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segunda-feira, fevereiro 28, 2011

(des)apego

segunda-feira, fevereiro 28, 2011 0

Audrey Kawasaki - Superstition


Não consigo abrir
mão de determinadas
coisas
(in)certas

por vezes
e vez
sinto-te
tão presente

receio
ter eu por ti
os sentimentos
certos

num tempo sempre
errado.

domingo, fevereiro 27, 2011

A sociedade dos poetas vivos

domingo, fevereiro 27, 2011 2


Ilustração de Alisson Affonso




[Publicada no caderno Mulher Interativa - Jornal Agora/RS - Fev/2011]





Escritores são como gremlings. Deixe-os ver TV pós-meia-noite e eles crescem – ou imaginam que sim – e se multiplicam. Ensandecidos por uma loucura controlada, crescem e encolhem-se, todos modelados, prensados sob a mesma influência, antes de vidro – hoje feitos de plasma – escrevem feito plastas, pensam feito poias. Um tédio!

São tantas as novidades mais velhas do que terra... tanto “eu já vi algo assim”, exceto que alguns são tão desprovidos de talento que nem a receita eles reproduzem direito. Pior que carecer de autenticidade é ser uma cópia ruim. Mas, sejamos justos, para cada geração fica mais difícil manter a forma – a massificação de renovadas ferramentas se torna cada vez mais eficiente em seu propósito.


E os aparelhos vendem cada vez mais. Sejam para assistir, ou ouvir, ou falar, ou até mesmo ler! E eu me pergunto – enquanto escrevo num bloquinho de papel – pra quê? Longe de mim ser moralista ou retrógrada. Entendo, e faço uso, da utilidade da tecnologia – os gadgets até que são bonitinhos, mas aprecio demais o tempo incerto que a vida oferece para desperdiça-lo com eles. E não me venha com aquele papo de “a tecnologia colabora com a velocidade da vida moderna”. Só se for para acelerá-la, no mau sentido. Com a internet, por exemplo, perde-se dez vezes mais tempo navegando à deriva do que aquele que se economiza no buraco-de-minhoca que o cyberespaço representa.























Grande parte do meu desperdício vem da leitura de baboseiras que poluem sites ditos literários. É tanta auto-publicação, tanta puxação de saco, tanta lenga-lenga pseudo-best-loaded que dá vontade de correr ao sebo mais próximo em busca do mais roído dos livros que um punhado de reais pode comprar.

Vez ou outra, recebo um email dizendo “Leia isso e me dê sua opinião” e, na maioria das vezes, tudo o que eu penso é “Cool, man! Cool!”. Alguém já disse, muito sabiamente, que os que de fato merecem alcançar o sucesso estão ocupados demais pra se ocupar com isso. Não creio que um desses atingiria mil downloads em uma semana, talvez nem em uma vida. Um pouco antes, alcançaria quando morto. Mas, agora, há um problema: morto não twitta – apesar de eu seguir uns dois ou três fakes do além. 

Mas não sejamos generalistas, extremistas, carrancudos. É claro que há, dentre os mais novos escritores da última semana, um ou outro de quem vale a pena devorar cada postagem. Infelizmente, a massa disforme que os rodeia dificulta a descoberta destes. Eu mesma sinto-me um tanto anestesiada, outro tanto fraudulenta, quando muito me deixo absorver, mas logo pego um livro da estante e dele tomo uma injeção daquilo que eu gostaria de chamar de realidade.



E me abstraio da panelinha dessa sociedade de poetas vivos que me afugenta para mergulhar e submergir até afogar-me por completo na confraria dos poetas mortos que me alimenta.

Por eles

Tão belo 
Tão triste
E civilizado
Demais
Os duelistas
Abraçam-se
Enquanto
O prêmio
Aguarda
Chorando
E sorrindo
Por eles.



Once Upon a Time in the West [com Charles Bronson]


segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Quase verdes

segunda-feira, fevereiro 21, 2011 4
By Audrey Kawasaki - Letting Go
Queria te ver
sorrindo
como antes
sempre fazias
enquanto eu
era ainda uma
pequena imagem
refletida
nos olhos teus


quase verdes
éramos nós
dois


ingênuos
julgando-nos
mutuamente
amadurecidos.
tão prepotentes
brincávamos
de amor, de um
"era uma vez"
para sempre


e não é
que
foi?

sábado, fevereiro 19, 2011

Alva

sábado, fevereiro 19, 2011 1
by Samantha Lee




Sinto agora
a minha

vida
tão em branco
e nova e limpa
quanto esta

casa
vazia

terça-feira, fevereiro 15, 2011

No.Ta [desenho e poema]

terça-feira, fevereiro 15, 2011 3
by Ju Blasina

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Silence

quarta-feira, fevereiro 09, 2011 0
Ilustração by Marguerite Sauvage





No
word
could say me
what are you
thinking about
right
now
(?)






[NOTA DA AUTORA/TRADUÇÃO LIVRE - Silêncio: Nenhuma palavra // poderia dizer-me // o que você está pensando // agora (?)]

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Limiar

segunda-feira, fevereiro 07, 2011 0

domingo, fevereiro 06, 2011

Um (vício chamado) Hank

domingo, fevereiro 06, 2011 3


Outro dia, girava a estante dos livros de bolso, numa livraria que sempre visito quando quero dar alguma utilidade às pequenas gavetas de tempo que esporadicamente se abrem ao meu redor, e, depois de escolher, a dedo, um presente de aniversário para uma amiga (livro, sempre que possível, afinal, nós, escritores, temos a obrigação de apoiar a categoria, e, além disso, gastos com literatura sempre me parecem o melhor destino que posso dar para qualquer punhado de dinheiro meu), eis que me deparei com ele: um Bukowski.


