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sexta-feira, outubro 30, 2009

Injustiça

sexta-feira, outubro 30, 2009 2








Acordando agora
Para a vida? Ainda não. Para o dia
Já quase ao fim. Injustiça seja feita:
Por que ele nunca acorda para mim?







Imagem: Audrey Kawasaki

sábado, outubro 24, 2009

Cisma ao misticismo - Crônica

sábado, outubro 24, 2009 1





Publicada no
Caderno Mulher

Jornal Agora Out/09


Ilustração: Lorde Lobo








Final de outubro, mês das bruxas. Numa crônica padrão eu exploraria a data em questão, falando sobre o halloween, a magia feminina, poções, feitiços e coisas do gênero. Começaria dizendo:
Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay! 
E talvez até gerasse uma boa crônica, não fosse por um detalhe: Eu não creio.

Bem que eu gostaria: Vejo a fé — em coisas abstratas, sejam elas quais forem — como um grilhão para a realidade; algo tão mais saudável, ou no mínimo confortável, que a constante dúvida que acompanha a minha natureza agnóstica.


Agnóstica é aquela pessoa que não afirma, nem nega a existência daquilo que não tem comprovação científica (como o místico ou sobrenatural). Em cima do muro? Talvez, mas respeitar a opinião alheia é um dever, discordar é um direito.

Que me perdoem Platão e Descartes a quem tanto admiro não apenas pelo legado que deixaram ao mundo, mas principalmente por mostrarem que pensando muito é possível encontrar algumas respostas sem enlouquecer primeiro (será? tomara!), mas desconfio que todo grande filósofo, cientista ou curioso, no fundo, no fundo, busca por algo que aplaque a imensa “fome do não sei” que traz consigo e que lhe traga sob dúvidas infindas.

Em meio ao meu próprio mar de dúvidas, decidi por deixar-me levar, mas de maneira organizada, como cartesiana assumida que sou! Pensei, pensei e como resultado de quem pensa demais andei em círculos, voltando ao ponto de origem: a razão do próprio pensar.

Ao menos foi assim que René Descartes (Penso, logo existo), dando continuidade ao pensamento de Aristóteles, acreditou ter provado a existência de Deus. Segundo ele, as dúvidas refletem a natureza imperfeita do homem na busca utópica pela perfeição. Conforme a relação de causa e efeito, as noções que se tem de incompleto, imperfeito e as próprias dúvidas, sugeririam necessariamente a existência de sua contraparte, ou seja: o completo, o perfeito, a origem das certezas — a que ele creditou ser Deus.

Os pensamentos seriam então fagulhas divinas que habitam em nós, ou em outras palavras, a alma. Assim sendo, pode-se dizer que uma maior ou menor compreensão de mundo equivale a um maior ou menor esclarecimento espiritual, o que não diz respeito à aparência, educação ou status social, é algo apenas sentido, pensado e, assim, sustentado. Dessa forma, não existe pessoa mais ou menos inteligente que outra. O que existe é um uso maior ou menor do imenso potencial igualmente presente em todos nós — e põe presente nisso!

Vivemos numa busca constante por respostas, independente daquilo que nos instigue. E onde encontrá-las? Pode haver métodos de procura, pontos de partida, mas não há uma fórmula que garanta a chegada: cada um encontrará as respostas que melhor o satisfaçam, no caminho que lhe parecer mais adequado. Alguns espiam os vizinhos, outros analisam seres diversos. Há quem prefira observar os astros ou ainda vislumbrar além!

