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quarta-feira, dezembro 26, 2012

acerca dela

quarta-feira, dezembro 26, 2012 2
Para Angélica Freitas e 
(àquele 
de quem roubei 
 no Natal) 

fica a dica


Eu quero ser uma mulher daquelas
dos poemas
do livro
da Angélica Freitas

eu quero ser uma mulher
enorme
e ainda pequena
pensada
criada
crescida
parida
prensada
sofrida
querida
pela Angélica Freitas

eu quero ser
A mulher
dos sonhos dela
(desde que não sejam eróticos
ou então, pesadelos, mas
entre um e outro fico
melhor com o primeiro)

quero pensar mais
que falar
e escrever acima de tudo
acerca dela
sem reticências
sem renitências
ou implicâncias
com cacofonias
ou qualquer outro tipo
de mau
gosto ou vício

afinal
o que tem de mais
em 'ser cadela'?
deixai que seja
eu e ela (nós
em qualquer ordem)
que sejamos, porra
-porra, não (que isso
é ou finge ser um poema
de mocinhas
de calcinhas
de boas
famas e famílias)

que vez
ou outra sejamos
cadelas, sim
que ladram - e mordem!
e, uma vez satisfeitas
abanemos nossos rabos
ricos rabos
e deixemos a língua
livre, sempre livre
a correr por aí
e a lamber o cu
daqueles que amamos
- há todo um universo

nas redondezas
esperando para se deitar
e dormir
até morrer
na boca dela

por fim
eu quero caber
no útero dessa tal
de Angélica Freitas
uma mulher tão estranha
que me parece
de carne e osso
e papel – isso é algo
que me soa
tão bem que
ah...
dentro dela eu
quero estar também!

...


[enquanto escrevo
sobre o que li, me sento
e me sinto
encolhida
quietinha
quentinha
bem
pequeninha
acolhida dentro das páginas
de um livro que não é meu
tenho ele numa mão
- a aberta
enquanto a outra
permanece fechada
-é um punho!
e não passa disso
sou pacifista
e agora
ele me parece de luta
e agora?
e se parece com um útero
mas de quem?
penso que o meu
não há de ser
ele, que cabe tão bem a uma mãe
ainda é grande demais para caber
numa mão

trago o livro que não me pertence
nem em autoria nem em posse
e na outra, trago o quê?
apenas um punho pronto
e cansado de estar assim
- punho fechado quer briga
punho de útero é de guerra
mas o meu, dia-a-dia
continua em seu trabalho
árduo, tedioso
pacientemente
a se fechar
pacificamente
pronto
a esmurrar
com toda força
e carinho
novas
pontas
de velhas facas]

...


Desculpe, querida Angélica
esse poema deveria
tratar de você
e nada mais
mas, você sabe como é
imagino eu
que poemas são bichinhos
terríveis!
fazem o que querem
e como querem
e quando querem
e não devem nada a ninguém
e não estão nem aí
nem para você
tampouco para mim.
os poemas só estão aí para si mesmos
é isso
o que eu acho
mas de achismos, ismos, ismos
não se faz (bons) poemas:
desculpe a longa lida (lon galida...
- quando, diabos, isso há e ter fim?
agora) – ufas!

domingo, dezembro 16, 2012

não me venha

domingo, dezembro 16, 2012 0
Não venha me fazer
poemas
não venha pôr
na minha boca
palavras
nem deite sobre mim
seus versos
[ainda que sejam
belos, os danados]

vá ocupar-se
de algo
mais útil
do bem da humanidade
ou das meias sujas
[eu não me importo]
apenas vá
escrever
sobre qualquer outra
coisa

[embora quando o faça
eu hei de ficar magoada]

só não mais
venha fazer
sobre mim
os teus poemas
sujos, certeiros
injustos
-e a justiça
e o asseio
lá são qualidades
que caibam num poema?
que caiam
bem a um poeta?

já o erro
esse
certa-
mente
a ambos
compete
e em qualquer verso
[enquanto parte
de trás]
há de se encaixar
bem, muito bem, meu
bem.

quarta-feira, dezembro 12, 2012

das pretensões

quarta-feira, dezembro 12, 2012 0
E quando entendemos tudo
errado
pretensiosamente
"supondo que"

não somos assim
habilitados a saber
das coisas
dos outros

entender o próprio erro
seria um acerto
não fosse apenas um novo tipo
de pretensão.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

da pessoa

segunda-feira, dezembro 10, 2012 0
Ele implica
com as minhas coisas
sobretudo as mais simples
implica com o meu jeito
de falar 'a pessoa'
ao me referir
a mim mesma
ou a ele
mesmo que não o faça
por mal
ele implica
e continuará implicando
ao menos assim espero
que o faça
todos os dias
a contar
de hoje
até o último
da pessoa
aqui.

domingo, dezembro 09, 2012

sobre poemas e filhos

domingo, dezembro 09, 2012 0
Li
do livro a parte única
que me era desconhecida
a parte aquela
que um autor escreve
por querer
aos seus leitores
futuros
imaginários
[des]esperados

Li
do livro a parte
primeira
aquela que fala
do que está
por vir
em símbolos gravados
dentro das páginas
dos dizeres de papel

E só
então, eu li
aquilo que ninguém
mais poderia ler
ou supor em suas mais férteis
divagações sobre o que veio
logo depois.
e lendo eu
[re] vivi
o lírico do antes
e o durante, que matou
muitos de nós
e fez nascer mais um.

