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sábado, maio 30, 2009

CRÔNICA - Música para ouvir

sábado, maio 30, 2009 2




Crônica Publicada no Carderno "Mulher Interativa" - Jornal Agora - maio/2009
Ilustração: Lorde Lobo






Antes de qualquer coisa, pense numa música.
Uma trilha sonora para a leitura desta crônica – eu até poderia indicar alguma, mas não quero influenciar sua escolha
– E aí, pensou? Ou já estava com alguma na cabeça? Neste caso, melhor ainda!

Já percebeu como algumas músicas invadem nosso pensamento, (geralmente as ruins e em um único trecho que se repete sucessivas e infinitas vezes) e quanto mais lutamos para ignorá-las, mais insuportaveis elas se tornam – é a teoria da “música parasita” – conhece? Provavelmente não (inventei agora).

Pode afetar qualquer indivíduo com capacidade auditiva, independente da idade.
A duração varia entre alguns instante e semanas (ou até mais, em casos mais graves). Os principais vetores de contaminação são: jingles publicitários de todo o tipo (inclusive, e de grande periculosidade, aqueles emitidos pelos caminhões de gás), toques de celulares alheios, além de vizinhos e amigos de péssimo gosto musical que teimam em “compartilhar”, mesmo contra a sua vontade, a última música daquela banda, ou cantor que você detesta.

Há quem lance mão do velho ditado “se não pode vencê-los, junte-se a eles”, deixando a tal musiquinha rolar e até cantarolando-a, o dia inteiro, na esperança de contaminar outro inocente e assim, talvez livrar-se “do mal”. Eu proponho outra estratégia: começar o dia escolhendo uma trilha sonora para embalar seus passos e pensamentos antes de ser pego de surpresa por uma dessas melodias mal intencionadas!

É incrível o quanto a música se relaciona com nossos sentimentos. Pode tanto refleti-los quanto influenciá-los. Às vezes, sua letra parece ter sido escrita para nós – e até nos apropriamos de um trecho para expressar nossas idéias em conversas ou declarações de amor. Noutras, é o ritmo que nos seduz (especialmente nas músicas estrangeiras cujo idioma não nos é familiar) e muitas vezes quando descobrimos o que elas realmente dizem, o encanto se vai.
Nos sentimos traídos por ficar cantarolando alegremente um “lá lá lá, tunti, tunti” que na verdade quer dizer coisas horríveis ou obscenas (mantenham as crianças longe do hip hop).

Fora estes pequenos incidentes, as músicas costumam ser excelentes companheiras e cada vez mais presentes em nossas vidas. Nossos agradecimentos aos avanços tecnológicos que encolheram os enormes Walkmans em Diskmans, e estes em “mpcoisa” (3, 4, 5, mil) e celulares com a mesma função. O fato é que, para onde quer que se olhe encontra-se orelhas com fones acoplados – tem pra todo gosto e tamanho – parecem ter virado item obrigatório. Talvez daqui a pouco inventem um chip que se insira atrás da orelha e pronto: “zilhões” de músicas carregadas por energia cinética! Seria o fim da conversação trivial que antes se estabelecia com mais frequência em lugares públicos, como ônibus, filas e salas de espera e hoje e tão rara que causa estranhamento.

O mais comum é ver pessoas caminhando lado a lado, silenciosamente, com seus fones, olhares e mentes distantes, viajando em seu ritmo particular e individual. Você nunca tentou adivinhar, pelo rosto de alguém, “o que provavelmente ele está ouvindo?”, numa dessas horas fatídicas em que acaba a batera do seu próprio mp3 e você se vê obrigado a matar o tempo de outras formas. É um jogo bem divertido, mas infelizmente, para saber se você ganhou ou perdeu, seria preciso tirar o “alvo” de sua viagem auditiva e pedir educadamente a resposta.
É bem provável que ele o ignore – afinal, está ocupado – mas, com sorte, você pode acabar dividindo um fone, e assim conhecendo novas e inusitadas músicas e pessoas!

