[P+2T] Ebook Erótico #2: Download gratuito!

segunda-feira, agosto 30, 2010

Mosaico

segunda-feira, agosto 30, 2010 0
Assisto ao retorno distante
Daquele mesmo ele
Que nem sequer
Partiu
Não foi de fato
Mas lá estava ele
Guardado num instante
...
Ao longe
...
Oscilante e hostil
Onde (há)
A saudade
Feito um
Eco um
Seco um
Vazio
E nada
...
Mais
Além
Do
Mais
Além
De
Mim
E
 ...
[Assim]
...
 Com ele
Por perto
Sinto-me
Outra
Vez
Completa-
                                a- mente
Feito mosaico 


Integro-me-inteira-me-entrego
E quando resoluta estou
A beira do sentir
Dou sentidos
Ao partir
Enfim
Sou
nova-
       -mente
Inteira para
Repartir-me em partes
E ser só feito migalhas de mim
Que um leve sopro leva e atirati


___________________________________________________________________  
Nota - Aos mais conservadores ou menos providos de boa visão, segue abaixo, o mesmo poema [Mosaico], desconstruído:

"Assisto ao retorno distante daquele mesmo ele que nem sequer partiu.
Não foi, de fato, mas lá estava ele: guardado num instante, ao longe... Oscilante e hostil, onde só há/a saudade, feito um eco, um seco, um vazio e nada mais...
Além do mais, além de mim. E só assim, com ele por perto, sinto-me outra / vez completa(a)mente, feito mosaico: Integro-me-inteira-me-entrego.
E quando resoluta estou, a beira do sentir, dou sentidos ao partir.
Enfim, sou novamente inteira, para repartir-me em partes e ser só.
Feito migalhas de mim que um leve sopro leva e atira a ti."
___________________________________________________________________ 

sábado, agosto 28, 2010

Servindo Decepções

sábado, agosto 28, 2010 2
Publicada no Caderno Mulher Interativa/Jornal Agora
28-29/Agosto - Ilustração de Lorde Lobo
Bonito, simpático, loiro de olhos azuis... E além de tudo, o gringo cozinha como ninguém! Ai, ai... Quem é o bom partido? Jamie Oliver, o inglês que arranca suspiros em seus programas culinários (apresentados no Brasil pelo canal GNT). Não é a primeira vez que seu nome recheia as crônicas desta autora (ele é mesmo o moço dos aspargos, lembra? na crônica "Receita de sucesso...", publicada, no Mulher, em maio deste ano), mas desta vez o suspiro é outro! 

Ai, ai... Jamie... Algo não caiu bem.

No criativo programa sobre suinocultura que mesclou a culinária a pretensões educativas, o famoso chef errou a mão, acertando em cheio a prateleira de princípios dos tele-espectadores de bom gosto. Ao que tudo indica, em alguns lugares o bom senso é tempero caro, em outros, raro e no programa em questão, em falta! É a prova de que não basta ter em mãos uma boa receita, é preciso acertar a dose e nunca, jamais dispensar uma boa apresentação.

A ideia era boa: um programa de auditório, apresentando ao público - entre eles, criadores, consumidores e zootecnistas - todo o processo de produção suína, desde a criação das fêmeas prenhas, passando pelo nascimento dos porquinhos, manutenção em cativeiro, abate e formas de apresentação da carne no mercado - culminando na elaboração de algumas receitas, é claro. O propósito, ótimo: mostrar, à comunidade inglesa, as leis que haviam acabado de entrar em vigor, visando melhorar a qualidade e expectativa de vidas dos porcos criados para consumo. Até aí, tudo bem - questão de ética e informação - assiste quem tem interesse pelo assunto. Mas a execução... 

 Meu querido Jamie, que vergonha! Passou do ponto!

Num momento, havia no palco uma fêmea dando a luz, oprimida não apenas pelo cercado que lhe limitava todo e qualquer movimento, mas também pela plateia, câmeras e toda a parafernália televisiva. Pouco depois, um porquinho, ainda indefeso e totalmente desavisado, tinha suas pequenas e rosadas partes mutiladas, conforme manda o manual da criação. E no decorrer deste infame programa, porcas foram inseminadas por pessoas despreparadas, porcos foram... Como dizer... "sutilmente induzidos" a doar esperma para tal inseminação, também por mãos despreparadas, mas devidamente protegidas por luvas. E para completar o cardápio um telão elucidou a inteligência de outros porcos, criados como animais domésticos, vestindo roupas e tocando instrumentos musicais, numa vida que, apesar de desrespeitada, era de rei, se comparada aos seus colegas de programa. Ah, não esquecendo, é claro, o grand finale: o abate - "sem cortes", de edição.

