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quarta-feira, outubro 26, 2011

Olhares perdidos

quarta-feira, outubro 26, 2011 0
Autorretrato

Eu te olho
e os teus olhos estão na tela
eu falo
contigo
e os teus olhos correm
paredes, teto e chão
e quando comigo falas
tudo tem tom de despedida

e eu corro
as mãos em busca de ti
prender para nunca
mais perder
e assim acabo
comigo, contigo
agindo feito tola
como todas o são

enquanto aumenta
o vazio entre nós
dois, os olhos meus
te seguem, ainda que
estejas longe demais
para perceber
e minhas pálpebras
acabam cerradas

eu te olho
e jamais me vês, então
pergunto: o que será
que eu estou fazendo
quando tu me olhas
e tu
me olhas?
quando?

Exército de puppets

War Bowl by Dominic Wilcox

Como se faz
para manter
uma paixão?
não basta ser boa
a trama
não basta serem fortes
a mão
e os dedos
e o entrelaçado deles

nem se usar de todo
o corpo, as pernas
ou a alma [se a tiver
inteira]
fatídica e inevitavelmente
ela escorre e escapa
por entre vãos
que nem sequer sabíamos
existir

quando foi que os criamos?
como foi que os deixamos
crescer? por que
nunca somos capazes
de os manter
pequenos - os vãos
vivas - as paixões
grandes - os desejos
mortos - os medos?

o tempo
aquele mesmo que
nos dá as oportunidades
e as distâncias certas
para que [?] possamos
senão apreciar, reconhecer
os ganhos
nos leva tanto
quanto nos traz

e nos rouba, e nos lesa
e nos toma
como se fôssemos pequenos
soldadinhos de papel postados
num gramado úmido deixados
a mercê do vento, do tempo
e de todas as intempéries
que eles carregam
e que seu sopro jamais nos conta.

domingo, outubro 23, 2011

Do caroço das coisas

domingo, outubro 23, 2011 1
Ilustração de Lorde Lobo - Crônica publicada no Jornal Agora/Mulher Interativa


Já diz o jargão “Nem tudo o que reluz é ouro” – na verdade, raramente é... Primeiro, porque muitas coisas podem se fazer passar por ouro, vindo a enganar de espertos a tolos. Segundo, porque a mente prega peças – especialmente quando carregada de ânsias e ganâncias.

E, além disso, vale lembrar que o valor atribuído a todas as coisas está no consenso dos olhos que a avaliam, e não na coisa em si. Em outros tempos, sementes eram as maiores riquezas que se podia levar nos bolsos. E o ouro, não passava de um pedaço de pedra brilhante e hipnótica, cuja beleza, aparentemente inofensiva, viria mais tarde a cegar milhares de homens, acabando por opalescer-se sob abundantes e irregulares manchas rubras – embora o consenso dos olhos ainda veja nele mais valor que em qualquer semente, independente do que germine.

Assim como são as coisas, são as criaturas: raramente o valor de uma é mesurado por aquilo que ela é capaz de deixar no mundo. O mais comum é fazer-se uma breve inspeção superficial, avaliando a integridade da casca, o brilho refletido e a simetria das formas, ignorando-se aquilo que os olhos não podem ver.

Aquele que parece distante pode estar lutando contra a barreira da timidez. O muito extrovertido e piadista inconveniente, também – cada um faz uso dos atributos que possui, para lidar com as limitações que carrega, muitas vezes com isso distanciando o ser do parecer. A mulher que parece pisar no topo do mundo pode estar apenas tentando pisar sobre a própria insegurança, enquanto a que parece relapsa - quer seja na vida romântica, pessoal ou profissional – pode, na verdade, ter se cansado de jamais “chegar lá”, perdendo com isso a vontade de lutar.

A verdade sobre toda e qualquer coisa está muito além do que se pode enxergar. Já dizia Saint-Exupéry:

“O essencial é invisível aos olhos”.