Leve a música consigo, só não deixe que ela o leve para longe demais.
E então, já decidiu qual será sua música de hoje?
Aí vai um trechinho da minha:

“...Música para esquecer de si, música pra boi dormir.
Música para tocar na parada, música para dar risada.
Música para ouvir, música para ouvir, música para ouvir...”
* Arnaldo Antunes - Música para ouvir

terça-feira, maio 26, 2009

Blavinos 10 & 11

terça-feira, maio 26, 2009 0
Trago

Segredos
Em meu coração

Trago em silêncio
Um peso tamanho que
Diariamente me esmaga o peito

Trago-te, consumo te inteiro, embriago-me

Em migalhas e restos, disfarces
E versos esparsos, remotos.
Em distantes trajetos

E constantes
Segredos

Trago-te



Trago-te (nº11)










Imagem: Milo Manara











Silêncio Mortal (nº10)


Silêncio

É lâmina
afiada, navalha

fria como a noite,
silenciosa e turva neblina.
Véu de dor persistente, permanente

Como perder aquilo que não se tem (?)

Patético medo vazio. Se nada sou,
por que tanto me temes? Será
que sequer me tens?

Lágrimas caem e
quebram o/no

Silêncio

domingo, maio 24, 2009

Blavinos 8 & 9

domingo, maio 24, 2009 0
Desejo pulsante (nº8)


Desejo

Sentimento vão
Sorrateiro, difuso

Pensamentos traiçoeiros
Discernimento confuso – recuo,
Recuso, a repulsa parece-me tão certa

mas abundantes hormônios circulantes falam

por si, por mim, por ti, por fim e só
me resta consentir, entregar
meu corpo à vontade

Gritante, ofegante
avalassadora e

Pulsante
























Olhar superficial (nº9)


Olho-te

De relance
Um vulto, um rosto,

Sinto o teu aroma, amadeirado
ou acre-doce? De origem tão artificial
quanto as meias palavras e sorrisos trocados

Não é sábio confiar em algo que já se mostrou enganoso

Percebo-te aos sentidos, papilas gustativas
Provam-te tanto e tanto e sequer
imaginam-te fagulha d’a alma

Conheço-te inteiro e
Interna.mente tão

Superficial

Poesia - Sexo Oral

Imagem: Milo Manara










Sexo

Natural
Ou recreação?

Há tempos dispensa
Sua primordial função
Reproduzir, Procriação!

Sob nova era, ganha
Novas regras e conotação
Posicionamentos e posição!

Mudam-se os nomes,
Os pares, o local e a ocasião
Seja nas ruas, nos lares, nos bares
Une e separa. Independente da opção

Amor ou diversão?
Intercurso – pudor, obrigação
Cópula – fecundação
Transa, Orgia – ardor, libertação

Inúteis são os conceitos e preconceitos
Há espaço pra todo o tipo e combinação
Chame de qualquer coisa, faça de qualquer jeito
Desde que preserve a vida e garanta a satisfação!

Começou sozinho, logo formou um par.
Passou por um momento a três e acabou de quatro.
Resumo assim o poema, que não é um fato ou relato.
Apenas um retrato de um assunto que, com prazer, eu trato!

quinta-feira, maio 21, 2009

Poesia - Desconecta

quinta-feira, maio 21, 2009 1

Imagem: Steve Adams

Rompendo a interface do existir
Reencontro, interajo, abrevio frases
sem sentido, sem sentir
Neste mundo sem espaços para abraços
criamos coisas, forçamos laços.
Gifs animados substituem o sorrir,
o chorar, o adeus, o pensar
já não requer argumento – basta teclar.

Porém, algo em mim ainda teima ao questionar
Se as pessoas existem além do computador,
Fora da TV. Pequenos anões nos caixas eletrônicos
Serão os gnomos que fugiram do meu jardim?
O mesmo algo em mim que acredita
que o mundo acaba e recomeça
a cada piscar de olhos meus.
E que não há nada além da porta ou janela,
a menos que eu maximize ou espie por ela.