Li o que não estava escrito
o que jamais será escrito
li as mentiras também
muitas que me contaram
muitas que eu contei

Li o nome do meu filho
e não gostei
como nunca gosto
de perceber
que assim como as demais
palavras que fazem versos
nenhum nome, nenhum verso
nenhum poema
é de fato
apenas
meu.

sábado, dezembro 08, 2012

conversas matinais

sábado, dezembro 08, 2012 0
Ele acordou bem
cedo
mal
abriu os olhos
vestiu a roupa
que aguardava ao lado
da cama, levantou
e saiu dela
sem ao menos dar um
beijo no rosto daquele
corpo que esperava
por ele
dormindo
quente
onde há pouco era
ao lado do seu.
guardou isso para a volta
quando então disse
'bom dia, meu anjo'
e seguiu falando sobre
o que trouxera do mercado
sem que ela pudesse abrir
os olhos e acordar
os ouvidos para acompanhar
'trouxe coisas
para o café'
disse ele, pouco antes
de listar a ela
cada
ítem
não eram muitos
mas para poucos
não serviam
'não trouxe algo
de beber?'
parecia ter
enfim acordado
um pouco
'trouxe suco
e café'
repetiu ele
meio desagradado
e desagradando
ela perguntou sobre
o álcool 'nada de álcool?'
mais um pouco
desagradado
e desagradando
ele disse
'só trouxe o básico'
'o básico?
para mim
´álcool é básico
e está acabando
todo o da casa!'
ela nem sequer abria
bem os olhos
para falar
das garrafas
ele suspirou sem saber
se ela estava certa
ou não
e mesmo assim, disse
que poderia sair
para buscar
mais
tarde
ela sorriu
mantendo os olhos
fechados
era cedo
muito cedo
cedo demais para pensar
em brigas ou bebidas
-e no lugar em que antes estava
ele agora deitava
e ingenuamente mamava
um bebê.

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Sobre a pausa [e o retorno] das atividades

sexta-feira, dezembro 07, 2012 0
Caros leitores
[oi, vocês]

Aviso que a falta
de novas postagens por aqui
se dê pela minha total
[culpa? preguiça?] falta
[de vergonha na cara?]
de tempo e/ou inspiração
para encontar uma imagem
apropriada a cada novo poema
- e por conta disso
guardo meia dúzia deles
nos rascunhos, enquanto
o blog fica assim, no aguardo -
portanto, começo agora
uma nova
[e, tomara que, breve]
fase sem figurinhas
a qual eu chamo de
'não tem foto, mas é legal'
[tipo aquele lance da MTV que não deu
certo, só que... dando]
entonces, peço a vcs que
tenham um pouquinho de
paciência [com uma pobre mãe
que mal tem tempo de se coçar]
e leiam, antes que o mundo acabe
mais uma vez

obrigada

abraços
[e beijos mil]

Ju B.


[P.S.: nada me impede de postar junto a algum poema, uma imagem, contrariando essa 'proposta' de [bosta de] fase, caso eu encontre tempo ou a imagem adequada me encontre primeiro ;]

terça-feira, novembro 13, 2012

da dor [da morte] dela

terça-feira, novembro 13, 2012 1
Eu deveria estar ao seu lado
no momento
da morte dela
eu deveria estar
ao lado dela
no momento da sua
morte
quem fica?
quem vai?
qual é o lado
certo
em que se deve
estar?
tanto faz
quer seja
mãe
pai
filho
ou filha
quer seja
bicho
quer seja
gente
a gente
dói
se vai
e há dor se fica
tanto
tanto
que já nem sequer se sabe
de que lado se deveria estar
e na dúvida
a gente se fica

mais um tantinho.



Adeus, querida minha... [Keit Mary, jan 1994 - dez 2012]

quarta-feira, novembro 07, 2012

a procura de

quarta-feira, novembro 07, 2012 0
Arte [e mãos] by Ju B.  // Fotografia by Jairo Tx
Creio ter perdido
a mão
para fazer certas coisas
que sei
(ou sabia)
tão bem.
melhor que a maioria
(não que isso valha
grande coisa, mas
era bom saber).

creio ter perdido
o que antes tinha
de mais valioso
(talvez por ter agora outros
valores de carne e osso)
e lamento tanto
por já não ter
aquilo que me fazia
saber quem ser.
(ah, e eu o era tão bem!)

creio ter perdido
o traquejo da coisa toda
embora ainda sinta
a poesia aqui
viva do lado de dentro
mas por fora, não
vivo mais o que me fazia
ser aquela dos poemas
deles. sinto saudades
de ser.