Mas poucos são aqueles que atentam à
grandiosidade do microcosmo que representam.
Ele pode ser tão ou mais complexo e encantador que qualquer universo alheio.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Melancolia

sexta-feira, outubro 23, 2009 1
Se me encontrar por aí
Mande lembranças
Daquilo que um dia fui
De dias passados
Remotos
Relatos, retratos
Um fragmento qualquer
Ao vento perdido
Ao tempo vivido


Mande lembranças
Se me encontrar por aí
Mande-me um norte
Um foco, um locus, um sim
Qualquer coisa que preencha
O imenso vazio sem fim
Qualquer coisa que aqueça
Este intenso frio
Que mora em mim


Se me encontrar por aí
Um dia qualquer
Mande
Lembranças
Embaladas em sentimentos
Reais ou artificiais
Sua origem tanto faz
Pouco
Importa


Se me encontrar por aí
Mande lembranças
Pequenas notas
De roda-pé
De boas-vindas
Que entoem e ecoem
Que avancem e alcancem
Ao passado
Lugar distante
Que traga o presente a mim
Neste labirinto melancólico
Onde me perco
Em meio à falsas memórias
E anseio
Em silêncio encontrar
Um fim
Se me encontrar por aí
Mande lembranças


Imagem: Marion Herrman

quarta-feira, outubro 14, 2009

— Ao girar da roda —

quarta-feira, outubro 14, 2009 2











Ilustração de Dave McKean
(The Vertigo Tarot) 












Guardo-me em gavetas, em estórias, em intervalos
Inconstantes de memória. Guardo-me aos pedaços
Em retratos, em relatos, em pó

Viajo em nuvens que já não são as mesmas, mas remetem-nos
À tempos longínquos de esperança, à ingênua idade da infância
Aonde o tempo era uma só estrela — tão brilhante, tão distante

A singela utopia da aurora dos nossos dias, hoje presente
Oscilante nas lembranças vazias — o tempo é uma ameaça
Constante que nos congela em noites frias

Sussurro, ao silêncio, este meu saudoso pranto
Enquanto elevo o olhar aos céus, buscando nele
Estrelas: algo imutável nesta natureza efêmera

Sigo a dança do universo, aos tropeços — aos versos — arrisco
Um ritmo, esqueço os passos. Até deixar-me guiar, lentamente
Até perder-me no tempo, latente:

Ao girar da roda sinto-me o último grão, levado
Mesclado e mimetizado a estranhos semelhantes
Tornando-nos uno amontoado ao sopro do vento

terça-feira, outubro 13, 2009

Espreguiçar - Poetrix

terça-feira, outubro 13, 2009 4










Tempo ocioso
Já basta aquele
Que se perde dormindo











Imagem: Steve Adams

quarta-feira, outubro 07, 2009

DIALÉTICA - poesia

quarta-feira, outubro 07, 2009 0
Faces plásticas
Frases ecléticas
Vidas eróticas
Mortes poéticas

Imagem: Yoshitaka Amano
Vidas apáticas
Faces estéticas
Frases robóticas
Mortes assépticas


Vidas fanáticas
Mortes céticas
Frases caóticas
Faces patéticas


Frases enfáticas
Faces atléticas
Mortes exóticas
Vidas herméticas


Faces plácidas
Vidas eidéticas
Mortes retóricas
Frases dialéticas

sábado, outubro 03, 2009

A criança que mora em nós - Crônica

sábado, outubro 03, 2009 3








Crônica publicada no Caderno Mulher Interativa
Jornal Agora - Out/2009


Ilustração: Lorde Lobo









Existe uma norma social intrínseca ao amadurecimento, que age silenciosamente conforme adentramos a vida adulta. Uma norma que nos afasta abruptamente da criança que um dia fomos, mas ela não morre: fica latente em algum lugar de nossa mente (ou alma), esperando ansiosa para novamente brincar!

O cotidiano nos reprime, nos restringe e até mesmo nos proíbe a manutenção de determinados hábitos, simples e singelos, que ainda ontem participavam da nossa vida. Como por exemplo, passar uma tarde na cama, comendo pipoca e assistindo à sessão da tarde. Hábitos estes que, de uma hora para outra, tornam-se inadequados para a nossa “faixa etária” e os ousados indivíduos que teimam em mantê-los são tachados pejorativamente de infantis.

Não sei como algo infantil pode ser ruim, mas neste caso passa a ser, graças ao paradigma social (de tendência altamente preconceituosa) que torna infantil antônimo de adulto.
Vejamos o significado literal da palavra infantil:

“Que tem o caráter de criança: graça infantil. Pouco complicado, pueril, ingênuo”. 