Para fechar com chave de ouro, enquanto o último exemplar suíno terminava sua participação nesta existência, o apresentador ao seu lado anunciava alegremente qual seria o prato ensinado a seguir e executado, por ele, naquele mesmo palco onde, minutos antes, tudo havia começado... E tudo acompanhado atentamente por uma plateia cujo senso de diversão parecia um tanto distorcido, para não dizer, preocupante! Se havia alguma dúvida em relação a isso, a degustação da carne, recém temperada, oferecida a "horda bárbara", foi uma cena de revoltar não apenas a estômagos e não necessariamente vegetarianos


Não é preciso ser um desses para abominar o desrespeito ali servido.

Ai, ai... Jamie, que vergonha! Depois de uma decepção dessas, só me resta romper nossa tão antiga relação. E se me perdoa a falta de educação, deixo agora a tua mesa, assumindo o controle e levando comigo essa lembrança, tão amarga e ácida, que será gradualmente diluída enquanto troco de canal, sem voltar atrás! Sinto muito, mas...

...a mim, você não serve mais.

 

 

 

__________________________________________________________

ERRATA ►  Aos leitores do Mulher Interativa/Jornal Agora

 

Peço mil desculpas pelo engano que cometi na versão desta crônica que foi publicada no Mulher do último final de semana (dias 28-29/08) - conforme eu bem disse na primeira crônica em que o citei (maio deste ano), Jamie Oliver é um chef britânico, e não americano, como foi dito nesta. 

 

Espero com isto não ter eu lhes servido uma decepção ;) Beijinhos

 

Ju Blasina

sexta-feira, agosto 20, 2010

— Poesia Póstuma —

sexta-feira, agosto 20, 2010 2
Ilustração: Magnus Blomster

Poesia póstuma
Postula morte, retumba forte
Infecunda sorte que advém do além
Do mais, do adeus... Ateus

É preciso calar para ser ouvido

Poesia póstuma
O gosto nefasto pelo decrépito ser
Imerso em rimas moribundas, frias catacumbas
Subterrâneos subterfúgios


Para ter sido é preciso já não ser

Poesia póstuma
Exuma o sarcófago das memórias
Vestindo no poeta um lamento, um murmúrio
Fria mortalha tecida em larvas de versos e augúrios

É preciso morrer para ser lido

Quando o corpo dorme e a vida consome, enfim
As palavras ecoam dentre os vermes mórbidos
E os sábios ébrios de epitáfios vívidos em
Poesias póstumas




P.S.: Pondo em prática a decisão de dar valor apenas ao que me parece ter o mérito, posto aqui um poema que jazia gélido em uma pasta qualquer, por julgar ter sangue nobre e ser muito esnobe para ocupar este singelo blog, mas que agora clama humildemente, postulando a lida, enquanto nele ainda há vida. Merece? Ponderar tal resposta é algo que só cabe a ti, meu caro leitor. Obrigado!

sábado, agosto 14, 2010

Tormenta

sábado, agosto 14, 2010 0
Antes que o mesmo filme se ponha
Ilustração: Magnus Blomster

A rodar novamente

Sobre minha tela

Tento pintar

Novas cores e tons

Mas a mistura se faz

Cinza, feito nuvens em formação



Gotas anunciam: o inevitável

Não tarda a acontecer

Num momento, um tormento

O passado vai roubar-me

O presente a chover aqui dentro

A primeira vez...

Publicada no Caderno Mulher Interativa/Jornal Agora
14/Agosto - Ilustração de Lorde Lobo
...A gente nunca esquece, já diz o ditado. 
E embora a memória tenda a se tornar progressivamente menos confiável com o passar dos anos, as experiências que nos marcam assim o fazem de forma cada vez mais profunda – talvez numa espécie de artifício compensatório, onde aquilo que deveria ser inesquecível parece-nos então insuperável, por vezes insuportável! – parece-nos. Sorte não ser a memória a única coisa a se tornar falha – a visão, a audição, a digestão e muitas outras disfunções se somam a lista.

E alguém disse “sorte”? Cadê? Sorte de quem? Quem disse o que mesmo? Hein?

Se tais questionamentos ainda lhe parecem sem propósito, então a sorte antes mencionada é sua. Mas não vá se vangloriando à toa, pois muito antes do que se pode supor, as perguntas estranhas se tornam suas. E se já o são, querida leitora, seja bem-vinda a nossa hora do envelhecer.

Ah, o envelhecer... Consequência do ciclo biológico a ser assimilada gradualmente, com naturalidade e até mesmo com certa alegria, uma vez que só acomete àquilo que é dotado de vida, mas que ao atingir a nós, mulheres, é tomado como um golpe, uma punhalada desferida pelas costas e assim, na maioria das vezes, passa a ser encarado como a um terrível inimigo, o qual precisa ser combatido com todas as armas que estiverem ao alcance; um parasita a ser expurgado de nosso belo e ainda jovem corpinho hospedeiro.

