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terça-feira, setembro 29, 2009

Errante - Poetrix

terça-feira, setembro 29, 2009 2







Leve como
O sopro do vento sou
Folha solta









Imagem: David Mack

sábado, setembro 26, 2009

Essencial - Poetrix

sábado, setembro 26, 2009 0








A beleza real é
Invisível aos olhos
Nus — Não se pode tocar!









Imagem: Audrey Kawasaki

Arquipélago digital


Neste tão imenso mar
De informações
Sinto-me tão pequena
Ilha — Cercada
Por todos os lados
Por todas as coisas
Por tantas pessoas
Invisíveis, isoladas
Somos tantas e tão sós
Virtualmente semelhantes
Já não passamos de
Pequenos bytes
Ora barco à deriva
Ora pequena ilha
Flutuando — Conectadas
Ao arquipélago digital

sexta-feira, setembro 25, 2009

Orientação - Poesia

sexta-feira, setembro 25, 2009 3
Imagem: Steve Adams
É preciso girar direito
Para
Que as trancas se abram
Para
Que os lacres se rompam
Para
Que se produza um efeito
É preciso girar
Direito
Para tudo
Existe um sentido
Dispensa a força
Empenha jeito
Para
Que o movimento transcorra
Segue
A orientação
Teimosia gera apenas
A estagnação
Para
Um resultado perfeito
Segue
A lei de causa e efeito
É preciso manter
O sentido
É preciso girar
Direito

terça-feira, setembro 22, 2009

Despindo - Poetrix

terça-feira, setembro 22, 2009 2







 A culpa é um casaco  
Guardado em dias quentes 
Pesado em noites frias



 




Imagem: Yoshitaka Amano

sábado, setembro 19, 2009

Reencontro - Poesia

sábado, setembro 19, 2009 4









Este poema participa do romance
“Layla & Tommy”
ainda em construção.
Imagem de
Federica RedSigns












Corro a noite para te encontrar
Uma urgência me atropela
Aquela que só
Os amantes sentem 

No peito latejante e pendente

Guardo a dor em bala
Relicário tão mortal
Quanto a vida que
Há tanto gozamos juntos
 
Corro à noite para te encontrar

Rompendo as amarras
De tempo e distância
Corro em vão — Já se faz tarde
A tua partida adiantada  

Ao nosso último reencontro

Já não és o mesmo: Frio
E desencontrado de vida
Te vejo, te beijo e sinto
O pesar de tudo o que perdi  

Lágrimas teimam em cair

Um rio corre em meu colo farto
De uma saudade — Eterna ferida
Se ao menos sangrasse
A foz teria — Vida   

Rio que nos une e aparta

Por maior que seja o desejo
Meu toque já não te alcança
Meu calor já não te aquece
Meus gritos sequer te acordam  

Mas, meu amor, nunca te esquece

Mesmo envolto em negro manto
Mesmo em vulto e sepulcro o pranto
Guardai contigo o que era vivo
Em mim te acompanha  

Nesta solidão tamanha

O pouco que ainda me impele
É a certeza de que morro dia-a-dia
Para, quiçá, partir em breve
E te reencontrar — Como eu queria!

sexta-feira, setembro 18, 2009

Atenção: Estamos em obras! CRÔNICA

sexta-feira, setembro 18, 2009 0






*Publicada no Caderno Mulher Interativa
Jornal Agora - Setembro/09

*Ilustração Lorde Lobo










V
ocê acorda cedo num belo dia de folga. É um daqueles dias raros em que dormir é o seu único e maravilhoso plano. Porém, você é abruptamente arrancado do mundo de Morpheus* graças a um incessante, estridente e extremamente irritante cantar de serrotes, martelos, furadeiras ou a combinação, nada harmônica, dos mesmos na grande sinfonia da obra mais próxima.

O que poderia ser pior?

A proximidade da tal obra é maior do que você supunha ou gostaria de admitir: ela está acontecendo neste exato momento, dentro da sua casa, dentro de você!

Cuidado: A simples menção pode remeter-lhe a uma enorme dor de cabeça!

Bagunça, sujeira e barulho, muito barulho — é disso que toda e qualquer reforma é feita. Seja ela na sua rua, casa, carro, na sua língua (“bendita” reforma ortográfica!) ou mesmo no seu corpo — raros são aqueles que julgam desnecessária uma pequena correção nos dentes, nos “pneus” ou apenas superficial. Seja qual for o método, alvo ou resultado, uma coisa é certa:

— Reformas são sempre estressantes!

