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quinta-feira, novembro 25, 2010

Ante ao toque

quinta-feira, novembro 25, 2010 1

Ante ao toque
há dúvida
a suspeita
há indagação

Ante ao toque
há o medo
o anseio
há transpiração

Ante ao toque
há sonhos
a espera
ou desilusão

Ante ao toque
chama - atende
escuta - consente
desliga - contente

Ante ao toque
...trim...
Até que enfim! Será que esse é pra mim?
de uns, o começo, de outros o fim

Ante ao teu toque
quase sempre
eu digo
"sim"

sábado, novembro 20, 2010

Receios

sábado, novembro 20, 2010 2
Temo que eu
Não saiba seguir
Não viva para servir
Não sirva para viver sob
Limitados padrões. Aprender?
Temo que eu não saiba, não queira
Não veja nas moedas os mesmos valores
Teus, o sino já não toco, no presépio já não caibo
Não me adequou aos critérios, independe de quais possam ser
As tuas orações não conheço. E se as conheço ora erro ora esqueço
Temo por já não saber como mudar, como fingir, como aceitar... Como?
Eu bem que poderia insistir. Eu bem que poderia imitar. Eu poderia fugir, voar
Correr, mas temo não saber de quê. Para onde iria eu? Fugir de quem? Voar por quê?
Temo por nada mais saber fazer, além de lamuriar o temer... E escrever, escrever, escrever

sexta-feira, novembro 19, 2010

Quebrando os pratos

sexta-feira, novembro 19, 2010 0
Fotografia: Broken plate by Bert Otten (Lindolfi)

Ilustração do Lorde Lobo, em breve...
Ou, em outras palavras: OPS, esqueci de salvar o arquivo! 
Por enquanto, acesse o Cad. Mulher do Agora online deste sab 20/dom21.


Dois dias antes do combinado e o cardápio estava decidido. Ingredientes cuidadosamente escolhidos, dosados e misturados conforme ordenava a receita, incorporavam uma massa vistosa que, em breve, estaria servida. Tudo parecia correr na mais estranha ordem, até que, no dia seguinte, a prova final revelou um problema: algo parecia estar faltando, ou talvez sobrando, naquela tão controlada perfeição que, abandonando a metáfora, geraria a próxima crônica.

O resultado dessa primeira tentativa, muito ortodoxa e pouco intuitiva, provavelmente agradaria aos paladares fiéis e exigentes que a degustariam logo em seguida. Então, por que contrariar o relógio e o bom senso e, num surto de rebeldia, trocar o confiável por algo novo, sem receita e ainda sem nome, assumindo, assim, os riscos de uma mudança repentina? 

Porque, algumas vezes, é preciso livrar-se das amarras da opinião alheia para satisfazer à própria fome, nem que para isso seja preciso quebrar os pratos! Egoísmo? Não, honestidade.

É árdua a tarefa de viver na busca pela aprovação externa, tentando incessantemente satisfazer a expectativas que não são suas, enquanto as suas são cada vez mais postergadas, ignoradas, sufocadas! Isso sem contar com o fato de que ninguém sabe claramente o que o outro espera – a verdade nem sempre está no que reflete a superfície.

Muitas vezes, o que as pessoas esperam de você* (*indivíduo estranho que deve pertencer a alguma outra categoria, ainda não descrita) é que você compareça – disposto ou não – aos momentos importantes e, de preferência, que esteja pronto para festejar sempre que requisitado, levando estampado no rosto sempre o seu melhor sorriso. 

Retomando a metáfora: esperam que você lhes ofereça uma sobremesa doce o suficiente para tornar qualquer outro sabor irrelevante.

Noutras vezes, tudo o que elas querem é a certeza de encontrar ao menos um de seus ombros, cansado ou não, sempre disponível para que elas possam sobre ele derramar os problemas delas – ainda que para isso os seus tenham que aguardar ao chão indefinidamente. 

Ou seja, querem de você um prato vazio onde elas possam despejar tudo aquilo que lhes é indigesto para que você ou mastigue ou melhor tempere, e só então devolva-lhes o mesmo prato, pré-digerido e, agora, apetitoso.

Mas na maior parte das vezes, o que elas realmente esperam que lhes seja oferecido é um prato simples, morno e insosso, que não exija do paladar dedicação para contemplar, nem sequer compreender – também, não é para menos: de complexo já lhes bastam os próprios dilemas, que tanto lhes enchem a boca e mantém ocupada a língua. E foi visando atender a tal demanda que se criou o protocolo do discurso vazio, tão presente em nosso cotidiano, tendo como seu maior representante a mais popular de todas as perguntas:

– Tudo bem? – cuja resposta, quem sabe? E quem, de fato, quer saber? Uma minoria generosa para a qual ainda vale a pena preparar os mais saborosos pratos.