terça-feira, novembro 06, 2012

(des) apontamentos

terça-feira, novembro 06, 2012 0
by Mark Shaver
Corrija-me
se eu estiver errada
e me deixe
mal. acabe
logo com o meu dia
e com tudo
de certo que viria
depois

deixe-me
no erro
permanecer
feliz
na ignorância
das minhas cousas
incertas
inversas

que ferida
que não se vê
não traz doer
e o mal
que faz [?] aumenta
até que já não haja
mais do que sangrar
e a morte vem deitar no seco.

sexta-feira, outubro 26, 2012

On the radio!

sexta-feira, outubro 26, 2012 2
 Oh, que tri: Jairo Tx, Giliard Barbosa e eu [Ju B.] - falando pelo Poesia no Bar (e outros tantos afins) - e a Vania, pelo Berga [comunidade de 'agitação' cultural, do FB], hoje, num papo muito bacana com a Rosane Borges, na Radio/TV FURG - obrigada pelo convite! Foi mesmo tri!

FM CAFÉ - 26.10.2012 - 13º POESIA NO BAR & BERGAMOTA CULTURAL


[Canal 15 da NET, 09 da Viacabo - o programa vai ao ar de seg. à sex. das 13 às 14h]

quinta-feira, outubro 25, 2012

Das artes do próximo domingo

quinta-feira, outubro 25, 2012 1
Enfim, eventos culturais, eventos culturais!!!

Minha nossa... Já faz quase um ano desde minha última participação num evento (o Poesia no Bar especial em Jaguarão) - com a chegada do meu gordinho, minhas artes não-virtuais ficaram um tanto atrapalhadas nesse ano... Não fosse o clipe da The Sorry Shop, poderia dizer que já estava seca por sair da rede [que isso é coisa de peixe - e morto ou assim quase]. E eis que uma ideia antiga conseguiu, enfim, sair de dentro dos planos:

Trouxemos o Poesia no Bar para Rio Grande! 

 
[e paralelamente a essa nova, fui oficialmente promovida de parceira a parte integrante do Núcleo Poesia no Bar, junto aos queridos meninos-poetas de Pelotas - yupiiis!]



No fim de tarde, início de noite deste domingo, um povo muito do bom vai se reunir no Monaghan's [bar e restaurante - Cassino] para fazer a coisa acontecer! 

Já não tenho mais palavras para expressar o quão feliz estou com isso... é emocionante!

Oh, tudo-tudinho cobrindo minha mesa na manhã de hoje - quinta, 25

Além da distribuição de marcadores [que nessa edição ganharam um verso muito especial] com os poemas dos participantes do sarau, da música, do lançamento do livro do V. [mais detalhes na release] e da exposição das artes dos grafistas convidados, o evento é aberto a quem quiser chegar e curtir ou participar mais ativamente - e: a entrada é gratuita! Portanto, não perca - vai ser épico!

Segue a release com mais detalhes do evento:


Poesia no Bar chega a Rio grande

Arte do cartaz by Valder Valeirão com desenho do Jairo Tx

Dia 28 de outubro, a literatura tomará conta da noite rio-grandina: o bar e restaurante Monaghan's recebe a 13ª edição do Poesia no Bar.

Nascido em Pelotas em agosto de 2010 com o intuito de levar um pouco de literatura aos bares da cidade através da distribuição de marca-páginas com poemas de novos poetas da região, o Núcleo Poesia no Bar vem se expandindo em eventos pela região sul e chega, pela primeira vez, em Rio Grande.

Entre os poetas, músicos e artistas gráficos que participarão da edição rio-grandina do evento, são nomes confirmados: (de Rio Grande) Alisson Affonso, Andréia Pires, Adriane Dias Bueno, Everton Cosme, Giliard Barbosa, Jairo Lopes, Ju Blasina, Nich Lucena, Paulo Olmedo, Rody Cáceres e Volmar Camargo Jr. (de Pelotas) Álvaro Barcelos, Daniel Moreira, Ediane Oliveira, Jorge Braga, Valder Valeirão e Vinícius Kusma.

Além da distribuição de marcadores com poemas e ilustrações, do sarau poético e da apresentação musical, a 13ª edição terá ainda o lançamento do livro "O BALCÃO DAS ARTES IMPURAS" (editora Multifoco, RJ) - o livro traz trinta e cinco poemas publicados no blog que dá nome ao título, produzidos ao longo de treze meses, quatro cidades e dois estados da vida do poeta gaúcho Volmar Camargo Junior.

A parte musical da noite será por conta de dois dos integrandes da banda rio-grandina de Rock n' Roll e Blues, Os Charlatones: Jaime Figueiredo (vocal) e Marcos Souza (violão).

