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sexta-feira, dezembro 27, 2013

Precisadas

sexta-feira, dezembro 27, 2013 2
autorretrato
Pensando em tudo que uma mulher precisa... 

Ela precisa fazer as unhas, depilar as pernas, perder 2, 5, 10 quilos [já que é verão]; precisa de um bom emprego, de um marido (que nem precisa ser tão bom), de tempo para os filhos, para visitar a família, para arrumar as gavetas - precisa limpar a casa!!! - e refazer as unhas

Ela precisa de um vestido de festas - longo, preto - e de um sapato que combine - alto, sempre muito, muito alto... - com o vestido, não com ela.

Precisa de uma grande resistência a dor.  

Precisa ter bons modos, bons lábios, bom cabelo, pés finos e coxas grossas - mas não muito. Precisa afinar a cintura, controlar o quadril, aumentar o muque. Precisa dormir de camisola - de seda. Precisa não roncar, não feder,
não ter necessidades fisiológicas!
  
Ela precisa acordar diva - às 6 horas da manhã. E ter o café pronto antes das 7h - com panquecas!

Precisa... antes de qualquer coisa, deixar de dar ouvidos ao tanto que dizem, presumem, insistem que ela precisa. Tudo o que uma mulher, de fato, precisa... É reconhecer, amar e sustentar a si mesma - inteira!

quarta-feira, outubro 30, 2013

baratas na sala de estar

quarta-feira, outubro 30, 2013 2
[a música a tocar - e nela a lágrima a rolar - também sou eu]

Eu sou
o piano que não sei tocar
eu sou a bailarina clássica
que sonhava a menina
a girar nas pontas
dos dedos em suas
sapatilhas
baratas na sala de estar

sou o menino que dorme
em meus braços
e sorri.
sou o colo que acalenta
qualquer dor
como é aquele onde
adormeço
todas as noites
meus medos.

sou
o que restou
daqueles que amei
e partiram
ou nem sequer estiveram
inteiramente aqui. sou
a ilusão
da eternidade
sou a limitada
compreensão
da realidade
que o tempo me permitiu
ter.

sou tudo aquilo
que na vasta oferta da vida
mostra-se quase nada
no que se pode escolher.

sou
um universo de metáforas
blasfêmias, tristezas contidas
risadas fartas, cabelos
e saudades
que não quero
perder.
sou aquilo que meu filho
mantiver escrito
junto ao peito
para, uma vez partida
jamais desejar me esquecer.

...

a barata que amedronta
a menina
num canto da sala de estar
também sou eu. a mulher
que me pariu e levou consigo
pela mão
pela vida
a eterna dor
também sou eu.
sou o reflexo
nos olhos
do ser amado.
sou ainda o que pensam
os poucos
odiados.
aquele homem
de bigodes
por quem se espera
e nunca, nunca vem, também
sou eu.

e de tudo
o que sou (?)
só espero
não ter
tornado-me pior
que aquilo
que um dia fui
sabendo-me hoje
que não passo
de um monte
de pedaços
do tanto que me imagino ser.
 
 
*Publicado também na Revista SAMIZDAT

domingo, setembro 01, 2013

Por onde ando [que não aqui]

domingo, setembro 01, 2013 0
O bom dessa vida cheia de autonomias [literárias, inclusive] é que não se deve nada a ninguém - nem mesmo explicação. Ainda assim, é de bom tom, vez por outra, dar-se um 'sinal da graça' para aqueles que conosco se importam - a menos, é claro, que se queira colaborar para que eles não se importem mais... daí, ficar meses e meses sem criar nada além de espaços e vazios é um bom caminho - não é o meu caso com esse blog. Gosto de publicar nele, mas ainda mais que isso, gosto de ter realmente o que publicar - por respeito a quem se dá ao trabalho de ler essas publicações -- gosto também de ter quem leia essas publicações... e fico até admirada pela permanência de leitores, apesar desse meu silêncio todo - é que tenho feito muitos poemas mudos! Penso neles, mas não escrevo - por falta de tempo, de caneta à mão, de ter um computador ligado ou as duas mãos livres... a demanda do pensar é bem menor que a da escrita! Não tenho escrito tanto quanto o pensamento pede, porque ver um filho crescer é algo que nos consome: paciência, disposição, atenção, dedicação, noites de sono, horas do dias, inspiração, olhos, braços e mãos... ver um filho crescer é algo que nos consome - e ponto. O bom e o ruim disso tudo é que eles crescem rápido - rápido demais... e assim, logo logo eu volto a escrever fora da 'ideia de'. Desculpe, 'seu blog'... mas agora é hora de ser mãe em tempo integral, de ser mãe com todo o meu ser - e de escrever quando sobra, quando dá... mas, tudo bem - a poesia que mora em mim não há de ir pra lugar algum e, assim como os filhos, seu destino é um só: crescer e sair, cada vez mais, para o seu próprio mundo, a partir de mim.