Começo a pensar que há algo de bizarro
no meu mundo e temo o despertar,
desconectar, sem deixar histórico algum.
Quando eu, mesmo a contragosto, resetar,
todo um universo de padrões acabará comigo.
E isto é triste. Mais triste que o fim
da minha própria existência, é o ponto final
de minha consciência coletiva. Ser um,
perante tantos é aquilo que prova que eu existo
e que sou algo além da mera invenção de outrem.

Há muito mais razão na loucura do que o julga o louco.

sexta-feira, maio 15, 2009

CRÔNICA - Morte e Remédios

sexta-feira, maio 15, 2009 1








Publicada no Caderno Mulher - Jornal Agora Maio/2009
Ilustração: Lorde Lobo








Fiquei doente.
Uma destas enfermidades bestas que nos encontram no inverno, como punição por se desafiar as leis do frio. Uma das famosas “ites” (cistite ou infecção urinária, neste caso), o que me levou a tomar duas atitudes, uma que adoro – ler bulas de remédios – e outra que detesto – tomá-los!

Então, lá estava eu em minha leitura educativa, descobrindo que deveria ingerir o antibiótico a cada doze horas e o analgésico a cada quatro, quando pensei na morte – não necessariamente a minha, afinal, era só uma cistite – mas sim na forma como a morte parece também atuar em doses homeopáticas. Ela chega de mansinho, pouco a pouco: uma gripe, uma infecção qualquer, dores, e assim, nos deixa pequenos avisos, recadinhos não muito carinhosos, até o “grand finale“.

Certa vez eu li algo à respeito numa revista em quadrinhos (da série “Sandman” do escritor inglês Neil Gaiman), algo que muito me intrigou:

“Como um ladrão que entra em sua casa aos poucos, levando pequenos objetos, até que um dia você percebe a casa vazia e já não há mais nada que lhe faça permanecer nela”

Lembrou-me uma roupa excessivamente grande a qual você já não preenche, já não lhe veste bem, teima em cair, mas que, ainda assim, você gosta tanto que não quer lhe trocar por nada. Até que o tempo passa e um dia você se pergunta:
– hei, por que é mesmo que eu gostava tanto dela?
E agora ela lhe parece tão inadequada que você simplesmente a abandona e sai por aí, nu, em busca de uma nova.

Quando criança, eu pensava muito em como os velhos realmente velhos se sentem – embora algumas pessoas já nasçam velhas e para essas, o passar do tempo não deve trazer grandes mudanças – mas eu me refiro à alguém de espírito infantil que se vê repentinamente preso a uma roupa assim, grande demais, como um brinquedo cuja pilha acabou há muitos anos...

Por muito tempo acreditei que a morte era um ser muito cruel. Ela não precisa realmente das doenças e, além do mais, existem os remédios. Se formos analisar este aspecto, provavelmente uns três quartos da população mundial pode ser considerada parcialmente morta – ou viva, dependendo do referencial adotado – pois só se mantém viva enganando constantemente a morte, com remédios, vacinas e outros artifícios medicinais.

Não, ela não precisa das doenças, pode agir rápida e certeira, sem dor ou aviso prévio, sutil ou brusca, com o faz com tantos... E foi só hoje, em meio a minha educativa leitura de bulas que, enfim, entendi o porquê das doenças e percebi o quanto estava enganada em relação à morte.

É algo semelhante ao ladrão de objetos. Você conhece a velha premissa:
“A gente só valoriza algo quando o perde e passa então a dar mais valor àquilo que fica”.

Então não, ela não é cruel, mas sim muito sábia! Este pensamento foi como uma revelação – mudou o meu pensar, o meu olhar e trouxe tamanho alívio que... Ufa... Mas, enfim, vou tomar meus remédios, pois já está na hora novamente.

terça-feira, maio 05, 2009

Babel - BLAVINOS (o que são)

terça-feira, maio 05, 2009 3





Imagem: Ju Blasina









Linguagem


Que nos arrasta

Ora afasta, ora aproxima


De todas as línguas mal faladas

Das mortas, das vivas, das fusionadas

Das mudas, mutáveis, das questionáveis


Só me interessa aquela que troco, que toco contigo


A língua das noites em sonhos românticos

A língua das rimas em versos cânticos

A língua da boca tua na minha


Que se funde e nos confunde

Friccionáveis, flexionáveis


Libertinagem





BLAVINOS - Quando, como e o quê?

