[P+2T] Ebook Erótico #2: Download gratuito!

segunda-feira, agosto 31, 2009

2 Poetrix - Humor

segunda-feira, agosto 31, 2009 1
Prole
Preciso criar coragem e
Sustentar para dar criar:
Filhotar!





















Se tudo o que vem de dentro
É sincero, por favor:
Minta!


Romantismo

sexta-feira, agosto 28, 2009

Esquecimento - Poetrix

sexta-feira, agosto 28, 2009 2








De dia as noites são tão
Curtas — Lembranças
Minimizam medos








terça-feira, agosto 25, 2009

O partir do sol - Prosa poética

terça-feira, agosto 25, 2009 0











Imagem:
Marion Hermann












Senti o sol partindo-se em pedaços
Homicídio culposo e confesso:
— Não tive a intenção, mas o fiz. Sem razão.
Talvez algo inconsciente tentando sabotar-me
Revelar-me pelo errôneo escondido sob tantas camadas:
De madeira e pele, capa e carcaça — Sem reflexo
Sem cor, sem tom, sem som — meu Folk é fosco e tosto.
Uma vampira! Eu?
Confinada à escuridão, ao frio calar da noite que já não sinto
Reclusa, ao silêncio mortal deixado pelo partir do sol.
Ainda tenho dó deste vazio... Embora tardio, fez-se a luz:
Tinha eu que ter partido — justo — o sol?

segunda-feira, agosto 24, 2009

Sem horas - Pensamento

segunda-feira, agosto 24, 2009 3

S
em hora pra dormir

Sem hora pra comer

— Senhora, eu?

Tem hora pra viver?

Espero... Que não!


Meu relógio biológico não tem corda

sábado, agosto 22, 2009

Quem é você, quem sou eu? CRÔNICA

sábado, agosto 22, 2009 2





Publicada no Caderno Mulher
Jornal Agora - Agosto de 2009


Ilustração: Lorde Lobo








Adulta jovem, humana, gaúcha, virginiana, casada, chocólatra, escritora...
Até alguns dias atrás, pensava eu que estas características poderiam brevemente me definir em palavras. Pois não é que eu estava redondamente enganada? Recentemente descobri que podemos ser muito mais do que ousamos imaginar. Quer saber como? Eu explico, mas aviso de antemão:
— Fujam enquanto há tempo, pois o hábito que eu lhes apresentarei é extremamente contagioso e viciante!

Quando eu era menina, a moda era o “questionário” (perguntas escritas em um caderno e passado de mão em mão; jogo semelhante a um senso de informações pessoais trocadas entre os amigos), depois vieram os testes de revistas femininas e agora isso: O quiz virtual! (lê-se qüiz)

Quiz, nada mais é que o nome dado àqueles testes aonde, através de uma série de perguntas e respostas, chegamos a um resultado surpreendente, como por exemplo: se “ele beija bem”, se “você é econômica” ou “que fruta você seria”. Sim, informações de “extrema relevância”.

Hoje em dia, munida de um computador ligado à internet, um pouco de paciência e muita falta do que fazer, você pode descobrir tudo que não sabia sobre si mesmo, como que música, livro, animal, artista, personagem, pecado capital, cor ou “seja-lá-o-que-mais” você é ou poderia ser.

E você aí achando que sabia alguma coisa sobre si mesmo, hein? Pois é, eu também. Não sei como pude viver até hoje sem todas essas informações... Descobri que sou “o número sete, a luxúria, as Antologias Poéticas de Carlos Drummond Andrade , A bela e a fera” e mais: descobri ainda que eu não vou pegar a gripe suína (Influenza A, H1N1) — Pasmem! Abençoado seja o cidadão que criou este último quiz!

Ah, se a vida fosse assim, tão fácil, não é mesmo? Talvez exatamente pelo fato dela não o ser, é que perdemos tanto tempo buscando respostas para as mais diversas (e por vezes desnecessárias) perguntas. Passamos a vida nos questionando sobre quem somos e como as outras pessoas nos vêem. Sobre o que fizemos e o que faremos. Sobre qualquer coisa que ilumine um pouco o caminho que nos leva ao misterioso dia de amanhã. Respostas estas que certamente não estão no fantástico mundo do quiz virtual, por mais divertido que ele possa ser.

E por que será que nos parece tão mais divertido ser qualquer outra coisa senão aquilo que já somos e bem sabemos? Talvez exatamente por “bem sabermos”:


O sabor da vida está no mistério — são as dúvidas que nos movem, enquanto indivíduos e sociedade.


Se tivéssemos todas as respostas, não iríamos à parte alguma! E novamente sou tentada a usar a  metáfora do “cachorro que persegue a roda”: O que fazer quando alcançada? Provavelmente parar de correr.


