[P+2T] Ebook Erótico #2: Download gratuito!

quinta-feira, julho 25, 2013

sem propósito

quinta-feira, julho 25, 2013 1
e de repente
sem razão aparente
eis que lembrei
de um amigo
que nem amigo
de perto foi
de fato
ao menos
um tanto meu

mas que a sua ida
sem jamais ter sido
-e talvez até um pouco
mais por conta disso,
deixou em mim
uma grande lacuna.
grande o suficiente
para se fazer vazio
e memória triste
que de vez em quando
vem a se entornar
sem qualquer propósito

numa taça de vinho
numa mesa bem posta
numa piada
numa canção cafona
num dia frio
ou noutro qualquer
assim, de repente

como as amizades são

como elas vem
como elas vão
e as pessoas
contidas nelas
em interfaces
e superfícies
sem que haja nelas
a necessidade de se definir
e mensurar ou reduzir
a distância
entre uma e outra
e por dentro delas
também.

como a memória
que da morte sopra forte
em dias frios
assim
sem qualquer propósito
ou razão aparente
como a saudade
que vem de repente
sem que eu sequer soubesse
ter ela ali, guardada
silenciosamente na boca
do estômago.

um gole rápido
e tudo volta ao seu
lugar de antes.

não lembro de ter visto
qualquer placa dizendo
que a amizade é um caminho
de duas vias.

[mas a gente tende a querer de volta
um pedaço daquilo que se dá
sem que ninguém tenha pedido]

não lembro de ter visto
qualquer placa dizendo
que a amizade é um caminho

[embora desconfie que seja]

não lembro de ter visto
qualquer placa dizendo
que a amizade é

[porque certas são as coisas
que simplesmente o são
sem se preocupar em ser]

não lembro de ter visto
qualquer placa

[talvez por não gostar que me apontem
o tanto que eu não sei
sobre o caminho que estou seguindo]

mas se aqui estou
perdida
ao ponto de escrever
esse poema
deve ter um propósito...

[gosto de pensar que sim
mas desconfio que não
haja qualquer razão
para isso]

e de repente
sem razão aparente
eis que lembrei
ter ouvido de um amigo
que já não tenho
[sem ter muita certeza
se um dia tive] que
aquilo que não se entende
sobre o tanto que se sente
costuma ser o sentimento
em si.
e não é
que é?

terça-feira, julho 16, 2013

Cansaço poético-reflexivo

terça-feira, julho 16, 2013 1
E quando um poeta cansa?
um cansaço absurdo
de todas as coisas
poéticas
cafonas
dos poetas
e de seus poemas
(especialmente os de amor
e as rimas! pobres rimas

podres)
daquilo q
ue suja
a poesia
("imaculada", diriam eles)
a verdadeira poesia
que vem do âmago do ser
(não dali, da região do umbigo)
a arte pura
tão nobre e altiva
a matéria prima
brutal e lasciva

(porque nem toda rima mata)


e quando ele se cansa
daquilo que o faz
mais que existir
persistir
e ir além
-o fôlego que vem
quando já
sufocado está
e quase morto
quase morto
quase
Imagem by Stella Im Hultberg

(existirá poesia sem drama?
sem repetições de efeito?
sem quebras confusas e
sem rima, a maldita rima?
sim. e muitas!

mas é bem provável 
que poucos hão de gostar
além do poeta 
para quem o próprio escreve)

quando ele cansa
disso tudo
o que fazer?
nada lhe resta
que tenha valia
além de evitar
encarar o exército
de rostos pálidos
e corpos nus
centenas a milhares deles
todos idênticos
um a cópia imperfeita
do outro
a lhe vigiar, a lhe perscrutar
a lhe perseguir e a julgar
com olhos brancos
com bocas murchas
e braços flácidos
a lhe chamar, a lhe esperar
a lhe acenar, a lhe aceitar
para um dia a eles se juntar
a vagar e a divagar
sofrendo (como há de ser)
eternamente (oh, poeta)
no espelho.

P+2T: Especial Erótico! Baixe o seu.

Curtiu? Curte lá: P+2T no Facebook

Ou siga por email, inscrevendo o seu aqui:

 
◄Design by Pocket Distributed by Deluxe Templates
Blogger Templates