Entre conversas e delírios poéticos que só a madrugada produz, nasceu o BLAVINO - um velho sonho que só ganhou 'versos' graças ao meu cumpadre V. (o mestre em sonetos Volmar Camargo Junior).

E este(acima)é o meu primeiro Blavino, da série que está procriando em minha (e outras mentes) feito 'gremlins na água'!
(risos, desculpem, mas não pude evitar a comparação engraçada).

Mas foi o V. o primeiro a produzir um 'Blavino' - Veja em:

Blavino nº1 - Colheita - http://restodecafefrio.blogspot.com/

Aí vai um resumo básico das regras de construção 'Blavina' por nós criadas:

- número de estrofes: 7

- numero de versos: 13 (distribuição: 1-2-3-1-3-2-1)

- Forma: o poema deve começar e acabar em uma palavra, crescendo até o verso 7 (central e maior) e decrescendo até o final, ficando com essa 'carinha' triangular.

- Estas regras compreendem apenas o que chamamos de "blavino clássico"

- O "blavino heróico" deve ter ainda, além das características básicas, um decassílabo heróico: 10(6-10) como verso central.
[dez sílabas, acentuando-se a 6ª e a 10ª]

* Segundo o V. - "o blavino perfeito seria aquele que pode ser lido na ordem direta e na ordem inversa perfeitamente" - A gente chega lá...

Blavinos 6 & 7

IMPERMANÊNCIA (nº6)
*Publicado na e-zine SAMIZDAT #19



Eu


Juro em vão:
Não sou à toa, ateu


Ou pagão. Só não sirvo
Pras coisas sérias – verdades
São tão etéreas quanto à própria existência


Paciência é fingir-se de morto enquanto o mundo explode


Algo em mim nunca dorme - sempre trago
Por dentro um vulcão latente,
In. Constante. Mente


Livre e por ora
Vestida de


Mim



Imagem: Steve Adams






PHYLUM.SOPHIA (nº7)






Experiência


De que me vale?
Toda a ciência do saber


O nome inventado daquilo que
Apenas o – é – a ciência a maior
das desculpas pra se testar a própria fé


Minha existência só reconhece valor no mistério


Do ser, são tantas as leis imutáveis e
Inúteis - de que me servem? Crer
em vão já não cobre minhas


Tantas dúvidas em
Descobertas


Incertas

Blavinos 4 & 5

ETÉREA ESTRADA (nº4)




Seguir


Contigo. Sem
Rumo. E isso é tudo.


Tudo... o que me basta
Tudo o que me resta, tudo
O que mais importa mora em você


O que existe de mais real, fora da realidade


Teu corpo é toda a verdade que
Eu quero e preciso conhecer.
Juntos, somos um ser


Eterno e etéreo
Flutuando no


Prazer









Imagem: Yoshitaka Amano










AUSÊNCIA (nº5)



Mãos


Faltam-me
Pra carregar


Tantas bagagens
A cada dia mais pesadas
As pernas me faltam nos tortuosos


Caminhos por onde deixei tantos pedaços de mim


Já não tenho boca, já perdi o estômago
Pra mastigar e digerir tanta mentira.
Já perdi os olhos, já não tenho


Mira pra tanta raiva só
mente - ment(e)


Ira

Blavinos 2 & 3

SEM TI (nº2)



Complexo


Algo que me foge
A compreensão, ao léxico


Assim como tu foges de mim
Assim como eu finjo e fujo do mundo
Assim como meu mundo gira, confuso, sem fim


Ser vazio ao sentir a falta da tua real ausência em mim


Da saudosa dor que sentia sem ti, sem razão
Hoje vivo na dormência de um frio existir
Não passo de um imperfeito reflexo


De lembranças sem nexo
Sou eu sem ti


Incompleto












Imagem: Yoshitaka Amano












BIFURCAÇÃO (nº3)



Invisível



Meu ser ao teu
Olhar transcendental


Imperceptível, ao toque
Marginal teu corpo ao meu, à cama,
O medo tão perto, tão distante, ofegante


Retas paralelas, intangíveis, oscilantes. Somos nós?


