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sábado, maio 29, 2010

Formigas

sábado, maio 29, 2010 0
O que elas pensam?
Em seu silêncio arrogante
Com seus olhos de enfeite
Feito gota em corrente
Pingam esparsas
E seu caminho me cruza
Um quase olhar me atravessa
Tão cheias de nada parecem
Sigo as pernas marchantes
Que de prumo carecem








O que elas pesam?
Resposta irrelevante



O que elas pensam?
Pergunta inquietante









Besteira, presumo
E pouco a pouco, de tanto
Observar, aprendo
A arte da ignorância
Sem consideração
Recolho meu vidro
E sigo meu rumo
Mantenho delas distância
Mas guardo comigo num pote
Escondido - Entre terra
E um pouco de ânsia
Algumas pequenas formigas

Relíquias da minha infância

sábado, maio 22, 2010

Receita de sucesso: como um aspargo!

sábado, maio 22, 2010 1








Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora
Maio/10
Ilustra.: Lorde Lobo








Que morda a língua aquele que critica os programas de culinária! Especialmente a cozinha do fabuloso *Claude Troisgros, ou a do saboroso *Jamie Oliver que, além de muito apetecer ao paladar feminino, é um prato cheio de sabedoria!

E foi espiando a cozinha secreta do suculento Olivier que temperei minhas idéias para essa crônica! Não foi uma inspiração instantânea – até porque, nenhuma receita que se preze é feita em um minuto e um copo de água quente! As melhores receitas precisam de tempo, de descanso, de carinho e ponderação. E foi dessa forma que, juntando os ingredientes sugeridos pelo chef, preparei essa receita:
à base de estalos e aspargos!

Primeiro, os aspargos: O aspargo é um dos vegetais mais nutritivos que existe, mas é também um dos mais caros nos mercados, não devido a sua qualidade e sabor peculiar, mas sim, a dificuldade de produção – uma vez plantado, é preciso esperar durante os três primeiros anos para só então colhê-los sem arriscar a planta. Esse é o tempo necessário para que suas raízes formem uma rede capaz armazenar quantidades enormes de nutrientes e energia para então originar os brotos. E mesmo passado esse primeiro desafio, sua colheita será pequena... É muito trabalho para poucos e bons resultados!

Depois, um estalo, dos bons! Daqueles que iluminam nosso pensar em momentos de escuridão, e voilà – o sucesso é um aspargo: difícil de alcançar, gostoso de saborear, um privilégio de poucos, que não vem na cesta básica da vida! Você não o ganha, nem o colhe no quintal do vizinho; ou adquire, com um custo elevado, ou planta o seu próprio pé e, com muito carinho, cuidado e paciência, espera e observa, durante anos, enquanto eles crescem em seu quintal – real ou imaginário: todo mundo tem a quantidade de terra necessária para plantar o seu sucesso!

Assim como os aspargos, o sucesso é um plano a longo prazo: pode até ser alcançado rapidamente, mas demora muito tempo para se tornar permanente! É preciso fazer sacrifícios e muitas vezes enganar a fome com outras coisas, enquanto se assiste ao crescimento daquele pé recém-plantado. Embora o maior problema não seja a fome, mas sim a gula – a busca pelo prazer momentâneo que nos torna cegos para o futuro. A fome – de sucesso ou de aspargos – pode ser aplacada, já a gula, nos aplaca!

E, assim como os aspargos, o sucesso tem um momento exato para ser colhido! Não antes, pois mesmo que o resultado pareça ideal, é ouro de tolo; nem depois, pois se o apressado come cru, o atrasado come queimado, ou nem come, pois alguém já o fez em seu lugar! Na vida, assim como na culinária, é preciso ter bom senso, boa mão e constantemente seguir a intuição – seguir a receita à risca, pode até funcionar, mas não basta! Um pouco de ousadia pode ser o tempero que faltava para fazer de um prato simples, algo especial!

Então... Cultive com dedicação e colha com paciência! E, parafraseando a sabedoria estampada no rótulo de um belo vinho chileno que tive o prazer de degustar um dia desses:  

Compartilhe com aquele que lhe faz bem! 
 E bon apètit!

*Nota da autora: tanto o chef britânico Jamie Oliver, como o francês Claude Troisgros, apresentam programas na GNT.

quarta-feira, maio 12, 2010

Clic

quarta-feira, maio 12, 2010 1
Imagem: Valentina, do maravilhoso Guido Crepax.











