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quarta-feira, março 31, 2010

Oqdz... 5

quarta-feira, março 31, 2010 1
Da Dormência
Na assembléia do corpo, os membros formigam. Ainda ontem, encontrei meu pé num pote de açúcar!


Da Falência
Declarado o fim, nenhuma pendência pesa sobre a pessoa, seja ela física, jurídica ou morta.


Da Clemência
Implorou para que não fizesse aquilo, daquele jeito, naquele lugar, mas Clemente era surdo seletivo.




*A série continua!
O nº4 encontra-se na categoria "Textos Eróticos: contos", no meu espaço no
Recanto da Escrita. Para ler, basta clicar:
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sábado, março 27, 2010

Uma crônica de páscoa

sábado, março 27, 2010 0
Coelhinho de Ostara, lebre da Páscoa ou 
 vice-versa:o que trazes pra mim?









Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora - Mar/10
Ilustração: Lorde Lobo









Nada como o sincretismo religioso!
Qual a probabilidade de alguém refletir sobre toda a gama de significados da páscoa e no porquê de seus símbolos, enquanto tem o mais popular deles derretendo lentamente em sua boca? É claro que me refiro ao chocolate, não ao coelho! Num momento como esse, quem é que repara em detalhes insignificantes como um coelho macho pondo ovos de chocolate? Afinal, qual é o problema?

Se a resposta que lhe veio a mente foi “todos”, parabéns! Já se você é daqueles que pensou “nenhum” ou “chocolate, onde?” já aviso que o jornal não é comestível — e que cosméticos com aroma de chocolate são enganosos e extremamente perigosos – eu garanto!

Pois bem, o que se comemora na páscoa? A ressurreição de Cristo, certo? Sim, mas não vamos nos restringir. A páscoa, como a origem da palavra sugere, comemora a passagem. Passagem de Cristo para a vida após a morte, passagem dos hebreus pelo mar vermelho sob a liderança de Moisés durante o êxodo do Egito, ou ainda, uma das mais antigas das celebrações, a passagem das estações no equinócio da primavera boreal (que no nosso lado do mundo acontece só em setembro), data esta que varia de um ano para o outro, daí o porquê da páscoa não ter uma data fixa.

A páscoa é comemorada no primeiro domingo de lua cheia que procede ao equinócio de março.

A chegada da primavera era tão comemorada por representar consequentemente o final do inverno. Ou seja, era o fim da fome, do frio e o prelúdio da bonança, de uma época de fertilidade e abundância, da esperança de uma nova vida — uma espécie de renascimento. Muitas culturas nórdicas ancestrais atribuíam tais bênçãos a deusa da primavera, a quem chamavam de Ostara ou Eostre (dependendo da origem). Seus símbolos eram lebres e ovos cozidos pintados com runas — ambos associados à fertilidade e renovação, respectivamente. A lebre de Ostara pode ser vista: basta olhar com um pouco de imaginação para as manchas que aparecem na face da lua cheia.

Mas e o Theobroma? É claro que o “alimento dos deuses” não poderia ficar de fora! Theobroma cacau, como foi batizado pelo nosso amigo botânico (zoólogo e médico) Linneu, ou só Theobroma, como chamavam os gregos, nada mais é que o cacau – sua bebida já foi considerada ao longo da história como afrodisíaca, hora sagrada, hora profana, aconselhada, proibida... Tudo graças as suas propriedades estimulantes, seu alto valor nutritivo e sabor peculiar. Hoje sabemos que ele traz muitos benefícios, desde que consumido com moderação (diz a chocólatra), além de ser um presente rico em significado! O chocolate, sob as mais variadas formas, é um símbolo de carinho, amor ou amizade, difundido em diversas culturas.

Mas o que o chocolate tem a ver com a páscoa? Hoje em dia, tudo! Devemos agradecer aos confeiteiros franceses por trocarmos ovos de chocolate embrulhados em papéis atraentes e não ovos cozidos enrolados em cascas de legumes, como faziam os antigos no início da primavera — hábito que, no século XVIII, foi oficialmente incorporado pela Igreja como símbolo da Páscoa.