“A curiosidade é a mola propulsora do intelecto, mãe da descoberta” e razão para o sucesso destes jogos de adivinhação. Não é de hoje que profecias — verdadeiras ou falsas — fazem sucesso (Nostradamus, Walter Mercado, Mãe Dináh e o horóscopo nosso de cada dia, não me deixam mentir). Cada um de nós procura suas respostas aonde nos parece mais adequado. Alguns se voltam para a fé, outros para si mesmos e há ainda aqueles que preferem responder a toneladas de quiz. E quem somos nós para criticar?

Independente do caminho que lhe convém, mais importante que encontrar as respostas é seguir fazendo as perguntas. Por isso eu lhes deixo uma:



“Se você fosse uma resposta, qual seria a sua pergunta?”
Será que isso daria um bom quiz?


sexta-feira, agosto 21, 2009

Perdendo-se em quilos - CONTO

sexta-feira, agosto 21, 2009 0
Nota: Hoje o P+2T ganhou seu 40º leitor/seguidor *Yupi!
Isso me deixou tão contente que fui impulsionada a postar algo novo. Pretendia guardar este conto (escrito esta manhã) para usá-lo quando a ocasião exigesse um inédito, mas... Ah, eu não consigo! Espero que gostem.
Beijinhus - Ju
"Se a embalagem ficou pequena, troca-se!"
Já dizia algum Artrópode - risos


Tina queria emagrecer.
Na verdade, querer, ela não queria — havia passado desta etapa há alguns quilos — Tina agora precisava urgentemente emagrecer! Com peso e data marcados: oito quilos em duas semanas. Era quando aconteceria o baile de formatura de seu namorado e ela já havia até comprado o vestido, manequim 38 — perfeito! — se não ficasse tão apertado...

Oito quilos... Não era nenhum absurdo, mas o estreitar do tempo — e das costuras — a preocupava ao ponto de roubar-lhe o sono. E aplacar a ansiedade com barras de chocolate, definitivamente, não estava colaborando. Foi numa dessas madrugadas insones, lambuzada de chocolate em frente à televisão, que fez-se a luz. A solução surgiu ali, como um milagre, bem diante de seus olhos:

— Não pode ser! — exclamou ela para a televisão. E o aparelho, por sua vez, respondeu:

“É is-so mes-mo! Emagreça quinze quilos em uma semana!
Sem exercícios e sem di-e-ta!

— Mas cooomo?

“Basta ligar a-go-ra para o número que aparece em sua tela. E você ainda ganha este fantástico kitchen machine e mais este livro com 400 deliciosas receitas: Para comer sem culpa!

Sem tirar os olhos da Tv, Tina esticou o braço, tateando no escuro até encontrar o telefone perdido entre as tantas embalagens que cobriam a mesa de cabeceira, denunciando seu completo fracasso em disciplina alimentar. Discou os números e aguardou, ouvindo uma musiquinha feliz, enquanto o comercial se repetia sucessivas vezes. Nervosa, roía as unhas, como conseqüência da demora acompanhada pelo término do chocolate. Já estava quase desistindo quando, enfim, surgiu uma voz estranha do outro lado da linha:


— Bo-a noi-te! Não diga alô, diga “emagrecendo”.
—Emagrecendo. Oi, eu preciso perder oito quilos e queria saber...

— Não, não precisa não.
— Sim, pode acreditar em mim, eu preciso!

— Não precisa, pois quem perde, en-con-tra! E você não quer encontrá-los no próximo cheesecake, certo?
— Ah, certo, certo, claro! Digo, claro que não!

— E então, o que é que você precisa?
— Hm, emagrecer?

— Eeee-xato! O que você precisa é e-ma-gre-cer! E é isso que nós lhe oferecemos: Quinze quilos em uma semana! Sem exercícios e sem dieta!
— Sem dieta – repetiu Tina, como um eco da outra voz – Foi por isso que eu liguei. Quase nem acredito!

—Mas deveria! Porque nós garantimos os resultados anunciados ou o seu dinheiro de volta! E você ainda leva de brinde este fantástico kitchen machine e mais este livro...
Livro de 400 receitas, sim, eu sei. Mas eu preciso saber é como isso funciona? Quando eu posso começar?

Ilustração: Jairo Tx

Começar a emagrecer? Você já co-me-çou! Desde que discou o nosso número!

Tina ria sem saber se era do absurdo desta última afirmação ou de pura ansiedade.

— Você duvida?
— Não, não. Só tô admirada. Mas...
Mas não deveria, porque emagrecer é também uma questão de fé! O emagrecer é uma mudança que ocorre de dentro para fora e não de fora para dentro como se costuma supor. Emagrecer é algo que começa na sua cabeça e se estende gradualmente ao seu corpo e membros. E o que nós fazemos? Nós só ligamos a sua chave do emagrecer — Em potência má-xi-ma!

— Nossa! Eu não sabia disso...
— É lógico que não! Se soubesse, não seria uma gor-da!
— Hey!

— Sim, sua gorda, se zangue, pois a gordura é uma ofensa a raça humana! Uma afronta a natureza! Uma...
— Chega! Vai com calma... E, além disso, eu só preciso perder, digo, emagrecer oito quilos...
— Isso é que você pen-sa! Pra que emagrecer oito quilos se, pelo mesmo preço, você pode emagrecer quinze? E em uma se-ma-na!
— Oras, porque quinze é quase o dobro do que eu preciso!

