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domingo, janeiro 30, 2011

Em silêncio

domingo, janeiro 30, 2011 2
[O poeta é um livro fechado]
Ilustração by JairoTx

Deitada, nua, na cama
sua, lendo outro
poema
dele
se pergunta:

É poeta por
ser sozinho
ou é sozinho
por ser
poeta?

E olha para
o teto, enquanto há
alguém
ao seu lado, mesmo
quando ela escreve

este poema
em silêncio
e pensa:
o poeta é um
livro fechado

Por que seria
justo ela
(a única a)
abrir logo
o seu?

Minha casa, minha vida

[Publicada no caderno Mulher Interativa - Jornal Agora/RS]
Ilustração by Lorde Lobo




Feliz mesmo é o eremita!  
Indivíduo que vaga a esmo, sem lar, sem porto, sem rumo... Ou, em outra perspectiva, que encontra um lar em si e o leva por aí, por onde quer que ande. E anda por onde bem quer. Dono de sua casa, dono de sua vida. Sem vizinhos, nem contas a prestar.

Enquanto ele parte inteiro, nós, indivíduos mais apegados, menos iluminados ou simplesmente mais ocupados com as coisas do mundo do que com as coisas do ser, andamos aqui, a procura de um lugar onde parar... E dar aos outros algumas “satisfações” – mesmo que não se possa, mesmo que não se queira – e pedir deles o mesmo em troca – mesmo que não se deva.

São as regras do jogo; é a burocracia da vida. 

É preciso seguir o protocolo e ter tudo registrado em papel – documentos, formulários, atestados, certidões. É preciso ser feito de papel e saber bem onde pousar o seu! Vez ou outra é preciso contar ainda com o auxílio de um papel alheio para atestar a legitimidade do seu! Testemunhas, fiadores... papéis que se vinculam, que se confiam e que se confirmar valorosos sempre que é preciso transitar pela “vida de papel” – aquela que prova quem somos, onde estamos e com quem. 

Casar, comprar, morar, mudar! Seja de casa, seja de vida: não bastasse a dificuldade de tomar tais decisões – sozinho –  é preciso, inevitavelmente, contar com a participação de outrem para oficializá-las. Só uma vez ultrapassada a enorme barreira de papel, é que se pode ter, de fato, uma “vida legal”. E quando se chega nesse ponto do caminho – por onde, provavelmente, o eremita passa batido – é preciso forçar as pernas para seguir andando e levar consigo atrelado o peso das decisões a longo prazo – aquelas que precisam existir no papel: casamentos, rebentos, financiamentos... Coisas feitas no “pra sempre” que sempre custam e assustam demais! 

Pra sempre... Uma vida inteira andando, criando coisas, filhos, buscando... 

E quanto mais se vai encontrando, maior se torna a necessidade de ter um local para chamar de seu – para determinar as regras e reescrevê-las sempre que der na veneta! Para encher de coisas e gentes e memórias. Para ficar vazio. Um local onde tenhamos segurança, conforto e satisfação: pré-requisitos indispensáveis, mas que nem sempre se pode manter. E preciso aprender as incoerências da vida real: 

É preciso dispensar o indispensável, evitar o inevitável e alcançar o inalcançável... A todo o momento. E sem esmorecer!

A começar pelo corpo: a primeira e mais importante morada do ser. Além de requerer manutenção constante - e a um alto custo! – ele nem sempre oferece as “mordomias” que se espera de um local onde pretendemos ficar por um longo tempo. Avaliemos os itens: 
  • Segurança: é difícil varrer o medo incrustado nas frestas! 
  • Conforto: alfinetes e pedregulhos têm o péssimo hábito de estar exatamente onde não deviam!
  • Satisfação: bom [se for ótimo, melhor!], infelizmente, sempre há um espaço vago esperando por algo que não se tem. 

E se nem o corpo nos oferece as três necessidades básicas do morar, onde vamos viver?

Vivemos em espaços – divididos, apertados, destruídos, reformados. Vivemos em cavernas modernas – algumas mais caras, mas claras, mais belas, mas, ainda assim, cavernas – onde juntamos tesouros que jamais poderemos carregar... Onde julgamos guardarmos a nós mesmos, do lado de fora do corpo, do lado de dentro da casa. 

Mas e se a casa cai? E se a água inunda? E se o vento leva... tudo?  
Aí, então, saberemos que nada importa. E que ter um nada a carregar pesa mais que tudo! E que o único tudo que de fato importa é aquele que cabe num cantinho, escondido, dentro de nós. 

