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terça-feira, março 31, 2009

O bilhete literário - CONTO Poético

terça-feira, março 31, 2009 1
Na parede, o bilhete - congelado no tempo.

Ela lembra o momento, o exato momento em que o viu – ninguém esquece o começo do fim. Algo assim, não passa em branco, até as memórias tem cor. Nem mesmo o bilhete era branco – post it amarelo - impossível ignorá-lo. Ela bem que tentou, por 5 minutos ou 50 anos permaneceu ali, em pé, olhando fixamente, sem reação...
O amarelo ‘sinalizador de agonia’ prendeu toda a sua atenção, mas afinal, essa era a intenção.

Ler ou não ler? Eis a questão. Post it amarelo escrito a mão.

Muita cor pra pouco papel. Muito papel pra poucas palavras. Muitas palavras pra pouco sentido. Muito sentido pra pouca coragem. Muita coragem pra ler
– o tal bilhete:

























Ela leu uma única vez e as palavras ecoaram em sua cabeça – zunido, tontura, angustia, amargura. Com certeza o bilhete mais literário que alguém já produziu!
Um paradoxo: algo assim, tão banal causar estranhamento total - jamais antes existiu!

Lágrimas rolavam de seus olhos secos. Ela permanecia imóvel, exceto pelos movimentos autônomos de seu corpo – o tremer, respirar, o doer, repensar.
Dias se passaram até que ela à rua saiu. Conduzida não gentilmente por homens de branco. Foi posta num casaco branco, num carro branco. A mente em branco - exceto pelo bilhete amarelo.


Era tarde, muito tarde quando ela enfim falou – mexeu os lábios emudecidos pelo tempo, nem lembrava como fazê-lo; a voz muito fraca. Ninguém mais lembrava o fato, ninguém ouviu ou entendeu bem o porquê, mas foi ao ver um cigarro aceso, a chama amarela caindo em brasa, que ela enfim murmurou baixinho:

“...mas ele nem fumava...”

segunda-feira, março 30, 2009

Tic-Tac - Poesia

segunda-feira, março 30, 2009 1
Há tempos
Não há tempo
Para o sono,
Para o de sempre
Para o óbvio,
Para o em vão

Não... ...há tempos
... nos vemos ...
... lembro ...
... sinto ...
... vivo ...

Só - há tempo
Pra escrever
Sem pensar
Sem sentir
Sem falar
Repetir
Sem reler
Sem dormir
Sem sonhar


Tentar
Concluir:
Não
Há tempo
Pra ser

Há tempo
Pra ser
Não.

Haiku 1 e 2 - Poemas de Louise



Sus.tentando - poesia






Imagem Dave McKean







Saber eu sei, mas não quero
Arrisco a sorte, nego até à morte
Se a placa aponta o sul, prefiro o norte

Se é agora, eu espero
Se é pra mim eu não quero
Se há um ritmo eu atrapalho
Se há uma ordem a embaralho

Se a palavra não encaixa - crio nova
E se não rima eu faço prosa
Se ela nascer de surpresa,
Nunca aborto: Que beleza!

Inspiração é mesmo dom da natureza

Feito barco a deriva, nunca aporto
Sou desatento, não sigo o vento
E nunca tento – reinvento – não me importo

Largo sempre em meu caminho
Migalhas de palavras,
Com carinho - meu mais novo invento:
– um “lextinho”
(Termo curto, texto lento)

Pra quem não gosta, eu lamento
Mas não me encaixo - me sustento!

O dia em que matei nossos filhos

Vou matar nossos filhos
Sementes secas de sonhos vãos
Vou apagar o amanhã
Memórias daquilo que nunca existiu
Rostos e nomes dos filhos
que ninguém pariu
Mas antes o suicídio
desta versão pobre, triste
E barata, que você fez de mim
Mato a punhaladas; ateio fogo
Piso e cuspo em cima dessa pilha
Fútil e inútil a qual chamo de vida.
O sangue dessa chacina me lava a alma
E dentre tudo, só pouparei você
Porque te amo demais
Antes de partir
Parto tuas correntes
Mas por favor – não me siga
Eu sou o parasito aqui!
Tu és tudo que me sustenta
Tua vida me alimenta
Por isso me esforço a atirar-me
à morte lenta que é certa longe de ti
Antes sofrer a sonhar uma vida que não vivi
Por isso me deixe ir, sozinha estou faz tempo
Quero estrada, quero o nada, quero vento
E todo tormento que eu puder encontrar
Prometo nunca mais voltar, e lamento
Pra sempre te amar.