— Não seja tão modesta... Se oito quilos atrás você se sentia linda, imagine quinze! Permita-se ao menos imaginar...
— É, pensando bem... Uns dez, quem sabe...
Nós sabemos! Acredite: Quinze, é o número. Quinze é o ideal! Quinze, e em uma se-ma-na!

— Tá, mas e se eu quiser parar em oito? Como eu faço?
— Desligue este telefone, vista um suéter e corra! Cor-ra, feito uma gordinha suada e desesperada, atrás do último chocolate do planeta!
Nós não nos responsabilizamos pelo estrago que isso possa causar em você e nos transeuntes azarados que lhe encontrarem pelo caminho.

— Como assim? Se, por acaso, eu aceitar o... “Negócio” de vocês, eu não poderei parar no meio?

— Só se for no meio do zí-per! Hahaha. Se você quer realmente emagrecer, nós temos a solução! É pegar ou largar: quinze quilos em...
em uma semana, eu já sei! Mas se eu emagrecer tanto, o vestido do baile vai ficar até grande!

— A escolha é toda sua, pese na sua balança. O que é melhor:
O vestido grande em você ou você grande no vestido?
Ah, ah?
— Nossa, falando assim... Eu quero! Lógico que eu quero. Como eu começo? Quando? E quanto custa?

— Já está até falando magro! Nosso método é simples. Nosso preço, proporcional à oferta. Apenas quinze vezes o seu peso atual.
— O quê? Tá falando sério? Tudo isso?
— Nós falamos mui-to sério e fazemos em parcelas leves, você nem sentirá. Assim como a gordura, abandonando o seu corpo. E quando você começa? Assim que receber o fantástico kitchen machine em sua residência.

— Peraí, o seu comercial dizia “sem dietas”. O que “diabos” a maquininha tem a ver com isso?
O que diabos? Absolutamente tu-do! Para onde você pensa quem irão os quilos de gordura que sairão do seu corpo? Você não quer mais encontrá-los, ou quer?
— Não... Mas, para onde irão?

— Ora, ora: Para o fantástico kitchen machine! Basta seguir as receitas do sen-sa-ci-o-nal livro que o acompanha e distribuir a sua gordura, gradualmente durante apenas uma se-ma-na!

— O quê???

— E você ainda pode optar por um dos nossos dois programas disponíveis:
“Engordando quinze pessoas” ou “comendo, apenas uma”
Vale lembrar que este é um programa testado e a-pro-va-do!
Ouça agora o depoimento de pessoas reais que já emagreceram seguindo o nosso programa...

— Não, não, eu não quero ouvir nada, chega, para, chegaaaa...

...

Ao abrir os olhos, a primeira coisa que Tina viu foi o comercial do kitchen machine passando na televisão. Tateou a mesa de cabeceira em busca do telefone, mas encontrou primeiro o controle remoto. Desligou rápido a televisão e, localizando o telefone, discou o número ainda fresco em sua mente:

Boutique Finesse, em que posso ajudá-la?
— Eu gostaria de fazer uma troca. Vocês, por acaso, tem modelos tamanho 44?

quarta-feira, agosto 19, 2009

Poetrix - Casaco de Pele

quarta-feira, agosto 19, 2009 1





Ao abrir o casaco
De pele – viva – estava
Enfim: nua e crua





Imagem: Dave McKean

terça-feira, agosto 18, 2009

Hoje não sou eu - prosa

terça-feira, agosto 18, 2009 0








Imagem:
Sophie Griotto












Hoje não sou eu
Não moro neste corpo. Nem tente me chamar, pois não irei responder.
Hoje não estou pra ninguém.
Cansei de ser eu mesma, posso tentar ser outro alguém, por que não?
Uma nova “eu” em um mundo de ninguém, mas prefiro me ausentar, importa-se?
Acho que não...
Não quero ser a atriz deste espetáculo. Hoje sou espectador — assistirei de longe, quietinha — prometo não incomodar, não rir nem chorar.
Pensei em ficar invisível, mas ainda estaria aqui.
Quero férias de mim, e de você também! Não se magoe, não é pessoal.
Quero férias desta vida, destas pessoas. E por quê?
Você não entenderia e nem eu saberia explicar.
Só sei que de mãos atadas não se pode lutar. Não que eu tenha tentado...
Não me chame para dançar, pois esta musica é ruim.
Nem na outra, ou na outra...
Não me ofereça flores só para arrancar um sorriso em vão.
Hoje a alegria não veio. O sol nem nasceu.
Deixe-me dormir um pouco, ou quem sabe “um muito”.
Não peço que me deixe só, pois sozinha já estou.
Queria sair daqui, esvaziar a mente e flutuar, feito espírito sem corpo, livre deste “ser”, ausente dos meus pensamentos.
Amanhã é outro dia, poderemos conversar, falar bobagens, rir sem sentido, mas hoje, hoje não...
Hoje não ou eu.


