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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Adoração

quinta-feira, dezembro 31, 2009 1
Do amor ou da fé?


Ah, se eu pudesse...
Te ver
Te crer
Sequer te saber
Te ter
Te ser
Te reconhecer
Mas não...
A certeza
Não é para mim
Complacente
Já sem
Palavras
Ou voz?
Silencio
E espero
Noite e noites
A sós
A te imaginar
A te evocar
Em lágrimas
Que nunca tocam o ar
Lavaria nelas teus pés
Se eu pudesse...
Mas não
Rezai por vós
Velai por mim
Rogai por nós
Amém

Imagem: Yoshitaka Amano

segunda-feira, dezembro 28, 2009

O anjinho - Conto

segunda-feira, dezembro 28, 2009 0



Na véspera do sétimo natal de sua vida, ela carregava em silêncio o peso das asas falsas. Noites antes, ouvira da mãe que deixaria de ser um anjinho. E as verdadeiras asas sequer haviam crescido. Desde então, só pensava em evitar o triste fim, mas como? Ao soar o sino, aproveitou-se da confusão do presépio e fugiu. Dias depois, achou-se a auréola num terreno baldio. Descobriu-se a duras penas que não é raro e nem difícil tornar-se anjo para sempre.





Imagem: Federica RedSigns

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Dingobel - Conto

segunda-feira, dezembro 21, 2009 2
Imagem: "Psiqué abrindo a caixa dourada" (de Afrodite),
obra de William Waterhouse (1903).

Dedico este conto especialmente às primas Bina,Ci e Nanda, que agora têm nomes de adultas, mas serão minhas eternas comparsas.

Passavam o ano arquitetando um plano. Todo ano o mesmo plano: o de desmascará-lo!

Era chegada a grande noite. Após as funções que os adultos impunham, poderiam ir, enfim, para a cama, onde fingiriam dormir até a chegada do alvo. Pena que sempre fingiam tão bem...

Ao acordar, lá estava o desaforo: os presentes que provavam a vitória daquele velho, mais uma vez. Isso se de fato fosse um velho. Já não tinham tanta certeza.

A líder olha desapontada por tamanha felicidade de suas comparsas — em meio aos embrulhos desfeitos, pareciam já ter esquecido por completo do que aquilo se tratava. Mais um ano desperdiçado, um ano!


Indignada, ela chuta o pacote. E eis que ouve um barulho. Chuta novamente, desta vez com mais carinho. Parece uma música, mas... Não, não pode ser! Pensa ela, afinal, como ele poderia saber? Como alguém poderia saber?

Há muito havia desistido de escrever os pedidos. Primeiro, porque não acreditava que os correios pudessem levar tantas para o Polo Norte em tão curto intervalo de tempo. Segundo, por duvidar da credibilidade do destinatário.

O som se repete. Aflita, ela abre o pacote com urgência e, ao revelar seu conteúdo, fica boquiaberta:

Dingobel, dingobel... 

Cantam as vozes de fadas na caixinha-de-música natalina. E enquanto uma bela bailarina gira e gira, a pequena cética deixa seus planos e frustrações de lado, cuidadosamente guardados até o próximo Natal.

sábado, dezembro 19, 2009

Feliz Ciber-Natal

sábado, dezembro 19, 2009 2





Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora 19-20/Dez/09
Ilustração: Lorde Lobo







E o Natal já chegou! Ao menos no mundo virtual — ou seria o mundo virtual que se adiantou a chegada do Natal? Para quem é assíduo usuário das famosas redes sociais (orkut, facebook, twitter e outras mais, nas quais ainda não existo) bastam alguns cliques e pronto: fez-se o espírito Natalino!

Funciona mais ou menos assim: você visita o perfil de alguém, deixa um presente sob a sua árvore virtual, envia um cartão por e-mail ou simula uma troca de abraços entre os seus avatares e ho-ho-ho, Feliz Natal! Se você não faz a menor idéia do que diabos eu estou falando, ufa! Celebremos as boas novas: nem todas as pessoas se resumem a píxeis e bites, nem tudo está perdido!

A internet e a praticidade que ela proporciona deveriam servir para facilitar a vida moderna, e não substituí-la! Papai Noel que me desculpe, mas pelo andar da carruagem, ou ele passa a ler e-mails e arruma uma vaga como o funcionário dos correios que entrega os presentes comprados on-line, ou terá dificuldade em alimentar as henas no próximo ano!
— será que a magia do Natal resiste à era digital?