Arte de Abby Diamond
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PS1: vez por outra, eu volto aqui com uma novidade [devagar e sempre - please, não fuja!] - e, esporadicamente, levo 'de corpo presente' um tanto do que aqui há no Poesia no Bar - virtualmente, ainda me encontro [ainda que de forma muito relapsa, admito] nas revistas SAMIZDAT e MANDINGA: arte e literatura] - baixe as edições e leia, ambas, gratuitamente]

PS2: para assuntos da maternagem (que tanto me povoam, me engolem e me devolvem renovada), alimento outro espaço (em parceria com Ma Morini): o ANDOGESTANDO ◄ a quem se interessar, é só clicar pra pintar por lá ;]

quinta-feira, julho 25, 2013

sem propósito

quinta-feira, julho 25, 2013 1
e de repente
sem razão aparente
eis que lembrei
de um amigo
que nem amigo
de perto foi
de fato
ao menos
um tanto meu

mas que a sua ida
sem jamais ter sido
-e talvez até um pouco
mais por conta disso,
deixou em mim
uma grande lacuna.
grande o suficiente
para se fazer vazio
e memória triste
que de vez em quando
vem a se entornar
sem qualquer propósito

numa taça de vinho
numa mesa bem posta
numa piada
numa canção cafona
num dia frio
ou noutro qualquer
assim, de repente

como as amizades são

como elas vem
como elas vão
e as pessoas
contidas nelas
em interfaces
e superfícies
sem que haja nelas
a necessidade de se definir
e mensurar ou reduzir
a distância
entre uma e outra
e por dentro delas
também.

como a memória
que da morte sopra forte
em dias frios
assim
sem qualquer propósito
ou razão aparente
como a saudade
que vem de repente
sem que eu sequer soubesse
ter ela ali, guardada
silenciosamente na boca
do estômago.

um gole rápido
e tudo volta ao seu
lugar de antes.

não lembro de ter visto
qualquer placa dizendo
que a amizade é um caminho
de duas vias.

[mas a gente tende a querer de volta
um pedaço daquilo que se dá
sem que ninguém tenha pedido]

não lembro de ter visto
qualquer placa dizendo
que a amizade é um caminho

[embora desconfie que seja]

não lembro de ter visto
qualquer placa dizendo
que a amizade é

[porque certas são as coisas
que simplesmente o são
sem se preocupar em ser]

não lembro de ter visto
qualquer placa

[talvez por não gostar que me apontem
o tanto que eu não sei
sobre o caminho que estou seguindo]

mas se aqui estou
perdida
ao ponto de escrever
esse poema
deve ter um propósito...

[gosto de pensar que sim
mas desconfio que não
haja qualquer razão
para isso]

e de repente
sem razão aparente
eis que lembrei
ter ouvido de um amigo
que já não tenho
[sem ter muita certeza
se um dia tive] que
aquilo que não se entende
sobre o tanto que se sente
costuma ser o sentimento
em si.
e não é
que é?

terça-feira, julho 16, 2013

Cansaço poético-reflexivo

terça-feira, julho 16, 2013 1
E quando um poeta cansa?
um cansaço absurdo
de todas as coisas
poéticas
cafonas
dos poetas
e de seus poemas
(especialmente os de amor
e as rimas! pobres rimas

podres)
daquilo q
ue suja
a poesia
("imaculada", diriam eles)
a verdadeira poesia
que vem do âmago do ser
(não dali, da região do umbigo)
a arte pura
tão nobre e altiva
a matéria prima
brutal e lasciva

(porque nem toda rima mata)


e quando ele se cansa
daquilo que o faz
mais que existir
persistir
e ir além
-o fôlego que vem
quando já
sufocado está
e quase morto
quase morto
quase
Imagem by Stella Im Hultberg

(existirá poesia sem drama?
sem repetições de efeito?
sem quebras confusas e
sem rima, a maldita rima?
sim. e muitas!

mas é bem provável 
que poucos hão de gostar
além do poeta 
para quem o próprio escreve)

quando ele cansa
disso tudo
o que fazer?
nada lhe resta
que tenha valia
além de evitar
encarar o exército
de rostos pálidos
e corpos nus
centenas a milhares deles
todos idênticos
um a cópia imperfeita
do outro
a lhe vigiar, a lhe perscrutar
a lhe perseguir e a julgar
com olhos brancos
com bocas murchas
e braços flácidos
a lhe chamar, a lhe esperar
a lhe acenar, a lhe aceitar
para um dia a eles se juntar
a vagar e a divagar
sofrendo (como há de ser)
eternamente (oh, poeta)
no espelho.