Fotografias esquecidas, congeladas
No tempo, nas lembranças frias
Afogo-me em desejos vãos


Estreitar antigos laços
Refilmar os fatos


Ilusão

domingo, maio 03, 2009

Poeta in Box

domingo, maio 03, 2009 0








Imagem: Steve Adams










--------Rimamétrica--------
Pensar – medir – cortar
Sentir?
Nem tudo cabe na caixa
Pensamentos adestrados
Cortar – mentir – trocar
Meias palavras
Meras palavras
Sentimentos descartáveis
Incabíveis
Dosar - partir
Cortar – servir – Gritar!
Palavras mudas
Inauditíveis
Nuances nuas
Imperceptíveis
Generalismo absurdo
Malabarismo abstrato
Relato correlato
Um recorte – um retrato
O poeta não cabe na caixa.

sábado, maio 02, 2009

CRÔNICA - Necessidades Básicas

sábado, maio 02, 2009 1


Ilustração: Lorde Lobo
Crônica Publicada pelo Caderno Mulher - Jornal Agora - Maio/2009

Premiada por Menção Honrosa no Concurso de Contos e Crônicas promovido pela Editora Temátika - 2009




Foi-se o tempo em que “amor e uma cabana” traduziam a plena felicidade – hoje em dia isso mal dá letra de música sertaneja – já não convence, "não cola".
Plena Felicidade... Um conceito tão pessoal, tão relativo que talvez algum leitor mais romântico pense "hei, eu não preciso de mais do que isso para ser feliz!"
– Ah não? Pois quando eu digo "uma cabana" lê-se: uma cabana e não um bangalô à beira-mar com TV à cabo, serviço de quarto e acesso a internet via wireless.

Pensemos num jovem típico (estereotipado) listando aquilo que considera suas necessidades básicas – lista ampla seria essa - certamente incluiria a internet em posição de destaque, antes mesmo do computador, luz, água ou qualquer outra fonte de energia alternativa.

Imagine a confusão que seria um Djinni – aqueles gênios no estilo Aladim – vagando em meio a sociedade atual, concedendo a realização dos famosos 1-2-3 desejos. Sendo eles criaturas traiçoeiras, conforme descreve a mitologia, muito se divertiriam enrolando-nos em nossas próprias cordas de confusão – desejos supérfluos e superficiais, desconexos daquilo que os faz funcionar – como, por exemplo, desejar internet sem um aparelho que sirva de interface (computador, celular ou etc. São tantas as possibilidades que escapam ao espaço desta crônica), desejar um carro sem combustível ou, lembrando uma velha piada, desejar pilhas intermináveis de cigarros, mas nenhuma forma de acendê-los.

Desejamos as coisas prontas ao invés de matéria prima e ferramentas para criá-las. É um pensamento prático, cômodo – a lei do menor esforço – que tanto e há tanto impera no Brasil e tão mal nos reflete perante os olhos estrangeiros. Como pedir (ao gênio, pai ou santo em oração) dinheiro e não trabalho, esquecendo-se ou simplesmente desconsiderando que o dinheiro acaba "num piscar de olhos" – só não evapora porque não é líquido - e trabalhar cansa... Assim como atentar aos detalhes, ler as letras miúdas, as entrelinhas - Pensar demais cansa - Quem nunca ouviu ou mesmo afirmou em alguma situação:

“Não me interessa saber mais do que eu necessito”
ou ainda “A ignorância é uma benção”

É como se parte de nós – sociedade – acreditasse em magia: aquilo que não vemos, ou não acontece, ou surge misteriosamente. É a "teoria dos gnomos". Exemplo:

Situação/Problema: Preciso de uma roupa nova, linda e de preferência barata.