E o timer, enfim, avisa que este está pronto! Talvez não exiba a melhor aparência, nem seja a mais saborosa das opções, mas certamente traz consigo, ainda que sob uma crosta amarga, a essência franca que tanto caracteriza este gourmet. E, por esta razão, satisfaz imensamente o paladar de quem o serve.

Ruínas de solidão

Family tree by Kmye Chan
Tem dias em que é tamanha
a melancolia que faz de mim insignificante
pequeno grão jogado ao vento, sem chão
sem tempo, sem razão, só... E apenas pó
pairando num tormento que me sopra forte

Ao longe...

E num silencioso alento
ora me escondo
ora me esqueço
e me (re)construo
e me (re)conheço

E lentamente reúno-me àqueles grãos
que também são eu, que também me são
E novamente ergo-me feito em ruínas
de passado, de começo, de tijolos
Não mais que ruínas... de solidão

sábado, novembro 13, 2010

Ampulheta [2]

sábado, novembro 13, 2010 0
Hourglass by Scarlett Royal

Não dato os dias

Não conto as horas

Não meço os passos



Não faço novas malas
nem tolos planos

Não vasculho os velhos baús
na busca por áureos anos




Não conto às estrelas segredos
nem a elas peço desejos

Não espero por promessa
muda dos teus beijos



Não trago mais saudades
pesar, tristeza ou melancolia

Não sinto o pesar da idade
nem levo angústia ou sabedoria


Pois já é tempo
de me ser sem receio
E já, anseio brevemente
na certeza de que
Já, já será
preciso virar novamente


A ampulheta

segunda-feira, novembro 08, 2010

As aparências enganam

segunda-feira, novembro 08, 2010 0
Ilustração: Lorde Lobo // Crônica Publicada no Caderno Mulher Interativa - Jornal Agora - 06/Nov/2010

E novamente, lá estava ele: o espelho...

Com sua fria honestidade, quase ofensiva, lá está ele, impassível, encarando-a, revelando-a, despindo-a e rebatendo cada uma de suas perguntas mudas com aquela verdade cruel, pontual, feito agulha fina que espeta a espinha da vaidade. O espelho não perdoa. Nem o tempo... O tempo passa numa velocidade que ultrapassa a nossa compreensão. Difícil é acompanhar, mas, pronta ou não, a vida segue, ajustando o passo no compasso do tic-tac. É o jeito - não o único, mas o melhor - parar é uma alternativa pouco convidativa!

O tempo passa... A vida passa... E ela? Fica. Perdida num labirinto de sentimentos, tentando ignorar aquele hodômetro de aço que alardeia a todos os presentes qual a distância por ela já percorrida. Ora fingi, ora consegue... Já é craque em disfarçar as marcas, em engolir as mágoas, em fazer de conta que está tudo bem... Convence? A todos, na maioria das vezes, mas a si mesma, nunca. Ela sabe muito bem quem é, por mais que o espelho teime em dizer o contrário. E entre amigas, que nem sempre entendem a profundidade de suas verdades, ela se revela:

"Eu me olho no espelho e já não me encontro lá. Tudo que vejo é um reflexo torto e desfocado. Onde estou? Encolhida, acuada... Estou sufocada sob esta máscara que tempo sobre mim pregou, feito peça de mau gosto."

E então, num momento de súbita rebeldia, ela percebe que precisa emergir! Que quer, pode, e que - custe o que custar - vai moldar aquela estranha máscara para que lhe seja novamente semelhante!

Um olhar superficial pode não entender a crise desta mulher - não se trata de idade, mas, sim, de identidade: um sentimento de inadequação ao corpo que veste, misturado a uma impotência por não poder mudá-lo. Até que, enfim, surge uma oportunidade! Mas junto a ela, uma série de críticas hipócritas e repreensões mesquinhas. Se um bisturi pudesse extrair angústias, quem não se arriscaria?

O fato é que, nossas interações com o mundo são moldadas pela forma como o espelho nos mostra, sim, mas mais ainda pela forma como nos mesmos nos percebemos - e aceitamos, ou não. E, às vezes, tudo que uma mulher precisa para encarar os desafios de frente, é de um bom par de silicones ou de um peeling facial - ou de ambos. Onde está a futilidade disso? Na mudança estética que lhe devolverá o amor próprio ou na coragem de mudar e, de cabeça erguida, encarar o olhar alheio?

É claro que nem sempre a investida gera bons resultados: basta uma falha, na mão do "profissional escultor" ou no bom senso da cliente, para que a catástrofe esteja feita. E há aquelas cuja raiz do problema é ainda mais profunda... Neste caso, de nada adianta moldar a imagem, pois a distorção não está no que o espelho a mostra, mas sim, no olhar que nele procura defeitos.

Vale lembrar ainda que, se o corpo humano fosse feito para ser aberto ao primeiro sinal de dúvida, viria com zíper. Toda intervenção cirúrgica invasiva é uma medida extrema e, portanto, só deve ser usada em situações extremas, onde o benefício valha o risco. 
E, no caso das correções estéticas, tal benefício vai muito além do que aparenta!

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