Por falar em magia, como ficariam as superstições incorporadas ao ciber-mundo? Ao invés de pendurar uma guirlanda na porta de entrada e uma meia na lareira, pode-se postar a imagem de uma delas como foto do perfil. E na virada do ano, muda-se novamente a foto para uma na qual vistamos roupas brancas. E se você costuma comer uvas e pular ondas — espero que não simultaneamente — basta twittar três, cinco ou doze vezes a palavra uva, o número varia, mas desde que caiba em 140 caracteres, tudo bem.

E quanto às ondas? Você pode até ir à praia do Cassino curtir o show dos fogos, mas chega de sujar seu vestido branco novinho: basta digitar sete vezes o acento gráfico “til” e passar a onda adiante, para que seus amigos possam fazer o mesmo. Tudo o que você precisa é de um celular com tecnologia Bluetooth e amigos presentes num raio de cem metros, que também o tenham — coisa que, cá pra nós, é mais fácil de encontrar do que ondas no Cassino.

Eu que não sou grande fã nem de uvas, nem de mar, aprecio muito a idéia — especialmente se puder expandi-la para as lentilhas! Se isto é válido enquanto ritual, não estou bem certa... Assim como não estou certa quanto à origem do Natal e da troca de presentes — é algo como o festival saturnino romano do solstício de inverno, cuja data foi aproveitada para a celebração cristã, que por sua vez tem sido muito bem aproveitada pelo mundo capitalista!

De qualquer forma, é tempo de abraços, presentes e programação especial na televisão — quem reclama disso? Eu não! E quanto aos rituais, na dúvida não custa tentar. Quando chegar a hora, vou comer as uvas, fugir das lentilhas e twittar 140 caracteres de bons votos a todos os amigos, reais e virtuais — incluindo as ondinhas!

Deixo então a vocês, caros leitores, meus votos de um Feliz Natal!

