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terça-feira, janeiro 31, 2012

Rezas e confissões de uma cética

terça-feira, janeiro 31, 2012 0
'Bonecrinhas do vitrô' - foto by Ju B.
Confesso: é estranho para alguém que se diz cética, mas, de vez em quando, eu rezo. Nada demais. Nem chega a ser uma reza de fato [não creio saber alguma em sua letra original, apesar de vir de uma família de rezadeiras]. Apenas uma espécie de desabafo mental, quando já deitada, semi-consciente, pouco antes de dormir. Alguns pedidos por clareza, por leveza, por terceiros que são primeiros em minha vida - desconfio que a maioria deles não esteja "nem aí". Uma conversa travada não sei bem com quem. Talvez com o silêncio, com o escuro, com meu subconsciente semiconsciente, tanto faz. O importante é que, de vez em quando, tenho essa vontade súbita e não me envergonho em atendê-la. É algo que me faz bem. Admiti-la agora, porém... está sendo bastante constrangedor. Não sei se faz alguma diferença aos terceiros cujos nomes envolvo em meus devaneios pseudo-religiosos - continuo desconfiando que a maioria deles não esteja nem aí. Até onde me consta, até hoje, nenhum pedido direto me foi atendido, então, creio que não faça qualquer diferença. Até desejava que sim. mas... Tudo bem. Mantenho-me cética. O objetivo nunca é ter, de fato, alguma resposta. Apenas ser capaz de verbalizar, ainda que em silêncio, aquilo que me aflige em sentimento. Pensando bem, é de um egoísmo sem tamanho essa minha tal oração. Não sei se tem algo de religioso nela, mas, de vez em quando a repito, ainda que nunca seja a mesma. E sempre a precedo e encerro com um rápido sinal da cruz. E um beijinho, demorado, na unha do polegar direito. Amém.

sábado, janeiro 28, 2012

Mas será o fim do mundo?

sábado, janeiro 28, 2012 0
Crônica publicada no Mulher Interativa do Jornal Agora // Ilustrada por Lorde Lobo

E, mais uma vez, o fim do mundo se aproxima
Ao menos segundo o calendário Maia. A previsão pode ser antiga, mas os indícios, visíveis e inconfundíveis, são adequados aos tempos modernos. Os sinais do fim dos tempos nos chegam por todos os locais onde se possa conectar, através de casos que todo mundo conhece – até mesmo a Luíza, que já não está no Canadá!

Comecemos pelo caso das quadrigêmeas de Taubaté, onde uma mulher, ostentando um bizarro volume abdominal que mais parecia uma bola gigante que uma barriga humana, ganhou a atenção da mídia, mobilizando auxílios de todo o tipo para seus supostos bebês. Questionada quanto à veracidade da gestação, a pedagoga barriguda subiu nas tamancas e correu para bem longe da mídia. Ela e o marido poderão agora embalar, não quatro bebês, mas pelo menos uns dois processos: estelionato e falsidade ideológica.  

Lamentável que a televisão apresente um circo onde os palhaços estejam do lado de fora da tela.

E da TV para a internet a notícia se agiganta! Não demoram a pipocar manifestações pelas redes sociais – afinal, nos dias de hoje, opiniões existem para serem postadas, curtidas e compartilhadas, mesmo as mais preconceituosas e equivocadas. Mais lamentável ainda é que os casos mais graves não ganhem a mesma atenção, nem causem a mesma comoção. Ter um fundo de absurdo parece o mínimo necessário para se despertar o potencial viral.

Absurdo como o caso do Yorkshire assassinado pela dona. Enquanto a revolta de uns fez disso o crime do ano, a de outros insistia que foi “só” um cachorro, enquanto há tantas crianças vítimas de maus-tratos pelas quais não se protesta com o mesmo afinco – o que não deixa de ser verdade, embora isso não devesse se tornar uma competição − o foco está na violência e não no alvo dela, no perigo que representa para a sociedade alguém capaz de matar um ser indefeso – o cão – e em frente a outro – uma criança, fato este que poderá trazer implicações legais, uma vez que matar animais não seria o suficiente.

Pode faltar foco, faltar assunto, mas nunca, jamais, faltará espaço para piadas de todo o tipo. 

Isso porque o limite entre o drama e a comédia é uma espécie de incógnita e rir da desgraça alheia parece desopilar a alma. Para os piadistas compulsivos, vale lembrar o caso do comediante Rafinha Bastos, recentemente sentenciado a pagar uma gorda indenização por danos morais a uma certa cantora, graças a uma 'piadinha' de gosto duvidoso. Portanto, por mais convidativo que lhe possa parecer engrossar o coro dos debochados, é sábio manter um mínimo de bom senso − se a internet é terra de ninguém, num mundo sem lei, cada cabeça é seu próprio guia. A menos que você esteja disposto a retuitar também o status do comediante em que esse se dizia "ocupado: catando moedas".

E sempre há um reality show para alimentar a bizarrice televisiva. No caso da bebedeira seguida de intimidades sob um edredom onde não se sabe se havia alguma consciência, chocante é também todo o preconceito manifestado – e pelas mulheres! Mais uma vez, problema de foco, dentro e fora da tela − e de falta de informação: havendo suspeitas de um estupro de vulnerável, o Ministério Público é obrigado a investigar o caso, sem a necessidade de denúncia. Incrível que os milhares de telespectadores que testemunharam o evento mais prejudiquem que ajudem a solucionar o mistério, jogando pedras para todos os lados, sobretudo no que diz respeito às regras do jogo, quando deveriam questionar as bebedeiras e orgias, o abuso e a falta de noção em rede nacional – e, afinal, quem deveria ser eliminado? Boa pergunta.