E então por que estamos sempre as buscando?
Buscamos reformas por acreditarmos que elas trarão melhorias — necessárias, funcionais ou meramente estéticas. Buscamos reformas porque cansamos da “mesmice” das coisas. Porque, em um dado momento, o estagnar se mostra ainda mais estressante que a reforma em si. Porque mudar faz parte da nossa natureza!

O universo, o mundo, a sociedade, o indivíduo, as células... Tudo está, em maior ou menor grau, sofrendo constantes transformações. Com um pouco de silêncio e atenção você pode até ouvir: É a constante roda (kármica ou temporal) a girar.

Cada dia é novo, único, diferente daquele que passou e daquele que está por vir. Cada instante nos abre uma gama de possibilidades. Cada interação — ecológica, social, literária ou intelectual — transforma irreversivelmente todas as partes envolvidas.

Eu já não serei a mesma ao término desta crônica, da mesma forma que você não será o mesmo (leitor) ao concluir sua leitura.

As pequenas e grandes mudanças que sofremos ao longo dos anos e operamos ao longo do caminho, participam do maior de todos os ciclos que é a vida. Um ciclo no qual todos nós giramos em torno de um mesmo eixo. Um eixo invisível, intrigante e, principalmente, instigante!

Estamos eterna e ininterruptamente em obras. Algumas são mais barulhentas, outras silenciosas, mas todas partilham de um mesmo objetivo: Melhor atendermos — seja aos outros ou a nós mesmo.
Então: Mãos à obra!


*MORPHEUS: Deus dos sonhos na mitologia grega; filho de HYPNOS, o deus do sono; significa "aquele que forma, que molda".

segunda-feira, setembro 14, 2009

Ass. Yin. Natura - Acróstico

segunda-feira, setembro 14, 2009 2



































Acróstico concretista em comemoração ao meu aniversário!

Poesia & Arte: Ju Blasina
Fotografia: Lu Mattos

Blavino 19 - Viver



Viver


Morrer — Vi
Ver — Morrer

Um breve intervalo
Passageiro do pensar
É o que nos resta — Insistir

Esperar (até) o fim de tudo, o quê (?)

Carrego em mim — grilhões
De ilusão trazem-me à
Realidade perdida a

Cada instante tão
Distante do

Viver



Imagem: Audrey Kawasaki

domingo, setembro 13, 2009

Blavino 18 - Labirinto

domingo, setembro 13, 2009 2
land's end labyrinth - (san francisco)




















Errei

Por tantos
Anos, portanto

O tempo perdi em
Vão. Na busca por um
Lugar — Errôneo — Vaguei

No labirinto intrincado do viver

Deixei-me levar a esmo feito
Plâncton na correnteza
De dúvidas frias. Fui

Errante até achar
-me bem

Aqui

sexta-feira, setembro 11, 2009

DeLíRiUs VirTuAiS - Conto

sexta-feira, setembro 11, 2009 1






*Publicado na SAMIZDAT
Especial Mistério & Suspense





Noite abafada.
Em algum lugar, longe e perto, há um temporal latente: Luz e som sinalizam o confronto de nuvens opostas.
A sala vazia espera em branco. Dedos se movem inquietos — receosos, ansiosos — indecisos. O brilho da tela ilumina a peça.

“Ele deve estar lá, em algum lugar”, pensa ela, sem necessitar palavras. Há muito, dispensou as trocas sociais; opiniões alheias nada lhe dizem que não lhe esmaguem e olhares estranhos só lhe invadem e recriminam. Protegida do mundo em seu lugar seguro — A fantástica interface virtual — a máscara lhe permite pseudocontatos ilimitados; verdade tão contraditória quanto sua existência.

O celular desperta: É chegada a hora! Os dedos, velozes, dançam às cegas nas teclas:
Nick, senha, clique, espera.

Blondie 34 entra na sala: — Oi, alguém aí?

A sala permanece vazia, exceto por ela. Sente-se sozinha, pensa em partir — a demora lhe ofende! — quando, enfim, ele surge.

Jack entra na sala: — Oi, minha loira, tava só te esperando.

