossível ignorá-lo! E ela bem que tentou; por cinco minutos ou cinqüenta anos, permaneceu ali, em pé, olhando-o fixamente, sem reação... O amarelo “sinalizador de agonia”’ prendeu toda a sua atenção, mas afinal, essa era a intenção.

Ler ou não ler? Eis a questão. Post it amarelo escrito à mão.

Muita cor pra pouco papel. Muito papel pra poucas palavras. Muitas palavras pra pouco sentido. Muito sentido pra pouca coragem. Muita coragem pra ler – o tal bilhete: “Querida, fui comprar cigarros”




Ela leu uma única vez e as palavras ecoaram em sua cabeça – zunido, tontura, angústia, amargura. Com certeza, o bilhete mais literário que alguém já produziu! Um paradoxo: algo assim, tão banal, causar estranhamento total? Nunca antes existiu.





Lágrimas rolavam de seus olhos secos. Ela permanecia imóvel, exceto pelos movimentos autônomos de seu corpo – o tremer, respirar, o doer, repensar. Dias se passaram até que ela à rua saiu. Conduzida não gentilmente por homens de branco. Foi posta num casaco branco, num carro branco. A mente, também em branco, exceto pelo bilhete amarelo.

...

Já era tarde, muito tarde quando ela enfim falou. Mexeu os lábios, emudecidos pelo tempo – mal lembrava como fazê-lo! A voz, muito fraca. A face, opaca. Mas a memória, não: ela vibrava e emanava cores, formas, cheiros... A memória doía em nuances, relances e tons.

E ali, naquele lugar tão cinza, repleto de gente tão triste, ora branca, ora pálida, ali, ninguém ligava ou recordava o fato. Perdidos em seus próprios pensamentos carregados de pesares, ninguém sequer a ouviu ou bem entendeu o porquê, mas foi ao ver um cigarro aceso, a chama amarela caindo em brasa, que ela murmurou baixinho:

“Mas ele nem fumava...”

segunda-feira, outubro 04, 2010

In.tento

segunda-feira, outubro 04, 2010 0
Finjo a fuga
da ciência minha
para a inocência
- tua. Sou eu assim
arlequim dançante
feito o pingo
que pende e paira
hesitante
sobre o teu sim
Ilustração de Kmye Chan
Sou a interrogação 
que a razão 
vacila

A cadência de um
talvez em arroubos
rouba-nos os dias
e uma brisa fria
que à noite corre
sibilante
feito suor gotejante
pouco a pouco
nos congela, nos excita

És a baforadada 
que na pele 
crepita

E de tudo aquilo
o que mais aflige
e amarga o âmago
de certezas
do meu ser
é este mal
tão teu
que teima
em me quer
tão bem

E nosso intento 
divergente
se reúne finalmente

sábado, outubro 02, 2010

Nuances

sábado, outubro 02, 2010 1







Até
mesmo
a mais clara
verdade, seja
ela coisa ou vida
é, na sombra, cinza








  
Le chat et la chaise* - Fotografia de Ju Blasina
Modelo: Leonardo Antônio, vulgo Léoton
Gato e cadeira são pertencentes à querida
"Família Rosah": meus agradecimentos!
             [*O gato e a cadeira]

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