Ação: Bater pernas, experimentar, comprar, passear feliz, pôr para lavar, usar novamente até sair a cor, a moda, a etiqueta.

Questões ignoradas: De onde veio o tecido? Quem a costurou? E posteriormente: o que acontece com ela desde o momento em que eu a ponho imunda no cesto até seu ressurgimento, limpa e cheirosa, no guarda-roupa (uma fênix)?

Resposta comumente adotada (embora pouco plausível): Gnomos!
Sim, os mesmos que deixam ímpares as suas meias quando você não os alimenta – temperamentais!

Eu por exemplo, penso muito em café e chocolate, não em seus grãos e nos diversos processos que estes sofrem desde o plantio até a satisfação da minha gula. Se fossemos pensar em cada etapa do processo, além de ficarmos um tanto paranóicos e perturbados, sentiríamos uma pontada de responsabilidade pelos acontecimentos decorrentes na produção daquilo que adquirimos – como a exploração de pessoas e/ou animais durante a fabricação ou teste dos produtos.

Há muito o conceito de necessidades básicas foi esquecido. São raros aqueles que ainda pensam em "casa, comida e roupa lavada", ao invés de cultura, lazer e conforto - a diferença está entre subsistência e qualidade de vida. O mínimo necessário é tão pequeno em meio a toda tecnologia que nos cerca que só costuma ser lembrado por aqueles que não o tem ou porventura o perdem.

Portanto cuidado, muito cuidado com os seus desejos e principalmente cuidado em mantê-los, uma vez realizados. De vez em quando é bom lembrar que "o todo é a soma das partes" também no que se refere as necessidades básicas. E o que é mais divertido: montar o quebra-cabeça ou ver sua foto na caixa? Lembre-se:
O mundo está cheio de Djinn maliciosos e gnomos brincalhões querendo roubar suas peças!

sexta-feira, maio 01, 2009

Sinestesia (III) Fim

sexta-feira, maio 01, 2009 1
Por Jú Blasina & Taty Nascimento
Ilustração Jairo TX

Sensorial
Sensitiva
Paradoxal
Afetiva
Doce
Indecente
Fria
Quente
Amarga
Ser-Vil
Incoerente


Ódio - calor.
Frio - amor.
Vento vai,
Penso - sou.
Vento volta;
Apagou.


Vivo
Finjo
Finjo que vivo
Vivo fugindo.
Ser – Vindo
Sendo sem ser.
Fui sem ter sido
O mal vivido
O bem sofrido
O mau sentido
Quero logo sou
Penso logo existo
Sinto logo vivo
Posso?
Desisto!


Não sei pra onde vou.
E como a gota,
Insisto
E como a folha,
Resisto
Crescer
Correr - Cair
Viver pra morrer
Em breve
Sentir


Sou o não ser
Faço o não dever
Quero o não poder
Posso? Já não serve...
Vida breve
Reza leve


Vejo
Querendo ser
Olho querendo ver
Sendo sem ser.
Sinto, vejo e sou
O não querer.
O não saber
Sou – Só – Sou


Sou
Criador e criatura
Vil de chorar
Doce de doer
Frio de queimar
Quente de arder
Vivo pra morrer
Olho pra não ver
Choro para amar
Rio pra sofrer


Creio
No não crer
Rezo pra não ser
Temendo
Sabendo
Já sendo
Reza breve
Vida leve


Junto
Os cacos
Não quebrados
Lembro os fatos
Mal passados
Um pouco de ti
Um resto de mim
Utopia - ser
Agonia - sim
Heresia – crer
Sinestesia

- Fim.



Se "Duas cabeças pensam melhor do que uma"
O que dizer de dois corações pulsando sob as mesmas paixões?
Dor, alegria - São tantos sentimentos, sensações - Amizade em Poesia - Sinestesiando emoções.

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