— Ué, saiu da onde? Eu não te vi...

— É que eu tava invisível, risos

— Hm, tem poderes especiais, é?

— Tenho... E nem sabes quantos! (risos) Tava só te esperando. Hoje não tô pra mais ninguém!

— Hm... Só pra mim, é?

— Claro, minha linda, só pra ti, sempre! E então, pensou naquela proposta? Não vejo a hora de te encontrar!

... (silêncio)

— O que foi, loirinha? Ainda com medo?

— Pra falar a verdade, bastante! E ansiedade também.

— Bom, já podes te acalmar: Fiz nossas reservas, para amanhã!

— Como assim... Já?

— Sim, já! A nossa tão esperada noite será “Amanhã ou nunca”, porque daqui a dois dias ela volta, é aí... Sabe-se lá...

— É... Fazer o quê, né?

— Hmmm “Quanta empolgação!”

— Desculpa, não foi a intenção :*

— Sei, sei...

— Eu só fico... Receosa, só isso. E tenho motivos, afinal, ela ainda é a tua mulher, isso é errado!

— Certo ou errado, que diferença faz? Poxa, loirinha, é a nossa oportunidade! Eu já disse que tô louquinho por ti...

— Eu sei, mas isso me incomoda.

— Te incomoda o suficiente para desistir da nossa noite? Parece que já nem queres...

— Quero sim! Cla-ro que eu quero... Quero muito!

— Ah é? Sua safada... Então me diz: o que é que vais vestir pra mim, hein?

— Hm... Pouca coisa. Kkkkk

—Ah... Loirinha, como tu és gostosa!
...

— Loirinha?
...

— Oh Loirinha, cadê tu?
...

— Só um pouquinho. Eu já volto!

— Ué, o que houve?
...

— Voltei! Ouvi um barulho aqui dentro, mas não era nada demais. Continua...

— Ah, agora eu me perdi. Fala tu...
...

— Loirinha? Oh gata, sumiu de novo?
...

— Voltei! Sentiu saudades?

— Sempre... Por que demorou tanto?

— É que aquela vaca resistiu um bocado!

— Vaca? Que vaca?

— Ah, isso sem contar que chegar até aqui foi cansativo... Eu estava longe pra caramba! Sentiu saudades?

— Como assim? Do que tu tá falando??? Não tô entendendo nada!

— Anda logo, querido, RESPONDE!

— Eu... Preciso ir agora.

— Não, não precisa NÃO! Nem ouse me deixar falando sozinha! Sabia que a vaca loira tinha um laptop? Pois, não é que tinha! E sabia que ela era BEM pesada? Garanto que disso tu não sabias. Sinceramente, eu esperava mais dela... E DE TI TB!!!

— Eu não sei o que tá acontecendo contigo... Nem tô te reconhecendo.

— Querido... Que coisa feia! Depois de todos esses anos...

...
— Querido? Ah, que bobinho, tentando ligar pra quem? Pra polícia? Ops* Acabo de esbarrar num fio. Talvez seja o do telefone... Ah... Que desastrada! Não é que derrubei o teu celular da janela? Desculpa... Ha Ha Ha

— Querida, por favor, me diz onde tu estás?

— Ah... Ora, ora. Tô em casa, querido, AONDE MAIS eu deveria estar?

— Que piadinha de mau gosto é essa? Eu nunca tive esposa alguma!!!

— Ah, não? Bem, agora tens! Não é maravilhoso?
...

— QUE MERDA É ESSA? Por que eu não consigo desconectar?

— Por que eu não quero... Porque tu não queres... Porque nós não queremos!

Angry wife entra na sala

Angry wife & Blondie 34 são agora a mesma pessoa

— Mas... Que... LOUCURA é essa?

— Ah... A mesma de sempre, querido! Kkkkkkk

— Isso não faz o menor sentido! Eu não sei que tipo de truque é esse, mas não tem graça!

— Ah não tem graça? Nem percebi... Anda logo, Jack, te junta a nós! Acho que tu és a nossa parte mais teimosa, aquela que ainda acredita na vida real: Bobagem! A realidade é só mais uma sala e nem de longe é a mais divertida. Nós já não precisamos disso. A vida é insignificante diante da grandeza de padrões que podemos representar. A gente não precisa mais fingir... Basta um clique, um último clique e nós seremos um só, para sempre! O despertar é mais simples do que parece. Vem logo, vem...
...