*Nota: Revirando antigas gavetas, encontrei este texto - data de Agosto de 2004 - e o interessante (infelizmente): Coube muito bem neste hoje...
Penso eu que o tempo é cíclico. Sempre há um hoje semelhante ao ontem...
Espera-se por um melhor amanhã! Beijus - Ju

domingo, agosto 16, 2009

CRÔNICA - Esse tal de não sei

domingo, agosto 16, 2009 2
Imagem: Steve Adams
Sempre detestei esse tal de “não sei”. Coisa de quem não quer dizer, disfarçado num ar de mistério ou falta dele.

Mas afinal, o que é não saber?



Muitas coisas estão escondidas por trás de um não sei. Ele pode significa algo como:

— não quero expor minhas ideias
— não quero compartilhar o que eu penso ou sinto
— não confio o suficiente em você
— não me envolvo/não me importo
— você não está preparado para ouvir isso
— não posso dizer ou nem quero



Usar um “não sei” é, na maioria das vezes, negar algo bem sabido. Como uma máscara para as palavras, um escudo para os próprios sentimentos, um refúgio bem próximo. Um “Não perturbe!” na porta invisível que nos separa do restante do mundo.

Esse “não sei” confere ao interlocutor uma espécie de poder Nos meus pensamentos você não pode entrar ou demonstra insegurança, como o aluno que temendo a reposta errada, tasca logo Não sei.

Pode também representar uma gentileza, do namorado que prefere evitar a sinceridade diante de questões mais complexas, como: "Este vestido está bem? O que você acha desta cor de cabelo? Está gostoso?" Resposta: Não sei, não sei e não sei. Uma mentirinha saudável ou apenas auto-proteção?

Nota: “tanto faz” e “você é quem sabe” nada mais são que
variações do caso, ou seja: um “não sei” disfarçado.

A sinceridade (aliada a coragem de arcar com as consequências das palavras, quem dirá dos atos) é algo hoje tão raro quanto miss sem cirurgia plástica e a comparação é válida:
Todo mundo gostaria de ver, mas admira o efeito de um bom “embrulho”, pois sabe que a verdade “nua e crua” nem sempre é tão bela.

Pergunta: “Você esta feliz?” – Resposta: “Não sei”
Mas COMO alguém pode não saber se está feliz?
Também sempre me perguntei onde se come um “não sei”, que gosto ele tem, onde fica esse lugar e que “raios” de cor é essa?

Saiba, arrisque, erre, opine! Atitudes!
Não sei é o curinga do discurso mudo.

quinta-feira, agosto 13, 2009

No pulo do gato - poesia

quinta-feira, agosto 13, 2009 1



Eu vivo sempre no pulo do gato


Nesta ânsia que precede o não sei
Não há espaço para espera
Durmo em gavetas
De tempo latente
Ao espreitar o teu medo


Neste intervalo ofegante felino...


Nas sorrateiras reticências carrego
Escondida minha astúcia ladina
No meu olhar de âmbar
Eternizo o instante
Ronrono ao tocar da nuca


Eu vivo sempre no pulo do gato


Ilustração: Jairo Tx

Toma. Amor - poesia







Ao meu amor, Jairo
em seu aniversário








Toma
Amor
O líquido doce
Que transborda
Este cálice ornado

Toma
Amor
Lave os lábios sedentos
Leve aos olhos vendados
Ao conteúdo desconhecido

Toma
Amor
Gole a gole, gota a gota
Sacie a sede que só
Tua’alma sente

Toma
Amor
Até que escorra
Lentamente, até
Adentrar-se-fundir

Toma
Amor
Até o mesmo pulsar
Em tuas veias pálidas
Até que possa aplacar

A insaciável e lasciva fome
Que em silêncio e entrelinhas
Nos consome, em noite cálidas
Por mim, por ti, eternamente
Toma.Amor

quarta-feira, agosto 12, 2009

QUIMERA - Poesia

quarta-feira, agosto 12, 2009 2


Poesia é mais que letras em elo
De encadeamento arbitrário, ilusório cenário

Poesia é mais que meros signos adestrados

Mais que imagem, auditiva ou visual
Mais que um tom, de tinta ou som
Poesia é mais que relato ou autorretrato

Poesia é mais que ato ou reflexo
Mais que você ou eu. Poesia é e não é

Poesia é tudo (isso e aquilo) e além de.
— Ser poeta é ser Quimera

Imagem: Yoshitaka Amano

terça-feira, agosto 11, 2009

Meus ILUSTRES favoritos - Parte 3

terça-feira, agosto 11, 2009 1
SOPHIE GRIOTTO Site Oficial/Portfólio




* Dizem que essa ilustração poderia ser eu... Quanta lisonja!




O trabalho desta francesa é très chic!