Com entrada franca, o evento é aberto ao público. Após a participação dos poetas convidados, o sarau se torna livre para declamação de poemas próprios por parte de quem lá estiver presente - todos estão convidados a prestigiar e participar do Poesia no Bar!
--------------------------
- SERVIÇO -
O quê? 13º Poesia no Bar
Quando? 28 de outubro de 2012, domingo, às 19h30min
Onde? Monaghan's Cassino (Av. Rio Grande, 288, Cassino - Rio Grande)

terça-feira, outubro 23, 2012

Um poema íntegro

terça-feira, outubro 23, 2012 0
Acabo
de ler
uma boa porção
de frases do meu
autor favorito
nada como
ele para
abrir o apetite
feito
uma garrafa de vinho
e agora vejo tudo
toda e qualquer coisa

como um poema.

nada muito diferente
de estar de porre
mas não estou.

Qualquer coisa
pode ser
um poema

'Duas gatas
brigando dentro de
uma caixa
de papel
numa tarde
ventosa de inverno
dois dias antes do fim
da estação'

Qualquer coisa
pode ser
um poema

Basta que se saiba
o que deixar
ficar, o que mudar
como cortar qual
palavra ou frase
inteira, sem dó
ou enfiar
nos lugares certos

E qualquer coisa
pode ser um poema

'Duas gatas
de papel
numa tarde ventosa de inverno'
...ventosa de inverno?
ventosa... Aff!
'Duas gatas brigando
numa tarde de inverno
numa tarde
chuvosa de inverno
de inverno.'

'Duas gatas da estação...
dois dias antes do fim'

Qualquer coisa pode
ser um poema
mas é bom
que nem tudo seja
visto como um
pois não é.
qualquer
coisa
pode ser
mas é
melhor
que não tenha
muitos pontos
e que não traga espaço
qualquer
ao acaso.

'Duas gatas
numa caixa de papel
dois dias antes do fim'

Difícil é saber
sentir
o momento certo
para o bom
e velho bota-e-tira-e-bota.
uma vez feito
isso e
qualquer coisa pode ser um poema

Escrevo esse enquanto
preparo o almoço.
faço qualquer coisa
e quase deixo
cair no chão
a massa
ainda crua

como o poema

olho a sala
e a briga
acabou
só resta agora
uma gata dentro
da tal caixa de papel
esquecida sob a janela
numa tarde de vento forte
quase no fim do inverno

O que não se pode dizer
para efeitos poéticos
é que o lado que a caixa estava
era o de dentro
e que a briga nem mesmo era
por ela
e que o nenê agora chora
enquanto a massa ferve
e quase tudo passa do ponto

como o poema

enquanto escrevo
um punhado de coisas
sem sentido
num caderno apoiado
sobre a pia da cozinha
um punhado de coisas...
que mais tarde tornar-se-ão
em versos mais ou menos
organizados
num poema.

A briga acabou
a massa aprontou
o bebê parou
de chorar
e eu não vi
o fim de qualquer coisa
por conta deste tal -maldito- poema
que talvez funcionasse bem
sem tirar
nem por
qualquer coisa.

Agora, já
distante do efeito embriagante
dos versos
inicialmente ingeridos
penso pra quê?
tando trabalho por um poema...
que talvez funcionasse melhor
do jeito exato
como foi escrito
inteiro
pela primeira
(e, provavelmente, única)
vez.

Meu corpo, meu caro, caro corpo

Crônica publicada no caderno Mulher Interativa - Jornal Agora - outubro de 2012.

Molho a pena imaginária no pote do saudosismo – culpa dele o gotejar de reticências – e me permito essa carta pública a um remetente que a dispensa, uma vez que me lê do avesso, mas... a outros tantos, tem valia – e eu inclusa neles:


Foto datada de março de 2011 - 1 ano antes do tal 'grande dia' citado neste texto. 
Antes de qualquer coisa: quem é você e o que você fez com aquela que costumava ser eu? Não leve para o lado pessoal, sim? Sei que nenhum de nós tem culpa, mas a atual situação está insustentável - convenhamos! As mudanças são tantas e tão drásticas que, num dado momento, você se tornou um completo estranho para mim - e isso foi muito difícil, uma barra, especialmente nos primeiros dias - eu mal conseguia te olhar nos olhos. Creio que te deva desculpas por conta disso.

Com o passar do tempo e a considerável diminuição da sua -nossa- silhueta, acredito que tenhamos assinado uma espécie de tratado de paz - não que antes estivéssemos em guerra, afinal, sempre fomos aliados e fizemos juntos o que de mais grandioso se pode fazer na vida: geramos uma nova vida! Pusemos no mundo uma linda e encantadora criaturinha e isso, obviamente, teve um alto custo - tem mesmo que ter, é justo. Custo esse que ainda estamos pagando, das mais variadas formas, embora a mais cara delas não caiba em números.

Digo que fizemos juntos porque ter um filho é uma tarefa exclusivamente da mãe - fazer, sim, outra participação pode reivindicar o mérito, criar, também, mas ter, no sentido 'parido' da palavra, não.