É esse o tudo que o eremita leva, leve.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Caramelada#1

quinta-feira, janeiro 27, 2011 1
by JuBlasina

Apenas um brinquedo de palavras doces.

cara-melada-cara
melada-cara-melada
carameladacaramela
dacaramel.



Re.cheio

Ilustração by Jairo Tx




O aparentar
é um ato
falho.
(um) quase
(que) sempre
nos desmente


O que o
externo
estranha
e enxerga
e enxuga
em coisa viva


É que por dentro
somos
feitos de gente.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Tramando

quarta-feira, janeiro 26, 2011 1
Fotografia de Jairo Tx modificada digitalmente por/de Ju Blasina.






"A meia trama
        -a noite inflama
pequenos planos
        -por entre os panos
sobre a pele dela"

terça-feira, janeiro 25, 2011

Fragmentos - poesia visual

terça-feira, janeiro 25, 2011 5

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Saber-se

segunda-feira, janeiro 24, 2011 2
Life lines by Dave Mckean



A saber

O "pra sempre"
é um
momento maior
que o comum

E nada além

A eternidade
das coisas
do mundo
é relativa

E a finitude também

O discernimento
que faz o aproximar
do um ao outro
nos aprofunda

E a mudança se faz presente

E aquilo
que antes era
(meu) nada
se transforma

E toda a razão se torna calma
E todo o sentir se torna alma

E o viver
o hoje agora cabe no centro de minha palma

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Presente

sexta-feira, janeiro 21, 2011 2
[Keit Mary] Natureza Viva #1 por Ju Blasina

Como pode um ser
tão pequeno
ocupar tanto espaço
no meu ser...

O que estes olhos grandes
em mim já puderam ver?
E o que de mim guardaram
sem dizer...

Sua presença
por vezes foi toda
a presença
com a qual pude contar...

Quantos segredos
os pequenos
ouvidos teus
já sepultaram...

E com quantas
lágrimas fiz chover
sobre ti
a minha dor...

E mesmo sem uma
palavra sequer dizer
sempre se fez
tão bem compreender...

Como pode ser
um ser
tão lindo
puro e sincero...

Em meio a esse
mundo de dureza
és a prova da contradição
de toda a minha fria certeza...

A falta
de afeto que dá
 ao medo razão
não te reflete...

Que tua presença eterna
seja num olhar, num carinho
seja numa lembrança daquilo de belo 
que, vivo, sempre levarei comigo, da infância...

[Keit Mary] Natureza Viva #3 por Ju Blasina

NOTA ► Poema antigo, muito antigo [e, por isso mesmo, singelo], escrito [e, hoje, reescrito] para a gata mais doce desse mundo: Keit Mary, hoje velhinha e doente, que faz de minha vida mais feliz já há 17 anos!

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Quereres

segunda-feira, janeiro 17, 2011 0
Ilustração by Sophie Griotto
Eu quero
uma cama
de ferro

rangindo

Eu quero
uma cadeira
branca

vazia

Eu quero
sua cara
na parede

sorrindo

Eu quero
meu futuro
agora

zerado

Eu quero
ter meu
tudo novo

ao teu lado

Eu quero
ser. uma
casa. nova

só minha

Eu quero
uma pilha
de papel

sozinha.

Olhos nos meus


My Eye by Ju Blasina


Olhos

De elfa
Selvagens
Famintos.

Olhos
Tristes
Olhos

Profundos
A te olhar
Cem vezes

Sem ver
Olhos
Cegos

Olhos
Negros
Olhos

Intensos
São
Teus

Olhos
A olhar
Nos meus.

Olhos


Red Eye by Ju Blasina

sábado, janeiro 15, 2011

Extremista

sábado, janeiro 15, 2011 2


Sinto o mundo com a ponta da língua. Corro o mundo na ponta dos pés. E me faço viva, na ponta do lápis. Sou feita de extremidades!
Ilustração by Jairo Tx: A quem interessar possa [←visite ]

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Um caminho

sexta-feira, janeiro 14, 2011 1
Foto by Ju Blasina. Título: "one way, two steps"
Um, dois
passos
perdidos
pegadas
azuis
ficam
no silêncio
areia entre
os dedos
água corre
vai e vem
e nós
um, dois
contando
de novo e
de novo e de
novos
passos
precisamos
seguir
lado a lado
equidistantes
por vezes
tangentes?
tomara
sejamos
sempre
nós
dois
cá e lá
lá e cá
dois pés
um
passo
agora
que já
sabemos
por onde
ir logo ali
a diante
agora
que já
traçamos
um
novo
um
mesmo
caminho

nos resta
seguir.