Não sei quanto você, leitor, mas eu continuo sem entender como pode ser ruim manter vivo o lado infantil.

Novamente me vejo tentada a falar da “balança imaginária” — para tudo na vida é preciso acertar a dose, não passar do ponto. É sabido que a vida adulta nos exige uma série de compromissos e responsabilidade para as quais a maturidade se faz indispensável. Nestes momentos é bom deixar a “criança que mora em nos” tirar uma bela soneca, enquanto o adulto se descabela para dar conta de suas sérias incumbência.

Há quem diga que avô e avó servem para deseducar os netos, ou ainda que “é mais fácil ser avô do que pai”. Talvez realmente seja. Muitos pais seguem a linha de pensamento, um tanto ultrapassada, de que para educar é preciso manter um distanciamento hierárquico e autoritário em relação aos filhos e só ao se tornarem avós sentem-se livres da enorme responsabilidade do educar a moda antiga, permitindo-se até mesmo a peripécia de brincar!

Vale lembrar que na natureza é assim que os filhotes aprendem: brincando! Parece bem mais divertido, porém diversão e aprendizado podem até caminhar lado a lado, mas são coisas bem distintas. Até que a criança seja capaz desenvolver sua autonomia, cabe aos adultos estabelecer regras e valores. Com tamanha responsabilidade, torna-se ainda mais difícil àqueles que tem filhos manter ativo o seu próprio lado infantil.

Eu sou de uma geração que estuda cada vez mais, tem filhos cada vez menos, considera história em quadrinho parte importante da literatura e tem o videogame como parte integrante da mobília — mais um dos indispensáveis eletroeletrônicos domésticos.

Não há nada de errado em, nos momentos apropriados, cultivar a criança latente em cada um de nós. E muitos fazem isso sem sequer perceber: quando optam por assistir a um desenho, ao invés de um programa de cunho mais sério, quando realmente se divertem brincando com os filhos (seus ou de outros), quando se reúnem com amigos para uma boa partida de videogame, carteado ou um jogo de tabuleiro qualquer.

E tem coisa mais saudável do que isso?

É bem provável que tenha, sim, e muitas! Mas uma coisa não exclui a outra. A diversão faz parte de uma vida saudável e parte mais importante do que muitos supõem, contribuindo para a saúde mental e, consequentemente, física também, já que o nosso corpo trabalha em tipo de “sistema fordista”, onde cada órgão tem sua função específica e o mau andamento de uma etapa afeta outra — tudo está interligado!

Sendo assim, por que não destinar parte do seu tempo, por menor que seja, para a sua criança interior? Na pior das hipóteses você esquecerá os problemas, rirá um bocado e perceberá que ainda possui o encanto pueril, brilhando em algum lugar de seu olhar adulto.

E se lhe chamarem de infantil, convide-os para brincar! Pois, mesmo que não admita,          todo mundo tem saudades da criança que um dia foi...

quinta-feira, outubro 01, 2009

Agradeço aos presentes!

quinta-feira, outubro 01, 2009 1
Hoje (01 de outubro de 2009) *50 leitores no P+2T*




















Para muitos, pode parecer pouco, mas para mim é o suficiente
Para gerar tamanha alegria - Retratada em poesia!
A casa continua aberta (para o alto e avante)
Mas 50 é um marco que enaltece
Feito de pessoas que merecem
Os meus mais sinceros agradecimentos!


Obrigado
Ninguém é
A aqui estar
Presente

Como o que pincelo
Ora a pitadas
Ora a punhados
Embalados

Por metáforas e
Sentimentos
Endereçados a ti
Ofereço este poema

Presente
Como o hoje
És tu para mim e
Quiçá o amanhã

Traga-me!
Dia a dia
Mais e mais
Barcos para este cais

Agradeço
A cada ser
Aqui presente
Próximo e distante

Compartilhando
Este instante
A alegria se faz sentir
Transbordando

Em singelos
Versos
Só para a ti
Retribuir

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