Só nós dois sabemos o quão pesados eram aqueles 20 quilos extras, o quão doídos eram os movimentos mais simples e o quão doido o mundo se tornou durante aquele verão, aquele maldito verão em que os sapatos não cabiam, em que os botões não fechavam... e todo aquele cós de elástico e os tops no lugar dos sutiãs e  a saudade de enxergar as próprias partes íntimas... Incontáveis litros de cremes e óleos a nos besuntar dia após dia... E das noites, então, melhor nem lembrar! Tempos difíceis foram aqueles... Tempos maravilhosos!

Apesar de todos os pesares, nos sentíamos tão lindos: você e eu com ele dentro. E desconfio que estivéssemos mesmo, a julgar pelo olhar de encantamento com o qual todo o resto do mundo nos assistia passar - encantamento com uma pitada de pavor, algo do tipo "tomara que essa mulher não tropece agora ou vai cuspir o bebê aqui"- e não tropeçamos, seguimos juntos, firmes e fortes [bem mais fortes do que firmes] e trabalhamos até o grande dia... em que o tão esperado trabalho não aconteceu nem como nem quando esperávamos, mas nem por isso foi menos grandioso o dia em que ele veio - e veio bem, muito bem,  a nos olhar pela primeira vez... E fez de tudo tão menor... E fez de nós tão melhores, apesar da aparência!

E se por conta disso ganhamos estrias que nos farão aumentar a barra dos shorts e a necessidade de sutiãs três vezes maiores e mais reforçados... E se o nosso cabelo já não é o mesmo, e se ganhamos uma profunda cicatriz no abdome que um dia foi nosso maior orgulho - e que, provavelmente, nunca mais será o mesmo - e se nem nossa bunda parece a mesma, fazer o quê?

Como se pode tanto lamentar, quando se tem uma fonte inesgotável de orgulho a carregar agora fora do corpo? Simples: lamentando – é a parte mulher que se sente diminuída pelo espaço que ocupa a parte mãe. E não dá para ser mãe E mulher E linda como ambas? Dá... Mas requer dedicação, um punhado de paciência e outro de realismo: difícil algo se manter o mesmo depois de tudo que vivemos...

E que graça tem em ser o mesmo?

Bom mesmo é ser novo a cada dia e ter histórias a se contar sobre as velhas coisas.
Desculpe pelo longo texto, Seu Corpo, meu corpo, corpinho, já que somos íntimos, mas era preciso dizer tudo isso antes de te agradecer: obrigada por me levar por aí mesmo quando não quero muito fazê-lo e por se mostrar mais forte e resistente que eu poderia supor. Obrigada por fazer aquela magia -não encontro outra explicação- de encantamento que mantém um homem morrendo de amor por nós, mesmo tendo ele nos visto de perto no pós-parto - e melhor ainda: obrigada, mas muito obrigada por fazer tudo isso e, finalmente, voltar a caber naquele jeans 38! Você é mesmo demais, meu caro – jamais me deixe dizer o contrário!

segunda-feira, setembro 17, 2012

Algo sobre ler lindezas

segunda-feira, setembro 17, 2012 2

Reprodução

Quando se lê
algo
de alguém
que se gosta
muito
antes do escrito
os olhos brilham
e deles
para o resto
do corpo corre
um onda
feito lágrima
de sentires sem dizeres
uma coisa só
provocada ao se ler lindezas
e com ela
vem a certeza
de que
aquilo é mesmo tão lindo
como tudo
já devorado
naquela mesma fonte
e como aquilo
o que virá
logo depois
mesmo que desse
não se possa ter
lido linha qualquer
ou por não serem quaisquer
as linhas
ou por nem sequer terem sido
escritas
ainda
assim
são todas elas
lindas!

sexta-feira, setembro 14, 2012

E +2 tantos: clipe da The Sorry Shop

sexta-feira, setembro 14, 2012 3
Oh, eu, fazendo outras artes por aí, no clipe da música "Dressed to fool" [letra de Gisela Ferreira] - da banda The Sorry Shop:

(dirigido por Thiago Piccoli)

Foi tudo muito rápido: o convite, a aceitação, a filmagem... E, a julgar pela qualidade da produção, o lançamento, também! Filmamos há cerca de 2 meses, durante umas 3 horas, sem qualquer ensaio - o máximo de preparação que tive foram uns 3 ou 4 e-mails trocados com o Régis [o cabeça da coisa toda]. Filmamos numa noite fria em que não tremer foi uma árdua tarefa - e, detalhe: com o meu filhotinho de, na época, 3 meses, dormindo na peça ao lado - e tudo fluiu mais que bem, como tinha que ser!

Agora, tremendo, tremendo mesmo, fiquei eu hoje, ao ver o tão aguardado resultado - esses meninos são mesmo muito bons! Quem ainda não os conhecia, acompanhe e saiba mais do trabalho deles através da página da banda no Face, ouça essa e mais músicas, nesse endereço: 

ou faça download do álbum inteiro - Bloody, Fuzzy, Cozy - clicando aqui.

Para mim, foi uma honra e um prazer imenso participar desse segundo clipe da The Sorry Shop - eu, que já curtia muito a banda, quando li a letra da música em questão fui fisgada e nem pensei duas vezes! Confesso que queria ter feito melhor, mas... a edição foi gentil pácas, devo dizer - e agradecer: thanks a lot!