*Clic*











"Ando.Fotograf.Ando
E vislumbrando a beleza latente
Espiono os segredos do universo
Feminino por meio da minha lente"





Psiu: Para conhecer o trabalho fotográfico desta escritora que vos fala,
Espie aqui >>> Valenina'Eye // 1/4 de Photos // Outros <<<

terça-feira, maio 11, 2010

Inteiro

terça-feira, maio 11, 2010 1




Isto, que agora dói aqui
   Não tem nome
Nem sequer razão de ser
   Se o tem, ignoro
Fingindo um não saber
   Pois quando rio
Gozo de todo o amor
   E quando choro
Sofro inteiro o doer

   Ante o meio termo
Prefiro a ausência do ser!



Imagem: Audrey Kawasaki

sábado, maio 08, 2010

A última canção - CONTO

sábado, maio 08, 2010 0
La Chanson Dernière

Deitada em sua cama ela brincava de adivinhar. Era um jogo simples, travado em seu lugar secreto, usado nos momentos de dor, de medo e de solidão, tendo como único adversário, o tempo. Esperava com isso dele ganhar um pequeno crédito em instantes ou memórias, por menor que fossem. Naquela altura da sua vida, isso era tudo o que importava!

Ouvindo a primeira música, Paris, foi levada ao momento em que vendeu seu tempo em troca de moedas que agora, já não tinham valor... Ah, se hoje lhe fizessem tal proposta ou essa multiplicada por dez, por mil, a resposta seria outra... Qual a serventia de todas as riquezas acumuladas, se já não havia tempo para desfrutá-las ou saúde para retornar à sua amada Paris? Definitivamente, aquela não fora uma troca justa! E balançando a cabeça negativamente, no ritmo da canção, ela criticava a estupidez de sua juventude.

Não, não seria naquela faixa... E tinha um bom presságio em relação à próxima; “se fosse La Vie En Rose...” mas não, era Rien Du Rien. Não era uma canção romântica, porém, ainda assim floresciam quentes lembranças sob as cobertas que lhe guardavam do frio. Havia amado tanto e por tantas vezes! Havia amado a tantos... E sido amada também, nem sempre com a mesma intensidade ou reciprocidade, mas o amor por si já fazia tudo ter valido a pena! Se havia algo para lamentar, era o silêncio que morava entre o fim de uma faixa e o início de outra.

Quase apostou na próxima, mas o tempo lhe deu outra vantagem – estava generoso ele hoje! O que viria a seguir? Padam... Padam... dizia a vitrola. Seria essa a última canção, a trilha sonora do seu adeus? Um adeus que ninguém poderia ouvir. Não se entristecia por isso; despedir-se-ia da vida e das pequenas marionetes que dançavam em suas memórias falhas e o faria com o maior sorriso que suas forças pudessem permitir!

Não temia a morte. Não mais... Depois de tantos anos de dor, já havia se habituado a sua proximidade gélida. Sentia o calor se dissipar do quarto a cada instante e isso era o prelúdio do fim. É claro que ainda restavam muitas dúvidas, mas nenhuma necessidade de saciá-las. Não seria deselegante ao ponto de reclamar ao vazio. Não temia o partir – partiria à francesa! – nem lamentava a solidão: dizia a si mesma que as pessoas são mais belas nas memórias, os momentos, mais coloridos, sejam eles de tristeza ou de alegria, e quando havia uma pequena falha, ela logo a preenchia com uma bela pincelada de fantasia!

Por isso, não, não temia o fim. Mas temia profundamente partir no entremeio de uma canção tão linda quanto Adieu Mon Coeur... Por isso, nessa rodada, passaria a vez...






























Nota da Autora: Esse conto foi escrito sob a súbita inspiração provocada pelo filme ""Piaf - Um Hino Ao Amor" (originalmente "La Môme", em inglês "La Vie En Rose"), lançado em 2007 sob a direção de Olivier Dahan. Todas as canções citadas no conto (títulos em itálico) foram interpretadas por Edith Piaf.

Às filhas da mãe - CRÔNICA








Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora
Maio/10
Ilustra.: Lorde Lobo








Alguém tem dúvidas de que maio é um mês dedicado às mulheres?
Mês das noivas, mês das mães. Logo, nada mais justo que dedicar-lhes mais uma crônica. Não apenas por estarmos no mês de maio, e eu escrevendo para um caderno chamado Mulher. Nem por ser eu uma, que já foi noiva e aspira ser – num futuro longínquo – também mãe, mas principalmente por acreditar que uma das principais incumbências de um cronista, não é apenas fotografar a realidade sob um olhar poético, mas sim, pegar aquele ângulo especial que, não fosse essa foto – em forma de texto – dificilmente seria notado.