mix poema/conto
Imagem McKean

terça-feira, março 24, 2009

Poesia: Sinestesia II

terça-feira, março 24, 2009 0
Assisto a gota pender
Jogar-se ao incerto
Vôo alto - céu aberto
Chão longe - tão perto
Com pressa ela segue
Correr - Cair
Morrer - Sentir

Se desmanchar em breve

Vejo a folha
Levada ao vento
Perdeu sustento
Flutua - superfície gelada
Afunda - feito pedra pesada
Plaina - feito pluma leve

Crescer pra secar em breve

Sou criador e criatura
Vil e indecente
Doce e carente
Fria e quente
Amada
Amarga
Incoerente!

Vil de chorar
Doce de doer
Fria de queimar
Quente de arder

Vivo pra morrer
Pressa pra esperar
Lembro pra esquecer
Coisas de guardar
Olho pra não ver
Rio pra sofrer
Choro para amar

Creio no não crer
Rezo pra não ser
Temendo – Sabendo
Já sendo

A folha verde - livre e leve
A gota azul - fria e breve

Visto a pele
Morna e nua
Bebo água
Seca e crua
Vida leve
Reza breve

Sou o não ser
Faço o não deve

Utopia - ser
Agonia - sim
Heresia – crer

Sinestesia - FIM.


Sinestesia II Por Jú Blasina
Sinestesia I Por Tatty Nascimento no blog "minuciosaformiga" http://assimdeveraeuser.blogspot.com/
Veja também Sinestesia III (Fim) Trabalho conjunto - Neste Blog

Foto Arte - Morte Lenta




























Fotografia: Lu Mattos
MakeUp: Renato Zacarias
Modelo, Poesia e Arte final: Jú Blasina

Poesia - Eu vi a planta morrendo

Eu vi a planta morrendo,
O que era verde secou,
O que era belo acabou,
E o que restou?
Um esqueleto: folhas ao vento,
Restos ao chão.
...






Eu vi a planta morrendo,
Pouco a pouco
Perdendo a alegria,
Vi a vida murchando a cada dia,
E nada pude fazer.





...
Eu vi a planta morrendo,
Como quem no espelho
Encara o reflexo
e logo pensa, perplexo:
Este já não sou eu!
Eu vi a planta morrendo.

sábado, março 21, 2009

Poesias Bestas - Sendo

sábado, março 21, 2009 4
Ser ou não ser
Ser um não ser
Ser um ser
Sem sequer ter sido
Simplesmente ser
Um ser sabido
Sentir sem ter
Sentido
Ser só
Ser seu
Ter que ser
Assim ou assado
Ser sem saber
Ser só por ser
Ser um ser
Um sou
Um soul
Um ser
Ser
"O Pensador" de Rodin

CRÔNICA: Falando com estranhos

Publicada no Jornal Agora 21/22 mar/2009 - Ilustração: Lorde Lobo

Minha mãe sempre dizia
(e provavelmente a sua também):
Nunca fale com estranhos!
E eu me perguntava: o que fazer se um estranho falar comigo?
E se eu não “reconhecer um estranho”?
O que é um estranho?
Imaginava um ser com duas cabeças, três olhos e quatro braços.
Meu estranho imaginário era multicolorido: verde, rosa e azul.
Alguém "petit poá" – Isso sim seria estranho!
Até que tive catapora...
Bem, foi preciso rever meus conceitos, caso contrário, seria eu uma estranha e estaria fadada a uma vida de solidão, já que ninguém fala com estranhos, a não ser talvez, seus semelhantes, coisa que eu não faria – era muito obediente!

O tempo passa e nós crescemos, mudamos, deixamos pelo caminho nossas manchas de catapora, mas não abandonamos os maus e velhos hábitos: não falar com estranhos!
Mas afinal, como e quando alguém deixa de ser estranho e merece a nossa confiança ou, numa primeira instância, nossa atenção?
É um assunto complexo, mas pertinente. Por que surgiu a tal advertência maternal? Proteção?
Então nossas crianças estão 100% seguras na companhia de parentes e pessoas ditas conhecidas?
Em um meio saudável - Sim.
Porém, as estatísticas mostram uma triste verdade: a maior parte dos crimes de abuso e violência infantil ocorre dentro do ambiente familiar.