Seus traços suaves e delicados retratam — ops, desenham — as mil facetas do universo feminino contemporâneo, desde a leveza da bailarina a correria da mulher moderna. Denota força versus fragilidade, sedução versus ingenuidade. Enfim, expressa como ninguém o “ser mulher”. Talvez por isso seu trabalho seja cada vez mais requisitado em editoriais de moda (da frança para o mundo — passando pelo P+2T).







STEVE ADAMS
- Site Oficial/Portfólio







Ilustrador canadense cujo trabalho de temática extremamente variada (corporativo, critico, irônico, infantil) é um dos melhor se encaixa com as minhas poesias – não que eu assim o queira, mas simplesmente, encaixa — motivo que o faz presença constante aqui no P+2T. Acho que, assim como o meu trabalho, o dele é não linear, pairando livremente por diferentes caminhos... Caótico? Nem tanto (essa sou eu, risos), pois mantém sempre a constância de estilo ímpar. Ah, e a irreverência (deve ser por isso que eu gosto tanto!)



YOSHITAKA AMANO
Site Oficial





“Inspiração é algo
que fica acumulado
em minha memória”





Ótima a definição deste o ilustrador japonês, nascido em 1952 na pequena cidade de Shizuoka. Fã confesso de Delacroix, Rembrandt e DaVinci, já aos 15 anos estagiava numa produtora de anime. Seu primeiro trabalho foi a série Gatchaman, também conhecida como G-Force ou Esquadrão Águia (o primeiro de muitos: Speed Racer, Hunch the Honney Bee, Time Bokan, etc). Ficou famoso com o Final Fantasy (do jogo ao filme) onde atuou até o sexto capitulo como responsável por todas as ilustrações e personagens.

Vampire Hunter D (anime, 1983) foi um dos primeiros filmes lançados fora do Japão (1985 - excelente!). Entre os HQs, ilustrou "Elektra and Wolverine: The Redeemer" e “Sandman: Dream Hunters” (Os Caçadores de Sonhos, 2000) resultando num impulso e tanto em sua carreira e um presente aos fãs*

*Especialmente aqueles que, como eu, admiram a cultura oriental, Sandamn/Gaiman e os traços de Amano – é um presente completo!

Seus desenhos parecem ter movimento trabalho primoroso, realmente impressionante! Também produz cenários, esculturas, cerâmica, vidro, quimonos, poesia e em 1998, atuou no filme New Rose Hotel como o personagem Hiroshi.

É a prova de que o artista vai muito além do papel...

Meus ILUSTRES favoritos - Parte 2

JAIRO TX – Portfólio/Galeria

Desenhista, sim — artista, jamais! É mais ou menos esse o discurso deste gaúcho, “prata da casa” (e põe "da casa" nisso, risos). Desenha em todo e qualquer papel que estiver à vista, preenchendo toda e qualquer gaveta — disponível ou não — com belos desenhos e felizes surpresas (não raro encontro verdadeiras relíquia). Personagens de aventura medieval são figuras comuns, mas nem de longe refletem o todo de seu trabalho.

Suas obras mais antigas, envolvendo papelão, chaves, arames e códigos de barras, agora ganham acabamento digital, mesclando o bom e velho desenho com a gama de texturas e efeitos infindos


Criatividade aliada (e não alienada) a modernidade
Independente das ferramentas utilizadas, o resultado final mantém o “que” peculiar que tanto lhe identifica e tão bem se adequa aos meus escritos.

Entre seus atuais projetos tem, comigo, uma HQ erótica em andamento (Ryan Le’Beau), faz ilustrações para um novo cenário de RPG, criado em parceria com outros artistas (ops, desculpa: autores), além de projetos que envolvem gatos.



LORDE LOBO – Site Oficial

Outra “prata de casa”, produto genuinamente nacional, gaúcho (de Rio Grande/RS), arte educador e jornalista ilustrador (cujo trabalho abrilhanta a maior parte das minhas crônicas). De 2001 a 2006, ao lado do quadrinhista Law Tissot, Lorde Lobo editou a revista independente de histórias quadrinhos Areia Hostil, que rendeu-lhe o título de Melhor Prozine de 2005, durante o 18º HQ Mix.

Entre seus diversos trabalhos, faço menção especial ao “Penitente”, mais uma produção independente — HQ adulta — que vem ganhando a merecida atenção da crítica e do público. Escrita por Lobo e desenhada por outros artistas nacionais, como o talentoso Rosenado Caetano.




MILO MANARA – Site Oficial

Nome artístico do italiano Maurilio Manara (nascido em 13 de Setembro de 1945) que é, sem dúvidas, um dos quadrinhistas mais importantes do mundo! (é também o nº1 da minha lista). Estudou arquitetura e pintura e se tornou mais conhecido pela vertente erótica da sua obra – motivo pelo qual não posso lhe fazer tão presente no P+2T quanto eu gostaria...

Estreou nas HQs em 1969 (sugestivo, não?) com Genius: um conto noir erótico e sombrio. E em sua primeira parceria (de muitas) com Hugo Pratt criou um de seus trabalhos mais aclamados: The Ape, para revista Heavy Metal no início dos anos 80.