Jack deixou a sala

Angry wife & Blondie 34 deixaram a sala...

Jack, Angry wife & Blondie 34 são agora a mesma pessoa

...

Em algum lugar, longe e perto, a chuva cai em milhares de gotas. Gotas que individualmente pouco representam, mas juntas formam um temporal.

É uma chuva diferente das outras tantas. É a última chuva.
A água invade a sala, molhando a tela.

Na sala em branco, a chuva é vermelha.

Um único corpo jaz, inerte, sobre o teclado gasto. Um corpo sem nome, sem face, exposto às intempéries — a identidade foi há muito perdida. Ninguém sentirá sua falta. Ninguém lhe reconhece, pois sequer lhe conheciam. Um corpo qualquer, irrelevante, despersonalizado deste lado da interface.

E a sala, novamente vazia, só espera...

quarta-feira, setembro 09, 2009

A DANÇA RUBRA DE LUNNA — PRÓLOGO

quarta-feira, setembro 09, 2009 0
*Publicada na e-zine Brumas Negras


— NOTAS PARA O ESQUECIMENTO —








“Esta é a história da minha vida
e pós-vida.
Por que a estou escrevendo?
Não sei ao certo...
Talvez, ao final, um de nós descubra”


LUNNA




Imagem: Jairo Tx


EU ERA APENAS UMA CRIANÇA quando descobri que a vida seria difícil. Éramos uma pequena tribo errante: meus pais, avós e eu. Cresci ouvindo meu avô contar o episódio do meu nascimento:

Dizia ele que o mal e o bem, existentes em toda criatura, vieram divididos em duas partes, duas meninas e que, conforme mandava a tradição, a face do mal foi identificada e dada em sacrifício ao Sol, garantindo a mim uma vida feliz e próspera...

Se essa é ou não a verdade, eu nunca soube, mas passadas tantas décadas, desisti de esperar por tal recompensa. Lembro de espiar minha mãe chorando escondida enquanto segurava uma pequena mecha de cabelo. Talvez minha irmã tenha morrido em outras circunstâncias e meu avô, como grande contador de estórias que era, transformou o incidente nesta parábola, apenas uma das tantas parábolas que eu nunca entendi. Lamento que seus ensinamentos tenham se dispersado no fragmentar de minhas memórias. Guardo apenas uma frase clara, algo que ele me dizia com frequencia:

”Wenona, não ouça apenas o que as palavras dizem, ouça o silêncio,
procure o sussurro perdido no vento”.

Wenona não era exatamente um nome — eu era muito pequena para os grandes sonhos de onde vem os nomes — me chamavam assim, de acordo com a ordem do meu nascimento; em sioux, Wenona significa “a primeira filha”.

A montanha nunca me batizou, por isso, durante a vida, passei por muitos nomes. Nomes que nada significavam para mim, exceto que eu não sabia o que ser. Muitos acham que isso é besteira — muitos são idiotas — o nome pode determinar o destino do indivíduo. Um nome errado é mil vezes pior que nome algum. Foi só na morte que encontrei meu verdadeiro nome: Lunna.

Nossa tribo era composta de duas ou quatro famílias, não estou bem certa disso — o tempo confunde os números e borra os rostos — vagávamos em busca de novas terras, porque o homem branco nunca tinha terras o suficiente! Era como se não restasse chão algum em que pudéssemos parar. Andávamos sempre, seguindo adiante sem saber sequer para onde.

Hoje, quando ouço alguém dizendo “bons tempos aqueles”, preciso me segurar para não voar no pescoço do infeliz. Nunca houve essa besteira de “bons tempos”, não que eu tenha visto e acredite, eu vi muitos deles. Os “tempos” são sempre difíceis, todos eles!

Por onde quer que passássemos, nossa presença era incômoda. Lembro de ir a uma feira com meu pai e de lá sairmos enxotados; arremessavam coisas em nós; perguntei a ele o porquê de tanto ódio e ele disse:

“Esta é uma resposta que nem mesmo elas tem, Wenona, está no sangue...”

Pouco tempo depois, pude constatar que ele estava certo. Numa dada noite o sangue delas ferveu e o ódio tomou grandes proporções...