Pode parecer exagero, mas o que se há de fazer? Quem começa a briga é sempre ele: o tempo! Uma vez que a pobre mulher, numa das zilhões de visitas diárias ao espelho, percebe os primeiros vestígios do ataque inimigo, não lhe resta alternativa senão munir-se para o contra-ataque: loções de clareamento para as mãos, joelhos, dentes e axilas, o primeiro antirrugas, a primeira tinta de cabelo comprada mais por necessidade que por vaidade, o primeiro creme antiflacidez a ser usado no rosto – sim, no rosto! Ah... São experiências como essas que fazem do primeiro sutiã uma memória tão singela! 

Quem não se lembra do primeiro amor? Do primeiro beijo? Talvez aquela que está muito ocupada assinando os papéis do primeiro divórcio, conhecendo a primeira namorada do primeiro filho ou dando o primeiro banho no primeiro neto. Toda primeira vez causa um frio na barriga, um nó na garganta e, em casos mais críticos, um aperto no peito. A diferença é que, quando já não se tem vinte anos há alguns anos, esses sintomas de “primeirice” acabam se confundindo com o efeito colateral de algum medicamento ou o sinal da sua carência. 

Outro dia, ao me flagrar inspecionando o rosto ao espelho, pensei:
para onde está indo aquela menina de cabelos louros e bochechas rosadas, que ainda outro dia costumava ser eu? Obedeça a sua mãe, menininha, não corra! Criança teimosa... Pra que a pressa? Volta aqui!” 

E depois, ri um bocado da minha ignorância – quanta besteira regada por um medo mais besta ainda!

Sábio mesmo foi o dito que recentemente ouvi, proferido por uma jovem senhora de noventa e muitos anos, num documentário sobre este mesmo assunto. Dizia ela:

“A gente não sente que está envelhecendo. É como se de uma hora para outra, o mundo passasse a te enxergar de outra forma (...), mas eu continuo a mesma! E embora o meu corpo já não me obedeça como antes, eu continuo aqui dentro

Depois dessa, senti-me recém engatinhando, arriscando os primeiros passos no caminho do envelhecer – um caminho que parece bem longo e tortuoso, cheio de recompensas e desafios, mas afinal, quem está com pressa?

terça-feira, agosto 10, 2010

Há de haver

terça-feira, agosto 10, 2010 1
Ilustração de Yoshitaka Amano

Coma-me
Enquanto a carne é vasta
E a espera, curta
Ande: rasgue, morda
Algum de nós há de tirar
Pequenas lascas
Algum de nós há de quebrar
Em diversas partes
Essa insossa casca
E se porventura lambes
A procura de sabor
Eu, na ânsia do sentir
Interpreto por carinho
Algum de nós há de partir
Ainda que meio sozinho
Aquilo que é inteiro sofrer
Algum de nós há de curar
O que é ferida a sangrar
O que é mordida a doer
Algum de nós há de aplacar
A fome da despedida
Algum de nós há de sair
Ileso desta disputa
Algum de nós há de fugir
Da morte certa
Da cova aberta
Da vida bruta

domingo, agosto 08, 2010

Outros Trabalhos [erotic]

domingo, agosto 08, 2010 0
Fotografia de Ju Blasina - Veja mais AQUI


(...) 
Quando o ofegar nos faz distantes
Prendo o ar por um instante – Só
Para te guardar em mim
(...)

- Trecho do poema "Vazia"






Leia este poema erótico na íntegra, clicando → AQUI

E por que não aqui? Porque no P+2T pretende se manter aberto a todos os públicos e, portanto, precisa servir as coisas mais... picantes, separadamente.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Degavarinho

quarta-feira, agosto 04, 2010 2
Fotografia de Ju Blasina [Fenestra]
"Não gosto de viver o hoje. Não só. Nem sê intensa, insana ou voraz. Não mais. Nada mais me satisfaz tanto quanto a felicidade vinda em doses homeopáticas - garfadas lentas e goles modestos. O hoje me sacia no conta-gotas. O que quero mais? Um pingo. De orvalho, de saliva, de momento. O que quero menos? Este tic-tac que o dia-a-dia leva. Quero é morrer aos poucos, sem impactos, nem solavancos. Quero em mim a preguiça que alonga as manhãs, quero a sombra do fim de tarde esgueirando-se entre os turnos, quero as estrelas perdidas no céu, feito reticências da aurora. E assim, vou-me bem "degavarinho"... E a vida rende... E o tempo cresce. Gosto mesmo é de sê aquela memória que nem a saudade esmorece."

P+2T: Especial Erótico! Baixe o seu.

Curtiu? Curte lá: P+2T no Facebook

Ou siga por email, inscrevendo o seu aqui:

 
◄Design by Pocket Distributed by Deluxe Templates
Blogger Templates