Regada a humor, sensualidade e uma pitada de críticas políticas
— traços mantidos ao longo de todo o seu trabalho — The Ape reconta a história de Sun Wukong (deus-macaco da mitologia chinesa).

O que dizer do trabalho de Manara...
Suas mulheres voluptuosas, de quadris largos e semblantes angelicais encenam estórias repletas de fetichismo, humor sagaz e critica social. Suas linhas suaves e limpas contrastam com monstros e outros elementos sobrenaturais de pesados traços — Pesado e Profundo — boa descrição de seu trabalho, mesmo que não pareça a um primeiro olhar, perdido em luxúria, Manara é mestre em despertar o voyeur latente em cada um de nós e levantar não apenas saias e ânimos, mas também o “tapete social”, trazendo a tona o lixo envolto em belo embrulho, por isso — é difícil, sim, mas — leia com atenção!

Curiosidades: *Breakthrough (1990 - com Dave McKean, Neil Gaiman e outros).
**Também atuou com Gaiman em “Sandman: Endless Nights” (Noites sem Fim)
***Seus mais famosos trabalhos são Clic e Revolução, mas o meu favorito é
Rever as Estrelas: As Aventuras Urbanas de Giuseppe Bergman” da série
“The Adventures of Giuseppe Bergman (#2) To See the Stars: The Urban Adventures”

Meus ILUSTRES favoritos - Parte 1

Sendo esta a postagem de número 100 do P+2T (Yupi) decidi fazer algo especial:
— Uma homenagem aos meus ilustradores favoritos, cujos trabalhos tanto abrilhantam este Blog, dando outro significado ao tal “2 tantos” do seu nome.
E como entre eles há muitos cartunistas, falar de HQ fez-se um bem necessário (que sacrifício... risos).

Selecionei nove ilustradores, dos bons, e vou apresentá-los ao longo de três postagens, em ordem alfabética para não cometer injustiça. Espero que apreciem a surpresa. Enjoy! Caros leitores, com vocês, meus ILUSTR/ador/ES favoritos:



BROM - Site Oficial


“Quando não comendo
insetos
, está escrevendo
algo, pintando
e
tentando formar um
feliz coro
com os muitos
demônios que
dançam
sobre a sua cabeça”





O primeiro contato que tive com o seu trabalho, foi em livros de RPG. Só depois descobri que sua mão estava em diversos filmes, HQs e jogos que eu gostava (ex: World of Warcraft, Van Helsing). Além de desenhista, Brom se rendeu à escrita numa série de estórias (ilustradas, claro) cuja primeira, "o Plucker" (um estranho livro infantil para adultos), foi bastante aclamada e premiada com um Chesley. Dele eu não só admiro a expressão artística como também a verbal.
— E por essa razão deixarei que ele fale por si:

Perguntado sobre sua carreira: “(...) Creio sinceramente que nasci com esta angústia (...) não consigo me imaginar fazendo qualquer outra coisa — não que eu tivesse grande confiança nas minhas capacidades, só não havia mais nada que eu pudesse fazer...”

Quanto ao erotismo do seu trabalho: “Eu imagino que é isso o que anos do celibato involuntário façam com você. Hmmm (...)”

Conselho de Brom aos jovens artistas: “Principalmente tenha certeza de que você está construindo uma carreira em torno de algo que realmente ama, pois se você ama o que você faz, é muito mais fácil continuar fazendo, dia após dia, após dia, após dia, após dia...”
(e faço minhas as palavras dele) *The Paper Snarl interview - Gothic Fetishism









DAVE MCKEAN
- Site Oficial








Mais conhecido por seu trabalho com Gaiman, o inglês McKean, além de ótimo caricaturista (como demonstra em Cages) é colaborador da revista New Yorker, artista plástico, designer, ilustrador, pintor, fotógrafo, cineasta, e não bastasse tamanha arte, é ainda um reconhecido pianista de jazz, tendo fundado o selo Feral Records, junto ao saxofonista Iain Ballamy.

Ilustrou a HQ Arkhan Asylum (de Grant Morrison), mas foi junto a Gaiman que seu nome (e trabalho) ficou marcado. Amizade que data de

1986: Ano que marcou o universo das HQs

Com o surgimento dos quadrinhos adultos, entre eles Watchmen (de Alan Moore), O Cavaleiro das Trevas (Batman, de Frank Miller) e O Homem de Aço (Superman reformulado por John Byrne) eis que surge Violent Cases: selando o início da parceria McKean-Gaiman, na feliz tentativa de fugir dos padrões de da época.

Desde então o sucesso da dupla só vem crescendo — destaque para Black Orchid, Mr. Punch e as diversas (e mirabolantes) capas de The Sandman — chegando aos cinemas com Mirror Mask (Máscara da Ilusão). O último feito da “dupla dinâmica” foi uma coleção de seis selos sobre criaturas mitológicas.
E a melhor notícia: Fãs do mundo todo poderão adquiri-los!
Através do site do correio britânico, de onde serão vendidos em pacotes acompanhados de um conto de Gaiman!