Assim sendo, "proteção" não parece a melhor resposta.
Para se manter alguém totalmente protegido dos perigos do mundo, só mesmo pondo-o numa redoma - e de diamante – pois a de vidro quebra fácil!
Teríamos nosso bem mais precioso muito bem guardado: Ele não falaria com estranhos, nem com conhecidos, com ninguém! No máximo abanaria – isso se o cristal permitisse a visão!
Como, senão interagindo com estranhos, fazemos amigos e amores?
Ainda mais nos dias atuais, com a popularização da internet conectando pessoas – estranhas e distantes – conceitos estes que se tornaram questionáveis e relativos.

Deixando de lado a física e a geografia: simples presença não significa real proximidade.
Quanto tempo é preciso para se conhecer alguém realmente?
Meses, anos? Toda uma vida? Tanto faz.
Não é o tempo quem transforma estranhos em conhecidos, mas sim as experiências trocadas, as memórias geradas, a real proximidade alcançada.

Com que frequência você realmente fala com estranhos?
Algo além do trivial, aquilo que pede a boa educação.
Já se preocupou em saber o nome do porteiro, padeiro, lixeiro, enfim, de algum dos “estranhos nossos de cada dia”?
Aqueles que nos atendem gentilmente, diariamente e dos quais dependemos muito mais do que valorizamos!
Já pensou se num belo dia todos estes “estranhos conhecidos” simplesmente sumissem? Certamente seria um caos! Mas sabe o que é mais estranho?
Você os vê com mais frequência que a muitos de seus amigos e parentes.
Alguns talvez até os vejam mais do que a sua própria mãe e nem ao menos sabem seus nomes. Isso quando os cumprimentam!

Este "estranhamento opcional" esconde em si um preconceito social, disfarçado e enfeitado por nomes bonitos: privacidade, pressa, polidez.
Quem já conhece esta verdade merece os parabéns!
Quem não conhecia, que tal a partir de agora, nem que seja só um pouquinho, pela indispensável boa educação ou ao menos pra provar que você cresceu ao contrariar a velha ordem:
Vamos falar com estranhos?



Ilustração 2: Jairo TX

quinta-feira, março 19, 2009

Poesia: Tua

quinta-feira, março 19, 2009 3

Minha alma vive agora em teus olhos
Minha vida já não é minha.
Com as pontas dos teus dedos
Me desenhas, me recrias.
E tua saliva me alimenta.
Quando dormes,
Levas contigo
a alma que era minha,
E o que fica é só carne.
Meu corpo é teu cálice
E a cada dia me transbordas...
Teu amor me revive.

Ao Jairo - meu marido, amigo/amor, meu herói.

quinta-feira, março 12, 2009

Poema da Meretriz.

quinta-feira, março 12, 2009 2

Imagens da versão em vídeos desse poema -- um projeto inacabado
[fotografia de Volmar Camargo Junior]

Não, eu não te amo
Mas amo esse teu cheiro - ácido,
O calor da tua pele - suada
O sabor da tua língua - molhada
O poder da tua mão - pesada
O roçar, sussurrar, penetrar

Mas amar... Eu nunca soube amar,
E nem pretendo tentar
Por isso não vou te enganar
Só vou te tomar, domar e montar
Saborear gota a gota
Cada gosto que sai de ti

Não insista, não vou mentir
Não posso te oferecer amor
Mas te ofereço tudo o que hoje sou
E meu corpo agora é teu,
Há um pequeno preço a se pagar
Pelo infinito no apogeu

Já não é sacrifício algum
Fazer de nós dois apenas um
Na doce agonia do prazer
Sei que dentro de mim tu sentes
O quanto eu posso ser quente
Mas minha vida é este lençol:
Fino, sujo e frio

Por isso não seja doce, seja viril
Meu preço não suporta amor
Só teu peso e desejo sobre mim
O beijo mordido da cor do carmim
O triste gemido, anúncio do fim

Quanto a esse tal de amor
Guarde-o à alguém que o mereça
Ou jogue-o fora: esqueça,
Só nunca mais me ofereça
Algo que não me presta
Algo que eu nunca quis.

Não nasci pra ser esposa,
Nem nasci pra ser feliz
Nasci pra gozar o martírio
Neste corpo de meretriz...

CONTO: Últimas palavras.

Imagem: Dave MacKean




















Querida... Eu vou morrer.

Sei que você não acredita e eu não posso te convencer. Bem que eu tentei, nossa como tentei! Mas você prefere negar a me dar alguma credibilidade. Aliás, isso não me surpreende - Mulher teimosa!
Bom, quando chegar a hora você terá que dar o braço a torcer - verá que eu tinha razão, desde o começo eu tinha razão - Hahaha...