Poema do lado de dentro

Foto: Volmar Camargo Junior
Título:  All or nothing
Licensed under Creative Commons
(some rights reserved)

Se está do lado de dentro
que finge que dorme
e espia
o mundo
que mora do lado de fora
dentre os muros
dentre os cílios
e salta de dentro dos olhos
quando sonha que morre
e acorda.



NOTA: Poema eco [em resposta] ao Poema dos Lados [...de que lado se está quando não há lado para estar...], escrito por Volmar Camargo Junior e postado em seu blog ► O balcão das artes impuras ◄ visite

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Despertos - Blavino #22

quinta-feira, janeiro 13, 2011 0
Les-amants by Rène Magritte, 1932
Já não

mais posso
contar os dias

com a mesma falta
de pressa que antes
sentia por não sermos

algo além de poemas em cantos

perdidos, versos difusos
sonhos confusos. como
éramos nós (?)

quando ainda
podíamos

não ser

Coisa minha

Talvez leves contigo a razão...

Quando me pintas
de egoísta, quando
apontas
Ser a poesia minha
mais valiosa
Reprodução
coisa

Exceto que não
és tu para mim
coisa
Mas de mim
assim o fazes

Ao me escrutar os defeitos
Ao me indagar as verdades

Sem a poesia lá
no topo das minhas
coisas
Nessa imensa pilha
de fragmentos que

Ora contemplas
Ora abominas

Nada resta
que me valha
contar
E assim tens
todo o meu espaço

Vazio. tens toda a razão do mundo, e nada mais.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Partidos

terça-feira, janeiro 11, 2011 1
by Audrey Kawasaki
Podes pôr sobre mim
a culpa pela morte
da ilusão de outrora
do despertar abrupto
de um 'pra sempre'

hoje, finito
ontem, eterno
amanhã, incerto

Podes pôr sobre mim
teu corpo nu, deixar
sair todo o pesar, cravar
em minha pele teus dedos
dores e dentes, levar

pequenas lascas
espessas tiras
diversos nacos

que preencham o vazio
deixados por nossos
sonhos partidos

Podes pôr sobre mim
os teus desejos
os pregos de teu Cristo
os ecos de teus gritos
lamúrios infinitos

venha logo, e
de um salto
de um soco

Podes pôr sobre mim
teu tudo
a espera
de algo que
encerre o meu nada

O buraco que
o silêncio cava
em nós não tem fim.

Eu, que des.vendo lobos

Moon by Dave McKean


Mais uma vez, é madrugada
e o lobo, lá fora, uiva
enquanto eu, aqui, fico
a observar-lhe. cheia. alheia - não
há outra forma de acontecer
ele me venera. eu, lhe tolero
ele me adora. eu, lhe suporto
como são tantos... como são todas
as noites minhas. como sempre
deveria ser.

alheia

ao uivar, por vezes fico
a imaginar que ele sonha com tudo
poder, conquistar, dominar, encantar
a mim? são tão tolos, os uivos. os lobos
tão pequenos quando aproximo o meu olhar
sentem-se tão diferentes, mas, a mim, parecem
todos iguais: sempre as mesmas garras a arranhar
o chão, o mesmo
uivar a (tentar) ludibriar-me... sempre, a mesma
furia, os mesmos dentes, o fogo no olhar 
a mesma fome - insana. como seria eu
se acreditasse em cada pequeno lobo
que se põe aos meus pés, a uivar
e grunir, e rusnar... instintos
eles não passam de bestas
e como tal se comportam.

fingem uivar por algo maior
fingem servir apenas a mim
quando só uivam
para se mostrar
para se fazer ouvir
por outra qualquer
criatura que lhe caiba
num único abocanhar. eu
que sou tão imensa quanto a própria
noite, tão intensa quanto a própria
fome, tão hostil quanto a própria
furia. eu, nunca, jamais
serei sua
presa.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Das verdades em mim

segunda-feira, janeiro 10, 2011 3
A verdade é esta
agulha longa, fina
e fria
que me atravessa
a espinha ereta

Enquanto reflexões
sobre mim gozam
num espelho
de aço velho e
retorcido feito eu

Eu
que antes fora
bem
maior que isso
Eu
Message in a bottle by Kmye Chan
que sou agora feita
de fantasias
tuas
mentiras como
tantas outras o são