Agradeço também ao meu amado Jairo Lopes, companheiro de todos os momentos, aos meninos da banda, todos muito gentis, à Rúbia Gattelli, querida, que ficou de olho no sono do meu gordinho enquanto fazíamos arte, e, um agradecimento especial ao Régis Garcia, por me tornar a moça desse clipe fuckspecial! 

Isso foi exatamente como bem disse meu amigo Marcos Alaniz [o vocalista e marido da Rúbia]:

  Foi "poesia em forma de arte em movimento"

sábado, setembro 08, 2012

Prazo de validade

sábado, setembro 08, 2012 0

[Crônica publicada no Mulher Interativa do Jornal Agora de set/09]
Foto: Getty Images

“Guardo relógios parados
E no silêncio repousa o tic-tac eterno
Guardo calendários antigos
E já desfolhados
Meus dias passam invisíveis”

- Versos do poema "O Nada" [da mesma autora]

O mundo vai acabar. Um dia, é bem provável que sim, afinal, tudo que começa, consequentemente, termina ao menos até onde se sabe. E pelo que tudo indica, o mundo vai de mal a pior, logo, não há de durar para sempre. Aliás, quanto tempo cabe num "para sempre, para todo o sempre"? Todo e, ao mesmo tempo, nenhum: o tempo não se veste com figuras de linguagem, ele é maior, bem maior que isso. O tempo jamais será comportado!


Só existe uma coisa maior que o tempo: o nada. 

Nada é maior que o tempo. Portanto, qualquer previsão que se faça não passa de uma de mais uma tentativa pretensiosa do homem de sondar o inalcançável, de fingir e tão bem que é capaz de convencer a si mesmo, através de um nome, um número, um saber por ele inventado ter algum domínio sobre aquilo a que está sujeito e vitimado.

A humanidade vive obcecada em contar o tempo, quer seja em calendários quer seja em relógios. Mas de que adianta tanto datar?  


Datar nada mais é que limitar o tempo em números para assim facilitar nossa compreensão sobre a passagem dele. Andar no compasso do tic-tac é correr em círculos, como fazem os ponteiros, uma atrás do outro atrás do um. E desperta de vez em quando para fazer alarde sobre algo que se julga de maior importância.


Dizer que o mundo vai acabar pode até não ser de todo besteira. Agora, prever quando ele irá acabar, são outros quinhentos séculos, assim espero. O máximo que se pode prever, com a mais absoluta certeza, é quando expira a validade do cartão de crédito ou da conserva de algum produto qualquer: 2015, dizia em alguns dos meus. Ufa... Sinal que o mundo está seguro por mais uns anos, afinal, um sabonete não há de durar mais que todo um planeta ou um punhado deles, certo? Nada científico, não se anime! Nada além de mais uma de minhas teorias bestas. Aí vai outra:

É preciso um ano inteiro para superar o outro para arquivar mais uma pasta nos arquivos do passado, para “deixar pra lá” de vez. Talvez porque seja preciso uma boa dose de esquecimento para que o processo de cicatrização das memórias ocorra com sucesso ou por ser esse o tempo necessário para que toda a poeira se assente. Tanto faz. O importante é que, uma vez vivido um ano ruim, é preciso que se passe outro ano, um longo e maldito ano, de trezentos e sessenta e cinco às vezes "e seis" dias, de oito mil setecentas e sessenta horas, de quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos (tic-tac-tic) para só então zerar o placar e começar uma nova contagem.

Mas, afinal, quem está contando?

Temos todo tempo do mundo, seja lá quanto isso represente.

quinta-feira, agosto 30, 2012

De tudo o que traziam as mãos de antes

quinta-feira, agosto 30, 2012 0
Autorretrato Ju B. [2010]

olho para as mãos
de antes
presas
dentro de digitais
que hoje não passam
de lembranças frias
e sinto por elas
saudades
do tempo
em que nem todos
os dedos eram iguais

olho para as mãos
de agora tão cheias
de liberdades
de igualdades
de dedos
e  de outros
adornos baratos
inertes
tentando preencher
o vazio das memórias
há pouco carregadas

naquelas mãos de
antes havia um brilho
que nem o presente
pode apagar
nem o passado
preservar
em nós

e nas de agora
vejo espaços
a espera de novos
anéis a exibir e esconder
segredos além de outros
venenos que não brilham
em fotografias.

sábado, agosto 25, 2012

um poema só (e progressivo)

sábado, agosto 25, 2012 0
by Mckean
Acordei
mais
cedo
e com menos
sono
e fome
que o habitual

tomei
um café

não bebido
por duas fatias
de bolo
de laranja
que me apeteceram
repentinamente

voltei
para o quarto
para o bebê
que esperava
por mim
para os escritos
que o sono dele
frag-
men-
ta-
do assim
permitisse

tentei
assistir
a um filme
antigo
junto àquele
tão novo ser:
O Pequeno Príncipe
e estranhei
ao obter tamanho
sucesso na empreitada
com o bebê
dormindo
pude abandonar
o filme e voltar
a escrever tudo
num poema só

ouvi
então
os pássaros
que cantavam ainda
mais alto
que o ronco
dos carros - sinal
de que era cedo
cedo demais até
para escrever
e me perguntei
o que diabos fazia eu
acordada?
se o bebê dormia
nada precisava
assistir. e foi assim
que deixei de lado tudo
aquilo: o filme, o poema
os pássaros, o bebê
e pude, enfim, voltar
a dormir - feito o último.