Ah, o famoso Charles Bukowski... 

Sempre quis conhecê-lo mais profundamente e aquele livro, de capa verde e nome pornográfico*, solitário e perdido, ao fundo de uma fileira de semelhantes tão desiguais – em cor, tamanho e conteúdo – mostrava-se deveras convidativo! Um verdadeiro achado, perfeito ao meu gosto – e orçamento apertado!

Pois bem, comprei-o. Agora, era meu, só meu, aquele velho safado! Faria com ele o que bem quisesse. E o desejo era imenso, era um só: devorá-lo! E foi o que o fiz, dando as primeiras “mordidas” já no caminho para casa. Nacos e nacos de Bukowski escorrendo para dentro do meu ser... Completando lacunas que eu nem sequer sabia ter. Daquele momento em diante, apossei-me do velho Hank (apelido, disponível só para os mais íntimos) com tamanha voracidade (e veracidade) que senti como se pertencêssemos a uma mesma estirpe de gente; não a de escritores consagrados (e mortos), claro que não – pretensões exacerbadas me tapam de nojo! Mas, sim, a de “gente”, no sentido mais real que o termo comporta:

Gente fodida que nada contra a maré, que vive atolada em dúvidas, em dívidas, e nada, e se afoga, e recupera o fôlego enquanto perde o juízo das mais variadas formas. Gente que se diz ateia, que se julga maluca, quando é, na verdade, a mais comum das “criaturas de meu deus”, e que se diz comum quando, à beira do precipício, deixa propositalmente deslizar entre os dedos o fio da sanidade. Gente que se contradiz, e se repete, repete, repete... Gente ranzinza, um tanto hipócrita e demagoga; escritores prepotentes (olha a redundância) que apontam sua “caneta-dedo” para a cara de todo mundo – incluindo a sua própria. Gente que bebe, que trepa e que, em ambos, comete excessos. Gentezinha bem à toa, essa nossa!

E em meio aos trocadilhos meus, sinto uma ponta de decepção que me chega sob a forma de uma recriminação imaginária vinda do velho Buk... “sorte a dela em ter belas pernas. O rabo, um espetáculo! Pena que faz versos com rima, a coitada”. Vez ou outra me pego a olhar as pernas: nada de extraordinárias, admito. Mas quando olho a cozinha, um alívio: uma beleza de bagunça! Sei que não o desaponto:

''Me mostrem um sujeito que mora sozinho e está sempre com a cozinha suja, que eu, em 5 entre 9 casos, provarei que o sujeito é fora de série.'' 
-Charles Bukowski, em 27.6.67,depois da 19°garrafa de cerveja.

''Me mostrem um sujeito que mora sozinho e está sempre com a cozinha limpa, que eu, em 8 entre 9 casos, provarei que o sujeito tem abomináveis qualidades espirituais.'' 
-Charles Bukowski, em 27.6.67, depois da 20°garrafa de cerveja.

[do conto “Sensível demais”]

“É... Hank, na certa, ficaria comigo satisfeito!” – pensa ela, em 3ª pessoa, ainda por cima... Sinal da pseudoloucura eminente. Ri, apesar de tudo, escreve, apesar da rima. E segue feliz, a coitada do Hank, nutrindo o seu vício, tecendo a sua sina.


______________________________________________________________
*NOTA: O livro – de capa verde e nome pornográfico – que iniciou a autora desta crônica ao vício chamado Hank [Bukowski], chama-se “Fabulário geral do delírio cotidiano: ereções, ejaculações e exibicionismos – Parte II” (Coleção L&PM Pocket).

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Aqueles olhos dela - Conto

sexta-feira, fevereiro 04, 2011 0
Eles seguiam num metrô, lado a lado, rumo a qualquer lugar. Sem bagagens, levavam consigo coisa nenhuma além de um ao outro.

Ela o olhava, sem perder a mínima fração de tempo num piscar qualquer. Tentava, assim, aprisionar duas pequenas miniaturas dele dentro de si. Ele as viu, e repetiu o mesmo meio sorriso que ela trazia no rosto - juntos tinham um sorriso inteiro.

Estava preso naquelas pupilas, pensou ele, e perguntou o que ela tanto olhava.

– Você. - foi a resposta.
– E o que você pensa enquanto me olha assim?
– Num mundo! - disse ela, com aquele sorriso, mais belo que torto, mais torto que o dele. Sabia também sorrir com os olhos e guardava neles muitos segredos. Havia toda uma linguagem particular nos olhos dela, de pálpebras semi-cerradas a arregalares curiosos. Não cansava de surpreendê-lo.

Ele se aproximou. O rosto, muito próximo ao dela. Respiravam um mesmo ar – agora, quente e úmido. Uma boca ansiava pela outra, mas ele resistia bravamente. Precisava ter certeza. Olhou com atenção...

...Realmente, havia um mundo por trás daqueles olhos dela.

"Olhos Teus" By Jairo Tx

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Escalenos

quarta-feira, fevereiro 02, 2011 3
By Wassily Kandinsky
Juntos somos um
quadrado de 3
pontas

que já não tem
a mesma
forma

que já nem mais
quadrado
o é

porém
não rola por não
saber como ser circular

Não segue, não
sai do mesmo
lugar

onde estamos
somos nós
arestas

vértices num
mesmo
plano

Eu, não 
meço mais 
área alguma

por
temer a
ver crescer

Compomos juntos
uma mesma
forma

Tri.angulamos
então: eu
tu e ele


nós
vocês e eu
tu e eu/eu e ele

cada um
no seu
eixo

Ora equiláteros ora
isósceles, mas
por

natureza
escale-
-nos.

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