Pena que eu já não estarei aqui para saborear essa vitória. É mesmo uma pena. Daria tudo pra ver a sua cara, a expressão surpresa, o susto, a irritação. É até engraçada a satisfação que algo assim me causa. Talvez nem eu mesmo tenha percebido a gravidade da situação, quem dirá você, tão apegada a mim, tão boba...

Escrevo isto, pois você nunca me deixaria falar aquilo que realmente importa - aquilo que ME importa! Ficaria repetindo “isso é besteira, vai passar”, me chamaria de ególatra, hipocondríaco, riria de minhas certezas – sim querida, certezas – é você quem as chama de dúvidas. Para mim a morte iminente é tão concreta quanto esta merda de caneta bic com a qual escrevo esta carta besta.

Mulher, eu vou morrer!
Não sei como, nem quando ou o porquê, mas sei que será em breve, muito breve. Sinto o bafo quente em meu pescoço, percebo os olhos a me observar nas sombras, ouço os sussurros, os passos se aproximando. Você me chama de louco, de besta, de doente, mas sabe o que eu realmente sou? Um homem morto! Pré-morto, pra ser mais exato.

E é por isso que não quero e nem vou desperdiçar o pouco tempo que me resta em supermercados ou visitas àquela vaca da sua mãe! Danem-se as prestações e aniversários, eu não tô nem aí pra essas formalidades idiotas que só tomam o meu precioso tempo! A partir de agora, a única cerimônia a qual vou comparecer é ao meu próprio funeral. Do enterro pretendo passar longe. Nunca acreditei nessas baboseiras de pós-vida, mas querida, estou revendo os meus conceitos!

E falando nisso, batize o Júnior em uma religião qualquer, tanto faz, escolhe no dado. Vai que no futuro ele é barrado na porta “lá de cima” por falta de uma aguinha na cabeça... Seria ridículo! Só deixa pra fazer isso depois que eu já tiver partido. Você bem sabe que eu não tenho saco pra essas coisas. Nunca tive! Por isso mesmo não nos casamos.

Por isso e porque eu nunca me divorciei legalmente da Luíza - Pronto, falei!
Vai fazer o que agora, me matar? Espera pra chutar o meu cadáver, vai ser mais divertido. Só lamento informar que este prazer não será só seu: terá que dividi-lo com a Luíza, alguns cobradores e talvez até com a vizinha do terceiro andar.
Será um velório memorável!

Bem lembrado: Sabe aquela vez em que eu NÃO tive um caso com a vizinha loira gostosa, aquela do terceiro andar? Pois é. Corta a parte negativa da frase e é mais ou menos por aí.

O que, não entendeu? Tá bom, eu comi ela uma vez ou duas... Três, no máximo, mas não me arrependo. Ela era mesmo gostosa! Além disso, você tinha entrado naquela onda budista de desapego - Ah, vá-se a merda com desapego! Eu teria te comido muito mais se você tivesse deixado, mas não, sempre tinha uma coisa ou outra: “tô gorda, tô triste, tô grávida”

Quer saber a verdade? Pra mim, você sempre esteve linda! Até quando pintou o cabelo daquela cor estranha que eu não gostei. Que cor era mesmo? Rubi? Pra mim aquilo era rosa e um rosa muito do feio! Mas... Eu nunca entendi de cores, não é mesmo?

Exceto a cor dos teus olhos, castanhos claros com pontinhos esverdeados quando acorda de manhã. Essa cor eu nunca esquecerei... Posso não saber a data do nosso primeiro “sei lá o que”, mas sei exatamente qual dos teus seios tem uma pinta: o esquerdo! (haha te enganei! tolinha)
Nossa, tivemos bons momentos...

Lembra aquela viagem ao Caribe?
Pois é, nunca fomos ao Caribe, não deu tempo, não deu grana... Não deu! Vai ter que ficar pra próxima. Agora é tarde. Tarde demais para eu me perder em lembranças.

O passado é eterno e o futuro é um suspiro que eu não quero dar.
Não ainda, não assim...