quarta-feira, agosto 22, 2012

em meus braços

quarta-feira, agosto 22, 2012 1
Autorretrato de uma mãe
em seus primeiros dias [por Ju B.]






tão entregue
dormindo em meus braços
como se eu pudesse de tudo
protegê-lo
como se eu pudesse
para sempre sustentá-lo
em meus braços

ah, se eu pudesse!

quinta-feira, agosto 16, 2012

ServidoS

quinta-feira, agosto 16, 2012 0
Recém-servido, por Ju B.


Solidão
é quando se põe a mesa
com esmero
e carinho e
outros quitutes
múltiplos
para dois
e se acaba
por tomar café
puro, bebido, amargo
e sozinho
ainda
que não fosse
-ou exatamente por
não ser-
esse
o plano
inicial.
a contar
pelo número
de xícaras.

terça-feira, agosto 14, 2012

apenas um abraço

terça-feira, agosto 14, 2012 0
Estudo de Abraço 2 - de Alisson Affonso

Aquele abraço
disse tudo
que nas palavras
(mesmo as escritas)
já não cabia
tudo
que cada tronco
portador de dois
daqueles membros
envolvidos
(com menos força
que antes)
e cada orelha
que ladeava
as cabeças
pendidas
sobre eles
já nem sabia
mas precisava
ouvir.

de tudo ainda não dito (sobre o já feito)

Imagem daqui

No dia
adia
a noite
esfria

na cama cheia
há gente vazia

só o silêncio lhe faz
companhia


[e enquanto mudo
tudo permanece
vivo no breu
do dito pelo 'quem diria']

sábado, agosto 04, 2012

Dá dor que é dó

sábado, agosto 04, 2012 1
acervo pessoal

No pescoço
na altura
da garganta
eis que surge
uma bola
de ar
de saliva
de um não sei
o quê
que não sobe
nem desce
uma dor
que não se engole
uma bola
que

mais
cresce

ah, se eu pudesse
engolir
de todo
a dor
que é mais
tua que minha.
a dor
de quem se ama
deveria ser
também
de posse
nossa

mas não é
a dor
da mãe é dó
por ser no filho
um nó
intransferível.

[Ser mãe é descobrir dez mil maneiras piores de sofrer do que por si]

sexta-feira, julho 20, 2012

da (má) sorte dela

sexta-feira, julho 20, 2012 0
Reprodução de imagem da internet

Queria ter lido
melhor
antes
aquele poema
da outra mulher
poeta que falava
de trocas
de versos
no lugar de maiores
intimidades (aquelas
que não comem
a alma
mas arrancam
pedaços
de outras partes
do ser inteiro)

queria ter sido
antes
mais
gente que poeta
e me pergunto se
existe maior
intimidade
que essa
dos amantes-
-poetas
que mais imaginam
e se [re]criam
e se rimam
em versos 
tolos
que se sentem


para os que não lêem
sim
para os que se tocam
não

para mim
é tarde demais.
desejo melhor
sorte para ela.

quarta-feira, julho 18, 2012

Da vida pós-maternidade

quarta-feira, julho 18, 2012 1

by KATIE M. BERGGREN


Crônica publicada no Mulher Interativa do jornal Agora [RS] em Julho/2012

"A guerra de uma mulher se desenrola na cama de partos" 
- disse uma personagem do romance "Guerra dos Tronos - O Festim dos Corvos" (de G. Martin). 

Apesar de machista, a frase tem sua razão: na cama de partos o que ocorre é, sim, uma batalha. E apesar de não ser o único terreno onde as mulheres lutam, a luta que ali se trava é apenas o começo de uma guerra tão dura quanto e mais nobre que qualquer outra - a guerra da vida pós-maternidade. 

Dentro dessa guerra, tem a batalha do dia-a-dia, onde tempo é sono e sono é luxo. Só quem dorme muito é o bebê, mas em intervalos tão curtos que nunca se consegue acompanhar. E em cada pequena dormida dele abre-se uma grande oportunidade para fazer tudo aquilo que se deixa para depois:

"Uhu, o bebê dormiu! - uma vez vencida a batalha que pode ser fazer o bebê dormir - Vou terminar as unhas que comecei a fazer há três dias, depois, tomar um banho - que é pra tirar esse cheiro de leite azedo. Depois, dar uma arrumada no quarto e abrir um vinho e fazer um jantar especial e vestir algo especial para curtir o fim de noite com o bem, e depois... Xi, danou-se: o bebê acordou!" 
E assim, em pouco tempo o romantismo dá lugar a pressa e o plano fica bem, bem mais breve - batalha vencida! Tem ainda a luta silenciosa que se trava perante o espelho: 
"onde estou, quem sou, socorro, onde está meu pente e por que, diabos, ainda uso roupas de grávida, apesar do bebê ter sido bem parido há meses?" - feliz daquela que nunca saiu com a camisa manchada de vômito de bebê ou, melhor, nunca foi surpreendida por aquele peito que esqueceu de guardar horas depois de amamentar. 