E o que o coelho tem a ver com o chocolate? Bom, reza a lenda que tal associação se deu graças a uma confusão infantil: algumas crianças alemãs que procuravam seus ovos cozidos viram uma lebre passando próxima a eles e... Pronto: até hoje roedores trazem ovos! Lebres ou coelhos, de Páscoa ou de Ostara, desde que sejam de chocolate... Que diferença faz? Quem vai reclamar? Eu, não!


♪ Lebrinha de Ostara, o que trazes pra mim? ♫

quinta-feira, março 25, 2010

Déjà vu

quinta-feira, março 25, 2010 0
Imagem: Audrey Kawasaki

Já não sou o mesmo
Eu a cavar novos buracos
Ao enterrar
Tantas vezes o mesmo
Plano sob novas cores
Porém ainda o mesmo
Sonho ainda vivo
E a morte chega
Em sussurros noturnos
Abafados, sufocados
Em lágrimas secas
Em camas vazias
Em beijos frios
Em desejos proibidos
E esperanças mal traçadas
Em versos tortos e frases soltas
Que minha boca já não ousa
Acalentar. Sinto-me preso
Sentado numa cadeira vazia
A assistir o passar dos dias
Fazendo outro buraco
No fundo do meu peito
Procuro e espero até
Que a escuridão deixe
Minha fresta novamente
Vazia e só
Por ela espio
E te vejo
Sentado entre sombras
De ruínas e temores
Desfiando o tempo
A tecer-me
Um novo sonho

segunda-feira, março 22, 2010

Oqdz... 3

segunda-feira, março 22, 2010 0
Da Abstinência
Monge tibetano abstém-se da opressão deixando de ser.



Da Distância
Só entendeu o significado da lentidão dos apavorados, quando era tarde demais e longe de menos.



Da Inocência
Pediu para o papai-do-céu proteger o outro papai. Dias depois um acidente fez duas vítimas. O vizinho se recupera em casa, o papai, no céu.


*A série continua...

sábado, março 20, 2010

Oqdz... 2

sábado, março 20, 2010 0
Ilustração: Steve Adams
 ...Da Relevância
Depois do terceiro chifre, disse a si mesma:
— Não relevo mais!


...Da Latência
Eram quatro da manhã e um silêncio estranho enchia a casa. Quatro e dois ele latiu.


...Da Decadência
Achou um barato. E comeu.



*A série continua...

segunda-feira, março 15, 2010

Oqdz... 1

segunda-feira, março 15, 2010 1
...Da Aparência
Fez as mãos, os pés e o cabelo. Agora já podia pentear-se. E sair.



...Da Incoerência
Só se dizia nu quando de meias. E não as tirava nunca.



...Da Ausência
Foi ao espelho e nada encontrou.


*A série "O que dizer" continua...

Microcontos eróticos, da mesma série, podem ser lidos no Recanto das Letras

domingo, março 14, 2010

Exclusividade

domingo, março 14, 2010 2
Imagem: "Not the only one" by Audrey Kawasaki
O
Único
Desejo
Confesso
Do ser
Era ser
O
Único
Desejo
Alheio
E era
Único
O
Desejo
Vulgar
Do ser
De ser
Apenas
O
Desejo
Inverso
Reflexo
Disperso
Pois ser
O
Único
Nada é
Todos são
E nada
Faz seu
Desejo
O
Único

sábado, março 13, 2010

Apenas uma mulher - CRÔNICA

sábado, março 13, 2010 1






Publicada no Caderno
Mulher Interativa
Jornal Agora - Mar/10
Ilustração:
Lorde Lobo







Sentada numa cadeira simples de sua casa humilde, ela é apenas uma mulher tentando fazer o seu melhor, buscando dividir o tempo entre trabalho e família, entre contas e calendários, rezando por um melhor marido, lutando por um melhor emprego, sonhando com um melhor armário. Apenas uma mulher... Como se alguma mulher no mundo fosse “apenas” alguma coisa. Ela é mãe, é filha, é amante, é amiga, é irmã. Ela é mulher.