Tem muito sapato apertando no lugar errado, incrível que se consiga caminhar desse jeito! 

Já cantava Lulu Santos: "Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade". A irresponsabilidade da mídia faz lembrar outra música (Televisão, Titãs): "É que a televisão me deixou burra, muito burra demais. E agora eu vivo, dentro dessa jaula junto dos animais...". Trocar as tela pelo aparelho de som poderia ser uma boa sugestão para nos livrar do fim do mundo que se apresenta – não fosse Michel Teló e seu sucesso internacional de frases sem nexo repetitivas...

É, pelo visto, o fim dos tempos em 2012 é mais que um mero meme* que todo mundo no mundo todo compartilha.

*Meme: unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Definido por Richard Dawkins em O Gene Egoísta, 1976.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Do bom e do melhor

segunda-feira, janeiro 16, 2012 0
Crônica publicada no Mulher Interativa do Jornal Agora // Ilustrada por Lorde Lobo

"Stay true, stay you"
"Seja verdadeiro, seja você mesmo", dizia o cartaz de certa campanha lançada numa popular rede social. O mesmo dizia ainda "Nunca traia seus valores!" – ainda que para isso tenha que trair um amigo, decepcionar um amor ou magoar um inocente? Eis um grande dilema entre os dramas e tragédias de uma vida real. Dilema este que não cabe em qualquer imagem virtual – não se ela quiser se manter por tantos curtida:

Até que ponto a verdade é suportável?  
Até que ponto vale a pena manter-se fiel a ela, quando ninguém mais, além de sua própria consciência, apreciará isso?

A autenticidade é uma espécie de teimosia. E para suportar, tanto ela quanto os pormenores por ela gerados, é preciso ser firme, mesmo tendo em si a certeza de que tal firmeza acabará, muitas vezes, confundida com frieza. Ser autêntico requer ser também autossuficiente – o que ninguém de fato é, não importa o quanto assim se almeje ser: "ninguém é tão alguém que nunca precise de ninguém". E assim, o velho jogo segue...

As relações humanas se baseiam em muitas coisas, tantas que já não creio haver espaço para a verdade entre elas. Claro que há casos e casos e exceções em todos eles e que o bom-senso deve imperar “agora e sempre amém”, mas quem nunca se viu numa encruzilhada onde sabia qual era o caminho certo – aquele que, uma vez trilhado, nos garante um sono tranquilo, ainda que seja o mais obscuro deles – e sabia também qual o que todos esperavam que seguisse?

Melhor seria satisfazer as ânsias alheias e pôr a consciência num saco pardo, como um gato enfurecido com o qual se precisará lidar - sozinho - mais tarde? Ou manter o passo firme no caminho reto e enrijecer a carapaça para receber as pedradas dos insatisfeitos – que surgirão mesmo dos flancos que se acreditava estarem mais protegidos?

Talvez fosse melhor parar, abandonar qualquer caminho, cavar no chão um buraco e nele viver feito um ermitão? Atirar-se de vez à misantropia e desistir de entender as regras desse tão complicado jogo ao qual chamamos de sociedade: o jogo do enganar voluntário que evita o sofrimento que muita verdade acarreta.

Evita?
Mascara!

E lá estamos nós, de expressões devidamente encobertas, alegremente inseridos entre cordas e amigos de pano no teatro de marionetes em que interpretamos viver. Bom que a máscara traga ao rosto um sorriso congelado, pois se guardar uma lágrima, essa jamais encontrará o chão – uma vez que está pintada [e nem toda a tinta permite deslizes] e outra que, nesse cenário, não há e nunca haverá um chão.

terça-feira, janeiro 03, 2012

da dureza do ser

terça-feira, janeiro 03, 2012 1
Deeper by Martine Johanna





Se de aço fosse
feito o corpo, a carne
   e o que mais neles jaz
   escondido
teriam eles sido

há tempos
deformados
   ou por ferrugem
   devorados ou pior
estariam bem

guardados
intactos e opalescidos
   de qualquer luz
   escondidos
e obscuramente esquecidos

seus reflexos
distorcidos
   por quaisquer olhos
   ignorados aguardariam
eternamente minimizados

sobre a frieza imutável
da superfície envelhecida
   sob a poeira impenetrável
   a encobrir-lhes
até a essência enrijecida.

domingo, janeiro 01, 2012

Ser parido

domingo, janeiro 01, 2012 1
Autorretrato by JuB
Quero viver naquele mundo
   novo guardado no ventre
mesmo que sobre ele

que sobre tudo se saiba
pouco e sobre o nada
que dura para sempre [?]

tudo. e lá, onde os sonhos
são melhores, mesmo
antes de se acordar

quero viver
   no mundo que dorme agora
contigo

tão inofensivo e pequeno
tão frágil, mas protegido
por nós, tão pouco sabido

menos ainda por eles
que por mim
onde a verdade cresce [?]

num mundo que se alimenta
atrás do umbigo e pouco a
pouco nos come por dentro

com sua fome de não nascido
   que aumenta até o momento
que precisa, cedo ou tarde

ser parido.

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