...Acordamos em meio às chamas. Os homens tentavam inutilmente conter o fogo, enquanto as mulheres protegiam as crianças. Os jovens salvavam o que dava. Lembro de minha mãe dizendo:

”Wenona, tá vendo aquela lua? Ela vai te proteger enquanto o sol não vem. Agora corra!
E só pare quando teus pés sangrarem. Não precisa chorar, sangrar é bom...”

E secando as próprias lágrimas, me entregou uma pequena trouxa de pano com tudo que havia conseguido salvar; um “tudo” que era quase nada...
“Agora vai: que Magena te proteja”.


Eu corri, enquanto o fogo foi ficando para trás, pequenas labaredas dançando na noite escura. Era até bonito de se ver:

As chamas vermelhas, rodopiantes, iluminadas pela lua.
O vento soprava os lamentos, como uma canção tocada ao longe.
Em minha inocência de menina aquilo pareceu mais belo do que deveria.


Meus pés demoraram muito a sangrar e quando finalmente parei, já não via mais o fogo, já não havia mais a lua, não havia mais nada: A noite partiu, sem deixar sequer rastro da vida que tinha. Foi um ensaio da morte.
Mal sabia eu que o grande show estava longe de começar...

*Continua em Brumas Negras

terça-feira, setembro 08, 2009

Intransponível - Poetrix

terça-feira, setembro 08, 2009 3





"Se vaso ruim não quebra
Fácil, seria eu
Intransponível
"

domingo, setembro 06, 2009

Epitáfio

domingo, setembro 06, 2009 2







"Se tudo o que é bom dura
pouco eu poderia ter
durado bem mais
"









Imagem: Steve Adams

sábado, setembro 05, 2009

Privacidade Virtual - Crônica

sábado, setembro 05, 2009 3







Publicada no Caderno Mulher Interativa
Jornal Agora (05/set/09)
Ilustração: Lorde Lobo







Houve um tempo em que “invasão de privacidade” era quando a mãe lia o diário secreto da filha adolescente, quando a esposa revistava os bolsos do marido, em busca de algo comprometedor ou apenas um filme com a Sharon Stone e um voyeur. Hoje em dia, os diários tornaram-se blogs abertos que podem ser lidos por qualquer estranho ou conhecido, e o que o marido tem no bolso já não é tão importante quanto quem ele adicionou no Orkut ou Facebook.

A internet, com suas inúmeras redes de relacionamento, é o paraíso do voyeurismo moderno, possibilitando o milagre da onipresença virtual — se pode ver, ouvir e estar em todos os lugares ao mesmo tempo. E nesses lugares muitos se transformam: Pessoas, que antes nos pareciam tão reservadas e comedidas, informam a quem quiser ouvir, onde estão, com quem e pior: o que estão fazendo — incluindo suas necessidades fisiológicas — a moda é fazer, clicar, postar e observar, não necessariamente nesta ordem.

E a privacidade, aonde foi parar?
Será que ela ainda existe ou virou conceito abstrato,
algo que só se mantém no mundo das ideias?

Ter a vida vasculhada por paparazzis cibernéticos já não é um privilégio dos famosos, embora muitos destes tenham entrado na mesma onda, lançando mão do maravilhoso veículo de auto-promoção que é o mundo virtual — sorte das fãs: Antigamente, para comunicar-se com o ídolo, era preciso escrever cartas quilométricas, gastando o batom e a boca em selos de beijos, torcendo para “talvez, quem sabe um dia” serem lidas. Agora basta seguir o dito cujo no twitter e falar diretamente com ele; muitos até respondem! Depois, é só acompanhar: Você nunca mais verá seu ídolo como antes, infelizmente...

A ânsia pela popularidade a qualquer preço faz com que muitos chutem de lado o pouco amor próprio que lhes resta, divulgando fotos ou relatos de si mesmos em situações pra lá de inusitadas (quando não comprometedoras). Quem em sã consciência quer ser visto em seus momentos de intimidade ou em meio aos ritos de beleza? Acredite: tem muita gente por aí cometendo este tipo de autossabotagemvale tudo para atrair os holofotes!