Por isso querida, eu te imploro: Acredita em mim, ao menos agora!
Prometo que nunca mais vou te incomodar, (vou morrer sem ter te comido “daquele jeito” - mulher cruel!) nunca mais vou te pedir coisas estranhas ou obscenas, nunca mais vou te cansar com as minhas loucuras, só te peço uma coisa, um último favor:

— Querida, me ajuda a morrer que, sozinho, eu não consigo.

terça-feira, março 10, 2009

Poesia: BANQUETE

terça-feira, março 10, 2009 1

Sobre a bandeja de prata
Eu sou o prato
Nua e crua
Eu sou tua
Refeição
Sinta o aroma
Satisfação
A pele branca
De marfim
Toque o veludo
O cetim
Aprecie
Sacie
A fome
Sirva-se
Dentes e talheres
Sobre mim
Rasgue a pele
Corte a carne
Tenra

Beba o sangue
Quente
Saboreie
O líquido acre-doce
Que escorre de mim
Beba-me,
Antes que
O sangue esfrie
Coma-me
Antes que
A carne morra
Devore-me
Antes que
Já não haja
Mais nada
Pra provar
De mim
E ao final
Erga a taça
Lamba o prato
Não deixe migalhas
Daquilo que um dia fui
Mortas e esquecidas
Sobre a bandeja de prata

Imagem: Dave Mackean

*Publicado na e-zine SAMIZDAT #19

domingo, março 08, 2009

Poeias Bestas: Inspirando... por Jú Blasina

domingo, março 08, 2009 3
















Augusto morreu tanto e tanto
Antes de morrer de fato
Morreu bem morrido!
Moribundo inato.

A prática leva à perfeição.

*******

Manoel brincou de moscas
Fingiu-se rio, pedra e árvore
Manoel sabe das cousas
E das não-cousas também
Manoel é tão coisado!

Que gozado:
Quero crescer pra Manoel.

*******

Fernando não soube ser um ser
Foi multidão
Bando de gente dentro de si
Tão diferente
Fernando é triste e contente
Fernando é tão pessoa!

Fernando me soa.

*******

Não sou assim nem assado
Prefiro o escrito ao falado
O bem doído ao mal amado
O perdido ao achado
O nunca ao passado
O estranho
Ao bonito
O coisado!

*******

Às vezes sou tão Augusta
Que me sinto Pessoa
Já me pintaram Rodrigues
Queria ser Manuel

*******

sábado, março 07, 2009

CRÔNICA: O que você quer ser quando crescer?

sábado, março 07, 2009 0

Publicada pelo Jornal Agora em Março/09









Ilustração: Jairo TX


Pode parecer meio ou ridiculamente tarde para isso, mas acredite: esta singela perguntinha ainda assombra muitas de nós “pessoas”:
“O que eu vou ser quando crescer?”

Lembra dos sonhos de infância? Os planos para um futuro tão lindo, tão distante e com tão menos dúvidas... Pois é, ele chegou. Hoje você está (ou talvez tenha passado um pouquinho) “naquela idade” que usava nas brincadeiras de menina, onde se escolhia três futuros pretendentes, três lugares para passar a lua de mel e três outras besteiras. Você olha em volta e se pergunta – cadê? Pra onde foram os sonhos, os planos e os príncipes? Hoje, o amanhã de ontem, chegou, como um completo e desconhecido estranho com o qual você tenta diariamente se enturmar. E ele não é fácil!

Talvez você já tenha encontrado o seu príncipe encantado (parabéns), mas certamente beijou “cada sapo” antes, não é mesmo? Vida emocional, ok. Mas e a profissional? Há quem se sinta feliz e satisfeita como mãe, esposa e dona de casa - algo que merece tanto respeito quanto qualquer outra profissão - mas a grande maioria precisa de mais um pouco mais que isso para se sentir plenamente feliz. E por esta mesma razão, muitas vezes se sentem frustradas, “fracassadas” (porque mulher sempre exagera!). Não por nada ter feito da vida, muito pelo contrário: sentem-se um fracasso exatamente pela quantidade de coisas que fizeram sem encontra nelas a reposta àquela velha perguntinha, agora “pra ontem”:
"O que eu quero ser agora?"

Vamos tomar como exemplo a “boa menina” – aquela que sempre (ou quase sempre) caminhou pelas trilhas marcadas, no tempo e na ordem que deixa orgulhosa qualquer mãe - um dia ela para, olha em volta e se pergunta: “Aonde diabos eu vim parar! Onde foi que eu errei?” Provavelmente errou por não ter se permitido errar, por ter sido correta demais. Devia ter cortado o caminho, andado por rotas alternativas, entrado na floresta, quem sabe? Agora lhe parece tarde demais para estar perdida e o medo de abandonar sua tão conhecida trilha e decepcionar aos outros, a faz seguir por um caminho frustrado, decepcionando a si mesma.