A verdade está no caroço. Talvez ele esteja oco ou repleto de vida... Independente da forma que traga, do que a casca anuncie e do quão suculento, azedo ou doce seja aquilo que o reveste, é lá que mora a essência de tudo, o real valor de todas as coisas – e o caroço das coisas não pode ser determinado por uma convenção qualquer, nem por milhares delas. O caroço das coisas jamais é conhecido, a menos que se faça uma profunda viagem ao centro do mundo guardado em cada sujeito ou objeto.

quinta-feira, outubro 13, 2011

Eventos: Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação

quinta-feira, outubro 13, 2011 0
Atenção: o evento foi transferido - segue a informação atualizada:
Um novo período de inscrições para a 3ª edição do Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação será aberto entre 1º de dezembro de 2011 e 15 de janeiro de 2012 [as inscrições realizadas entre 28/09 e 28/10 continuam válidas] - aproveite a oportunidade! O Festival ocorrerá entre os dias 11 a 14 de abril de 2012, no Parque Museu da Baronesa - Pelotas/RS. Interessados em inscrever filmes na Mostra devem antes conferir o regulamento disponível no site do evento.

Entre as atrações do Festival haverá a apresentação de videopoemas, desenvolvidos pelo pessoal da Faculdade de Cinema e Animação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e taaaalvez entre eles esteja algum dos meus. Torçamos que sim ;]

Confira o vídeo promocional  [Créditos de Rodrigo Elste] e...
Inspire-se!

Mulato






Durante a procura
vã por um poema
tolo escrito noutro
dia, encontro velhos
versos e rabiscos
que me parecem tão
novos
e já tão pouco
meus
e neles encontro
surpresas
piadas
tristezas
números
de coisas e
pessoas que nem
mais existem
pequenos pecados
de língua
e a receita de como fazer
um certo bolo
mulato
que sequer conheço
assim como a razão
de estar ali.

sábado, outubro 08, 2011

Matar ou morrer

sábado, outubro 08, 2011 0
By Lorde Lobo

Havia saído para buscar um de seus animais de estimação na clínica veterinária de sua maior confiança. Deixara o bichinho lá para um procedimento simples, limpeza dos dentes, mas que requer a administração de anestesia geral – não que alguém no mundo goste de ser submetido a uma limpeza bucal profunda, mas acontece que os pets são um tanto mais dentuços e menos civilizados que a maior parte de seus donos e, como se pode imaginar, não costumam ir ao veterinário de livre de espontânea vontade... Geralmente as visitas a esse tipo de local são associadas à inserção de objetos gélidos em seus pequenos orifícios desavisados.

Pois bem, chegando lá, foi recebida com a mesma gentileza de sempre por uma das doutoras e conduzida ao encontro de seu filhote – que na verdade mostrou nos dentes mais idade do que o pequeno tamanho anunciava. Porém, ao entrar no consultório, percebeu estar invadindo a consulta de outro paciente. Ele parecia mal, muito mal, e, ao julgar pelo cheiro fétido que impregnava a sala, devia estar ainda pior do que aparentava. E estava. Estava morto ou em vias de. Jazia sobre a bancada de inox, com os olhos fechados, língua de fora e metade de seu minúsculo corpo envolto em sacos plásticos. E fedia, terrivelmente.

Até ter sua sessão de morte encomendada interrompida pela mãe adotiva da gata, que antes parecia ter na boca o pior de todos os cheiros, dava adeus a sua vida e a sua dor, na companhia da veterinária, enquanto a família, que o trouxera até ali, aguardava no hall de entrada. Não pareciam felizes, mas pareciam - do ponto de vista de quem acabara de chegar à cena - estarem no lado errado da porta. O lado dos que aguardam uma consulta alheia. O lado que fedia menos... Enquanto uma intrusa qualquer se compadecia da morte fedorenta e solitária daquela pequena vida que tanto lhes dizia respeito.

Bicho-bicho ou bicho-homem, na velhice e na doença toda morte é fedorenta e solitária. 
Talvez o que amenize a dor seja ter um referencial para onde guiar o último olhar e uma mão familiar onde deixar o último toque. Ou talvez seja mesmo uma dose cavalar de analgésicos, administrados por uma mão profissional... Há quem diga que, em certo ponto de martírio, o único alívio é deixar de sentir – um conforto que pode ser oferecido por qualquer mão fria e destra o suficiente para desligar o botão da vida. Morte ”matada” ou morte “morrida”, no final das contas não passam da mesma droga. De qualquer forma, só sabe quem chega lá, e nesse caso, não é bom ter pressa.

Deixando a cena de morte para trás, essa história – individual e felina – teve um final feliz: buscou sua gata. Saudável, bonita e molenga da anestesia. 

E não é que agora a boca, antes podre, já nem fedia?

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