domingo, junho 02, 2013

a eles

domingo, junho 02, 2013 0
era melhor poeta
que pessoa.

alguns fazem isso
parecer
tão fácil.

só não mais
que o perecer.


domingo, abril 28, 2013

(do homem) original

domingo, abril 28, 2013 0
fonte: aqui

Tenta viver
a mesma coisa
com outra
pessoa
tenta viver
com outra
pessoa
a mesma
sempre a mesma
coisa
tenta viver
por não saber ser
nada
além disso
tenta viver
e consegue
e se anima
feito um golem
feliz. até
que esteja
um dia
concreto
de fato
morto
frio e sozinho
pela última vez.

domingo, abril 14, 2013

do brilho dos olhos da tela

domingo, abril 14, 2013 0
E de repente se viu
refletida no escuro
daquela tela
os olhos
muito redondos
e tristes
e brilhantes
como sempre
a boca
bonita
meio torta
o rosto apoiado
sobre a mão esquerda
dedos longos
unhas mal feitas
cabelo bagunçado
como se tivesse acabado
de acordar, e não tinha
mas achava bom assim
tudo do jeito que estava
exceto pela tristeza
caindo daquele olhos
e por duas rugas
fortes
que guardavam pesar
entre as sobrancelhas
e o claro
da tela que nunca, nunca vinha
trazendo consigo o motivo
das rugas estarem hoje
mais fundas que antes
do entortar da boca
e da tristeza dos olhos
- do brilho, do brilho, não.
dele o motivo não cabia em telas
claras ou escuras.
pensava se ainda estaria ele ali
quando o rosto fosse mais torto
e as rugas, mais profundas
pensava se ele faria
alguma diferença
em meio a tudo isso
algum dia.

gostava de pensar
que sim
enquanto o
claro
não vinha.


sexta-feira, abril 12, 2013

um poema qualquer

sexta-feira, abril 12, 2013 0


Ele fez um poema.
um bom poema
sobre o amor
e a beleza
que só nela [há?]-via
e eu o li
sem achar
ou poder perguntar
sobre ele
a data
a fonte
ou qualquer outra coisa
-uma pena

era mesmo bom
o poema!
eu o li
escondida
numa foto
de um recorte
de jornal
preso na geladeira
da família
dele
por um imã em formato de
flor. uma flor
amarela
com uma carinha
feliz.

ele fez
um poema sobre
filhas
não todas elas
apenas aquelas
que ele julga
belas o suficiente
para eternizar
em seus poemas
[e o pior
é que são]

as outras
- que outras?
- quantas outras?
- há outras?
são tantas e tão belas
quanto as que ele gosta
de dizer que são
suas
e também são suas
essas outras
embora ele nunca, nunca diga
quem dirá escreva
algo sobre elas.

[e a mais idiota delas
ainda o guarda
entre os seus
próprios versos
reconhecendo beleza
na frieza dos dele
enquanto se pergunta
se ao menos
ele pensa um pouco
sobre tudo
o que não se pode guardar
para sempre
na geladeira, preso

por um ímã
ou um poema qualquer.]

domingo, janeiro 06, 2013

um poema sem um nome adequado

domingo, janeiro 06, 2013 1
É duro escrever
quando antes
de tudo se precisa
sentar
na cadeira
do autoempalamento
voluntário

não que eu não sinta
dor-amor-medo
desejo-saudade
não
necessariamente
nessa ordem
sinto algo

entre essas e
outras coisas
sinto muito
e tantas são
as vezes que
já não conto
a mais ninguém

sinto também
um carinho todo
especial por meus buracos
mais íntimos.
e é por conta disso
que permaneço em pé
imóvel e inexpressiva

a juntar poeira na soleira da porta

até que, enfim, só
um cansaço me toma
inteira, um cansaço
enorme de ser e sentir e
principalmente
de ter que encontrar
nomes adequados a poemas

um cansaço que cresce até
que eu não mais aguente o peso
que é sustentar a mim mesma
cheia das coisas do lado de fora
e das de dentro. e mais
toda a poeira
que nunca, nunca baixa

um cansaço tamanho
que torna mais e mais
convidativa
aquela cadeira
esquecida
na metáfora inicial
e eis que me sento.

sento e sinto toda a dor do mundo

concentrada
em minhas próprias partes
sento
pra refrescar a memória
e confirmar a certeza
do quanto é duro, é tão duro
deus do céu, é muito duro

[ter do que] escrever é fatal - e ponto.

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