Enquanto és
para mim
um
bem, meu
incalculável

Sou para ti nada
além de mais uma
pérola
com a qual brincam
os porcos. teus

sentimentos são
pequenos cacos
inseridos
no fundo dos
meus olhos. cegos

Tateio dúvidas
com as pontas
dos pés
até pisar sobre
verdade afiadas

Lembro de ter
sido um dia
tão grande!
teu amor
me apequena.

terça-feira, janeiro 04, 2011

(Pré) Conceitos, Casamentos, Cerejas & A fórmula do fracasso Completo

terça-feira, janeiro 04, 2011 2

Casamento é uma merda

Quem discorda disso provavelmente é solteiro, casal recente, ou não foi casado por tempo o suficiente para constatar o senso geral. Casamento é uma merda porque foi criado para assim o ser.

Consensos... e (pré) ...conceitos. Quantos defeitos adquirimos, sem perceber, em um pacote pronto, fechado e que, tradicionalmente, não suporta variações? Não suporta... mas, por quê? Quem foi que disse como um casamento é, deve ser ou deixar de ser? A sociedade?

Ah, a sociedade... e seus planos maquiavélicos para nos mediocrizar! 

Maquiavélicos e, como ele, infalíveis! Não importa o quão aberta sua mente julgue ser, a liberdade -de qualquer coisa- é uma utopia e, como tal, não passa da teoria à prática sem que grande parte de sua essência seja perdida no processo.

Audrey Kawasaki

O casamento, ou melhor, a união tradicional a qual associamos ao termo, não precisa ser assim. Mas deve. E deveres não consideram prazeres, limitações ou necessidades. E, infelizmente, ser feliz, não consta na lista de deveres... Lamento.


Até existe uma "pseudofelicidadezinha" ornando o tal pacote, feito uma pequena cereja -solitária, perdida- sobre um imenso bolo de outros sabores, mas, é uma felicidade limitada, uma cereja só... É bom que seu apetite seja pequeno e seu paladar, facilmente saciável, caso contrário, seu bolo, aquele que você come todo santo dia -ou, o que é bem mais provável, apenas em dias de festa- tornar-se-a um tanto insípido... e não haverá merengue que de jeito nisso! Se você quer uma cereja, você quer uma cereja, e nada irá lhe satisfazer, a não ser, o quê? UMA CEREJA! Oras... Não há placebo para isso!

Dream Cake by Chotda

Muitos acabam abrindo mão de sua tão desejada cereja e acostumando-se ao conforto de ter um bolo para chamar de ser, mesmo que esse já não seja lá, tão apetitoso quanto fora um dia. Mas aqueles raros indivíduos que optam por exigir suas cerejas extras, precisam ter um punhado de coragem e determinação ante ao eco de toda uma sociedade, séculos de complacência e hipocrisia, lhe dizendo um sonoro e ecoante "NÃO".

Quem arrsica-se por uma felicidade autêntica precisa, antes de qualquer coisa, desvincilhar-se das amarras moralista que contornam a "vida padrão" -e elas sabem ser bem apertadas! Em outras palavras, é preciso aprender a devolver o "não" implícito com um enfático "FODAM-SE!" Especialmente quando o assunto envolve sexo (e quando é que não envolve?).

As únicas opiniões que devem ser levadas em consideração quando tomamos alguma decisão relevante em nossa vida íntima -e quando falo íntima, não me refiro somente àquilo que se faz quando nu, mas, sim, e principalmente, àquilo que se faz por motivações afetivas- são as oriundas de quem amamos. E essas, mesmo que relutem um pouco para libertar a própria mente daquelas mesmas amarras, no fim, sempre entendem. Pode parecer (ou ser, de fato) piegas, mas...

...quem ama de verdade quer a felicidade plena do ser amado e não uma ilusão constante que na primeira variante foge aos dedos.

Casamento é uma merda quando se aceita que ele assim deve ser. Quando se dá mais ouvidos às vozes que vem de fora do que àquelas que ora sussurram ora gritam, sufocadas, do lado de dentro. Lealdade não é sinônimo de monogamia. E monogamia não é sinonimo de amor, e este, por sua vez, não é sinônimo de coisa alguma - o amor é uma coisa louca, sobre a qual não temos poder algum, e da qual podemos tirar um estoque infinito de cerejas quando nos permitirmos tatear um pouco além daquilo que nos ofertam em pacotes.