É raro alguém na tal “idade de vestibular” ter condições de fazer uma escolha para o resto da vida. Ao menos não uma boa escolha – “o resto da vida” é tempo demais! - não é que se mude tanto com o passar dos anos, afinal idade nada tem a ver com maturidade e é preciso muita maturidade para discernir nossas reais aspirações, dentre as tantas profissões que temos potencial para exercer. Reconhecer e assumir qual o real rumo que queremos tomar na vida já é sensacional, mas daí a por isso em prática “são outros quinhentos”. E explorar uma dessas coisas profissionalmente (lê-se sustento) é “um tantinho” mais complicado.

Satisfação pessoal é algo que não pode ser mensurado em moedas, embora as “moedas” de uma forma ou de outra, se façam necessárias para alcançarmos a tal satisfação profissional – um feedback complicado de se entender e mais ainda de se satisfazer, mas é real - Às vezes, só mediante experiências – boas ou ruins – é que despertamos para aquilo que realmente nos motiva. Principalmente nos mulheres (não querendo ser feminista) cuja vida emocional influencia amplamente todos os outros mil aspectos.

Cada um tem os seus próprios valores, o importante é reconhecê-los e satisfazê-los para si mesmo e o quanto antes melhor! Lembre-se:
Você pode passar a vida fingindo para o mundo inteiro, mas nunca vai enganar a si mesma.
E quanto à resposta para aquela tal perguntinha... Conhece a velha estória de que “aquilo que se procura geralmente está mais perto do que se imagina?” neste caso então, nem se fala!

Nunca é tarde para mudar: de rota, de opinião, de vida! Basta juntar coragem e dar ouvidos a si mesma, a tal “intuição” - você tem mais razão do que imagina! Considerando que estamos em constante mudança e a cada dia crescemos enquanto pessoas - seres pensantes - e amanhã:
“O que você quer ser quando crescer?”

terça-feira, março 03, 2009

Poesia - Sedução Matutina

terça-feira, março 03, 2009 2



















À madrugada que me seduz
Com seu silêncio e pouca luz
Foi só pra ti que eu compus
Este pequenino canto
Pois já não sei te fazer jus,
Com meu sonhar, meu ar
Meu pranto

Em tuas curvas, meu fascínio
Em teus murmúrios, meu delírio
Hipnotiza-me o teu brilho
Este poema é mais um filho
Desta paixão: doce martírio!
Que me condena e me conduz
Ao teu silêncio e pouca luz

A ti estou presa, sedada e selada
Fadada e mimetizada
Teu chegar faz de mim um nada
E o teu partir, menos ainda
Oh madrugada, porque és tão linda?
Caio sempre em teus encantos
Tão conhecidos e desinibidos

Já te pertenço há tanto e tanto
Levaste o riso, deixaste o pranto
Largado em um canto qualquer
Suplicando e rastejando
Pela migalha que de ti vier
Madrugada: cruel e linda,
Tu só podes ser mulher!

E o teu silêncio me conduz
Oh madrugada me seduz!

domingo, março 01, 2009

Poesia - Devaneios na Madrugada

domingo, março 01, 2009 0

Imagem: Dave McKean

Cá estou – acordada
A noite tão cheia de nada
Que dá pra tocar o ar
Correria nua na rua,
Se tivesse alguém pra olhar
Sabia que à noite sempre faz frio?
Um frio que só eu sinto
Acredite: sozinha eu não minto!
Na cidade que sempre dorme
E que sono pesado ela tem!
Será que dorme com alguém?
A noite é sempre tão linda
A lua muda de cor
Branco, azul e cinza
O sol demora à nascer
E eu até poderia ver
Mas não quero nada sozinha

Talvez algo da cozinha
Nem meu estômago sabe dormir!
Mente e alma já cansada
Descalça e descabelada
Um café é o que me resta
Será que o leite ainda presta?
Aqueço, esfrio e espio pela fresta,
Aqui, onde tudo é nada
Todas as Janelas estão fechadas
Como olhos e bocas
Na madrugada
As coisas tem sons
As pessoas não
Será que elas sonham em vão?
Será que se tocam enquanto dormem?
Será que um dia vão acordar?
A lua é calada – O sol é gritante
Parece que o sono vai vir num instante
Ou num futuro remoto e distante
Ainda há algo vibrante em mim
Nessa maldita madrugada sem fim
Pra onde foi todo o mundo?
Para um buraco bem fundo!
Ninguém me apagou a luz
Mas o escuro se fez
Presente

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