Mais tarde, deitada na cama que divide com as filhas, ela pensa no futuro. Não somente no seu, mas no futuro das mulheres que ainda não nasceram. No futuro de suas filhas e das filhas de suas filhas. Num futuro distante, bem distante da sua triste realidade.

Amanhã será um dia importante, um dia daqueles que exigem coragem, toda a coragem que puder reunir, e ela sabe onde encontrá-la. Com o sono roubado pela ansiedade, ela deixa a cama pé por pé, rumo as suas armas mais letais: esmaltes, batons e bobs — parecem objetos inofensivos, mas como mulher ela sabe reconhecer o poder que eles trazem.

Prepara-se para a guerra, se sente invencível e mal percebe o amanhã chegar antes do desenrolar do último cacho. Não há tempo para delongas, não há muito para o café, mas sempre há um último olhar em seu maior tesouro: as filhas, que dormem seguras na cama desconfortável. Pede a Deus que esteja com elas na sua ausência — o que, graças às tantas horas de trabalho, tem sido mais frequente do que gostaria de admitir. Se ao menos fosse melhor recompensada, poderia dar a elas uma cama melhor, uma vida melhor, um futuro melhor. Mas, por hora, tudo que pode lhes dar é um breve beijo de despedida.

Mas hoje, ah... Hoje tudo vai mudar! Manifestarão seu descontentamento com as deploráveis condições de trabalho, com o salário injusto, com a excessiva carga horária, com a proibição ao voto, com tantas coisas... Se ao menos uma delas for ouvida, serão vitoriosas! Em seus planos tudo parecia perfeito, mas a realidade é sempre imprevisível. Alguns chamam de destino, outros, de fatalidade, mas a mulher trancada naquela fábrica chamou de fracasso.

Ela verifica novamente as portas na esperança tola de que a força de vontade possa apontar-lhes uma saída, mas não... Para seu desespero, todas as portas parecem trancadas. Neste momento, ela sabe que é o fim do caminho, todas elas sabem e talvez muitas já antes soubessem, porém, ainda assim precisavam lutar, valia a pena tentar...

O que ela não sabe é que, junto com as cento e trinta outras mulheres que sucumbiram àquele incêndio, num fatídico oito de março, ela acabava de abrir a mais importante de todas as portas. Uma porta por onde os sonhos ousam atravessar. Uma porta, através da qual ela poderá passar milhares e milhares de vezes, em outro tempo, em outra vida, em outro corpo, na força e na liberdade que habita a alma de cada mulher.

quarta-feira, março 10, 2010

— Revelações —

quarta-feira, março 10, 2010 3

















Não sou aquele que apontas
Nunca disse que o era
Foi você quem presumiu
Resumindo-me assim
A um rosto, um rótulo
Um tanto roto, desfocado
E já tão inapropriado
Retrato mal feito
Daquilo que um dia fui

Ilusão é placebo da vida
Doce mentira que ingerimos
No conta a gotas do tempo
Mas ele... Ele nunca mente
O tempo, ardiloso e paciente
Em sua persistência silenciosa
De pinhole
Vai lentamente
Revelando-nos

Estenopeicos

Fotolitos vivos
Cujo final resulta em
Espanto - temo não mais
Reconhecer-me ao espelho
Reflito - o destino daquele eu
Das antigas fotografias
Lamento - que as de hoje
Já não façam mais as mesmas
Revelações

quarta-feira, março 03, 2010

Buscas

quarta-feira, março 03, 2010 1





Imagem: Steve Adams


Busco-me
Conter
Algo
A esconder
Algo
A temer
Algo
Concreto
Algo secreto
Algum sentido


E tu, em mim
Buscas
Singelas
Vezes esperas
Noutras, apelas
Até achar-te
Vencido
E só
Cansado, ferido e perdido
Serás enfim convencido


De que


Não me divirto com qualquer
Prazer
Nem me advirto por qualquer
Aviso
É teu castigo jamais perceber
Que sou só
Quando encontro contigo
Pois nada sou e nada tenho
A temer
A perder
E oferecer
A encontrar
Ou tentar
Esconder
Pois nada
Sou além deste pequeno
Mundo insano
Que guardo entre planos
Ao longo dos anos
Que trago no umbigo

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