Muitos são os que ignoram, poucos os que querem, e raros os que estão realmente preparados para isso.

Ânsia

Autorretrato "Freedom 1" por Ju Blasina

Tenho essa gana de viver
que me agarra a vida
como quem aperta
as mãos ao (tentar)
segurar o ar


Tenho essa gana de sentir
como quem corta
a própria carne
para saber
se sangra


Tenho essa gana de me ser
que me faz até
esquecer do que
eu queria ter
...sido.

sábado, janeiro 01, 2011

Balance!

sábado, janeiro 01, 2011 1








Ilustração by Lorde Lobo








[Publicada no caderno Mulher Interativa - Jornal Agora/RS]

Final de ano. Ora de (re)fazer o balanço: os mesmos trezentos e sessenta e cinco dias – noites e madrugas inclusas – passados, como em todo ano não bissexto. A soma individual de cada vida se tornando, a cada cálculo, mais assustadora. Em ponteiros, um ano significa oito mil setecentas e sessenta horas, das quais se passou um terço, cerca de três mil horas – com uma grande margem de erro – dormindo... O equivalente a mais de cento e vinte dias inteiros... dormidos!


Deitar, dormir, sonhar: desperdício ou investimento? 

Apesar do que a ciência diz, insiste e tenta provar, nunca sou convencida do benefício que as tais “oito horas” de sono – diário! Ou, pior, noturno! – podem trazer. É muita coisa! E em longo prazo. Requer tempo demais para se conferir os resultados. Tempo demais... para se passar ali, deitado, inerte, apático, “recarregando” – definitivamente, a natureza, em toda a sua sabedoria, bem que poderia ter bolado um sistema melhor de otimização de energia! Mas, não.

E lá se foram outras duas mil e tantas horas (no meu caso, que nunca durmo as oito) de total improdutividade... Não que o sonhar não possua seus méritos e inspirações – de suma importância a escritores e artistas da criação –, mas sem objetividade, a coisa não flui. Talvez por essa mesma razão existam tantas previsões de ano novozilhões de mancias que tentam definir um norte que nos facilite a navegação no novo e desconhecido mar que se abre a cada primeiro de janeiro. E, se tratando de embarcações, nada melhor – ou mais primordial – que os astros apontar um caminho

acreditar, ou não, é uma questão de crenças; segui-lo, ou não, de livre arbítrio!

Dizem os astrólogos que o ano de 2010 fora regido pelo planeta Vênus – que, para os gregos, representa Afrodite, a deusa do amor... e de outros detalhes relacionados ao tema, tais como beleza, sexo, etc. Pois bem, verdade ou besteira, o fato é entre aqueles que me cercam, pude assisti, algumas vezes mais de perto do que gostaria, a: um casamento celebrado, dois quase casamentos encerrados, quatro divórcios concluídos e alguns que teriam tomado o mesmo rumo, não fosse o jogo de cintura que a vida moderna nos permite. Eu, não me incluo em estatísticas. As acho deprimentes! E se me incluísse, na certa, manipularia os dados – a favor de quem? Do texto, claro. Números não me afetam. Nem a mim, nem aos fatos – presentes, pois, os registros, quando bem escritos, moldados e curtidos pelo tempo, mudam passados e, consequentemente, futuros!

Sendo assim, o ano que passou, ao menos para mim, foi o ano de Afrodite. Se foi bom para o amor? De certa forma, sim, pois balançou aquilo que estava estagnado, e isso, sempre é bom. Agora, não estou certa quanto às previsões referentes ao ano recém chegado – com Mercúrio de regente, o Hermes dos gregos... Se, de fato, será bom para os negócios, para os atletas, para as comunicações, aquisições ou conquistas materiais, isso, só o tempo, uma vez passado, vivido e devidamente registrado, será capaz de nos dizer... Com certeza!

Se me restasse um desejo para qualquer astro pendente, cadente ou não, no céu do réveillon, pediria um vento forte, mas muito forte! 

Forte o suficiente para acabar com qualquer marasmo que possa surgir nesse novo ano-mar. Um vento que balance forte as estruturas, para que todo o pó seja derrubado, para que toda a rachadura profunda demais para resistir ao balanço, caia em ruína, para que as reformas necessárias ou sejam feitas ou dêem lugar a novas estruturas – minhas, suas, do lugar onde vivemos, da realidade que construímos, de tudo e de todos nós.

Um vento que nos balance, de fato!

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