E antes que eu me esqueça, guardem isso para o ano novo:
~~~~~~~


Nota da Autora: Meus sinceros agradecimentos à colega de aula e parceira de devaneios, K. Gibbon, que em conversa pra lá de animada sugeriu a ideia das ondinhas. Ah, foi conversa ao vivo, e não "MSNínica". Valeu, guria!

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Blavino 20 — Tic-tac

quinta-feira, dezembro 17, 2009 1

Tic

Tac-tic
Já são doze

Badaladas horas
Em dias seguidos por
Noites em claro. Ouço eu

O tilintar das moedas caídas

Ao chão feito migalhas dou-
-rando o tempo perdido
Para não passar em

Vão sem ti até
O tic-tac

Dói

— Entrelinhas —


O ranger das portas
O que será que tenta dizer-me?
Quando as gavetas guardam surpresas
Esquecidas e não mais segredos


O que será que mudou?
Ignoro o sussurro do vento
Finjo não ler as entrelinhas do tempo
Até que elas marcam-me o rosto


Sigo aos tropeços por este imenso caminho
Com os sapatos e ouvidos já gastos


E o meu olhar se torna vago
De coisas que já não existem



Imagem: Audrey Kawasaki

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Versos Emulados

sexta-feira, dezembro 11, 2009 2
Queria ter sido eu
A viver naquele tempo
A dançar daquela forma
A concertar aquela canção
A pintar aquele quadro
A andar naquele trilho
A parir aquele filho
A sofrer aquela dor


Queria ter sido eu


A sentir aquele amor
A sorrir daquele jeito
A chorar naquele leito
A estrear naquele teatro
A proclamar aquela oração
A escrever aquele poema
A voar naquele vento
Queria ter sido eu

Mas não passo de um
Fraco e desfocado
Reflexo
Teu


Imagem: Audrey Kawazaki

terça-feira, dezembro 08, 2009

Pego uma Pedra

terça-feira, dezembro 08, 2009 1
Pego uma pedra
Para esfolar esta pele, esta capa que me cobre
Esta roupa que me veste, que me protege
Que me separa do sentir e já
Não me cai tão bem
Pego uma
Pedra
Para atirar em todos aqueles que não merecem o meu perdão
Para quebrar todo teto de vidro e palácio de cristal
Para romper a superfície, a interface
Que nos rouba a identidade
Pego uma pedra
E outra e
Outra
Até
Desfazer as paredes [de ilusão] que nos cercam
Que nos fazem células autômatas
Que nos limitam, seguram
E assim asseguram
A integridade
Do muro
Pego

+
1
PEDRA

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Luna.ares

segunda-feira, dezembro 07, 2009 2


Feito a lua sou eu
Às vezes escondo-me noutras
Mostro-me tão cheia de fases, assim sou eu
E não raro quando indecisa de lado posso mudar
O céu é um lugar amplo por onde vagarosa(a)mente
Pode divagar... Estou mais distante do que julga
O teu olhar tão distante que nunca deixo-me
Tocar. Um tanto bela, outro, imper-
Feita a lua — sou feita


sábado, dezembro 05, 2009

A Língua da Moda - CRÔNICA

sábado, dezembro 05, 2009 0






Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora
Em 05-06/Dez/09
Ilustração: Lorde Lobo








O final do ano está aí e com ele as festas de Natal e Réveillon. Está na hora de resolver o dilema do “com que roupa eu vou”, pois mesmo para quem planeja passar as festas entre os familiares, no aconchego do seu lar, o figurino exerce uma grande influência na forma como nos sentimos e vice-versa — a roupa é uma ferramenta de expressão da personalidade.

No momento em que se faz uma escolha, nada arbitrária, a roupa ganha um significado. E é raro uma mulher que se vista mergulhando de olhos fechados no armário, ou cujas roupas que nele guarde sejam escolhidas por outra pessoa. Quando passamos horas, dias ou meses pensando sobre o que vestir numa determinada ocasião, percebemos o papel que a roupa tem na imagem que queremos representar. Verdade esta que cabe também na língua que falamos.

Já reparou nas semelhanças entre a moda e a língua?

Ambas são cheias de regras, nuances e versatilidade. Para ambas existe a necessidade de se entender o contexto, a situação de uso e se preparar para tal — ninguém usa os mesmos acessórios de interação (sejam eles roupas ou palavras) quando está em casa, flertando numa balada ou falando numa tribuna. E se o faz, enfrenta problemas.

Existe aquilo que se usa, seja por comodidade, disponibilidade, necessidade de adequação ou forma de expressão da personalidade, e existe aquilo que de tempos em tempos nos é apresentado nas mais diversas vitrines — passarelas, revistas ou acordos ortográficos — como sendo o que está em alta na estação.

É muito mais provável que se assista ao retorno das calças bocas-de-sino e da saia evasê, do que das gírias da mesma época. Por isso, se você as tem guardadas no fundo do baú do saudosismo e gosta de abri-lo esporadicamente, é aconselhável desfazer-se do seu “broto” para dar lugar a mais peças de vestuário retrô, pois estas podem até ser usadas em alguma situação, sem causar alvoroço, já as palavras não. Ou você renova este espaço do baú, ou tranque-o e jogue as chaves fora!


O que a passarela apresenta está para o nosso guarda-roupas 
assim como o conteúdo dos livros didáticos está para
o nosso vocabulário. 


Existem estilistas e linguistas cujo trabalho busca observar e registrar o que está em uso, vivo nas ruas, nas mais diversas situações de interação social, enquanto outros tentam definir aquilo que é correto e assim ditar o que deve ser usado.

Na prática, é muito mais fácil as pessoas se atualizarem no que diz respeito à moda do que à língua — infelizmente, poucos são aqueles que se preocupam em manter um vocabulário tão vasto quanto o seu guarda-roupas. Quando se trata de seguir as tendências da moda, todo mundo acha bom e, se possível, corre para ser pioneiro em adquirir pelo menos um acessório da coleção da próxima estação. Já quando as novidades são na língua... Bom, nem tanto.

De que adianta um vestido deslumbrante, última moda, uma super produção, se quando a pessoa abre a boca comete todas as gafes possíveis? Na dúvida quanto ao que falar, reza a lenda que ninguém erra ao calar — não erra, mas também não aprende e nem se faz ouvir. Na dúvida quanto ao que vestir, a solução é bem mais fácil: para o dia a dia nada melhor do que jeans e camiseta, para a noite, o bom e velho “pretinho básico” — peças que todo mundo tem, nunca falham e que por sinal estarão em alta no verão de 2010. Pena que a língua não tenha algo equivalente, mas para ela também vale a regra de que “menos é mais”.

Pode até ser mais difícil fazer um upgrade no vocabulário do que no armário, mas nem tanto: em termos financeiros, cada um investe aquilo que pode, e assim como há aqueles que confeccionam as próprias roupas, há quem confeccione sozinho a própria educação. O único preço de ser autodidata é a dedicação. Se por um lado requer um esforço maior, por outro,  

dura bem mais que uma estação!

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Ego Literal - poetrix

sexta-feira, dezembro 04, 2009 0









Tudo aquilo que
Trago em mim não cabe em nós
Portanto digo EU







Imagem: Marion Herman

Haiku #6











Dorme a noite fria
Sonha o calor latente
Já é primavera










Imagem: Yoshitaka Amano

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