Sendo assim, não falarei das noivas, dos anseios e receios que habitam as candidatas a maternidade, nem mesmo daquelas que já o são e fizeram disso uma razão, ou desculpa, para o restante de suas vidas. Poderia, mas não farei. Optei por dedicar esta crônica – redigida em primeira pessoa, com conhecimento de causa e momentos de rima – a algo que todas nós, mulheres, somos ou um dia fomos, muito antes de almejar os títulos de solteiras, casadas, noivas, divorciadas ou mães. Desde o instante em que fomos recebidas, recebemos a difícil tarefa de ser, com o perdão do trocadilho: 

as filhas da mãe!

Algumas filhas têm mães tradicionais, que impõe disciplina à moda antiga, outras, mães modernas, com quem dividem as roupas e as baladas, e há aquelas que elegem alguém especial com título mãe – o mais alto título que alguém pode receber! Quando dizemos “fulana é como uma mãe para mim”, estamos dizendo que a amamos com todo o coração, que contamos com ela para toda a vida e que sua opinião ou, em alguns casos, aprovação é extremamente relevante para nós! A opinião de uma mãe sobre sua filha pesa muito do que qualquer outra: pode representar o empurrão que faltava ou o balde d’água fria final.

Porém, independente do tipo de mãe que uma filha tenha, a relação estabelecida entre elas é quase sempre complexa: por vezes se mescla a amizade, repleta de cumplicidade, ciúme e confiança, noutras beira o ódio, no cabo-de-guerra entre a liberdade de uma e o protecionismo da outra, mas é, sobretudo uma relação de amor:

um amor passional e incondicional,
da forma que só uma mulher sabe sentir.

Vivemos ouvindo o quanto é difícil ser mãe, mas todas nós sabemos – mesmo que tenhamos esquecido – que ser filha, não fica atrás! Há muitas expectativas a satisfazer, planos a discutir e rumos a contrariar durante a curta estrada para a vida adulta. Há muitas lágrimas a rolar, outras a enxugar, muito orgulho a engolir e muita crista a baixar ao ouvir um sonoro e bem colocado “eu te avisei”. Há também muitas oportunidades para sorrir, abraçar, falar ou calar... O difícil é aprender a ponderar, a perceber, a se arrepender e se desculpar.

E a gente mal vê o tempo passar... É fácil se atrapalhar! Num dia somos a menina de maria-chiquinhas fazendo algazarra em torno da mãe, noutro, a adolescente birrenta brigando por espaço, dinheiro ou solidão, tecendo arrependimentos para nossas futuras memórias. E de repente lá está aquela mulher no espelho, muito mais parecida com a sua mãe do que gostaria de admitir. Sem tempo para visitas, sem paciência para sermões, sem perceber que, aos olhos da mãe – seja ela quem for, esteja ela onde estiver – será sempre aquela menina de maria-chiquinas...

Será que antes de sermos boas mães, precisamos aprender a
ser boas filhas?
Ou seria o contrário? Por via das dúvidas, podemos tentar ser boas pessoas, boas mulheres, e deixar que o tempo se encarregue de alastrar os reflexos dessa atitude a qualquer papel que venhamos a desempenhar!



Direto do meu baú de recordações!








Fotografia:
Um belo dia das mães, em uma Porto Alegre 
de muitos, muitos anos atrás...
Ilustrando uma pequena filha da mãe, 
muito feliz com a sua ;)

segunda-feira, maio 03, 2010

Os meus sapatos

segunda-feira, maio 03, 2010 1
Ilustração: Steve Adams
Caminho sobre princípios
Procurando neles um fim
Um algo que renove
Meus meios, meus anseios
Meus saltos já gastos

Calço meus princípios
Tais quais sapatos
Inadequados para o baile
Para o pé - terá este encolhido
Ou o sapato cresceu?

Carrego neles dúbios erros
Serão deles, serão meus?
Ah dúvidas... Cadarços sem laços
Que já não atilham, já não enfeitam
Só aceitam confundir os passos

E no compasso sigo em frente
Meu tortuoso caminho
Pisando sobre princípios
Que ora me levam, ora me atrasam
Mas que nunca me deixam descalço

E embora fúteis, dolorosos e inúteis
São tão meus
Os meus princípios
São só belos
Os teus sapatos


NOTA DA AUTORA: A ilustração acima, já foi usada neste blog (junto a um poetrix, se não me falha a memória), mas dessa vez casou tão bem, que não pude deixar de calça-la novamente ;)

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