Só preza a própria individualidade aquele que tem uma autoestima saudável, o que também é chamado de “amor próprio”: Os que o tem muito baixo, tendem a idolatria, pois tudo que é alheio lhe parece tão melhor, enquanto os que o tem muito alto, tem também a si mesmo em alta conta, tendendo a egolatria e ao exibicionismo, enfeitiçados com a própria imagem, como no mito de Narciso.
É preciso encontrar “o ponto”, saber dosar.

Amar a si mesmo requer autoconhecimento, o que só é alcançado atentando e valorizando a própria individualidade. Quando isso ocorre, é possível olhar o mundo e as pessoas que nos circundam, admirando nelas aquilo que merece ser admirado, não o Freak Show mais próximo. E não caia na ilusão de que é possível ser apenas um voyeur anônimo — manter o completo anonimato é ainda mais difícil que a privacidade — quando você compra o ingresso para o show alheio, pode acreditar: um canto escuro qualquer, é bem possível que algum binóculo esteja apontando pra você!

A escolha é simples: Preservar a privacidade no mundo real e virtual, pois estes já não permitem divisões, ou abstrair, abrir as cortinas da sua vida sem se importar com o que vem depois, afinal, quem pretende subir ao palco deve levar isso em mente:
“Nem sempre é dia de aplausos.
A vaia também faz parte do espetáculo”.


Nada pessoal, mas esse ingresso eu dispenso.
Boa sorte na sua escolha!

sexta-feira, setembro 04, 2009

O Nada - Poesia

sexta-feira, setembro 04, 2009 1







Imagem de Federica RedSigns










Guardo relógios parados
E no silêncio repousa o tic-tac eterno
Guardo calendários antigos
E já desfolhados
Meus dias passam invisíveis

Benditos grilhões metafóricos!
Trago-os sempre comigo
Em segredo

Tento prender-me ao tempo
Ao fechar dos olhos
Vejo o passar dos dias distantes
Latentes, num breve lampejo
A incerteza me congela

Interminável... Suspiro

Temo perder-me no tempo. Só
A ânsia palpitante me remete
À vidas (mal) passadas
E a dor que ancoro ao peito
Tanto aperta que me aporta

Vago neste intrépido mar revolto
Movido ao sabor das dúvidas
Tão salobras

Sem sentido
Vou seguindo
Levado a esmo
Temo por nada
Ser um dia

(Longínquo — Espero)

Ao completar a rota cíclica
E encontrar — triste — certeza:
Nada é tudo

E nada mais é que
O que restou por fim
O que sobrou de mim (?)

Temo por nada

quarta-feira, setembro 02, 2009

O pé de macaca - CONTO infantil

quarta-feira, setembro 02, 2009 0
*Publicado na SAMIZDAT #20




Homenagem à Luana e Stela,
amigas macacas.






Ilustração: Steve Adams
Era uma vez...
Uma menina loirinha, um pouco sardenta, outro pouco tímida e “um tantinho" medrosa. Tá bom, bastante medrosa. Temia até as moscas — paradas! Até que num belo dia de sol foi levada por sua mãe para um passeio especial: O circo...

... E seria esta uma estória feliz, não fosse por ela:
a macaca das unhas vermelhas.

A garota viu a macaca e a macaca viu a garota. Não só a viu, como gamou. Queria um beijo, a qualquer preço! A menina lá, toda encolhida no banco do circo, enquanto sua mãe tentava persuadir a macaca a deixá-la em paz, até porque, cá pra nós, devia ter um bocado de micróbios — não na mãe, na macaca! A mãe era paranóica com micróbios. Paranóico é como se chama alguém que cisma com uma coisa sem sentido.

E assim a menina tornou-se paranóica. Não com macacos de forma geral, mas quanto a unhas vermelhas, independente do pé em que se encontrem.

—A macaca do pé vermelho me pediu um beijo. Macaca... Pediu... Pé...
Pé de macaca!


O trauma não foi beijar a macaca, foi ver bicho vestido de gente e convencido disso.

Muitos anos se passaram e a menininha, — que já deixou de ser "inha" há mais tempo do que gosta de admitir — até hoje, não pode ver um pé de unhas vermelhas que logo sente um arrepio e pensa:
— Pé de macaca: Aaaaaaaah!




*Baseado em uma história real.
Os nomes das personagens envolvidas foram trocados para proteger a identidade das vítimas. A macaca se chama Xita. Bem, na verdade eu não lembro, inventei este agora. Vou perguntar para a minha mãe!

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