Mas, segundo o ditado, "ser mãe é padecer no paraíso". Eu, nada sei sobre paraísos, nunca acreditei na existência deles e, particularmente, não recebi nenhum passe livre para algum, carimbado em qualquer parte do meu bebê - e olha que eu as vistorio com frequência na vigilância contra as perebas bestas que teimam em fazer dos bebês seu próprio paraíso. Tornar-se mãe é padecer, sim, mas em ambientes mais hostis, como o perigoso mundo das pracinhas, dos microorganismos e de todo mal que não se pode evitar, as ciladas das festas de aniversário e da sala de espera do consultório médico - que é para onde todas as ameaças em forma de perebas apontam.

Impressionante a quantidade de remédios que um bebê saudável precisa para se manter assim! 
Para cada pereba, uma consulta, para cada consulta, uma receita, para cada receita uma nova forma de perturbar o bebê para o seu próprio bem - são tantas as pomadas que dá vontade de misturar todas numa meleca só e besuntar a criança inteira! E assim, nos primeiros meses de vida, o pediatra acaba sendo mais visitado que qualquer parente. 

Talvez quem tenha a sorte de frequentar um mesmo pediatra por toda a infância do filho possa se considerar a alguns passos do tal paraíso onde as mães padecem - encontrar o pediatra ideal é, sem dúvidas um dos maiores desafios da vida pós-maternidade - mais difícil que acertar o aleitamento, a fralda, os horários de todas as coisas que entram em parafuso quando se tem um bebê em casa. É preciso que ele* tenha boas referências [*o médico, não o bebê, este pode ser inexperiente mesmo] e vaga na agenda e que atenda pelo plano de saúde da família e, se não for pedir demais, que seja bom tanto no tratar dos pequenos, quanto no trato com os pequenos e com as pessoas grandes que o acompanham. E, se possível, que não trate a mãe por "mãezinha" - o que reduz consideravelmente a lista de opções - tudo bem, a "mãezinha" sobrevive se ele for bom para o bebê.

E uma vez que se marque as benditas consultas, chegar nelas a tempo é outro desafio - mesmo sabendo que raramente o paciente será chamado na hora marcada, o que é outro problema. Nessa guerra que é a vida pós-maternidade, um bebê é uma bomba prestes a explodir - passadas duas ou três horas e é preciso começar tudo de novo: mamadas, arrotadas, trocadas... A vida gira em círculos menores quando se tem um bebê pequeno. Longas esperas, seja numa fila, num lindo consultório ou mesmo na sala de casa, podem parecer eternas - justo quando mais se precisa ser paciente.  

É preciso ser paciente, uma boa paciente e uma boa mãe, e como esta, para encontrar um bom médico a quem confiar aquilo que mais se preza, é preciso seguir os próprios instintos. Essa mãe-autora, por exemplo, esteve decidida a mudar o filho de pediatra, até que, numa consulta em que ele chorava muito, a doutora começou a conversar com ele. Ele riu... e a mãe simplesmente mudou de ideia, na mesma na hora - para se arrepender logo depois. Moral da história: 

1. Nunca deixe uma criança de três meses decidir o que é melhor para ela!
2. O sorriso de um bebê confunde até a mais racional das criaturas.
3. Mãe de primeira viagem só aprende tomando na cabeça. 

Portanto, nessa guerra da vida pós-maternidade, não use capacete. Vale mais ser vitorioso carregando cicatrizes dos danos tomados que sair ileso e derrotado.

sexta-feira, julho 13, 2012

Partindo dos olhos

sexta-feira, julho 13, 2012 1
Imagem by Erwin Bloomenfel

Tenho essa lágrima
seca que repousa
num canto
de um olho - o esquerdo
porque o direito
é um olho que só ri
ou faz de conta que sim

meu olho esquerdo
é mais caído
[embora ambos assim o sejam]
creio que tal assimetria se dê
em razão do peso
que o pobre carrega sozinho

o olho direito não é
solidário
a dor de seu vizinho
faz que não
recai sobre si
os mesmos problemas
oculares

faz que não
vê, aquele olho besta
e finge bem, uma vez
que é ele
meu olho ruim
assim como todo o lado
do corpo do qual faz parte

talvez seu vizinho
que a tudo vê melhor
tenha mais razão
para chorar
e carregar restos
de dores em lágrimas
secas

certo é que ambos
hão de se fechar
juntos
algum dia
[e desconfio que nesse dia até
o direito há de chorar
se ainda houver tempo].

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