DAVID MACK - Site Oficial
Junte um excelente desenhista com um maravilhoso trabalho em aquarela sob influência oriental e temos aqui um dos meus artistas favoritos.

Além de ilustrador, o norte-americano Dave Mack é designer de brinquedos e já trabalhou em publicações da Marvel como Alias e Demolidor (o qual também escreve). É também o criador, autor e artista da KABUKI publicada originalmente pela Image Comics e agora pela Marvel.

Seu trabalho incorpora desenho, pintura, escultura, fotografia, colagem digital e também pode ser visto ilustrando álbuns de músicos japoneses e outros, mundo a fora (como Paul McCartney). Confira sua versão de “Evolution” (sensacional)

quinta-feira, agosto 06, 2009

CONTO - A menina que não queria crescer

quinta-feira, agosto 06, 2009 0
Ilustração: Jairo Tx
*publicado também no e-zine SAMIZDAT


Aninha não queria crescer.

Estava decidida e firme nesta decisão, já não era de hoje. Todos que a conheciam, conheciam também seus planos, quase que simultaneamente. Aninha definitivamente não era uma menina silenciosa. Era aquilo que os adultos chamam de “tagarelas”— palavra divertida — pensava ela, sorrindo encantada cada vez que a ouvia. E a ouvia muito!

Sua mãe era, a seu ver, algum tipo de super-heroína. Daquelas que saem à noite para combater as forças do mal. E ultimamente as forças do mal já não respeitavam mais nada — não tinham hora para roubar-lhe a mãe: era noite, dia e até nos feriados — o telefone tocava e lá ia sua mãe, salvar o mundo outra vez.

Quantas vezes será que o mundo precisa ser salvo? — pensava Ana, ao ver a mãe correndo pra cá, correndo pra lá.

Por ironia ou sabedoria do destino, quem lhe fazia companhia na maior parte do tempo era a vovó: completamente surda! Não era sua avó de verdade, mas a julgar pela idade e algo no seu cheiro de biscoitos, certamente devia ser a avó de alguém — era sua “avó de aluguel”, mas tudo bem — Aninha não se importava em cuidar de vovozinhas:

— Melhor do que ter que ficar de olho na moça do telefone — “moça do telefone” era como chamava sua antiga babá — Eca, babás são para bebês! — Aninha queria ser criança para sempre, mas não um bebê — bebês fedem!

Havia vantagens e desvantagens na companhia da vovó surda.
Vantagem: ela nunca interrompia os devaneios de Aninha e ainda fazia ótimos biscoitos e coisas de lã.
Desvantagem:
ela não contava estórias e Aninha adorava estórias. Como solução, começou a contar estórias para si mesma. No início, lia livros em voz alta, embora não conhecesse todas as palavras, afinal, tinha seis anos e queria ficar com nove para sempre, não com seis:

— Com seis não se pode andar em quase nada no Parquinho, é um absurdo!

Para tudo ela tinha solução: quando não entendia a palavra, inventava uma nova ou um novo significado para aquele grupo de letras desconhecido. Às vezes, apenas lia os desenhos. Com o tempo, passou a inventar novas estórias e desenhar seus próprios livros. Chamavam-se: “As fantásticas estórias secretas de Aninha” — que de secretas só tinham o nome, pois ela contava para todo mundo.

Infelizmente, a vovó parecia não ouvir e a mamãe não prestava muita atenção. A professora não lhe deixava contar em aula e os amiguinhos só queriam fazer coisas de rua. Contava para as bonecas — seu público mais atento.
Aninha gostava de ser alegre, de suas sardas, suas maria-chiquinhas e de fazer desenhos coloridos, mas nem sempre tinha vontade de sorrir. Sabia que no mundo havia dois tipos de “gentes e coisas”: As “do bem” e as “do mal”. Ela não era uma menina medrosa, só não gostava dos “do mal”, afinal eram eles que davam tanto trabalho para sua mãe e, provavelmente, tinham sido eles que roubaram os ouvidos da vovó.

Precisava fazer alguma coisa a respeito. Algo que só uma criança poderia fazer para mudar o mundo e, definitivamente, não era crescer — disso tinha certeza — viu muito bem o que aconteceu a sua prima, Silvinha, quando resolveu crescer: Antes, era uma menina meiga e feliz, agora virou uma tal de “Silvia Maria” que não tem tempo para abraços e ainda anda com meninos! — Ah, adultos!

Existiam outras razões para que Aninha não quisesse crescer — razões secretas que ela só revelava em suas estórias — e como até hoje ninguém havia perguntado, ela não sabia explicar direito, só desenhar. Sentia uma coisa estranha no peito toda vez que pensava nisso, então, fazia um desenho e mostrava para a mãe. A mãe sempre dizia algo como “Que lindo, filha” e Aninha não entendia bem o porquê. Achava que a mãe tinha um estranho gosto para desenhos e saia resmungando: — Adultos não entendem “nadica de nada” mesmo.

A mãe respondia: — Olha a língua! — e ela até tentava obedecer, mas olhar a própria língua era uma tarefa difícil! Acabava guardando o papel junto aos outros desenhos secretos e se emburrando pelo resto do dia.

Até que um dia surgiu a ideia. Uma ideia brilhante! Outra delas, afinal, tinha muitas ideias brilhantes, mas esta parecia realmente especial:



— O que é que só uma criança pode fazer para mudar o mundo? Imaginar!

Precisava imaginar alguma coisa que combatesse as forças do mal. Assim, poderia deixar sua mãe em casa e trazer os ouvidos da vovó de volta. Se sua mãe ficasse em casa, poderia abraçá-la com bastante força e assim, nunca mais precisaria crescer! Se não crescesse, a mamãe não viraria uma vovó e a vovó não iria à parte alguma! Contariam estórias o dia todo e todos os dias. Comeriam biscoitos e seriam felizes para sempre...

...Até mesmo no dia dos pais, quando os coleguinhas entregavam os presentes feitos na escola, enquanto ela levava mais um daqueles “presentes idiotas” para casa, aumentando a coleção sobre a estante, à espera de um pai que nunca vinha...

Era isso: faria um pai imaginário! O mais perfeito dos pais, que combatesse as forças do mal e ainda ouvisse suas estórias. Melhor que isso: ele contaria novas e incríveis aventuras e nunca se esqueceria do seu próprio dia.

E assim Aninha começou o mais lindo desenho que alguém já havia criado. Um desenho feito de sonhos, esperanças e fantasia: um desenho mágico!


Levou uma eternidade terminando o tal desenho, escolhendo as cores certas, fazendo pássaros e flores ao redor e quando, enfim, terminou, correu para mostrar a todo mundo, começando pela mãe:


— O desenho secreto de Aninha.

Pena que naquele dia sua mãe demorou tanto para chegar, que ela acabou adormecendo no sofá a sua espera, agarrada ao desenho. Não viu a chegada da mãe, mas se visse, não entenderia a sua reação: Ao ver o desenho que a filha segurava, já amassado, junto ao peito, ela não disse “que lindo”. Não dessa vez.

Pegou-o, sentou-se e olhou cada detalhe com a atenção que nunca antes havia dado a nenhum dos inúmeros desenhos da filha — era mesmo um desenho especial — lágrimas rolaram enquanto seus olhos percorriam cada traço do “desenho secreto de Aninha”:

Ele trazia flores e pássaros e, como sempre, era muito colorido. Trazia também, no centro, três bonecas de mãos dadas: uma menina de sardas e maria-chiquinhas; uma maior, de pijamas, chinelos e longos cabelos soltos e uma menor, encurvada, de óculos, embora sem orelhas. Sob elas havia plaquinhas identificadoras dizendo, respectivamente: “aninha, mamãe e vovó” e sobre elas voava um homem de rosto borrado. Ele apresentava vastos bigodes e capa. Carregava um par de orelhas em uma das mãos tinha e um bolo de dinheiro na outra. Na capa estava escrito em letras grandes e coloridasmeu superpai”.
A mãe a abraçou forte, acordando-a e, naquele momento, Aninha soube:
“O desenho funciona!”

Sentiu-se muito feliz nos braços da mãe. Foi como se o tempo parasse.


Agora, ela nunca mais precisaria crescer...

segunda-feira, agosto 03, 2009

Poesia - Ao papel

segunda-feira, agosto 03, 2009 5
Hoje não escrevo a mim nem a ti
Escrevo apenas
Ao papel
Pois sua existência assim o pede

Sua alva superfície clama
E em triste vastidão reclama
Por letras, riscos
Ou traço qualquer
Retilíneo ao paralelismo linear
Arrisco meros rabiscos em versos
De folhas ou poemas talvez

Escrevo, pois assim o papel pede
E linha a linha me toma
E paginando a vida mede
Sobre mim, reflito
Sobre ti, palpito
Sobre o papel, escrito
Sua leitura é minha
Inspiração

Confesso
O eu-lírico não me é
E por vezes me atravessa
E não raro me impele
Só no papel sopro-lhe vida
E ao etéreo se eterniza
O sentimento que infere

Escrevo ao papel
Pois nele transcrevo a vida
E fora dele sou nada que a vida expele
No papel sou poeta que versa a própria pele

domingo, agosto 02, 2009

Amor civilizado - Prosa poética

domingo, agosto 02, 2009 4




Imagem: Steve Adams







E que assim seja
O matrimônio
Adquirido em papel
A eternidade consagrada
Num selar, anelar, assinar
E assim o nome muda
As pessoas (?) não
E o homem mudo
Fica... lá... sorrindo
E nos deixa levar
O dito pelo não dito
O lido pelo não lido
O medo pelo não sido
No silêncio um olhar
Trocado, unido
No mal entendido
Do bem escrito
No manuscrito
As palavras não tem calor
E os momentos, tem?
Não senti todo
O peso
Daqueles dois seres
Unidos em um
Compromisso eterno
De cinco minutos
Em um papel

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